setembro 21, 2026 | Abraham Costa

Os animes que estão conquistando os fãs em 2026 — e você provavelmente vai querer assistir

O mundo dos animes não para de crescer. A cada temporada, novas histórias aparecem, continuações muito aguardadas chegam às telas e algumas produções acabam surpreendendo até quem acompanha anime há anos.

Em 2026, não está sendo diferente.

Entre ação, fantasia, romance, mistério e histórias capazes de prender o público logo nos primeiros episódios, existe muita coisa para colocar na lista.

Se você está procurando animes para assistir em 2026, confira algumas tendências e tipos de produções que estão conquistando cada vez mais espaço entre os fãs.

1. Animes de fantasia continuam dominando

Os animes que estão conquistando os fãs em 2026

Fantasia continua sendo um dos gêneros mais fortes entre os fãs de anime.

Mundos repletos de magia, criaturas poderosas, guildas, reinos e protagonistas que precisam evoluir para sobreviver são ingredientes que continuam funcionando muito bem.

O interessante é que as produções mais recentes estão tentando ir além da fórmula tradicional.

Em vez de simplesmente apresentar um protagonista extremamente poderoso desde o começo, muitas histórias estão investindo mais na construção do mundo, nas relações entre personagens e nas consequências das decisões tomadas durante a jornada.

Para quem gosta de aventura e evolução de personagem, é um gênero que merece continuar no radar.

2. Histórias de evolução de poder continuam fazendo sucesso

Existe algo extremamente satisfatório em acompanhar um personagem aparentemente comum ficando cada vez mais forte.

Talvez seja justamente por isso que histórias envolvendo níveis, habilidades, poderes especiais e evolução continuam atraindo tantos espectadores.

Esse tipo de narrativa também ganhou ainda mais espaço com a popularização de adaptações de webtoons e obras asiáticas fora do Japão.

O resultado é uma mistura cada vez maior entre elementos tradicionais dos animes e conceitos populares em manhwas e jogos de RPG.

E quando essa combinação é bem executada, fica difícil assistir apenas a um episódio.

3. Os romances estão ganhando espaço novamente

Os animes que estão conquistando os fãs em 2026

Nem só de batalhas vive o mundo dos animes.

Os romances também continuam conquistando uma parcela enorme do público.

Histórias escolares, relacionamentos improváveis, comédias românticas e personagens completamente diferentes que acabam se aproximando são algumas das fórmulas mais populares.

Mas existe uma mudança interessante.

Muitos animes recentes estão dando mais atenção ao desenvolvimento do casal, evitando passar temporadas inteiras sem qualquer avanço significativo na relação.

Para quem gosta de histórias leves para assistir depois de um anime cheio de batalhas, os romances podem ser uma excelente escolha.

4. Animes com protagonistas extremamente fortes ainda despertam curiosidade

Você começa o primeiro episódio e o protagonista parece completamente normal.

Pouco tempo depois, descobre que ele possui uma habilidade absurda.

Essa fórmula já apareceu inúmeras vezes — e ainda consegue despertar curiosidade.

O motivo é simples: o público quer descobrir até onde aquele personagem consegue chegar.

Quando existe um bom sistema de poderes e inimigos realmente perigosos, até um protagonista muito forte pode protagonizar batalhas interessantes.

Por isso, animes com personagens “apelões” continuam entre os conteúdos mais procurados pelos fãs de ação e fantasia.

5. Adaptações de manhwas são uma tendência para acompanhar

Durante muitos anos, mangás japoneses dominaram quase completamente o mercado de adaptações para anime.

Esse cenário começou a mudar.

Webtoons e manhwas ganharam milhões de leitores ao redor do mundo, fazendo com que histórias originalmente publicadas em formato digital começassem a receber adaptações cada vez mais ambiciosas.

Para os fãs, isso significa uma quantidade ainda maior de histórias disponíveis.

Especialmente porque muitos manhwas trabalham justamente com temas extremamente populares, como:

  • caçadores;
  • portais e masmorras;
  • sistemas de níveis;
  • regressão;
  • reencarnação;
  • vingança;
  • fantasia;
  • protagonistas que começam fracos e se tornam extremamente poderosos.

Quem gosta desse estilo provavelmente terá bastante coisa para acompanhar nos próximos anos.

6. Continuações conseguem gerar tanta expectativa quanto novos animes

Quando uma temporada termina no melhor momento possível, começa aquela espera dolorosa pela continuação.

E algumas continuações acabam sendo mais aguardadas do que lançamentos completamente novos.

Isso acontece porque o público já criou uma conexão com os personagens e quer descobrir imediatamente o que acontecerá depois.

Por esse motivo, vale ficar atento aos anúncios oficiais dos estúdios e plataformas.

Uma temporada nova pode fazer um anime que estava fora dos holofotes voltar rapidamente para o centro das discussões.

7. Animes desconhecidos também podem virar as grandes surpresas do ano

Nem sempre o anime mais comentado antes da estreia é aquele que domina a temporada.

Praticamente todos os anos aparecem produções inicialmente ignoradas que começam a crescer graças às recomendações dos próprios espectadores.

Às vezes basta uma cena impressionante viralizar para milhares de pessoas começarem a assistir.

Por isso, acompanhar apenas os títulos mais famosos pode fazer você deixar passar algumas excelentes histórias.

Dar uma oportunidade para produções menores continua sendo uma das melhores formas de encontrar aquele anime que ninguém estava esperando — mas que acaba entrando para sua lista de favoritos.

Afinal, quais animes vale a pena assistir em 2026?

Isso depende bastante do tipo de história que você gosta.

Quem prefere ação pode procurar produções envolvendo batalhas, poderes e evolução. Fãs de fantasia encontram cada vez mais mundos enormes para explorar, enquanto quem busca algo mais tranquilo pode apostar em romances, comédias e histórias do cotidiano.

Uma coisa, porém, parece certa: 2026 ainda tem muito anime interessante para entregar.

E algumas das produções que hoje estão apenas começando podem se transformar nos próximos grandes fenômenos entre os fãs.

Por isso, vale acompanhar os lançamentos e ficar atento às novidades de cada temporada.

E você: qual anime está acompanhando atualmente?

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setembro 18, 2026 | Abraham Costa

Quem é a Melhor Waifu de High School DxD? Rias, Akeno, Kuroka ou Rossweisse?

Escolher a melhor waifu de High School DxD está longe de ser uma tarefa simples.

Rias Gremory e Akeno Himejima normalmente aparecem imediatamente quando o assunto surge, mas o universo de DxD possui muitas outras personagens que conquistaram os fãs.

Kuroka, Rossweisse, Koneko, Xenovia, Asia, Ravel, Irina e várias outras entram facilmente nessa discussão.

Então, quem merece o título?

Rias Gremory

Quem é a Melhor Waifu de High School DxD? Rias, Akeno, Kuroka ou Rossweisse?

Rias é uma das personagens mais importantes de toda a obra.

Além de sua aparência extremamente marcante, ela é poderosa, confiante e demonstra um enorme cuidado com os integrantes de seu grupo.

Sua relação com Issei também é parte central da história.

Por isso, para muitos fãs, qualquer discussão sobre a melhor waifu de DxD inevitavelmente começa com Rias Gremory.

Akeno Himejima

Quem é a Melhor Waifu de High School DxD? Rias, Akeno, Kuroka ou Rossweisse?

Akeno provavelmente é uma das maiores concorrentes de Rias.

Elegante, poderosa e provocadora, ela inicialmente parece possuir uma personalidade bastante simples.

Mas seu passado e seus conflitos familiares revelam uma personagem muito mais complexa.

A combinação entre aparência, personalidade, poder e desenvolvimento fez Akeno se tornar uma das personagens mais populares de High School DxD.

Kuroka

Quem é a Melhor Waifu de High School DxD? Rias, Akeno, Kuroka ou Rossweisse?

Kuroka definitivamente precisava estar nessa lista.

Ela é a irmã mais velha de Koneko e uma poderosa nekomata, possuindo uma personalidade completamente diferente da irmã.

Enquanto Koneko costuma ser reservada, Kuroka é extremamente brincalhona, confiante e provocadora.

Por trás desse comportamento, entretanto, existe uma história complicada envolvendo sua irmã.

A relação entre Kuroka e Koneko permite conhecer outro lado das duas personagens e explica vários acontecimentos do passado.

Além disso, seu visual característico de nekomata ajudou Kuroka a conquistar uma enorme quantidade de fãs.

Para quem prefere personagens mais imprevisíveis e provocadoras, Kuroka facilmente entra entre as favoritas de DxD.

Rossweisse

Rossweisse é outra candidata que não pode ser esquecida.

Originalmente uma Valquíria ligada a Odin, ela acaba se aproximando de Issei e dos demais personagens.

O interessante é o contraste de sua personalidade.

Rossweisse pode ser extremamente competente quando precisa lutar ou utilizar magia, mas também protagoniza diversas situações engraçadas relacionadas à sua vida cotidiana.

Isso faz com que ela tenha uma personalidade bastante diferente de Rias ou Akeno.

Com o avanço da história, sua relação com Issei também recebe mais espaço.

Por isso, Rossweisse possui uma legião própria de fãs.

Koneko Toujou

Koneko começa a história sendo uma das personagens mais quietas do grupo.

Ela fala pouco e frequentemente reage às loucuras de Issei de maneira completamente séria.

Entretanto, sua história muda bastante conforme descobrimos mais sobre sua origem e principalmente sobre sua relação com Kuroka.

Sua evolução emocional é justamente um dos pontos que fizeram Koneko se tornar tão popular.

Xenovia Quarta

Xenovia é praticamente o oposto de Koneko.

Ela é direta, determinada e não costuma esconder aquilo que está pensando.

Inicialmente ligada à Igreja, Xenovia passa por uma grande transformação durante a história e eventualmente se aproxima muito do grupo de Issei.

Sua personalidade também gera alguns dos momentos mais engraçados da obra.

Ravel Phenex

Ravel pode não receber inicialmente o mesmo destaque de Rias e Akeno, mas sua importância aumenta bastante.

Ela é inteligente, organizada e demonstra possuir uma ótima capacidade estratégica.

Sua relação com Issei também evolui ao longo da história.

Por isso, quem acompanha mais profundamente o universo de DxD provavelmente entende por que Ravel possui tantos fãs.

Asia Argento

Asia representa o lado mais gentil do elenco.

Ela é carinhosa, inocente e extremamente preocupada com as pessoas próximas.

Sua relação com Issei começa cedo e possui bastante importância principalmente nos acontecimentos iniciais da história.

É uma escolha completamente diferente de personagens como Akeno ou Kuroka.

Irina Shidou

Irina também merece aparecer.

Amiga de infância de Issei, ela traz uma dinâmica diferente justamente porque existe uma conexão entre os dois anterior a muitos dos acontecimentos sobrenaturais da série.

Sua personalidade alegre e energética faz com que ela se destaque dentro do enorme elenco feminino.

Grayfia Lucifuge

Grayfia talvez não esteja no centro do romance envolvendo Issei, mas seria impossível falar das mulheres mais populares de DxD sem mencionar seu nome.

Ela é extremamente poderosa e possui uma postura séria e elegante.

Seu visual e sua importância dentro do mundo dos demônios fizeram Grayfia conquistar muitos fãs.

Serafall Leviathan

E temos ainda Serafall Leviathan.

Apesar de ocupar uma posição extremamente importante no mundo dos demônios, sua personalidade consegue ser completamente diferente do que alguém poderia esperar.

Ela é extravagante, energética e possui uma relação extremamente protetora com sua irmã Sona Sitri.

Essa combinação entre enorme poder e comportamento excêntrico faz Serafall ser uma das personagens mais divertidas da obra.

Afinal, qual é a melhor waifu de High School DxD?

High School DxD possui tantas personagens populares que dificilmente haverá consenso.

Rias tem enorme importância para a história e para o romance.

Akeno mistura poder, carisma e uma personalidade provocadora.

Kuroka traz seu jeito brincalhão e uma história interessante envolvendo Koneko.

Rossweisse combina força, inteligência e comédia.

Enquanto isso, Koneko, Xenovia, Asia, Ravel, Irina, Grayfia e Serafall possuem características completamente diferentes.

É justamente isso que torna a pergunta tão difícil.

Depois de tantos nomes, a verdadeira batalha fica para os fãs:

Rias, Akeno, Kuroka, Rossweisse, Koneko, Xenovia, Ravel, Asia, Irina, Grayfia ou Serafall: qual é a sua favorita de High School DxD?

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setembro 18, 2026 | Abraham Costa

Anime Horror Collector Revela Data de Estreia em Novo Trailer

Anime Horror Collector Revela Data de Estreia em Novo Trailer. Depois de meses de expectativa, a produtora finalmente soltou a bomba: Horror Collector estreia dia 10 de outubro de 2026, às 23h45 (horário japonês), na NHK. O anúncio veio junto com um teaser trailer e um visual principal publicados nesta sexta-feira na conta oficial do anime no X, encerrando a espera de quem acompanha o projeto desde o anúncio original em dezembro de 2025.

A confirmação chega quase um ano depois da NHK ter revelado pela primeira vez que a adaptação estava a caminho, prometendo apenas “outono de 2026” como janela de lançamento. Agora, com data fechada e um punhado de novas informações sobre elenco e equipe técnica, dá para entender melhor o que esperar da série.

O que o trailer mostrou

O vídeo é curto, mas denso em informação. Além de confirmar os 12 episódios que vão compor a temporada, o teaser trouxe o tema de abertura, “Kagebōshi” (algo como “Silhueta”), interpretado por Shikao Suga — que também assina o encerramento ainda não revelado. A trilha sonora ficou a cargo de Masato Kōda, com Tetsuya Gunji na direção de áudio.

No campo visual, o material reforça a estética sombria que já era esperada de uma obra ligada a Norio Tsuruta, conhecido como uma espécie de “pai do J-Horror” por seu trabalho em Ring 0: Birthday e Orochi. Tsuruta não dirige o anime, mas atua como supervisor da franquia desde os livros originais, o que dá ainda mais peso ao tom de terror psicológico que a produção promete manter.

Assista aqui

Quem está por trás da produção

A direção geral ficou nas mãos de Yuki Inaba, nome que os fãs de isekai vão reconhecer de KamiKatsu: Working for God in a Godless World e da segunda temporada de Our Last Crusade or the Rise of a New World. Inaba também assina a composição de série, ou seja, tem participação direta na estrutura narrativa dos episódios, não só na direção técnica.

O design de personagens ficou com Kaori Yoshikawa, também vinda de KamiKatsu e Our Last Crusade, formando uma dupla criativa que já trabalhou junta antes. A animação está a cargo do Studio Palette, estúdio que ficou conhecido recentemente por The World’s Finest Assassin.

O elenco de dublagem também foi revelado junto com o trailer. Hiiro Ishibashi empresta a voz ao protagonista Fushigi Senno, enquanto Jun Fukuyama dá vida a Jimmy. Saori Hayami interpreta Himitsu, a garota no centro do mistério da trama, e Nobuhiko Okamoto assume o enigmático Blue Umbrella Man — um nome que já rende teorias entre os fãs que seguem os romances originais.

Do que trata Horror Collector

Para quem ainda não conhece a obra, Horror Collector (Kyōfu Collector no original) é uma série de romances infantis escrita por Midori Satō, publicada pela Kadokawa desde junho de 2015 sob o selo Tsubasa Bunko. A franquia já soma mais de 27 volumes, prova de que não se trata de um projeto pequeno ou recém-nascido, mas de uma obra consolidada que só agora ganha sua adaptação para TV.

A premissa gira em torno de Fushigi Senno, um garoto de capuz vermelho que viaja de cidade em cidade investigando lendas urbanas que, de alguma forma, se tornam reais. A internet, como a sinopse oficial coloca, está cheia de creepypastas, relatos de criaturas e histórias de desaparecimentos sem solução — na maioria das vezes, só boatos e brincadeiras de internautas. O problema é que algumas dessas lendas são verdadeiras, e quem cruza o caminho errado paga um preço alto.

No centro dessa engrenagem está Himitsu, a garota capaz de fazer essas lendas urbanas ganharem forma física. O objetivo de Fushigi é encontrá-la, ainda que os motivos exatos por trás dessa busca continuem guardados a sete chaves pelo material promocional até agora.

A obra já teve uma adaptação para mangá, desenhada por Yuki, publicada entre 2021 e 2022 e compilada em volume único em março do mesmo ano. Nos Estados Unidos, tanto os romances quanto o mangá são licenciados pela Yen Press, dentro do selo “JY for Kids”, voltado ao público infantojuvenil — um detalhe que talvez surpreenda quem espera algo no nível de Another ou Corpse Party, já que a base literária mira um leitor mais jovem, mesmo lidando com temas de terror.

Uma linha do tempo movimentada

Vale lembrar como o projeto chegou até aqui. O anúncio inicial saiu em dezembro de 2025, sem revelar praticamente nenhum nome da equipe técnica, apenas a confirmação de que a NHK levaria a franquia para as telas no outono de 2026. Em maio deste ano, veio a segunda leva de informações, com a data mais específica de outubro e os primeiros nomes do elenco. Em julho, foi a vez de Shikao Suga ser anunciado como intérprete das duas músicas-tema. Agora, em setembro, fecha-se o ciclo com a data exata, o trailer e o visual principal.

Esse tipo de divulgação escalonada é comum em produções da NHK, que costuma espaçar os anúncios ao longo de vários meses para manter o interesse do público aquecido até a estreia — e, no caso de Horror Collector, parece ter funcionado bem, já que a movimentação nas redes cresceu a cada nova informação liberada.

Anime Horror Collector Revela Data de Estreia em Novo Trailer
Anime Horror Collector Revela Data de Estreia em Novo Trailer – Imagem: Otaku PT

Por que vale ficar de olho

O gênero de terror no anime nunca foi um dos mais explorados pelos grandes estúdios, e boa parte dos fãs ainda cita títulos como Another ou Corpse Party quando o assunto surge, mesmo depois de tantos anos de lançamento. Isso cria uma lacuna real no mercado, e Horror Collector chega justamente nesse espaço, com um pedigree interessante: um criador ligado à história recente do horror japonês em live-action, uma base literária já testada com mais de duas dezenas de volumes publicados, e um estúdio de animação que vem ganhando reputação nos últimos anos.

A escolha de transmitir pela NHK também chama atenção, já que o canal público japonês costuma ser mais seletivo com produções de anime, priorizando títulos com apelo mais amplo ou educativo. Ver uma obra de terror urbano garantir esse espaço sugere que a emissora está confiante no potencial da franquia para além do público estritamente otaku.

O que esperar a partir de agora

Com a data de estreia confirmada para 10 de outubro, a expectativa agora é pela liberação do tema de encerramento, ainda sem título, e por mais material promocional nas próximas semanas. É provável que novos trailers cheguem conforme a data se aproxima, trazendo mais cenas de animação e, talvez, pistas mais concretas sobre a identidade do Blue Umbrella Man e sobre os planos reais de Fushigi Senno em relação a Himitsu.

Para quem sentia falta de uma proposta de terror mais consistente no catálogo sazonal, Horror Collector entra no radar como uma das apostas mais interessantes do outono japonês. Resta acompanhar se a adaptação vai conseguir traduzir para a tela o clima que os 27 volumes de romance já construíram ao longo de mais de uma década.

Imagem do topo: Crunchyroll

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setembro 17, 2026 | Abraham Costa

The Dangers in My Heart chega ao fim depois de oito anos de publicação

The Dangers in My Heart chega ao fim depois de oito anos de publicação. Depois de mais de oito anos rodando nas páginas da Weekly Shōnen Champion e, mais tarde, no site Manga Cross, The Dangers in My Heart está com os dias contados. O mangá de Norio Sakurai, conhecido no Japão como Boku no Kokoro no Yabai Yatsu, teve seu desfecho confirmado pela própria editora: a obra vai terminar no 14º volume compilado, e o capítulo 196 já anunciou que restam apenas mais três capítulos até o ponto final.

Para quem acompanha a série desde o lançamento, em março de 2018, a notícia bate diferente. Não é o cancelamento repentino que costuma pegar leitores de surpresa — é o fechamento planejado de uma história que sempre soube onde queria chegar.

Uma trajetória que passou por três sites diferentes

Poucos títulos do gênero rom-com tiveram uma vida editorial tão conturbada quanto essa. O mangá estreou na revista impressa Weekly Shōnen Champion em março de 2018, mas logo migrou para o formato digital: já em abril daquele ano, passou a ser publicado no site Champion Cross. Meses depois, em julho de 2018, a Akita Shoten fundiu o Champion Cross com outra de suas plataformas, o Champion Tap!, dando origem ao Manga Cross — endereço que abrigou a obra pela maior parte de sua existência, até um relançamento em abril de 2024 que devolveu o site ao nome Champion Cross.

Essa migração entre plataformas ajuda a explicar por que a numeração dos capítulos de The Dangers in My Heart às vezes confunde quem tenta ler tudo em ordem. Mas o enredo em si nunca perdeu o fio: a relação entre Kyotaro Ichikawa, um garoto que se imagina como protagonista sombrio de um thriller psicológico, e Anna Yamada, a queridinha da turma que esconde suas próprias excentricidades, foi construída aos poucos, sem pressa e sem artifícios baratos para prender o leitor.

Do que trata a história, afinal

Quem nunca leu pode estranhar o nome. The Dangers in My Heart soa como algo sombrio, quase um suspense adolescente. E, no início, é exatamente essa a proposta: Kyotaro se vê como um marginalizado cheio de fantasias violentas em relação aos colegas, um garoto que se acha perigoso demais para o convívio social comum.

Só que a graça da obra está justamente em desmontar essa fachada. Conforme a convivência com Anna avança, fica claro que o lado “sombrio” de Kyotaro é, na prática, insegurança de adolescente misturada com timidez e uma dose generosa de drama interno exagerado. Anna, por sua vez, também não é a garota perfeita que o resto da escola enxerga — ela tem suas manias, seus desconfortos e uma forma bem particular de se aproximar das pessoas.

É essa disparidade entre a autoimagem dos personagens e quem eles realmente são que segurou o interesse do público por tanto tempo. Não é uma trama movida por reviravoltas ou grandes conflitos externos: o motor da história sempre foi a evolução emocional dos dois protagonists, capítulo após capítulo, num ritmo mais próximo do cotidiano real do que da narrativa acelerada comum em outros rom-coms de escola.

Reconhecimento que ultrapassou o nicho

The Dangers in My Heart não ficou restrito a um público cativo de fãs de mangá digital. A obra levou o Next Manga Award de 2020 na categoria Web e também recebeu o 5º Tsutaya Comic Award, em 2021 — prêmios que costumam sinalizar quando um título deixa de ser “descoberta de nicho” para virar fenômeno de vendas físicas e recomendação de livraria.

Esse reconhecimento abriu caminho natural para a adaptação em anime, produzida pela Shin-Ei Animation. A primeira temporada estreou na TV Asahi em abril de 2023, seguida por uma segunda temporada em janeiro de 2024, que foi ao ar até abril do mesmo ano. Também houve um especial e um filme compilatório nos cinemas japoneses, além de uma terceira temporada já confirmada pelo estúdio — o que mostra que o interesse pela franquia segue vivo mesmo com o mangá original caminhando para o encerramento.

No Ocidente, a Seven Seas Entertainment ficou responsável pela publicação em inglês, e o anime chegou ao público internacional via HIDIVE, com dublagem incluída a partir da segunda temporada.

O universo não termina junto com o mangá principal

Vale um parênteses aqui, porque é comum confundir “fim do mangá” com “fim da franquia” — e não é bem esse o caso. Em julho de 2025, a autora Haika Nanasaka lançou um spin-off chamado The Dangers in My Heart: A Romantic Comedy Will Not Start, focado em Kana, a irmã mais velha de Kyotaro. A Akita Shoten já publicou o primeiro volume compilado dessa história derivada, o que indica que o estúdio pretende manter o mundo de BokuYaba — apelido pelo qual a série é conhecida entre os fãs japoneses — vivo mesmo depois que a trama central de Kyotaro e Anna for encerrada.

The Dangers in My Heart chega ao fim depois de oito anos de publicação
Crunchyroll

Além do spin-off em quadrinhos, existe também uma novel oficial, escrita por Kota Nozomi com ilustrações do próprio Sakurai, publicada pela Media Factory em setembro de 2024. E há ainda o Twi-Yaba, uma série derivada mais curta que ganhou sua própria adaptação animada no fim de 2023.

Ou seja: o encerramento do mangá principal fecha um ciclo específico — a jornada de Kyotaro e Anna —, mas não significa que a editora está desistindo da propriedade. Pelo contrário, tudo indica uma estratégia de transição, tirando o foco da trama original no momento certo para abrir espaço a histórias paralelas.

Por que terminar agora faz sentido narrativo

Séries de romance escolar enfrentam um problema estrutural conhecido: quanto mais tempo o casal central demora para evoluir, mais artificial a tensão narrativa tende a soar. Muitos títulos do gênero acabam se arrastando, reciclando mal-entendidos e situações repetitivas só para justificar mais volumes nas prateleiras.

Sakurai pareceu evitar essa armadilha. Ao longo dos 196 capítulos e 13 volumes já publicados, a relação entre Kyotaro e Anna teve progressão real — não ficou estagnada em torno do mesmo conflito reciclado. Isso talvez explique por que o anúncio do fim, feito ainda no 13º volume e reforçado no capítulo 196, não gerou revolta entre os leitores, mas sim uma mistura de nostalgia e reconhecimento de que a história tinha, de fato, um destino a cumprir.

Esse tipo de encerramento planejado — e não forçado por queda de audiência ou decisão editorial abrupta — costuma deixar fãs mais em paz com o fim, mesmo quando a despedida dói.

O que esperar depois do capítulo final

Com o 14º volume prestes a fechar a história principal, os holofotes devem migrar naturalmente para o spin-off de Kana e para a terceira temporada do anime já confirmada pela Shin-Ei Animation. Para quem começou a acompanhar The Dangers in My Heart recentemente, atraído pelo boom do anime, esse é o momento ideal para maratonar os volumes do início até o fim antes que os últimos capítulos sejam lançados — e sentir, na prática, o motivo pelo qual essa história conquistou prêmios, adaptação animada e um público fiel ao longo de oito anos.

De qualquer forma, o fechamento de Boku no Kokoro no Yabai Yatsu marca o fim de uma era para o gênero rom-com escolar: uma obra que começou pequena, migrou de site em site, e terminou virando referência de como equilibrar humor, ansiedade adolescente e crescimento emocional sem apelar para clichês do gênero.

Imagem do topo: Prime Video

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setembro 16, 2026 | Abraham Costa

Demon Slayer: Castelo Infinito chega à Netflix, HBO Max e Prime Video; confira as datas

Quem passou os últimos meses evitando spoilers finalmente pode respirar aliviado. Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba – Castelo Infinito I deixa de ser exclusividade da Crunchyroll e desembarca em três das maiores plataformas de streaming do país. A partir do fim de setembro de 2026, o filme estará disponível também na Netflix, na HBO Max e na Prime Video, ampliando bastante o alcance da produção que já é a mais bem-sucedida da história do anime nos cinemas.

As datas confirmadas

Segundo informações divulgadas por veículos especializados em streaming, como ANMTV e TVLaint, e confirmadas por publicações como O Vício, o calendário de estreia segue a seguinte ordem:

  • Netflix: 28 de setembro de 2026
  • HBO Max: 29 de setembro de 2026
  • Prime Video: 29 de setembro de 2026

Ou seja, quem assina Netflix sai na frente por um dia. Já os assinantes de HBO Max e Prime Video terão acesso ao longa simultaneamente, a partir do dia seguinte. Vale lembrar que essas datas partiram de fontes do setor e ainda não foram oficializadas em comunicados formais das próprias plataformas, então pequenos ajustes de última hora não estão descartados — algo relativamente comum quando um título muda de catálogo.

Antes de tudo isso, o filme já rodava havia quase dois meses pela Crunchyroll, que recebeu a produção em 28 de julho, após um período exclusivo de cinemas que se estendeu por praticamente um ano. A chegada às três novas plataformas marca, portanto, o fim de uma longa janela de exclusividade e o início de uma fase em que o filme fica acessível a um público muito maior, sem custo extra além da assinatura mensal de cada serviço.

Por que tanta gente está de olho nesse lançamento

Não é exagero dizer que Castelo Infinito I é hoje um dos fenômenos mais comentados do universo do anime. O longa, que retrata a etapa final da saga de Tanjiro Kamado contra Muzan Kibutsuji, passou 266 dias em cartaz no Japão e faturou cerca de 40,2 bilhões de ienes só no mercado doméstico — a segunda maior bilheteria da história do cinema japonês, atrás apenas de Demon Slayer: Mugen Train, do próprio franchise. No total mundial, a arrecadação ultrapassou 793 milhões de dólares, com mais de 98 milhões de espectadores nas salas de cinema ao redor do planeta.

Números desse tamanho explicam o interesse das plataformas de streaming em correr atrás dos direitos de exibição assim que a janela de exclusividade nos cinemas se encerrou. Para Netflix, HBO Max e Prime Video, trazer um título com esse volume de fãs para o catálogo funciona como isca para reter assinantes e atrair novos — especialmente num mês em que o hype em torno do universo Kimetsu no Yaiba segue alto por conta da expectativa pela sequência.

O que o filme conta

Para quem ainda não assistiu, Castelo Infinito I retoma exatamente de onde a terceira temporada da série parou, jogando Tanjiro, Zenitsu, Inosuke e os Hashira dentro da fortaleza que dá nome ao arco: o Castelo Infinito, base de operações de Muzan. É ali que os caçadores de demônios enfrentam alguns dos inimigos mais poderosos já apresentados na obra de Koyoharu Gotouge.

Essa primeira parte da trilogia, batizada no Japão de “O Retorno de Akaza”, concentra três confrontos que já entraram para a lista de batalhas favoritas dos fãs: Shinobu Kocho contra Doma, Zenitsu contra seu antigo colega Kaigaku, e Tanjiro ao lado de Giyu Tomioka enfrentando Akaza. São embates que combinam ação frenética com momentos emocionalmente pesados, típicos da forma como a ufotable costuma tratar os arcos mais dramáticos da franquia.

A direção do longa segue nas mãos de Haruo Sotozaki, com roteiro adaptado da obra original de Gotouge e trilha sonora assinada por Yuki Kajiura e Go Shiina — a dupla responsável pela identidade sonora da série desde suas primeiras temporadas. A produção de animação, como sempre, fica por conta do estúdio ufotable, reconhecido pelo capricho nas cenas de luta e pela forma como mistura cenários digitais com personagens desenhados à mão.

Uma trilogia, três capítulos

Um ponto que costuma gerar confusão entre quem não acompanha o anime de perto: Castelo Infinito não é um filme único, mas o primeiro capítulo de uma trilogia que vai fechar de vez a história de Tanjiro e companhia. A ufotable ainda não revelou datas oficiais para o segundo e o terceiro filmes, mas rumores dentro da comunidade apontam que novidades sobre a continuação podem surgir durante a Jump Festa, evento que a Shueisha costuma realizar no fim do ano para anunciar novidades dos seus principais títulos.

Isso significa que quem assistir à primeira parte agora pelo streaming ainda vai precisar aguardar para ver o desfecho completo da saga — mas pelo menos não corre mais o risco de encontrar spoilers descontrolados nas redes sociais, já que a exibição estava restrita a quem tinha assinatura da Crunchyroll ou foi ao cinema.

Demon Slayer: Castelo Infinito chega à Netflix
Demon Slayer: Castelo Infinito chega à Netflix – Imagem: Ingresso

Netflix, HBO Max ou Prime Video: faz diferença qual escolher?

Na prática, pouca coisa muda entre as três plataformas em termos de experiência de exibição — a expectativa é que a dublagem e a legendagem sigam o mesmo padrão já disponível na Crunchyroll, incluindo o áudio original em japonês e a versão dublada em português. A diferença relevante está mesmo na data: quem já é assinante da Netflix consegue assistir um dia antes das outras duas plataformas.

Vale considerar também que, diferentemente do modelo de aluguel digital que costuma valer para lançamentos recentes em serviços como Apple TV ou Google Play, o filme entrará no catálogo dessas três plataformas sem cobrança adicional — está incluído na assinatura mensal normal de cada serviço, igual a qualquer outro título do catálogo.

Dúvidas comuns antes da estreia

Preciso ser assinante pago para assistir? Sim. Nas três plataformas, o filme entra no catálogo padrão, então basta ter uma assinatura ativa — não é um lançamento avulso que exige pagamento à parte, como costuma acontecer com pré-estreias de outros estúdios em serviços de aluguel digital.

A Crunchyroll vai perder o filme do catálogo? Não há indicação disso. O movimento mais comum nesse tipo de acordo de licenciamento é a coexistência: a Crunchyroll segue como o serviço voltado especificamente para fãs de anime, enquanto Netflix, HBO Max e Prime Video expandem o alcance para um público mais amplo, que talvez nem tivesse considerado assinar um serviço de nicho só para ver esse título.

Por que demorou tanto para chegar às outras plataformas? É bastante comum que grandes lançamentos de anime sigam uma janela de exclusividade antes de migrar para outros catálogos. Isso costuma envolver acordos de licenciamento entre a produtora japonesa, a distribuidora internacional — no caso, Sony Pictures em parceria com a Crunchyroll — e cada plataforma interessada em exibir o conteúdo. Esse tipo de negociação leva tempo, e a estratégia normalmente prioriza primeiro o público mais engajado, disposto a pagar por um serviço especializado, para só depois abrir para o público geral.

As datas podem mudar? É possível, embora improvável numa escala grande. Catálogos de streaming sofrem ajustes de última hora com alguma frequência, geralmente por questões contratuais ou técnicas que nada têm a ver com o conteúdo em si. Vale a pena conferir o aplicativo da plataforma escolhida no próprio dia da estreia para confirmar o horário exato de liberação, já que costuma variar conforme o fuso horário.

O que esperar depois

Com a chegada às grandes plataformas, é bem provável que o interesse em torno de Demon Slayer volte a crescer nas próximas semanas, tanto entre quem já é fã de longa data quanto entre espectadores que só acompanham anime esporadicamente e vão aproveitar a facilidade de já ter o filme no serviço que já assinam. Esse tipo de movimento costuma inflar buscas, gerar conversa nas redes e, historicamente, tende a acelerar os planos de divulgação da continuação.

Por enquanto, o que fica confirmado é isso: setembro fecha com Demon Slayer: Castelo Infinito I ocupando lugar de destaque em três dos catálogos mais concorridos do streaming brasileiro. Quem já esperou meses para assistir sem pagar por um serviço extra finalmente tem motivo para marcar o calendário — 28 de setembro na Netflix, 29 na HBO Max e na Prime Video.

Alternativa Nerd

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setembro 15, 2026 | Abraham Costa

O Vilão Inútil – Light Novel – cap 3

Capítulo 3 — Eu Só Precisava Subir Um Rank

Três dias.

Fiquei olhando para a carta enquanto mastigava o pão devagar.

Três dias para uma avaliação que poderia decidir se eu continuaria sendo apenas um Visconde inútil ou me tornaria um Visconde inútil com menos terras.

Era impressionante como minha segunda vida estava conseguindo piorar tão rápido.

— Edgar.

— Sim, jovem mestre?

— Essa avaliação acontece com todo mundo?

— Com todos os alunos matriculados na Academia Imperial de Matrimônio.

— E todo ano?

— Sim.

Apoiei a carta na mesa.

— Certo. Então me explica como se eu não soubesse absolutamente nada.

Edgar ficou em silêncio.

Merda.

Talvez tivesse exagerado.

— Quero dizer… quero ouvir sua opinião.

— Minha opinião?

— Sobre minha situação.

Ele ainda parecia desconfiado.

Não dava para culpá-lo.

Até ontem, Adrian Veyron provavelmente não perguntava a opinião de ninguém.

— Pode falar sem medo — acrescentei.

Edgar respirou fundo.

— Nesse caso, perdoe minha franqueza.

— Manda.

Ele franziu levemente a testa.

— Prossiga.

Precisaria vigiar minhas palavras.

— O Rank Matrimonial não considera apenas capacidade mágica — explicou ele. — A Academia avalia quatro fundamentos: poder, administração, reputação e perspectivas de união.

Aquilo eu lembrava.

Mais ou menos.

No jogo, o sistema era apresentado por números. Viver dentro dele era diferente.

— Poder eu já perdi.

— Senhor…

— Tenho zero de mana, Edgar. Não precisa tentar me animar.

Ele não respondeu.

— Administração?

— A situação atual da Casa Veyron será considerada.

— Então também estou ferrado.

Edgar fez uma pequena pausa.

— A situação não é favorável.

— Você é muito educado.

Continuei.

— Reputação?

Ele olhou para mim.

— Onze pontos.

— Certo. Essa eu mereci.

Restava uma.

— Perspectivas de união.

Edgar ficou ainda mais desconfortável.

— Nenhuma proposta ativa.

— Nenhuma?

— Não.

— Nem de Rank F?

— Não.

Aquilo doeu mais do que deveria.

— Pera aí. Ninguém?

— Atualmente, não.

— Num continente inteiro?

— Os registros da Academia não abrangem todo o continente.

— Ah. Então melhorou bastante.

Edgar percebeu o sarcasmo.

Acho.

Peguei uma maçã.

— Qual foi meu resultado no ano passado?

— Rank F.

— Isso eu sei. Quantos pontos?

— Vinte e sete.

Parei.

— E quanto precisa para E?

— Quarenta.

Treze pontos.

Não parecia impossível.

— Então só preciso conseguir treze.

Edgar permaneceu calado.

Olhei para ele.

— O quê?

— Sua pontuação preliminar deste ano é inferior à anterior.

Minha mão parou.

— Quanto?

— Dezenove.

Coloquei a maçã de volta no prato.

— Como eu perdi oito pontos?

— Houve alguns… incidentes.

— Quantos?

Edgar não respondeu.

— Muitos?

— Sim.

— Envolvendo mulheres?

Silêncio.

— Entendi.

Encostei na cadeira.

Precisava de vinte e um pontos em três dias.

Sem mana.

Sem reputação.

Sem proposta de casamento.

E com uma Casa em crise.

Fácil.

— Ani.

[Sim?]

Edgar virou a cabeça.

Eu congelei.

Ele não conseguia ouvir.

Claro.

— Nada.

Edgar me encarou.

— Estava pensando alto.

— Compreendo.

Não compreendia porcaria nenhuma.

Esperei até ele se afastar para organizar a bandeja.

Ani, você conhece os critérios exatos da avaliação?

Dessa vez pensei em vez de falar.

[Posso responder diretamente ao pensamento do usuário.]

Isso teria sido útil saber antes.

[O usuário não perguntou.]

Quase suspirei.

Critérios.

Uma pequena lista surgiu na minha visão.

Ela não tinha números exatos.

Isso me surpreendeu.

Você não sabe?

[Os critérios disponíveis derivam das memórias do usuário e do hospedeiro. A fórmula utilizada pela Academia não está presente de maneira completa em nenhuma delas.]

Interessante.

Ani não estava puxando informação do nada.

Ela organizava o que eu sabia.

Talvez pudesse fazer mais que isso futuramente, mas por enquanto tinha limites claros.

Gostei.

Uma habilidade sem limite era divertida por cinco minutos.

Depois virava trapaça.

Então precisamos descobrir.

[Correto.]

Terminei o café.

— Edgar, eu quero ver as contas da família.

A jarra quase escapou da mão dele.

— As… contas?

— É.

— Da Casa Veyron?

— Eu só tenho uma.

— Naturalmente.

Ele ficou me olhando.

— Tem algum problema?

— Não, senhor.

— Então quero tudo. Receita, despesas, dívidas, propriedades, funcionários, contratos. O que tiver.

— Tudo?

— Tudo.

Edgar demorou alguns segundos.

— Posso perguntar por quê?

Boa pergunta.

Porque eu era um brasileiro morto que tinha zerado o jogo onde a família dele existia?

Não parecia uma boa resposta.

— Porque daqui a três dias alguém vai decidir se eu sou capaz de administrar minhas próprias terras.

A expressão dele mudou um pouco.

— Achei que seria inteligente descobrir o que estou administrando.

Dessa vez Edgar não respondeu imediatamente.

Fez apenas uma reverência.

— Providenciarei os documentos.

— Obrigado.

Ele caminhou até a porta.

— Edgar.

Parou.

— E o duelo.

— Sim?

— Cancela hoje.

— Como desejar.

A porta fechou.

Fiquei sozinho.

Levantei.

Agora precisava descobrir uma coisa.

Se a situação da Casa Veyron era tão ruim quanto eu lembrava.


Era pior.

Muito pior.

Uma hora depois, havia livros e papéis espalhados pela escrivaninha.

Eu não entendia metade dos termos.

Mas entendia números.

E números não precisavam de tradução.

— Isso aqui é dívida?

— Sim.

Edgar estava ao meu lado.

Apontei para outra coluna.

— E isso?

— Juros.

— Só os juros?

— Sim.

Olhei novamente.

— Rapaz…

Edgar fingiu que não ouviu.

A Casa Veyron ainda possuía dinheiro.

Esse era o lado bom.

O lado ruim era que devia muito mais.

O Viscondado tinha três vilas principais, várias aldeias menores, terras agrícolas, uma floresta e uma pequena mina.

No papel, parecia ótimo.

Na prática, a mina produzia pouco.

Duas pontes precisavam de reparo.

Uma das vilas havia perdido parte da colheita no último inverno.

E meu querido antecessor tinha conseguido gastar uma quantidade impressionante de dinheiro na capital.

Roupas.

Festas.

Presentes.

Bebidas.

Joias.

Uma carruagem.

Parei naquela linha.

— Eu comprei uma carruagem?

— Sim.

— Quanto custou?

Edgar apontou.

Olhei.

— Ela voa?

— Não.

— É feita de ouro?

— Não.

— Então por que custa isso?

— O acabamento foi produzido pela oficina de Marcel Duvant.

Esperei.

— Eu deveria saber quem é?

Edgar pareceu sinceramente surpreso.

— É considerado o melhor fabricante de carruagens da capital.

— Ah.

Olhei o preço novamente.

— Vende.

Edgar virou o rosto rapidamente.

— Senhor?

— A carruagem.

— Deseja vendê-la?

— Tenho outra?

— Temos duas carruagens antigas.

— Então temos três carruagens e uma dívida enorme.

— Tecnicamente…

— Vende a cara.

Edgar parecia ter acabado de presenciar um assassinato.

— Foi produzida sob encomenda.

— Melhor ainda. Deve valer alguma coisa.

— O senhor esperou sete meses por ela.

— Edgar.

— Sim?

— Eu não lembro nem da cor.

Ele ficou quieto.

— Vende.

— Sim, senhor.

Risquei outra despesa.

— E isso?

— Sua residência particular na Academia.

Olhei ao redor.

— Esse quarto?

— Toda esta ala.

— Eu tenho uma ala?

— Sim.

Levantei da cadeira.

Abri a porta.

Edgar veio atrás.

Saí para o corredor.

Olhei para um lado.

Depois para o outro.

Portas.

Muitas portas.

— Tudo isso?

— Sim.

— Quantos quartos?

— Oito, sem contar sala de visitas, escritório e instalações dos criados.

Fechei os olhos.

Na Terra eu morava num apartamento onde dava para ouvir o vizinho espirrando.

Aqui eu tinha uma ala.

E estava endividado.

— Quanto custa?

Edgar respondeu.

Voltei para o quarto.

— Dá para mudar?

— Para onde?

— Dormitório comum.

Dessa vez ele realmente perdeu a compostura.

— Senhor!

— O quê?

— O senhor é um Visconde.

— Um Visconde endividado.

— Ainda assim…

— Tem quarto individual?

— Sim, mas—

— Tem cama?

— Naturalmente.

— Banheiro?

— Sim.

— Janela?

— Creio que sim.

— Então já superou vários apartamentos que eu vi no Rio.

Edgar ficou parado.

Droga.

— Rio?

— Expressão.

— Nunca ouvi.

— Regional.

— De qual região?

— Edgar.

— Sim?

— Os dormitórios.

Ele entendeu que não receberia resposta.

— Posso consultar a administração.

— Consulta.

Voltei aos documentos.

Aquilo era familiar de uma forma estranha.

Estoque.

Entrada.

Saída.

Custo.

Perda.

Não era igual ao supermercado.

Mas dinheiro continuava saindo de algum lugar e precisava entrar por outro.

Passei quase duas horas examinando tudo.

E então encontrei algo.

— Por que a produção de trigo caiu tanto nessa vila?

Edgar se aproximou.

— Valenford?

— É.

— Problemas com o moinho.

— Há quanto tempo?

— Aproximadamente oito meses.

— Oito meses?

— Sim.

— E ninguém consertou?

— Houve tentativas.

— Quanto custa?

Ele mostrou.

Não era barato.

Mas a perda de produção era muito maior.

— Isso não faz sentido.

— O mecanismo utiliza uma peça encantada.

A palavra chamou minha atenção.

— Encantada?

— Sim.

— Mana?

— Naturalmente.

Olhei para Ani, ou melhor, para lugar nenhum.

Ani.

[Sim?]

Uma peça encantada possui energia armazenada?

[Provavelmente.]

Você conseguiria analisar?

[Sim, caso tenha acesso ao objeto.]

Guardei aquela informação.

Talvez houvesse mais maneiras de alimentar [Criação] do que caçar tesouros.

Mas não queria testar nada ainda.

Precisava entender as regras antes.

Continuei lendo.

Foi quando alguém bateu na porta.

Edgar abriu.

Um jovem criado entregou um envelope.

— Da Academia, senhor.

Meu estômago apertou.

Outra carta?

Edgar recebeu.

Olhou o selo.

Depois para mim.

— É referente ao duelo.

— Já?

Abri.

Dessa vez o texto era curto.

Meu pedido de cancelamento havia sido aceito.

Perderia cinco pontos de reputação.

Nenhuma punição adicional.

Soltei o ar.

— Resolvido.

— Ainda haverá comentários.

— Comentário não quebra costela.

Edgar quase sorriu.

Quase.

Então ouvi vozes no corredor.

Uma delas feminina.

— Onde ele está?

Edgar ficou rígido.

Eu também reconheci aquela voz.

Não porque Adrian gostasse dela.

Porque eu tinha ouvido a mesma voz centenas de vezes no jogo.

Passos se aproximaram.

A porta ainda estava aberta.

Uma jovem apareceu.

Cabelos negros.

Longos.

Uma fita vermelha entre eles.

Olhos vermelhos.

Uniforme escuro da Academia com detalhes dourados e vermelhos.

Era impossível não reconhecê-la.

Elena Valen.

A mesma mulher para quem Adrian tinha se declarado bêbado na noite anterior.

Ela parou na entrada.

Seus olhos passaram por Edgar.

Depois pelos documentos espalhados.

Então chegaram até mim.

O desprezo apareceu imediatamente.

— Então é verdade.

Não respondi.

— Você cancelou o duelo.

— Cancelei.

Ela entrou.

— Depois de desafiar Leon diante de dezenas de pessoas.

— Eu estava bêbado.

— Isso deveria melhorar alguma coisa?

— Não.

Ela pareceu não esperar a resposta.

— Por isso cancelei.

Elena estreitou os olhos.

— Você passou meses provocando Leon. Ontem fez aquele espetáculo ridículo. E agora simplesmente desistiu?

— Sim.

— Por quê?

— Porque ele vai me bater.

Silêncio.

Edgar abaixou o rosto.

Eu tinha certeza de que estava segurando uma risada.

Elena me encarou.

— Você é inacreditável.

— Obrigado.

— Não foi um elogio.

— Imaginei.

Ela respirou fundo.

— E sobre ontem?

Agora ficou sério.

Coloquei a pena sobre a mesa.

— O que tem?

— Você não lembra?

— Lembro o suficiente.

Elena cruzou os braços.

— Então?

Eu sabia o que Adrian faria.

Tentaria justificar.

Diria que a amava.

Culparia Leon.

Talvez prometesse derrotá-lo.

Eu não era Adrian.

Pelo menos não aquele Adrian.

— Desculpa.

Elena ficou imóvel.

Até Edgar olhou para mim.

— O quê?

— Pelo que aconteceu ontem.

Ela não respondeu.

— Eu estava bêbado, mas isso não é desculpa. Te coloquei numa situação constrangedora. Não deveria ter feito aquilo.

Os olhos vermelhos dela continuaram presos em mim.

— E?

— E o quê?

— É só isso?

— Acho que sim.

Ela pareceu irritada.

O que era curioso.

— Você não vai dizer que vai provar que é melhor que Leon?

— Não.

— Não vai me pedir outra oportunidade?

— Não.

— Não vai me mandar flores?

Pensei.

— Já mandei muitas?

— Cento e quarenta e sete.

Meu Deus.

— Em quanto tempo?

— Quatro meses.

Olhei para Edgar.

Ele desviou o rosto.

Aquilo explicava parte das dívidas.

Voltei para Elena.

— Não vou mandar mais.

Ela deveria ter ficado satisfeita.

Em vez disso, parecia confusa.

— Você está planejando alguma coisa.

— Estou.

A expressão dela endureceu.

— Eu sabia.

— Estou tentando não perder minhas terras.

Parei.

— E vender uma carruagem.

Edgar fechou os olhos.

Elena olhou para os papéis.

— Você?

— Eu.

— Está olhando as contas da Casa?

— Tentando.

Ela se aproximou da mesa.

Pegou uma das folhas antes que eu pudesse impedir.

Leu.

Depois olhou para mim.

— Você sabe o que isso significa?

— Que estou quase quebrado.

— Estou falando desta coluna.

— Ah.

Olhei.

— Não.

Ela me devolveu.

— Imaginei.

Justo.

— Mais alguma coisa?

Elena permaneceu parada.

Por algum motivo, parecia que tinha vindo preparada para uma briga.

E eu tinha estragado a briga.

— Não se aproxime mais de mim.

— Certo.

— Nem de Leon.

— Com prazer.

— E pare de mandar presentes.

— Já estava no plano.

Ela estreitou os olhos.

— Você está mesmo estranho.

— Ressaca.

— Ressaca não muda personalidade.

Essa foi perigosa.

Sorri de leve.

— Talvez duas garrafas e meia mudem.

— Foram quase três.

— Edgar já me contou.

Ela virou para sair.

Parou na porta.

— Adrian.

— Sim?

— Se isso for outra tentativa idiota de chamar minha atenção…

Ela não terminou.

Não precisava.

— Não é.

Elena me observou mais alguns segundos.

Então foi embora.

Esperei os passos desaparecerem.

Olhei para Edgar.

Ele olhou para mim.

— Cento e quarenta e sete?

— Sim.

— Flores?

— Sim.

— Com dinheiro da Casa?

Edgar ficou em silêncio.

Apoiei a testa na mesa.

— Vende a carruagem hoje.

Dessa vez ele sorriu.

Pouco.

Mas eu vi.


No começo da tarde, deixei a residência.

Precisava conhecer a Academia pessoalmente.

E também precisava descobrir se minhas memórias batiam com o mundo real.

Edgar insistiu em me acompanhar.

Aceitei.

Talvez fosse melhor não andar sozinho num lugar onde metade das pessoas tinha motivo para me odiar.

Assim que saímos, entendi por que a Academia Imperial de Matrimônio era uma das localizações mais importantes do jogo.

Era gigantesca.

Prédios de pedra branca cercavam jardins enormes.

Torres subiam acima das árvores.

Bandeiras azuis e douradas balançavam com o vento.

Havia fontes, estátuas, pontes e caminhos de pedra por todos os lados.

Centenas de alunos circulavam pelo campus.

Homens e mulheres.

Todos adultos.

Todos nobres ou ligados a famílias importantes.

E quase todos que me reconheciam reagiam da mesma forma.

Olhar.

Cochicho.

Risada.

— Isso vai ser divertido — murmurei.

[A reputação do usuário é extremamente baixa.]

Obrigado, Ani.

[Disponha.]

Passei por um grupo de rapazes.

Um deles falou alto o suficiente para eu ouvir:

— Veyron desistiu do duelo.

Outro riu.

— Óbvio.

Continuei andando.

Edgar me observou.

— Não vai responder?

— Eles mentiram?

— Não.

— Então deixa.

Aparentemente isso também era comportamento estranho para Adrian.

Ótimo.

Quanto menos eu me parecesse com o antigo, melhor.

Chegamos ao prédio administrativo.

Eu queria informações sobre a avaliação.

Mas alguma coisa chamou minha atenção antes.

Um enorme painel ocupava a parede do salão principal.

Nomes.

Centenas deles.

Separados por Rank.

S.

A.

B.

C.

D.

E.

E, bem embaixo…

F.

Encontrei meu nome.

Adrian Veyron — F.

Havia muitos outros no mesmo Rank.

Isso me surpreendeu.

— Ani.

[Sim?]

Quantos?

[Quarenta e três alunos classificados como F no painel visível.]

Então eu não era o único.

Observei os nomes.

Ao lado de alguns havia pequenos símbolos.

Famílias.

Títulos.

Disponibilidade matrimonial.

E foi aí que tive uma ideia.

Talvez estivesse pensando errado.

Desde que acordei, eu estava preocupado em subir de Rank para encontrar uma esposa.

Mas não precisava necessariamente subir primeiro.

Existiam mulheres Rank F.

Se eu encontrasse alguém tranquila, com uma família simples, talvez—

— Nem pense nisso.

Virei.

Elena estava alguns metros atrás.

De novo.

— Você me segue?

— Infelizmente estudamos no mesmo lugar.

Justo.

Ela percebeu para onde eu estava olhando.

— Está procurando outra vítima?

— Candidata.

— Isso não melhora.

— Eu preciso me casar algum dia.

Elena soltou uma risada curta.

— Com sua reputação?

— Por isso estou olhando o F.

Ela ficou me encarando.

— Você é inacreditável.

— Você já falou isso hoje.

Voltei para o painel.

— Ani.

[Sim?]

Consegue identificar quais dessas mulheres estão disponíveis?

Alguns nomes ganharam pequenas marcações.

[Onze candidatas sem contrato matrimonial registrado.]

Onze.

Excelente.

E quais têm compatibilidade comigo?

Pausa.

[Defina compatibilidade.]

Boa pergunta.

Pensei no que queria.

Uma pessoa tranquila.

Sem família envolvida em guerra.

Sem obsessão por poder.

Sem problemas políticos gigantescos.

E, de preferência, alguém que não me odiasse.

Ani processou.

[Resultado: zero.]

Pisquei.

Como assim zero?

[Nenhuma candidata satisfaz todos os critérios.]

Remove “tranquila”.

[Zero.]

Remove problemas políticos.

[Uma candidata.]

Finalmente.

O nome apareceu.

Mira Solenne.

Eu conhecia.

Meu sorriso desapareceu.

Mira era uma personagem secundária.

Bonita.

Educada.

Rank F.

E a família dela seria massacrada durante uma disputa territorial no ano seguinte.

— Não.

[Candidata removida.]

Elena ainda estava ali.

— Está falando sozinho?

— Pensando.

— Em voz alta?

— Hábito ruim.

Continuei olhando para o painel.

Talvez casamento não fosse tão simples.

Na Terra, eu achava Tinder complicado.

Aqui precisava verificar Rank, família, território, reputação, sucessão e possibilidade de guerra civil antes de chamar alguém para jantar.

— Que saudade do supermercado.

— O quê?

— Nada.

Então um movimento no outro lado do salão chamou atenção.

As pessoas abriram espaço.

Um jovem loiro entrou.

Uniforme branco e azul.

Postura perfeita.

Bonito daquele jeito irritante que só personagem principal conseguia ser.

Leon Arclight.

Ele me viu.

Parou.

Nossos olhos se encontraram.

A lembrança de quatro mortes diferentes passou pela minha cabeça.

Não.

Nem ferrando.

Virei para Edgar.

— Terminamos aqui.

— Senhor?

— Vamos embora.

— Veyron.

Droga.

Leon tinha me chamado.

Parei.

Respirei.

Virei novamente.

Ele se aproximou.

Elena permaneceu perto do painel.

A expressão dela ficou séria.

Leon parou diante de mim.

— Recebi o aviso sobre o duelo.

— Ótimo.

— Você cancelou.

— Cancelei.

Ele parecia esperar alguma explicação.

Dei.

— Você é mais forte.

Leon franziu a testa.

— Isso nunca impediu você antes.

— Estou experimentando uma coisa nova.

— O quê?

— Bom senso.

Elena levou a mão à boca.

Não sabia se estava tossindo ou escondendo uma risada.

Leon continuou sério.

— Adrian, se isso tiver relação com Elena—

— Não tem.

— Deixe-me terminar.

— Desculpa.

Ele respirou.

— Se estiver tentando criar outro conflito, eu não vou permitir que ela seja envolvida.

Olhei para Elena.

Depois para ele.

Finalmente entendi uma coisa.

Na perspectiva deles, eu era o problema.

Não importava que Abraham tivesse chegado hoje.

Para aquelas pessoas, Adrian Veyron tinha meses, talvez anos de histórico.

Uma desculpa não apagaria isso.

E não deveria apagar.

— Entendi.

Leon pareceu surpreso.

— Só isso?

— Só.

Fiz uma pequena reverência para Elena.

— Não pretendo incomodar nenhum dos dois.

Depois olhei para Leon.

— E não quero lutar com você.

Parei.

— Na verdade, se puder passar o resto da minha vida sem lutar com você, melhor ainda.

Dessa vez Elena realmente riu.

Baixinho.

Leon olhou para ela.

Depois para mim.

Ele não sabia o que fazer.

Perfeito.

Eu sabia.

Fui embora.


No caminho de volta, passei novamente pelo grande jardim.

Foi quando vi algo que me fez parar.

Uma pequena placa indicava:

Depósito de Equipamentos Mágicos — Ala Oeste

Olhei.

Depois pensei na peça encantada do moinho.

Depois na Pedra de Éter.

— Edgar.

— Sim?

— A Academia joga fora artefatos quebrados?

Ele pareceu confuso.

— Algumas peças são descartadas, acredito.

Meu coração acelerou.

— Onde?

— Não sei.

Sorri.

Talvez eu não precisasse sair da capital para conseguir minha primeira fonte de energia.

Talvez o lixo daquela escola valesse mais para mim do que um tesouro.

Ani falou dentro da minha cabeça.

[Hipótese plausível.]

Finalmente você gostou de uma ideia minha.

[Não expressei aprovação.]

Deixa eu ser feliz.

Continuei andando.

Pela primeira vez desde que acordei, eu não estava pensando em sobreviver a alguma coisa que Adrian tinha feito.

Estava pensando no que eu poderia fazer.

E isso mudava bastante as coisas.

Capítulo 4 — O Lixo de Um Mago é o Tesouro de Um Visconde

Descobrir que a Academia jogava fora equipamentos mágicos deveria ter sido uma boa notícia.

O problema era descobrir onde.

— Senhor, ainda não entendi por que estamos indo para a Ala Oeste.

Edgar caminhava ao meu lado.

— Pesquisa.

— Pesquisa?

— Exatamente.

— Sobre equipamentos descartados?

— Sim.

— Posso perguntar para quê?

Olhei para ele.

— Pode.

Edgar esperou.

Continuei andando.

— E então?

— Você perguntou se podia perguntar.

Ele ficou alguns segundos em silêncio.

— Está fazendo isso de propósito?

— Um pouco.

A expressão dele não mudou, mas eu já estava começando a perceber quando aquele velho ficava irritado.

Era nos olhos.

Definitivamente nos olhos.

— Preciso de peças mágicas quebradas — expliquei. — Cristais, ferramentas, qualquer coisa que tenha sido descartada.

— Pretende vendê-las?

— Não.

— Repará-las?

— Também não.

— Então…

— Ainda estou descobrindo.

Dessa vez era verdade.

Eu sabia que [Criação] podia usar materiais para reduzir o custo de energia.

Sabia também que objetos encantados poderiam conter alguma energia residual.

O que eu não sabia era praticamente todo o resto.

Quanto conseguiria extrair?

Se conseguiria extrair.

Se Ani poderia fazer isso.

Se a energia serviria para [Criação].

Se tocar numa pedra mágica quebrada faria minha mão explodir.

Essa última possibilidade me incomodava um pouco.

Ani.

[Sim?]

Você me avisaria antes de eu tocar em alguma coisa que pudesse me matar, né?

Houve uma pequena pausa.

[Caso seja possível identificar o perigo antecipadamente.]

Não era exatamente a resposta que eu queria.

Vou considerar um sim.

[Interpretação incorreta.]

Continuei andando.

A Ala Oeste ficava afastada dos edifícios principais da Academia. Quanto mais avançávamos, menos alunos apareciam.

Os jardins deram lugar a construções menores.

Oficinas.

Armazéns.

Uma área de treinamento.

De algum lugar vinha o som repetido de metal batendo contra metal.

Aquilo também era diferente do jogo.

Corações de Asteria fazia a Academia parecer um lugar dedicado quase inteiramente a bailes, aulas e romance.

Na realidade, aquilo parecia uma pequena cidade.

Fazia sentido.

Centenas de nobres estudavam ali.

Precisavam comer.

Dormir.

Treinar.

Aprender magia.

Consertar equipamentos.

Cuidar de cavalos.

Manter carruagens.

Tudo isso exigia gente.

No jogo, bastava apertar um botão e avançar para o próximo dia.

Aqui, alguém precisava limpar a sujeira depois do baile.

— Acho que é aquele.

Edgar apontou.

Um prédio comprido de pedra escura ficava atrás de uma oficina maior.

Na porta havia uma placa.

MANUTENÇÃO E DESCARTE ARCANO

Sorri.

— Achei meu shopping.

— Seu quê?

— Nada.

Entramos.


O cheiro foi a primeira coisa que me surpreendeu.

Metal quente.

Óleo.

Madeira.

E alguma coisa parecida com o cheiro que ficava no ar depois de uma tempestade.

Havia prateleiras por toda parte.

Peças de armaduras.

Bastões.

Lâmpadas.

Fragmentos de cristais.

Engrenagens.

Caixas.

Muitas caixas.

Atrás de uma bancada estava um homem enorme.

Careca.

Barba castanha.

Braços que pareciam capazes de me partir no meio.

Ele ergueu os olhos.

Primeiro viu Edgar.

Depois me viu.

A expressão piorou.

— Visconde Veyron.

— Boa tarde.

— O que quebrou dessa vez?

Parei.

— Como?

O homem apontou para mim com uma ferramenta.

— Da última vez foi um aquecedor.

Edgar desviou o olhar.

— Antes disso, duas lâmpadas de mana.

Continuei em silêncio.

— E uma caixa de música.

Olhei para Edgar.

— Eu quebrei uma caixa de música?

— O senhor a arremessou pela janela.

— Por quê?

— Não gostou da música.

Fechei os olhos por um instante.

O antigo Adrian parecia determinado a me deixar problemas mesmo depois de desaparecer.

Voltei para o homem.

— Hoje não quebrei nada.

— Ainda.

Justo.

— Qual seu nome?

Ele estreitou os olhos.

— Bram.

A memória apareceu.

Bram Keller.

Responsável por parte da manutenção dos equipamentos mágicos da Academia.

No jogo, aparecia em duas missões secundárias.

Eu nunca tinha prestado muita atenção nele.

Agora provavelmente deveria.

— Bram, o que vocês fazem com equipamentos mágicos que não podem ser consertados?

Ele apontou para uma porta no fundo.

— Separamos.

— E depois?

— O que ainda presta é reaproveitado. Metal vai para a fundição. Cristais são enviados para tratamento. O resto é descartado.

— Posso ver?

— Não.

Resposta rápida.

— Por quê?

— Porque isto é uma oficina, não um passeio para nobres entediados.

Gostei dele.

— Não estou entediado.

Bram cruzou os braços.

— Então por que quer ver lixo?

Boa pergunta.

— Estou estudando alternativas para reparar um equipamento no meu território.

Não era exatamente mentira.

A peça do moinho existia.

— Que equipamento?

— Um moinho.

Ele ficou um pouco menos hostil.

— Moinho de mana?

— Pelo que entendi, parte do mecanismo utiliza uma peça encantada.

— Regulador de fluxo?

Olhei para Edgar.

Ele não sabia.

— Provavelmente.

— Qual modelo?

— Não sei.

— Qual encantamento?

— Não sei.

— Quantos anos?

— Também não sei.

Bram respirou fundo.

— E quer consertar como?

— É justamente o que estou tentando descobrir.

Ele me encarou por alguns segundos.

Então apontou para a porta.

— Dez minutos.

Sorri.

— Já gostei de você, Bram.

— Eu ainda não gostei do senhor.

— Justo.


O depósito era maravilhoso.

Não de um jeito normal.

Para qualquer outra pessoa, aquilo provavelmente era um monte de sucata.

Para mim, parecia uma loja de peças grátis.

Havia caixas cheias de fragmentos.

Cristais opacos.

Placas metálicas cobertas de símbolos.

Pedaços de bastões.

Pequenos mecanismos.

Algumas coisas eu reconhecia do jogo.

Outras nunca tinha visto.

Ani começou a reagir assim que entramos.

[Fonte energética detectada.]

Parei.

Onde?

[Múltiplas.]

Meu coração acelerou.

Quantas?

[Trinta e sete fontes com presença energética detectável.]

Trinta e sete.

Tive vontade de abraçar uma caixa.

Me controlei.

Bram estava atrás de mim.

— Posso tocar?

— Depende.

— Em quê?

— Exatamente.

Tá.

— Vou apontar primeiro.

Aproximei-me de uma caixa.

Dentro havia pequenos cristais azulados.

A maioria estava rachada.

Ani?

[Cristal de mana de baixa qualidade.]

Energia?

[Residual.]

Consegue usar?

Pausa.

[Possivelmente.]

Essa palavra estava aparecendo demais na minha nova vida.

Peguei um dos cristais.

Nada aconteceu.

— E aí?

Bram franziu a testa.

— Está falando comigo?

— Não.

— Então com quem?

— Comigo mesmo.

Ele olhou para Edgar.

Edgar simplesmente assentiu.

O velho já tinha desistido.

Ani, tenta absorver.

[Comando inválido.]

Claro.

Como faço para usar essa energia em Criação?

[É necessário estabelecer um meio de transferência.]

Como?

[Posso tentar desenvolver um método.]

Pisquei.

Essa era nova.

Você consegue desenvolver coisas?

[Posso analisar informações disponíveis, testar hipóteses e otimizar processos dentro das capacidades vinculadas ao usuário.]

Rafael.

Não o desgraçado da Terra.

O outro.

A habilidade de Rimuru.

Foi a primeira comparação que veio à minha cabeça.

Ani não era igual.

Mas a função parecia parecida.

Uma assistente de análise.

Aquilo podia ser muito mais importante do que [Criação].

Quanto tempo?

[Estimativa inicial: três horas e quarenta e dois minutos.]

Quase ri.

Pode começar.

[Análise iniciada.]

Guardei o cristal.

Bram imediatamente falou:

— Isso não é seu.

— Eu sei.

Coloquei de volta.

— Quanto custa?

— Isso?

— É.

Ele pegou o cristal.

— Quase nada.

— Quanto é quase nada?

Bram disse o valor.

Eu não sabia se era barato.

Olhei para Edgar.

Ele assentiu discretamente.

Barato.

— Quero comprar alguns.

— Para quê?

— Pesquisa.

— Você não sabe usar isso.

— Por isso se chama pesquisa.

Ele não gostou da resposta.

Mas também não encontrou argumento.

— Quantos?

Pensei.

— Dez.

Edgar tossiu.

Olhei para ele.

— Cinco?

— Sugiro dois.

Minha situação financeira devia estar realmente ruim.

— Dois.

Bram colocou dois cristais separados.

Continuei olhando.

Foi então que Ani falou.

[Objeto de interesse detectado.]

Meu corpo parou.

Onde?

Uma pequena indicação apareceu na minha visão.

No fundo do depósito.

Debaixo de pedaços de metal.

Caminhei até lá.

Afastei uma placa.

Encontrei uma esfera.

Tinha mais ou menos o tamanho de uma laranja.

Metal escuro.

Uma rachadura atravessava o centro.

Peguei.

Bram se aproximou.

— Isso não funciona.

— O que é?

— Núcleo de um servo doméstico.

Eu conhecia servos mágicos.

Pequenos construtos usados por famílias ricas.

No jogo eram basicamente decoração.

— O que aconteceu?

— Sobrecarga.

Ani?

[Estrutura danificada. Núcleo energético parcialmente preservado.]

Quanta energia?

[Consideravelmente superior aos cristais anteriores.]

Meu interesse aumentou.

— Quanto?

Bram deu de ombros.

— Pode levar.

— De graça?

— É lixo.

Quase abracei o homem.

— Tem mais?

— Núcleos?

— Coisas quebradas que ninguém quer.

Ele apontou ao redor.

— Está vendo o depósito?

— Sim.

— Então.

Meu sorriso aumentou.

Edgar percebeu.

— Senhor…

— Eu sei.

— Não podemos levar um depósito inteiro.

— Eu nem falei nada.

— Conheço essa expressão.

— Você me conhece faz algumas horas.

Ele ficou em silêncio.

Eu também.

Tecnicamente Edgar conhecia aquele corpo havia vinte anos.

Melhor não entrar nessa discussão.

Peguei mais algumas peças.

Nada demais.

Um cristal rachado.

O núcleo quebrado.

Uma pequena placa encantada.

Bram cobrou apenas pelos cristais.

Antes de sair, parei.

— Posso voltar?

— Se não quebrar nada.

— Fechado.

— E não entre sozinho.

— Por quê?

— Algumas peças aqui podem explodir.

Olhei para Ani.

[Informação relevante registrada.]

Agora você registra.

Saímos.


No caminho de volta, percebi que já estava ficando tarde.

O céu começava a ganhar tons alaranjados.

Alunos atravessavam os jardins em grupos.

Alguns ainda olhavam para mim.

Mas agora eu estava ocupado demais pensando no núcleo.

Se Ani encontrasse uma maneira de usar aquela energia…

[Criação] deixaria de ser inútil.

Talvez.

Não queria criar expectativas.

Já tinha aprendido isso com gacha.

Quando o jogo dizia “chance aumentada”, significava apenas que você sofreria com mais esperança.

— Edgar.

— Sim?

— Existe algum lugar onde eu possa testar magia sem ninguém ver?

Ele me olhou.

— O senhor não possui mana.

— Eu sei.

— Então o que pretende testar?

— Essa é a parte que quero fazer sem ninguém ver.

— Isso não é tranquilizador.

— Tem algum lugar?

Ele pensou.

— Há uma pequena sala de prática vinculada à sua residência.

Parei.

— Eu tenho uma sala de prática?

— Sim.

— E por que um homem sem mana paga por uma sala de prática?

Edgar não respondeu.

Já sabia.

Status.

O antigo Adrian provavelmente alugava tudo que nobres importantes tinham.

Mesmo sem conseguir usar.

— Também vamos cancelar isso depois.

— Como desejar.


A sala era pequena.

Pelo padrão daquele lugar.

Para mim, parecia grande o suficiente.

Paredes de pedra.

Um alvo no fundo.

Mesa.

Alguns equipamentos.

Coloquei o núcleo quebrado sobre ela.

Os dois cristais ao lado.

— Agora esperamos.

Edgar ficou na porta.

— Pelo quê?

Boa pergunta.

— Uma ideia.

Sentei.

Ani ainda trabalhava.

[Análise: 61%.]

Rápido.

Talvez não levasse as três horas.

Enquanto esperava, peguei os documentos da avaliação.

Tinha trazido alguns comigo.

Poder.

Administração.

Reputação.

União.

Se eu conseguisse fazer [Criação] funcionar, talvez pudesse ganhar pontos em poder.

Mas provavelmente não em três dias.

Administração parecia a melhor opção.

Consertar o moinho poderia ajudar.

Vender a carruagem reduziria despesas.

Talvez existissem outros problemas fáceis de resolver.

Mas vinte e um pontos continuavam sendo muita coisa.

— Edgar.

— Sim?

— Tem como eu subir para Rank E sem ter mana?

— Naturalmente.

Isso me surpreendeu.

— Tem?

— Existem nobres de Rank superior sem grande capacidade mágica.

— Sem grande capacidade ou sem nenhuma?

Ele pensou.

— Zero é… incomum.

— Obrigado pela delicadeza.

— Mas não impossível.

Isso era importante.

— Qual foi o maior Rank que alguém sem mana conseguiu?

— Não sei.

Ani respondeu.

[As memórias disponíveis indicam pelo menos um indivíduo Rank B com capacidade mágica extremamente baixa.]

Eu lembrava.

Barão Holt.

Um personagem secundário famoso pela riqueza.

Ele praticamente comprava influência.

Não era um exemplo moral.

Mas provava que o sistema permitia compensações.

Então eu não precisava virar mago.

Ótimo.

Nunca gostei de fazer exercício mesmo.

A porta se abriu.

Um funcionário apareceu.

— Lorde Veyron?

— Sim?

Ele entregou um documento para Edgar.

— Confirmação da alteração de residência solicitada.

Já?

Edgar leu.

Sua expressão ficou estranha.

— O que foi?

— Seu pedido foi aprovado.

— Excelente.

— A mudança ocorrerá amanhã.

— Melhor ainda.

— Entretanto…

Eu já estava começando a odiar essa palavra.

— Fala.

— Como aluno Rank F sem requerimento especial, será transferido para a Residência Sete.

— Certo.

— Quartos compartilhados.

Parei.

— Compartilhados?

— Sim.

Ah.

Essa parte Edgar não tinha mencionado.

— Com quantas pessoas?

Ele continuou lendo.

— Dois alunos por quarto.

Pensei.

Tudo bem.

Eu já tinha dividido alojamento durante uma excursão escolar.

Sobreviveria.

— Quem é o outro?

Edgar procurou.

Então parou.

— Senhor…

— O quê?

— Talvez queira reconsiderar.

— Quem é?

Ele me entregou o papel.

Li.

Residência Sete — Quarto 214.

Adrian Veyron.

Cedric Arden.

Conhecia o nome.

Demorei dois segundos para lembrar.

Depois lembrei.

— Ah, não.

Cedric Arden.

Rank F.

Filho mais novo de um Barão.

Jogador compulsivo.

Endividado.

Mulherengo.

Preguiçoso.

E um dos poucos personagens masculinos que conseguia ter reputação pior do que Adrian.

Em três rotas diferentes, ele acabava preso.

Em uma quarta, fugia do país devendo dinheiro.

— Cancela.

Edgar quase sorriu.

— Achei que preferisse economizar.

Olhei novamente para o valor da minha residência atual.

Depois para o nome.

Dinheiro.

Cedric.

Dinheiro.

Cedric.

Fechei os olhos.

— Não cancela.

Edgar assentiu.

— Uma escolha sensata.

— Não parece.

O funcionário foi embora.

Voltei para o núcleo.

Ani chegou a 87%.

O sol já estava desaparecendo.

Edgar acendeu uma das lâmpadas mágicas da sala.

Fiquei observando aquela luz.

Mana.

Tudo naquele mundo parecia depender dela.

Portas.

Ferramentas.

Armas.

Transporte.

Agricultura.

E eu tinha zero.

Talvez isso não fosse uma desvantagem.

Talvez fosse simplesmente uma regra diferente para mim.

[Análise concluída.]

Levantei imediatamente.

— Finalmente.

Edgar olhou.

— Teve a ideia?

— Tive.

Mais ou menos.

A interface apareceu.


Processo auxiliar desenvolvido

Conversão Energética Primária

Permite converter energia mágica armazenada em uma fonte externa para utilização temporária pela habilidade [Criação].

Eficiência atual: 8,7%


Meu sorriso desapareceu um pouco.

— Oito vírgula sete?

[Correto.]

— Isso é horrível.

[Considerando a ausência completa de estrutura de conversão no usuário, o resultado é superior à estimativa inicial.]

Tá.

Justo.

Quanto desse núcleo conseguimos usar?

[Energia útil estimada após conversão: 3,2 unidades.]

Lembrei da caneta.

0,03.

Meu sorriso voltou.

Cem canetas.

Não que eu precisasse de cem canetas.

Mas era uma escala que eu entendia.

Coloquei a mão sobre o núcleo.

Como faço?

[Autorize a conversão.]

Autorizado.

O núcleo brilhou.

Muito pouco.

Uma linha azul apareceu dentro da rachadura.

Senti algo atravessar minha mão.

Não doeu.

Era quente.

Depois desapareceu.

A esfera perdeu completamente a luz.

Minha interface mudou.

Energia disponível para [Criação]: 3,2

Fiquei olhando.

Funcionou.

Realmente funcionou.

Edgar se aproximou.

— O núcleo…

— Acabou.

— O senhor drenou a energia?

— Parece que sim.

Ele me encarou.

— Como?

— Ainda estou descobrindo.

Peguei uma folha.

Uma caneta.

Desenhei algo simples.

Uma pequena peça cilíndrica de metal.

Nada complexo.

— Ani, consegue criar isso?

[Sim.]

— Custo?

[0,11 unidade.]

— Faz.

Uma pequena luz apareceu sobre a mesa.

Edgar deu um passo para trás.

A luz se juntou.

Metal surgiu.

Em menos de dois segundos, uma pequena peça caiu sobre a madeira.

Tin.

Ficamos em silêncio.

Peguei.

Metal frio.

Real.

Edgar parecia ter esquecido como falar.

— Senhor…

Eu também estava impressionado.

Muito.

Mas então Ani falou.

[Criação concluída.]

Olhei para a peça.

Depois para os cristais.

Depois para minhas mãos.

Uma habilidade que não funcionava porque eu não tinha mana.

Um mundo cheio de objetos movidos a mana.

E uma Academia que literalmente jogava energia no lixo.

Comecei a rir.

— Senhor?

— Nada.

Coloquei a peça sobre a mesa.

Minha situação ainda era péssima.

Continuava Rank F.

Continuava endividado.

Continuava com reputação seis depois do cancelamento do duelo.

Ainda tinha uma avaliação em três dias.

Mas agora eu possuía alguma coisa que o antigo Adrian nunca teve.

Uma saída.

— Edgar.

— Sim?

— Amanhã quero informações sobre o moinho de Valenford.

— Certo.

— Modelo, peça quebrada, desenhos, tudo.

— Pretende repará-lo?

Olhei para o pequeno cilindro que eu acabara de criar.

— Vou tentar.

Ele observou a peça.

Depois olhou para mim.

Pela primeira vez desde que acordei, Edgar não parecia desconfiado.

Parecia curioso.

— E tem outra coisa — falei.

— Qual?

— Descobre quanto lixo mágico a Academia vende por mês.

— Lixo?

— Equipamentos quebrados. Cristais gastos. Núcleos. Tudo.

— Para quê?

Sorri.

— Talvez eu tenha encontrado minha mina.

Edgar não entendeu.

Ainda.

Eu também não entendia completamente.

Mas não importava.

Tinha três dias.

E, pela primeira vez, três dias começaram a parecer tempo suficiente.


Na manhã seguinte, acordei com alguém batendo na porta.

Abri os olhos.

Por alguns segundos, não lembrei onde estava.

Então vi o teto caro.

— Segunda vida.

Sentei.

— Certo.

[Bom dia.]

— Bom dia, Ani.

Estranho.

Eu estava começando a me acostumar com uma voz dentro da cabeça rápido demais.

As batidas continuaram.

— Já vou!

Levantei.

Abri a porta.

Edgar estava do outro lado.

E não estava sozinho.

Dois funcionários carregavam caixas.

— Mudança.

Olhei para as caixas.

Depois para meu quarto.

Ah.

Residência Sete.

Cedric.

Tinha esquecido.

— Podemos deixar para depois do café?

— O senhor solicitou redução imediata das despesas.

Maldito Abraham de ontem.

— Certo.

Duas horas depois, eu estava diante da Residência Sete.

Era bem diferente da ala nobre.

Não era ruim.

Só era simples.

Um prédio grande de quatro andares.

Pedra cinza.

Janelas comuns.

Alunos entrando e saindo.

A maioria parecia de famílias menores.

Alguns carregavam livros.

Outros equipamentos.

Ninguém tinha criado puxador de porta com ouro.

Já gostei.

— Quarto 214 — disse Edgar.

Subimos.

O corredor estava movimentado.

Algumas pessoas me reconheceram.

Os cochichos começaram.

Ignorei.

Chegamos.

Edgar abriu a porta.

Entramos.

Duas camas.

Dois armários.

Duas escrivaninhas.

Uma janela grande.

Era maior do que meu apartamento na Terra.

— Isso é dormitório barato?

— Sim.

— Esse mundo tem problemas.

Edgar não perguntou.

Os funcionários começaram a colocar minhas coisas.

Então ouvi passos correndo pelo corredor.

Uma voz masculina gritou:

— SEGURA ELE!

Outra respondeu:

— PARA, SEU DESGRAÇADO!

Um rapaz entrou correndo no quarto.

Cabelos castanho-avermelhados bagunçados.

Camisa aberta no colarinho.

Uma bota na mão.

Só uma.

Ele bateu a porta.

Encostou nela.

Respirou fundo.

Então me viu.

Eu vi ele.

Silêncio.

— Adrian?

Cedric Arden.

Meu novo colega de quarto.

— Cedric.

Ele olhou para Edgar.

Para minhas caixas.

Depois novamente para mim.

— Você vai morar aqui?

— Vou.

Um sorriso enorme apareceu no rosto dele.

— Graças aos deuses!

Não gostei.

— Por quê?

— Preciso de dinheiro.

Gostei menos ainda.

— Não tenho.

O sorriso desapareceu.

— Então estamos fodidos.

Do outro lado da porta, alguém começou a bater.

— CEDRIC! ABRE ESSA PORTA!

Ele olhou para mim.

— Você sabe lutar?

— Não.

— Magia?

— Zero.

— Tem algum plano?

Pensei.

— Tenho.

Cedric sorriu novamente.

— Qual?

Apontei para a janela.

— Você corre.

Ele olhou para a janela.

Depois para mim.

— Segundo andar.

— Então paga o que deve.

As batidas ficaram mais fortes.

Cedric ficou em silêncio.

Eu também.

Edgar simplesmente colocou uma das minhas caixas sobre a cama.

Minha segunda manhã naquele mundo tinha acabado de começar.

E eu já sentia falta do quarto caro.

Capítulo 5 — Meu Colega de Quarto Era Outra Dívida Esperando para Acontecer

As batidas na porta ficaram mais fortes.

— CEDRIC!

Meu novo colega olhou para a janela.

Depois para a porta.

Depois para mim.

— Adrian, meu amigo…

— Não.

— Eu nem pedi nada.

— Mas vai.

— Você mudou.

— Nos conhecemos há quanto tempo?

Cedric pensou.

— Uns dois anos.

Droga.

Ainda precisava me acostumar com isso.

Para mim, aquele era nosso primeiro encontro.

Para ele, Adrian Veyron era um conhecido antigo.

E pelas memórias que começavam a aparecer, os dois já tinham bebido juntos algumas vezes.

Não eram amigos.

Mas faziam parte do mesmo grupo de nobres que possuía duas características em comum:

dinheiro mal administrado e decisões ruins.

As batidas continuaram.

— Abra essa porcaria!

Olhei para Cedric.

— Quanto você deve?

— Depende.

— De quê?

— Para quem?

— Para o cara tentando derrubar a porta.

Cedric fez uma careta.

— Trinta e duas moedas de prata.

Olhei para Edgar.

— É muito?

— Para uma dívida de jogo, sim.

— Jogo?

Cedric levantou as mãos.

— Antes de me julgar, preciso explicar.

— Você perdeu apostando?

— Tecnicamente.

— Então não precisa explicar.

— Eu estava ganhando.

— Todo mundo que perde fala isso.

Cedric pareceu ofendido.

— Você também jogava!

Outra memória apareceu.

Cartas.

Bebida.

Uma mesa.

O antigo Adrian jogando moedas como se fossem feijões.

Ótimo.

— Parei.

— Quando?

— Hoje.

— Isso não conta.

— Para mim conta.

A porta recebeu outra pancada.

Edgar caminhou até ela.

— Senhor Edgar?

— Não podemos manter um credor no corredor enquanto os demais alunos observam.

Fazia sentido.

— Abre.

Cedric ficou pálido.

— Adrian.

— Você prefere que ele continue gritando?

— Sim.

Edgar abriu.

Dois rapazes estavam do lado de fora.

O primeiro era grande.

Não tanto quanto Bram, mas ainda assim grande o suficiente para fazer Cedric recuar.

O segundo segurava um pequeno caderno.

Nenhum parecia particularmente perigoso.

Só irritado.

— Finalmente.

O maior tentou entrar.

Edgar permaneceu no caminho.

— Senhores.

O rapaz parou.

Talvez roupa de mordomo não fosse intimidadora, mas Edgar tinha um talento impressionante para fazer qualquer frase soar como uma advertência.

— Viemos falar com Arden.

Cedric levantou a mão.

— Olá.

— Meu dinheiro.

— Sobre isso…

— Hoje.

— Certo.

— Agora.

— A parte do “agora” complica.

O rapaz deu um passo.

Cedric deu outro para trás.

Suspirei.

— Ele realmente deve trinta e duas pratas?

O segundo abriu o caderno.

— Trinta e quatro.

Cedric virou.

— Trinta e quatro?!

— Juros.

— Desde ontem?!

— Você concordou.

Cedric olhou para mim.

— Isso é roubo.

— Você assinou?

— Assinei.

— Então é roubo com sua autorização.

Ele parecia decepcionado comigo.

O credor quase sorriu.

— Quando vence?

Perguntei.

— Hoje ao pôr do sol.

Olhei pela janela.

Ainda era manhã.

— Então vocês não têm motivo para estar aqui agora.

O maior franziu a testa.

— E você vai pagar por ele, Veyron?

— Nem morto.

Cedric levou a mão ao peito.

— Isso machucou.

— Mas se o prazo é até o pôr do sol, vocês voltam no pôr do sol.

O rapaz do caderno analisou a anotação.

Depois assentiu.

— Está certo.

O maior não gostou.

— E se ele fugir?

Apontei para Cedric.

— Olha para ele.

Todos olharam.

Cedric ainda estava com apenas uma bota.

— Justo — disse o rapaz do caderno.

— Ei!

Eles foram embora.

Edgar fechou a porta.

Cedric soltou o ar.

— Você salvou minha vida.

— Por algumas horas.

— Isso já é amizade.

— Não é.

Ele sentou na própria cama.

Só então percebi o estado do lado dele do quarto.

Roupas.

Livros.

Cartas de baralho.

Duas garrafas vazias.

Uma meia pendurada numa cadeira.

Eu tinha acabado de chegar e já queria me mudar novamente.

— Você sempre vive assim?

— Assim como?

Apontei.

Cedric olhou ao redor.

— Ah.

Pegou a meia.

Jogou dentro do armário.

— Resolvido.

Olhei para Edgar.

— Ainda temos o quarto caro?

— Até o final do dia.

Pensei seriamente.

Não.

Economizar.

Precisava economizar.

— Vou sobreviver.

Cedric se jogou na cama.

— Sabia que ficaríamos bem juntos.

— Essa frase ficou estranha.

— Você entendeu.

Começamos a organizar minhas coisas.

Eu tinha trazido muito menos do que Adrian possuía.

A maior parte das roupas caras seria enviada para a propriedade da família.

Algumas eu pretendia vender.

O mesmo valia para objetos que não precisava.

Enquanto os funcionários trabalhavam, Cedric me observava.

— É verdade?

— O quê?

— Você vendeu a carruagem.

— Coloquei à venda.

— Aquela preta?

— Acho.

— Com detalhes de prata?

— Provavelmente.

Cedric sentou.

— Você amava aquela carruagem.

— Eu amo mais não ficar pobre.

Ele ficou em silêncio.

— E cancelou o duelo com Leon.

— Sim.

— Pediu desculpas para Elena.

Parei.

— As notícias correm rápido aqui.

— É uma Academia de casamento cheia de nobres. Fofoca é praticamente matéria obrigatória.

Isso fazia sentido.

Cedric me analisou.

— Você bateu a cabeça?

Tecnicamente, eu morri.

— Ressaca.

— Eu já tive várias. Nenhuma me fez responsável.

— Talvez você esteja bebendo errado.

Ele riu.

Pelo menos Cedric parecia fácil de lidar.

Problemático.

Mas fácil.

— E você? — perguntei. — Como pretende pagar as trinta e quatro?

O sorriso desapareceu.

— Ainda estou trabalhando nisso.

— Quanto tem?

Ele mexeu no bolso.

Colocou algumas moedas sobre a cama.

Contei.

— Isso não chega nem perto.

— Eu sei.

— Sua família?

— Se meu pai descobrir que voltei a apostar, ele me tira da Academia.

Isso eu lembrava.

O Barão Arden já tinha pago dívidas do filho duas vezes.

Na terceira, cortava tudo.

Em algumas rotas do jogo, esse era justamente o começo da queda de Cedric.

Ele pegava dinheiro com pessoas piores.

Depois tentava recuperar apostando.

Perdia.

Pegava mais.

E a bola de neve crescia.

Eu sabia onde terminava.

Não queria aquilo dentro do meu quarto.

— Não vou te emprestar dinheiro.

— Nem ia pedir.

— Ia sim.

— Ia.

— E não vou ajudar você a apostar para recuperar.

— Essa era minha segunda ideia.

— Péssima.

Cedric se deitou.

— Então estou aberto a sugestões.

— Trabalha.

Ele virou o rosto.

— Não exagera.

— Você prefere apanhar?

— Dependendo do trabalho…

Joguei uma almofada nele.


Edgar saiu pouco depois para cuidar da venda da carruagem e buscar as informações de Valenford.

Fiquei sozinho com Cedric.

Isso me deu a oportunidade de descobrir mais sobre a Academia.

Ele sabia bastante.

Não porque estudasse.

Mas porque conhecia gente.

Muita gente.

— Então a avaliação começa depois de amanhã?

— Para nosso Rank, sim.

— Nosso?

Cedric apontou para si.

— F.

Eu tinha esquecido.

— Quanto você precisa para subir?

— Não vou subir.

— Por quê?

— Porque não tenho chance.

— Qual sua pontuação preliminar?

— Trinta e seis.

Parei.

— Trinta e seis?!

— É.

— Você está quatro pontos abaixo do E.

— E?

Ele me olhou como se eu fosse idiota.

— Eu preciso de quatro pontos.

— Sim.

— E você desistiu?

— Basicamente.

Fiquei olhando para ele.

Eu precisava de vinte e um.

O desgraçado precisava de quatro e estava preocupado em fugir pela janela.

— Por que você está Rank F?

— Reputação.

Claro.

— E administração.

— Certo.

— E disciplina.

— Entendi.

— E notas.

— Já deu.

Ele sorriu.

— Em poder eu sou D.

Aquilo me interessou.

— Você usa magia?

Cedric levantou a mão.

Uma pequena chama apareceu sobre os dedos.

Vermelha.

Simples.

Mas real.

Observei com atenção.

— Faz de novo.

— Por quê?

— Quero ver.

Ele apagou.

Acendeu novamente.

Ani falou.

[Energia mágica detectada.]

Consegue analisar?

[Sim.]

A chama desapareceu.

— Mais uma.

Cedric franziu a testa.

— Você nunca viu fogo?

— Estou tentando entender uma coisa.

Ele fez novamente.

[Análise parcial concluída.]

Uma informação apareceu.

Manifestação elemental simples.

Conversão de mana interna em fenômeno térmico.

Dá para copiar?

[Não com as capacidades atuais.]

Tudo bem.

Seria absurdo demais.

— Por que a pergunta? — Cedric quis saber.

— Curiosidade.

— Você odeia magia.

Outra informação sobre Adrian.

— Mudei de opinião.

Cedric ficou me olhando novamente.

— Definitivamente bateu a cabeça.

Talvez essa desculpa acabasse funcionando melhor que ressaca.

— Quanto de mana você tem?

— Quarenta e três.

Olhei minha interface.

Mana: 0.

Era até ofensivo.

— Isso é muito?

— Não.

— Leon tem quanto?

— Mais de quatrocentos, acho.

Ah.

Então lutar com ele realmente teria sido uma excelente ideia.

— Elena?

— Duzentos e alguma coisa.

— Certo.

Precisava entender a escala.

— E alguém Rank S?

Cedric deu de ombros.

— Depende. Rank não é só mana.

Exatamente.

Esse era um ponto importante do mundo.

Rank Matrimonial não era nível de combate.

Uma pessoa podia ser Rank A por território, influência, administração e linhagem mesmo sem ser um monstro em batalha.

E alguém poderoso podia ficar preso num Rank menor por ser politicamente inútil.

O sistema existia para medir o valor de uma união aristocrática.

Não o tamanho de uma bola de fogo.

— Cedric.

— Hum?

— Você conhece alguém que trabalhe com a avaliação?

Ele sorriu.

— Talvez.

— Quem?

— Depende.

— Do quê?

— Quanto vale a informação?

Apontei para a porta.

— Seus credores voltam no pôr do sol.

O sorriso desapareceu.

— Professora Margaret.

— O que ela faz?

— Administração territorial. Faz parte da banca dos Ranks D, E e F.

Isso era útil.

Muito útil.

— Onde encontro?

— Prédio Sul. Sala 31.

Levantei.

— Vamos.

— Nós?

— Você vem comigo.

— Por quê?

— Porque preciso entender a avaliação.

— E eu?

— Você precisa de quatro pontos.

— Eu já aceitei meu destino.

— Desaceita.

Cedric ficou olhando.

— Isso existe?

— A partir de hoje.


A professora Margaret era assustadora.

Não porque fosse enorme.

Era uma mulher de aproximadamente quarenta anos, cabelos castanhos presos e óculos finos.

O problema era o olhar.

Aquele olhar me lembrou uma supervisora do supermercado que conseguia descobrir quem tinha colocado produto na prateleira errada só de entrar no corredor.

Entramos na sala.

Margaret levantou os olhos dos documentos.

Viu Cedric.

Suspirou.

Depois me viu.

Suspirou mais forte.

— Não.

Parei.

— Eu ainda nem falei.

— Seja o que for, não.

Cedric cochichou:

— Eu disse que ela não gostava da gente.

— Eu ouvi, senhor Arden.

Ele fechou a boca.

Aproximei-me da mesa.

— Professora, só quero fazer algumas perguntas sobre a avaliação.

Ela me encarou.

— Você sabe que não posso alterar sua pontuação.

— Não quero que altere.

— Nem aceitar pagamento.

— Também não quero.

— Nem presentes.

— Não trouxe.

Ela pareceu genuinamente confusa.

— Então o que quer?

— Entender como posso ganhar pontos legalmente antes da avaliação.

Silêncio.

Margaret tirou os óculos.

— Repita.

Repeti.

Ela olhou para Cedric.

— Ele está doente?

— Acho que bateu a cabeça.

— Cedric.

— Desculpa.

Margaret colocou os óculos novamente.

— Sente.

Sentamos.

Ela puxou uma folha.

— Sua situação é péssima, Veyron.

— Eu percebi.

— Dezenove pontos preliminares.

— Agora provavelmente quatorze.

Ela ergueu uma sobrancelha.

— Cancelou o duelo.

— Cinco pontos de reputação.

— Correto.

Então eu precisava de vinte e seis.

Excelente.

— A pontuação final não é simplesmente uma soma fixa — explicou ela. — A banca avalia mudanças relevantes ocorridas desde a última revisão.

— Então posso recuperar bastante se demonstrar uma mudança real?

— Em teoria.

— Quanto?

— Não existe um número garantido.

— Mas existe um limite?

— Não.

Isso mudou tudo.

Eu tinha assumido que precisaria juntar pontos como num jogo.

Não funcionava exatamente assim.

O jogo simplificava.

A Academia real julgava acontecimentos.

— Se eu reduzir despesas da Casa?

— Pode influenciar administração.

— Resolver um problema de produção no meu território?

— Pode influenciar mais.

— Demonstrar uma habilidade nova?

Margaret me olhou.

— Você despertou magia?

— Não.

— Então?

— Hipoteticamente.

— Se houver uma habilidade verificável, naturalmente será considerada.

Ótimo.

— E contratos matrimoniais?

— Você não conseguirá um em dois dias.

— Obrigado pela confiança.

— Estou sendo realista.

— Prefiro assim.

Margaret ficou alguns segundos me observando.

— Veyron.

— Sim?

— Por que está fazendo isso agora?

A pergunta era simples.

A resposta não.

Olhei pela janela.

— Porque percebi que estava destruindo minha própria vida.

Não era toda a verdade.

Mas também não era mentira.

— Demorou.

— Bastante.

Ela assentiu.

— Nesse caso, comece parando de criar novos problemas.

Olhei para Cedric.

Ele apontou para si.

— Por que olhou para mim?

Margaret quase sorriu.


Saímos da sala com algo muito mais valioso que pontos.

Uma direção.

Eu não precisava resolver minha vida inteira em dois dias.

Precisava mostrar mudança suficiente para justificar Rank E.

Era diferente.

— Vamos comer — disse Cedric.

— Ainda não.

— Adrian, pensar consome energia.

— Você não pensa tanto assim.

— Exatamente. Por isso tenho energia.

Ignorei.

Descemos as escadas.

Foi quando Ani falou.

[Sugestão.]

Parei.

Essa era nova.

Fala.

[A demonstração de [Criação] pode satisfazer o critério de habilidade verificável.]

Eu sei.

[Entretanto, revelar a habilidade integralmente apresenta risco estratégico.]

Meu sorriso desapareceu.

Ela estava certa.

Se eu aparecesse dizendo “consigo criar matéria”, chamaria atenção demais.

Principalmente sendo um nobre sem mana.

Podemos esconder parte?

[Sim.]

Como?

[Apresente o resultado como uma habilidade de reconstrução ou fabricação limitada que exige fonte energética e materiais.]

Isso era inteligente.

Muito inteligente.

Não precisava mentir completamente.

Só não precisava explicar tudo.

— Adrian?

Cedric estava me olhando.

— Você travou.

— Tive uma ideia.

— Perigoso.

— Preciso de um objeto quebrado.

— Eu tenho vários.

— Mágico.

— Também.

— Barato.

— Ah.

Ele pensou.

— Tenho uma chaleira.

Parei.

— Uma chaleira mágica?

— É.

— Quebrada?

— Faz três meses.

— Por que ainda guarda?

— Eu ia consertar.

— Há três meses?

— Eu sou ocupado.

Olhei para ele.

— Você estava fugindo de cobrador com uma bota.

— Exatamente.


A chaleira estava no fundo do armário.

Debaixo de duas camisas.

E de algo que eu decidi não identificar.

Colocamos sobre a mesa.

Era pequena.

Metal escuro.

Um cristal minúsculo na base.

— O que ela faz?

— Esquenta água.

— Só isso?

— O que você queria? Que fizesse café?

Pensei.

— Isso seria útil.

Ani começou a analisar.

[Dano identificado.]

Consegue reparar com Criação?

[Sim.]

Quanto?

[Utilizando a estrutura existente e um cristal externo: 0,18 unidade.]

Perfeito.

Peguei um dos cristais que comprei com Bram.

— Cedric.

— Hum?

— Fecha a porta.

— Por quê?

— Porque vou mostrar uma coisa.

Ele fechou.

Voltou.

Coloquei a mão sobre o cristal.

Autorizei a conversão.

A luz azul diminuiu.

Minha reserva aumentou.

Depois toquei a chaleira.

— Ani.

[Reparo iniciado.]

Uma luz fraca apareceu.

Nada espetacular.

A rachadura na base desapareceu lentamente.

O pequeno símbolo gravado no metal voltou a ficar inteiro.

Terminou.

Cedric ficou olhando.

— O que você fez?

— Testa.

Ele colocou água.

Tocou o símbolo.

O cristal brilhou.

Alguns segundos depois, vapor começou a subir.

Cedric olhou para a chaleira.

Depois para mim.

Depois novamente para a chaleira.

— Você consertou.

— Parece.

— Você.

— Eu.

— Adrian Veyron.

— Infelizmente.

— O cara que conseguiu quebrar uma caixa de música jogando ela pela janela.

— Estou tentando deixar essa história no passado.

Cedric pegou a chaleira.

— Quanto você gastou?

— Quase nada.

Ele ficou sério.

— Consegue fazer isso com outras coisas?

Essa era a pergunta perigosa.

— Algumas.

— Armas?

— Não sei.

— Artefatos?

— Não sei.

— Carruagens?

— Cedric.

— Certo.

Ele olhou para a chaleira.

Então seus olhos mudaram.

Eu conhecia aquele olhar.

Era o mesmo que eu fazia quando encontrava alguma maneira de economizar dinheiro.

— Quanto custa consertar uma dessas normalmente?

Perguntei.

Cedric respondeu.

Fiz as contas.

Depois olhei para a chaleira.

Depois para ele.

— Quanto você deve mesmo?

— Trinta e quatro pratas.

— E quantos alunos você conhece com equipamento mágico quebrado?

Ele ficou imóvel.

Eu também.

Um sorriso apareceu no rosto dele.

— Muitos.

Sorri de volta.

— Quantos?

— Adrian…

Ele colocou a chaleira na mesa.

— Acho que acabei de descobrir como pagar minha dívida.

— Nossa dívida não.

— Minha.

— Melhor.

Cedric estendeu a mão.

— Sociedade?

Olhei para a mão.

— Não.

— Setenta para você, trinta para mim.

— Você só vai encontrar clientes.

— Isso é importante.

— Oitenta, vinte.

— Setenta e cinco, vinte e cinco.

— E você para de apostar.

O sorriso dele diminuiu.

— Isso não fazia parte.

— Agora faz.

— Por quanto tempo?

— Até pagar suas dívidas.

Ele pensou.

— Todas?

— Quantas existem?

Cedric ficou quieto.

— Cedric.

— A gente estava falando das trinta e quatro.

— Quantas?

— Podemos discutir isso depois.

— Quantas?

Ele coçou a cabeça.

— Cento e nove.

Fiquei em silêncio.

— Pratas?

— Sim.

Soltei o ar.

— Você é um idiota.

— Eu sei.

— Fechado.

Ele estendeu a mão novamente.

Dessa vez apertei.

— Oitenta para mim.

— Vinte para mim.

— Sem apostas.

— Até pagar tudo.

— E nada de pegar empréstimo.

Cedric fez uma careta.

— Certo.

— Nem comigo.

— Certo.

— Nem usar meu nome.

— Você é muito desconfiado.

Lembrei de Camila.

Rafael.

Depois olhei para Cedric.

— Experiência de vida.

Soltei sua mão.

— Agora precisamos testar isso sem chamar atenção.

Cedric sorriu.

— Deixa comigo.

Isso não me tranquilizou nem um pouco.


Uma hora depois, descobri que tinha cometido um erro.

Cedric voltou para o quarto com sete pessoas.

— Eu falei sem chamar atenção!

— São poucos!

— SETE?!

Atrás dele havia quatro rapazes e três mulheres.

Todos carregando alguma coisa.

Uma garota tinha uma luminária.

Outro segurava um bastão.

Uma das mulheres carregava uma pequena caixa metálica.

— Você disse que ele conserta qualquer coisa — falou um rapaz.

Olhei lentamente para Cedric.

— Você disse o quê?

— Marketing.

— Vou te matar.

— Depois dos clientes.

Respirei fundo.

Muito fundo.

Talvez fosse tarde demais.

— Um por vez.

A primeira foi a garota da luminária.

Cabelos loiros curtos.

Rank E, pelo símbolo no uniforme.

Ela colocou o objeto na mesa.

— Parou de funcionar ontem.

— Já levou para manutenção?

— Fica pronto em seis dias.

Ani analisou.

[Cristal de conexão deslocado. Dano mínimo.]

Quase nada.

— Quanto você pagaria?

Ela disse o valor.

Era pouco.

Mas ainda muito mais que meu custo.

— Faço pela metade.

Ela arregalou os olhos.

— Hoje?

— Agora.

— Fechado.

Usei uma quantidade mínima de energia.

A luminária acendeu.

A garota ficou olhando.

— Já?

— Já.

Cedric recebeu o pagamento.

Segundo cliente.

Uma caixa térmica.

Terceiro.

Um bracelete encantado.

O bastão eu recusei.

Ani identificou danos complexos demais.

Não queria arriscar.

Isso também era importante.

Não aceitar tudo.

Em menos de uma hora, tínhamos consertado cinco objetos.

O sexto era impossível com nossa energia atual.

Quando o último aluno saiu, Cedric fechou a porta.

Colocou as moedas sobre a mesa.

Ficamos olhando.

Não era uma fortuna.

Mas era dinheiro.

Dinheiro de verdade.

Ganhei mais reparando sucata durante uma hora do que Adrian costumava gastar numa garrafa de vinho.

— Funciona — Cedric disse.

— Funciona.

Ele começou a separar as moedas.

— Oitenta…

— Espera.

— O quê?

— Precisamos descontar o custo dos cristais primeiro.

Cedric me encarou.

— Você é assustador.

— Por quê?

— Ontem você desafiou Leon para um duelo por causa de uma mulher.

Apontou para as moedas.

— Hoje está calculando custo operacional.

— Crescimento pessoal.

— Isso não é crescimento. É possessão demoníaca.

Quase engasguei.

Cedric riu.

— Sua cara!

— Vai se ferrar.

Foi a primeira vez desde que cheguei àquele mundo que uma expressão da Terra escapou sem eu me importar.

Talvez porque Cedric fosse o tipo de pessoa que não perguntaria de onde veio.

Ele começou a rir ainda mais.

Então alguém bateu na porta.

Nós dois paramos.

— Credor? — perguntei.

Cedric olhou pela janela.

Ainda faltavam algumas horas para o pôr do sol.

— Acho que não.

Abri.

Elena estava do lado de fora.

Olhou para mim.

Depois para Cedric.

Depois para as moedas espalhadas sobre a mesa.

E finalmente para cinco objetos mágicos quebrados esperando análise.

Seus olhos vermelhos se estreitaram.

— O que vocês dois estão fazendo?

Cedric abriu a boca.

Apontei para ele.

— Pensa muito bem antes de responder.

Ele fechou.

Elena cruzou os braços.

— Adrian?

Dessa vez não dava para esconder tudo.

Peguei a chaleira.

Coloquei sobre a mesa.

— Tentando subir para Rank E.

Ela olhou para a chaleira.

— Com chá?

Cedric começou a rir.

Eu queria jogar ele pela janela.

— Não.

Coloquei um dos equipamentos quebrados ao lado.

— Descobri uma habilidade.

O humor desapareceu do rosto dela.

— Que habilidade?

— Consigo reparar algumas coisas.

— Você não tem mana.

— Eu sei.

— Então como?

Era exatamente a pergunta que eu não queria responder.

— Ainda estou descobrindo.

Elena me observou.

A desconfiança voltou.

Mas havia outra coisa agora.

Curiosidade.

Ela entrou no quarto.

— Mostre.

— Agora?

— Agora.

Cedric se aproximou de mim e cochichou:

— Se impressionar ela, talvez ganhe pontos matrimoniais.

Olhei para ele.

— Você quer morrer?

— Só estou ajudando.

Elena ouviu.

— Eu também ouvi.

— Foi mal.

Ela colocou alguma coisa sobre a mesa.

Um pequeno pingente vermelho.

Meu corpo reconheceu antes de mim.

Adrian já tinha visto aquele objeto.

Elena usava desde criança.

— Está quebrado? — perguntei.

— Há três anos.

A expressão dela ficou diferente.

Não era apenas um objeto.

— Ninguém conseguiu reparar sem substituir o núcleo.

— E você não quer substituir.

Ela me olhou.

— Não.

Ani começou a analisar.

Segundos passaram.

[Objeto mágico identificado.]

[Dano estrutural severo.]

[Núcleo preservado.]

Dá para reparar?

Pausa.

Longa demais.

[Sim.]

Meu coração acelerou.

Quanto?

A resposta apareceu.

[14,7 unidades de energia.]

Olhei minha reserva.

Nem perto.

Elena percebeu minha expressão.

— Não consegue?

Peguei o pingente com cuidado.

— Consigo.

Ela ficou imóvel.

— Mas não hoje.

— Por quê?

— Preciso de energia.

— Mana?

— Algo parecido.

Ela estendeu a mão.

— Então devolva.

Coloquei o pingente na palma dela.

— Se eu conseguir uma fonte suficiente, tento.

Elena fechou os dedos em torno dele.

— Quanto vai cobrar?

— Nada.

Ela franziu a testa.

Cedric me olhou como se eu tivesse cometido um crime.

— Nada?

— É importante para você.

— Isso não responde.

Pensei.

Talvez fosse melhor estabelecer limites.

— Considera pagamento pelo pedido de desculpas de ontem.

Elena ficou em silêncio.

Então guardou o pingente.

— Se quebrar ainda mais, eu mato você.

— Justo.

Ela saiu.

Cedric esperou a porta fechar.

Depois virou para mim.

— Nada?!

— Cala a boca.

— Você acabou de destruir nosso modelo de negócios!

— Era um caso diferente.

— É assim que começa.

— Cedric.

— Primeiro uma cliente bonita, depois desconto, depois—

Joguei a almofada nele.


No fim da tarde, Edgar voltou.

Trouxe três coisas.

A confirmação de que havia recebido uma proposta pela carruagem.

Os desenhos do moinho de Valenford.

E uma notícia que mudou meus planos.

Colocou os documentos sobre a mesa.

— A peça quebrada do moinho não pode ser comprada atualmente na capital.

— Por quê?

— O fabricante encerrou as atividades dois anos atrás.

Olhei para os desenhos.

Ani começou imediatamente a analisar.

— Dá para mandar fazer?

— Sim.

— Quanto tempo?

— Entre quatro e seis meses.

— E a vila está esperando há oito.

— Sim.

Aquilo era absurdo.

— Quanto estamos perdendo por mês?

Edgar mostrou.

Fiz a conta.

Minha expressão mudou.

Muito.

Consertar aquele moinho não era só questão de Rank.

A Casa estava sangrando dinheiro.

Ani.

[Análise em andamento.]

Esperei.

Cedric tentou olhar por cima do meu ombro.

— O que é?

— Trabalho.

Ele se afastou imediatamente.

Alguns segundos depois:

[Componente identificado.]

[Reprodução possível.]

Sorri.

Energia necessária?

[23,4 unidades utilizando matéria-prima compatível.]

Meu sorriso diminuiu.

Precisava de muito mais energia.

Mas eu sabia onde conseguir.

A Pedra de Éter.

Aquela que tinha lembrado no primeiro dia.

A ruína fora da capital.

Se ainda estivesse lá, deveria ser suficiente.

Talvez para o moinho.

Talvez até para o pingente de Elena.

Olhei pela janela.

A avaliação começaria em dois dias.

Não podia esperar.

— Edgar.

— Sim?

— Quero uma carruagem amanhã cedo.

Ele levantou uma sobrancelha.

— Acabamos de vender uma.

— Usa uma velha.

— Para onde pretende ir?

Puxei um mapa.

Encontrei a região.

Apontei.

Edgar se aproximou.

Cedric também.

— Bosque de Elnor — disse Edgar.

— Quanto tempo?

— Aproximadamente três horas.

Perfeito.

Cedric olhou o mapa.

— O que tem lá?

Eu sabia exatamente o que tinha.

Uma ruína esquecida.

Uma estátua quebrada.

Uma passagem escondida.

E uma Pedra de Éter que nenhum personagem importante encontraria durante mais três anos.

Dobrei o mapa.

— Algo que preciso buscar.

Cedric sorriu.

— Vou junto.

— Não.

— Por quê?

— Porque você tem credores.

— Exatamente. É um ótimo motivo para sair da cidade.

— Você prometeu pagar.

— Tecnicamente prometi não apostar.

Edgar interrompeu.

— Talvez seja prudente não viajar sozinho, senhor.

Olhei para Cedric.

Ele sorriu.

— Ouviu o homem.

Não gostei.

Mas Edgar tinha razão.

Eu não sabia lutar.

Cedric pelo menos tinha magia.

— Você sabe usar essa chama para alguma coisa além de acender vela?

Cedric pareceu ofendido.

— Sou Rank D em poder.

— Isso não respondeu.

Uma pequena bola de fogo surgiu sobre a mão dele.

Dessa vez maior.

O calor chegou até mim.

— Serve?

— Serve.

— Então vou.

— Se morrer, sua dívida não vira minha.

— Você sabe realmente acabar com um momento.

Edgar recolheu os documentos.

Eu voltei a olhar para o mapa.

Amanhã seria minha primeira saída da Academia.

Também seria a primeira vez que eu dependeria seriamente do meu conhecimento de Corações de Asteria.

No jogo, chegar à Pedra de Éter era fácil.

Alguns cliques.

Duas telas.

Um pequeno quebra-cabeça.

Mas eu não estava mais sentado diante de um computador.

Se houvesse alguma coisa naquela floresta que o jogo tinha decidido não mostrar…

eu descobriria pessoalmente.

E isso era uma diferença bem grande.

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setembro 14, 2026 | Abraham Costa

O Vilão Inútil – Light Novel de Fantasia e Isekai

Eu Só Queria Uma Esposa e Uma Vida Tranquila

Volume 1 — Abraham Costa

Capítulo 1 — Seguro-Desemprego, Gacha e Outras Decisões Questionáveis

Ser demitido foi, provavelmente, a melhor coisa que tinha me acontecido naquele ano.

O que dizia bastante sobre como aquele ano estava uma merda.

Fiquei alguns segundos parado diante da porta automática do supermercado, segurando uma sacola com duas camisetas do uniforme, uma garrafa de água amassada e um carregador que eu tinha certeza de que nem era meu.

Atrás de mim, alguém empurrava uma fileira de carrinhos.

Mais adiante, uma senhora discutia com o segurança porque queria entrar com um cachorro no colo.

Um entregador quase foi atropelado por um carro que resolveu dar ré sem olhar.

Tudo continuava exatamente igual.

Menos eu.

Aos vinte anos, oficialmente desempregado.

— É… — murmurei. — Deu bom.

Uma mulher que passava perto de mim lançou um olhar estranho.

Ignorei.

Talvez “deu bom” não fosse exatamente a reação esperada de alguém que acabara de perder o emprego.

Mas ela não tinha passado os últimos dois anos entrando naquele supermercado antes das oito da manhã.

Eu tinha.

Também não tinha passado manhãs inteiras descarregando caixa, conferindo mercadoria, repondo produto, ouvindo cliente reclamar que o preço na prateleira estava diferente por quarenta centavos e depois levando bronca porque uma promoção que eu nem sabia que existia tinha acabado.

Eu tinha.

Então, naquele momento, enquanto o ar quente do Rio batia no meu rosto e eu percebia que não precisaria voltar no dia seguinte, senti algo muito parecido com liberdade.

Durou uns quinze segundos.

Peguei o celular.

Saldo da conta.

A liberdade imediatamente pareceu menos bonita.

— Tá. Também não precisa humilhar.

Guardei o aparelho.

Eu não estava completamente ferrado. Receberia as verbas da demissão, tinha direito ao seguro-desemprego e ainda morava num apartamento pequeno que minha mãe havia deixado para mim antes de se mudar para outra cidade.

Não era uma vida de luxo.

Mas também não precisava entrar em pânico naquele mesmo dia.

Talvez eu pudesse descansar algumas semanas.

Procurar outro emprego depois.

Organizar minha cabeça.

Era um plano excelente.

O problema é que meus planos naquele ano tinham adquirido o hábito irritante de dar errado.

E o primeiro deles tinha nome.

Camila.

Eu a conhecera naquele mesmo supermercado.

Ela trabalhava no caixa quando entrei como repositor. Tinha vinte e um anos, cabelo castanho preso quase sempre num rabo de cavalo e o estranho talento de conseguir conversar com qualquer pessoa.

Inclusive comigo.

Começamos almoçando juntos.

Depois vieram mensagens.

Saídas depois do expediente.

Namoro.

Durante quase um ano, achei que tinha dado sorte.

Até uma terça-feira, três meses antes da minha demissão.

Eu deveria estar de folga.

Voltei ao mercado porque tinha esquecido minha carteira dentro do armário dos funcionários.

Foi isso.

Nada de pressentimento.

Nada de mensagem misteriosa.

Nenhum amigo me avisando.

Eu simplesmente esqueci a porcaria da carteira.

Entrei pela área dos funcionários, cumprimentei o segurança e fui até o corredor dos fundos.

Então ouvi uma risada conhecida.

Parei.

Camila estava perto do depósito.

Com Rafael.

Meu amigo.

Não “colega de trabalho”.

Meu amigo mesmo.

O cara que já tinha bebido cerveja na minha casa. O cara que sabia que eu estava juntando dinheiro para comprar uma moto usada. O cara que algumas semanas antes tinha me pedido duzentos reais emprestados.

E estava beijando minha namorada.

Por alguns segundos, meu cérebro tentou encontrar uma explicação alternativa.

Talvez ela tivesse tropeçado.

Na boca dele.

Por aproximadamente vinte segundos.

A criatividade humana realmente fica impressionante quando a verdade é uma merda.

Rafael foi o primeiro a me ver.

O rosto dele perdeu a cor.

Camila se afastou.

— Abraham…

Quando alguém começa uma frase usando seu nome daquele jeito, dificilmente vem coisa boa depois.

— Não.

Ela piscou.

— Me deixa explicar.

— Explicar o quê?

— Não é o que você está pensando.

Olhei para Rafael.

Depois para ela.

Depois novamente para Rafael.

— Caralho, então eu tô pensando errado pra cacete.

Rafael tentou falar alguma coisa.

Não lembro o quê.

Também não bati nele.

Durante algumas semanas, fiquei imaginando se deveria ter batido. Parecia uma daquelas situações em que, numa série, o protagonista acerta um soco perfeito, o outro cara cai e todo mundo pensa que ele é foda.

Na vida real, provavelmente eu seria demitido três meses antes, perderia parte do dinheiro da rescisão e talvez ainda precisasse responder por agressão.

Então simplesmente peguei minha carteira.

Terminei o namoro.

Bloqueei os dois.

E fui embora.

Foi menos cinematográfico.

Também foi mais barato.

O problema veio depois.

Não virei um daqueles caras que decide que todas as mulheres são iguais.

Minha conclusão foi bem mais simples.

Relacionamento dava trabalho.

Muito trabalho.

E aparentemente nem fazer tudo direito garantia alguma coisa.

Trabalhar também dava trabalho.

Portanto, quando fui demitido três meses depois, decidi que talvez o universo estivesse tentando me ensinar alguma coisa.


Na primeira semana desempregado, fui produtivo.

Atualizei currículo.

Arrumei o apartamento.

Pesquisei vagas.

Fiz uma planilha de gastos.

Comecei a correr pela manhã.

Na segunda semana, parei de correr.

Na terceira, parei de olhar vagas todos os dias.

Na quarta, descobri que acordar às dez da manhã numa terça-feira era uma experiência espiritual.

O seguro-desemprego caiu.

Paguei as contas.

Comprei comida.

Olhei o que sobrou.

— Dá pra sobreviver.

Esse foi meu primeiro erro.

O segundo estava instalado no computador.

Um jogo de gacha.

Eu já jogava algumas coisas antes, mas trabalhar em mercado não deixava muito tempo para dedicar a jogos gigantescos. Agora eu tinha uma coisa extremamente perigosa.

Tempo livre.

Comecei terminando um RPG que estava parado havia meses.

Depois outro.

Então um amigo de internet me recomendou um gacha.

Depois outro.

Quando percebi, tinha uma rotina.

Acordava.

Fazia café.

Entrava para pegar recompensa diária.

Fazia missão diária.

Gastava energia.

Fechava o jogo.

Abriria outro.

Repetia.

Eu me tornei extremamente eficiente em não fazer nada útil.

O que, considerando meus dois anos organizando estoque, parecia merecido.

Até que apareceu o primeiro otome game.

Meu primeiro pensamento foi:

— Nem ferrando.

Dois dias depois, eu estava jogando.

A culpa foi de uma propaganda.

O anúncio mostrava um mapa enorme, batalhas mágicas, administração territorial, monstros e um sistema de criação de equipamentos.

Parecia um RPG de fantasia normal.

Baixei.

Nos primeiros quinze minutos, descobri que o personagem principal era uma mulher e que existiam cinco homens com retratos bonitos demais aparecendo na tela.

Fechei o jogo.

Abri novamente dez minutos depois.

Eu já tinha baixado três gigas.

Não ia desperdiçar internet.

Foi assim que comecei.

E, para minha surpresa, gostei.

Não exatamente do romance.

Gostei dos sistemas.

Alguns daqueles jogos eram absurdamente complexos.

Escolher uma resposta errada no capítulo quatro podia impedir um casamento no capítulo dezessete.

Uma aliança aparentemente inútil mudava uma guerra.

Um personagem secundário salvo no começo podia virar ministro anos depois.

Havia rotas secretas.

Finais ruins.

Finais verdadeiros.

Eventos escondidos.

Itens que só apareciam se você estivesse no lugar certo durante determinado período.

Aquilo virou um desafio.

Eu queria ver tudo.

Então comecei a zerar.

Um.

Outro.

Outro.

Quando acabavam, procurava jogos parecidos.

E foi assim que encontrei Corações de Asteria.

O nome parecia tão genérico que quase passei direto.

A descrição também não ajudava.

Encontre o amor em um mundo onde seu coração determinará seu destino.

— Nossa senhora.

Quase fechei a página.

Então vi as avaliações.

O jogo era famoso por uma razão completamente diferente.

Era difícil.

Não difícil no sentido de inimigos com vida demais.

Difícil porque tudo estava conectado.

Romance.

Status social.

Magia.

Economia.

Território.

Diplomacia.

Casamento.

Sucessão.

Guerra.

A personagem principal entrava na Academia Imperial de Matrimônio, onde jovens adultos da aristocracia eram avaliados não apenas por poder mágico, mas pela capacidade de formar uma Casa funcional.

O sistema de classificação ia de F até S.

Seu Rank influenciava pretendentes disponíveis, contratos matrimoniais, posição social e até determinadas possibilidades de sucessão.

E havia Leon.

O protagonista masculino principal.

Bonito.

Talentoso.

Educado.

Poderoso.

Herdeiro de uma família importante.

O pacote completo.

Eu não gostava dele.

Não porque fosse mal escrito.

Esse era justamente o problema.

Leon era bom demais.

Na primeira rota que joguei, achei que em algum momento revelariam que ele sacrificava crianças ou chutava cachorro escondido.

Nada.

O maluco realmente era gente boa.

— Aí fica difícil competir, parceiro.

Mas eu não estava competindo.

Minha obsessão estava nos personagens secundários.

Principalmente nos inúteis.

Existia algo estranhamente divertido em descobrir que um nobre mencionado durante duas linhas possuía uma propriedade abandonada onde, seis capítulos depois, era possível encontrar um artefato raro.

Comecei a anotar.

Rotas.

Itens.

Tesouros.

Chefes.

Receitas.

Eventos.

Algumas informações foram parar numa planilha.

Sim.

Uma planilha.

Depois de passar dois anos reclamando de inventário no supermercado, eu voluntariamente criei um inventário para um jogo.

A ironia não passou despercebida.

Entre os personagens que mais apareciam nas rotas ruins estava um jovem Visconde.

Um sujeito bonito de cabelo prateado, família antiga e talento mágico inexistente.

Rank F.

Arrogante.

Preguiçoso.

Covarde quando precisava lutar e corajoso demais quando precisava importunar mulher.

O tipo de personagem criado especificamente para o jogador sentir satisfação quando levava um soco.

Eu vi aquele desgraçado morrer quatro vezes.

Em uma rota, Leon o derrotava em duelo.

Em outra, a própria família perdia o título depois de uma investigação.

Em uma terceira, ele se envolvia com nobres rebeldes tentando recuperar prestígio e terminava executado.

A quarta era particularmente humilhante.

Ele fugia de uma batalha, caía de uma ponte e morria sem ninguém perceber até dois capítulos depois.

Nem ilustração especial tinha.

Eu ri muito.

— Imagina ser tão inútil que nem sua morte ganha CG.

Continuei jogando.

Com o tempo, completei todas as rotas principais.

Depois as secundárias.

Depois comecei a procurar conteúdo escondido.

Foi aí que percebi uma coisa.

O mundo de Corações de Asteria era muito maior do que a história romântica mostrava.

Havia ruínas que nenhuma rota obrigava o jogador a visitar.

Descrições de guerras ocorridas séculos antes.

Itens com efeitos aparentemente inúteis.

Regiões inteiras que apareciam apenas no mapa.

E tesouros.

Muitos tesouros.

Alguns eram ridiculamente poderosos.

Só estavam escondidos em lugares que quase ninguém tinha motivo para explorar.

Passei semanas procurando tudo.

Quando finalmente apareceu na tela:

CONCLUSÃO TOTAL: 100%

encostei na cadeira.

E fiquei olhando.

— Acabou.

Era quase quatro da manhã.

Na mesa havia uma caneca vazia, duas embalagens de biscoito e um prato que eu vinha prometendo levar para a cozinha desde a tarde.

Meu celular estava carregando perto do monitor.

A parcela do seguro-desemprego tinha caído naquele dia.

Eu deveria começar a procurar emprego seriamente na semana seguinte.

Olhei para o computador.

Depois para o teto.

Pensei na minha vida.

Vinte anos.

Sem emprego.

Sem namorada.

Um amigo a menos.

E agora especialista mundial num jogo de romance que provavelmente não colocaria no currículo.

— Tá indo bem, Abraham.

Levantei.

Minha cabeça girou.

Segurei na mesa.

— Opa.

Esperei alguns segundos.

Tinha passado o dia praticamente só no café.

Boa ideia.

Fui até a cozinha, abri a geladeira e peguei água.

Bebi direto da garrafa.

Minha visão continuou estranha.

Sentei.

Talvez eu tivesse exagerado.

Dormir quatro ou cinco horas por noite durante vários dias parecia muito menos inteligente quando o corpo começava a cobrar.

Respirei fundo.

O coração estava rápido.

Depois rápido demais.

Peguei o celular.

A tela pareceu distante.

— Ah, não…

Tentei levantar.

Não consegui.

O aparelho escapou da minha mão e bateu no chão.

Por algum motivo, pensei na minha mãe.

Depois pensei que morrer daquele jeito seria extremamente vergonhoso.

Depois não pensei em mais nada.


Quando abri os olhos novamente, havia um teto acima de mim.

Isso já era uma surpresa considerável.

Fiquei olhando para ele.

Madeira escura.

Detalhes dourados.

Uma pintura no centro.

Nenhuma dessas coisas pertencia ao meu apartamento.

Mexi os dedos.

Funcionaram.

Braços.

Também.

Respirei.

Sem dor.

— Hospital?

Minha voz saiu diferente.

Parei.

Toquei a garganta.

— Que porra…

A voz era minha.

Mas não era.

Mais grave.

Mais limpa.

Sentei devagar.

O quarto era enorme.

Não grande.

Enorme.

Cama com dossel.

Cortinas pesadas.

Tapete que provavelmente custava mais do que tudo que eu tinha no apartamento.

Uma lareira apagada.

Estantes.

Uma escrivaninha.

E uma janela alta mostrando torres de pedra sob o céu azul.

Fiquei alguns segundos completamente imóvel.

Então olhei para minhas mãos.

Dedos longos.

Pele clara.

Nenhuma pequena cicatriz perto do polegar esquerdo.

Eu tinha aquela cicatriz desde os doze anos.

Saí da cama.

Quase tropecei.

Meu corpo era mais alto.

Fui até o espelho.

E parei.

Um jovem me encarava.

Devia ter aproximadamente minha idade.

Talvez exatamente vinte.

Rosto fino, bonito demais para ser meu, pele clara e olhos de uma tonalidade fria que eu conhecia muito bem.

O cabelo prateado caía de maneira bagunçada sobre a testa e terminava próximo à nuca.

Eu conhecia aquele rosto.

Não pessoalmente.

Tinha visto ele sendo espancado.

Preso.

Humilhado.

Executado.

E, numa ocasião memorável, caindo de uma ponte.

— Não.

Aproximei o rosto do espelho.

— Não, não, não.

Memórias que não eram minhas começaram a surgir.

Um sobrenome.

Um título.

Uma Casa.

Uma academia.

Mulheres olhando para mim com desprezo.

Professores desistindo de tentar.

Dívidas.

Escândalos.

Rejeições.

Meu estômago afundou.

— Não pode ser.

Uma sensação fria atravessou minha cabeça.

Então uma voz feminina, perfeitamente calma, falou dentro dela.

[Integração concluída.]

Congelei.

Olhei para trás.

Ninguém.

— Quem falou?

[Estabilização da alma concluída.]

— Alô?

Silêncio.

— Tem alguém aqui?

[Sim.]

Dei dois passos para trás.

— Onde?

[A pergunta não possui precisão suficiente.]

Fiquei olhando para o quarto vazio.

— Você tá dentro da minha cabeça?

Pausa.

[Descrição simplificada, porém aceitável.]

Passei a mão pelo rosto.

— Beleza.

Não estava beleza.

Nada estava beleza.

Mas entrar em pânico antes de entender o problema nunca tinha me ajudado muito.

— Quem é você?

[Não há designação registrada.]

— O que você é?

Dessa vez, a resposta demorou um pouco mais.

[Função auxiliar vinculada à habilidade única do usuário.]

Algo apareceu diante dos meus olhos.

Não uma tela física.

Era mais parecido com informação tomando forma diretamente na minha percepção.

Nome: —
Idade: 20
Título: Visconde
Rank: F
Mana: 0

E abaixo:

Habilidade Única: [Criação]

Li uma vez.

Depois outra.

Na terceira, comecei a rir.

Não porque fosse engraçado.

Era aquele tipo de risada que aparece quando a realidade passa do ponto em que reclamar ainda faz sentido.

— Criação.

[Correto.]

— Eu consigo criar coisas?

[Correto.]

Meu sorriso aumentou.

Talvez não estivesse tão ferrado.

Eu conhecia aquele mundo.

Conhecia itens que ninguém descobriria durante anos.

Conhecia tesouros.

Conhecia guerras antes de acontecerem.

E agora ainda tinha uma habilidade chamada Criação.

— Certo. Como uso?

[Selecione o objeto desejado.]

Olhei para a escrivaninha.

Uma caneta.

Algo simples.

— Cria uma caneta.

[Energia insuficiente.]

Meu sorriso desapareceu.

— Quanto custa?

[0,03 unidade de mana.]

Olhei novamente para minha condição.

Mana: 0.

— E quanto eu tenho?

[Zero.]

— Eu entendi essa parte. Quanto eu consigo recuperar?

[Zero.]

— Naturalmente?

[Zero.]

— Dormindo?

[Zero.]

— Comendo?

[Zero.]

— Meditando?

[Zero.]

Apoiei as duas mãos na escrivaninha.

Respirei.

— Então eu recebi uma habilidade que cria qualquer coisa…

[A afirmação contém imprecisões.]

— …e não tenho energia nem para criar uma caneta?

[Correto.]

Fechei os olhos.

Claro.

Era óbvio.

Seria pedir demais morrer e ganhar alguma coisa que funcionasse.

— Você tem nome?

[Não.]

— Então vou te chamar de Ani.

Silêncio.

— Algum problema?

[Designação registrada: Ani.]

— Ótimo.

Voltei ao espelho.

O rosto bonito continuava lá.

Cabelo prateado.

Vinte anos.

Visconde.

Rank F.

Mana zero.

Então finalmente lembrei do nome daquele personagem.

E toda a pouca esperança que eu ainda tinha desapareceu.

Eu não tinha reencarnado como Leon.

Nem como um príncipe.

Nem como um figurante desconhecido que pudesse pegar uma fazenda e desaparecer da história.

Eu era o Visconde inútil.

O homem que praticamente todas as mulheres importantes daquele jogo detestavam.

E, dependendo da rota, eu tinha menos de dois anos para morrer.

Fiquei encarando meu reflexo por algum tempo.

— Ani.

[Sim?]

— Tem como eu voltar?

[Não.]

— Imaginei.

Caminhei de volta até a cama e sentei.

Precisava pensar.

Eu conhecia aquele jogo melhor do que provavelmente qualquer pessoa deveria conhecer.

Isso significava que também sabia exatamente quais decisões aquele idiota tomaria.

A solução mais óbvia era simples.

Não tomar nenhuma delas.

Nada de perseguir heroína.

Nada de provocar Leon.

Nada de entrar em conspiração política.

Nada de tentar recuperar prestígio fazendo merda.

Eu já tinha trabalhado demais numa vida.

Não pretendia morrer e começar outra carreira.

Precisava sobreviver.

Depois resolver as dívidas do Viscondado.

Encontrar alguma forma de contornar minha ausência de mana.

Melhorar aquele Rank F só o suficiente para deixar de ser uma piada.

E então encontrar uma mulher normal que aceitasse se casar comigo.

Uma.

Não precisava ser princesa.

Não precisava ser a mulher mais bonita do continente.

Não precisava ter Rank S.

Bonita, tranquila e sem intenção de me esfaquear enquanto eu dormisse já estaria excelente.

Depois disso, uma propriedade pequena.

Dinheiro suficiente.

Comida boa.

Talvez uma biblioteca.

Dormir até tarde de vez em quando.

Era um plano modesto.

Depois de morrer uma vez, achei que tinha conquistado o direito de querer pouco.

Levantei novamente.

— Certo.

[O usuário estabeleceu um objetivo?]

— Estabeleci.

Abri as cortinas.

Abaixo da janela, carruagens atravessavam uma avenida larga. Ao longe, torres brancas se erguiam acima dos telhados da cidade.

Em algum lugar além delas estava a Academia Imperial de Matrimônio.

O lugar onde o antigo dono daquele corpo tinha conseguido transformar a própria reputação em lixo.

— Vou arrumar uma esposa, resolver essa bagunça e viver tranquilo.

Ani permaneceu em silêncio por alguns segundos.

[Objetivo registrado.]

Assenti.

Pelo menos alguém naquele mundo parecia acreditar no meu plano.


Capítulo 2 — Um Visconde Rank F Tem Problemas Demais

Naquele momento, eu também acreditava.

O problema foi que meu plano durou menos de cinco minutos.

Três batidas vieram da porta.

— Jovem mestre?

Olhei para ela.

A voz era de um homem mais velho.

— Ani.

[Sim?]

— Quem é?

[Não possuo informação suficiente.]

— Excelente ajuda.

[Agradeço.]

Fiquei em silêncio.

Eu não sabia se ela tinha entendido o sarcasmo.

— Jovem mestre? — o homem chamou novamente. — Posso entrar?

Meu primeiro impulso foi responder que não.

O segundo foi lembrar que eu não fazia ideia de onde ficavam minhas roupas.

Olhei para mim.

Eu estava usando uma camisa branca larga e uma calça simples. Pelo menos não tinha acordado pelado.

— Pode.

A porta se abriu.

Um homem de aproximadamente sessenta anos entrou no quarto.

Cabelos grisalhos bem penteados. Barba curta. Roupa preta impecável.

Ele parecia exatamente o tipo de mordomo que existia em jogo de fantasia.

O homem parou.

Olhou para mim.

Depois olhou para a cama.

Depois para mim outra vez.

— O senhor está de pé.

— Estou.

Ele continuou me encarando.

— Isso é… bom?

O homem piscou.

— Naturalmente.

Aquilo não pareceu muito natural.

— Aconteceu alguma coisa?

— O senhor não se recorda?

Essa pergunta nunca traz coisa boa para alguém que acabou de reencarnar.

Procurei nas memórias que tinham aparecido na minha cabeça.

Havia muita coisa.

Algumas lembranças eram claras. Outras pareciam fotografias jogadas dentro de uma caixa.

Então encontrei.

Bebida.

Uma discussão.

Um corredor da academia.

Uma garota.

Cabelos negros.

Olhos vermelhos.

Meu estômago apertou.

— Ah.

O mordomo manteve a expressão séria.

— O médico recomendou que permanecesse em repouso durante todo o dia.

— Médico?

— O senhor perdeu a consciência ontem à noite.

Ótimo.

Pelo menos isso explicava por que ninguém achava estranho eu estar no quarto.

— Quanto eu bebi?

O mordomo hesitou.

Isso já era resposta suficiente.

— Entendi.

— O senhor consumiu aproximadamente duas garrafas de vinho.

— Duas?!

— E parte de uma terceira.

Fiquei olhando para ele.

Meu novo corpo também era um idiota.

— Sozinho?

— Não exatamente.

Isso me deixou ainda mais preocupado.

— O que eu fiz?

O homem desviou os olhos.

— Senhor…

— Pode falar.

— Talvez seja melhor não pensar nisso agora.

Pronto.

Tinha feito merda.

— Eu quero saber.

Ele respirou fundo.

— O senhor tentou declarar seus sentimentos à senhorita Elena Valen novamente.

O nome trouxe outra sequência de memórias.

Elena.

Filha de um Conde.

Rank C.

Uma das personagens importantes de Corações de Asteria.

E uma das mulheres que aquele corpo tinha perseguido por meses.

Fechei os olhos.

— Ela recusou.

— Sim.

— E eu não aceitei bem.

O mordomo não respondeu.

— Acertei?

— Sim.

— Fiz alguma coisa com ela?

A pergunta saiu mais séria.

Se aquele desgraçado tivesse machucado a garota, eu precisava saber.

— Não.

Soltei o ar.

— Ainda bem.

— Entretanto…

Claro que tinha um entretanto.

— Fala.

— O senhor desafiou Lorde Leon para um duelo.

Fiquei imóvel.

Olhei lentamente para ele.

— Eu fiz o quê?

— Um duelo.

— Com Leon?

— Sim.

— Leon… qual Leon?

O mordomo pareceu confuso.

— Lorde Leon Arclight.

Era ele.

O protagonista.

O homem que eu tinha acabado de decidir evitar.

Passei a mão pelo rosto.

— Quando?

— Amanhã.

Silêncio.

Olhei para a janela.

Depois para o mordomo.

Depois para a janela novamente.

— Dá para cancelar?

O homem ficou surpreso.

— Cancelar?

— É. Desistir. Falar que eu estava bêbado. Pedir desculpa. Qualquer coisa.

Ele demorou alguns segundos para responder.

— Tecnicamente… sim.

— Ótimo.

— Mas o senhor perderá pontos de reputação na Academia.

— Quantos?

— Provavelmente cinco.

— Quantos eu tenho?

— Onze.

Parei.

— De quanto?

— Cem.

Onze.

Eu tinha onze pontos de reputação.

O antigo dono daquele corpo realmente tinha trabalhado duro para chegar ao fundo do poço.

— Então fico com seis.

— Senhor?

— Cancela.

O mordomo me encarou como se eu tivesse começado a falar outra língua.

— O senhor tem certeza?

— Absoluta.

— Mas todos saberão que o senhor recuou.

— Melhor covarde vivo do que corajoso enterrado.

Ele abriu a boca.

Fechou.

Acho que não existia resposta adequada para aquilo.

— Providencia o cancelamento.

— Sim, jovem mestre.

Ele fez uma reverência.

— Mais alguma coisa?

Pensei.

— Seu nome.

O homem levantou o rosto.

Merda.

— Quero dizer…

Precisava consertar aquilo.

— Nome completo.

— Edgar Hale.

A memória apareceu quase imediatamente.

Edgar.

Mordomo da família havia mais de trinta anos.

Serviu meu avô.

Depois meu pai.

Agora servia aquele desastre que eu tinha virado.

— Certo, Edgar.

Ele continuava desconfiado.

— Pode me trazer alguma coisa para comer?

— Naturalmente.

— E água.

— Sim.

— Muita água.

Edgar fez outra reverência e saiu.

A porta fechou.

Esperei.

Cinco segundos.

Dez.

— Ani.

[Sim?]

— Onze pontos.

[Correto.]

— Não precisava confirmar.

Sentei na cadeira perto da escrivaninha.

Agora eu tinha um problema mais urgente.

Informação.

Conhecer o jogo era uma vantagem enorme, mas havia uma diferença entre conhecer a história e viver dentro dela.

No jogo, ninguém precisava saber quantas moedas o personagem gastava no café da manhã.

Aqui, eu precisava.

— Ani, consegue mostrar minhas informações completas?

[Sim.]

Uma janela apareceu diante dos meus olhos.


Nome: Adrian Veyron
Idade: 20 anos
Título: Visconde
Casa: Veyron
Rank Matrimonial: F
Reputação Acadêmica: 11/100
Mana: 0
Afinidade Mágica: Nenhuma
Habilidade Única: [Criação]


Finalmente.

Meu nome agora era Adrian Veyron.

Estranho.

Na Terra, eu era Abraham.

Aqui, Adrian.

Poderia levar algum tempo para acostumar.

Continuei olhando.

— Mostra detalhes da Criação.

A janela mudou.


[Criação]

Permite materializar objetos compreendidos pelo usuário mediante consumo de energia.

Requisitos:

Conhecimento suficiente sobre o objeto.

Energia necessária para materialização.

Materiais adicionais podem reduzir o custo.


Franzi a testa.

— Materiais?

[Sim.]

Isso não estava na explicação anterior.

— Se eu tiver material, preciso de menos mana?

[Correto.]

Meu corpo se inclinou para frente.

— Quanto menos?

[Depende do objeto, matéria-prima disponível, complexidade e grau de compreensão.]

Interessante.

Muito interessante.

Talvez a habilidade não fosse inútil.

Só precisava descobrir como usar sem mana.

— Existe alguma energia que substitua mana?

[Existem múltiplas possibilidades.]

Meu coração acelerou.

— Quais?

[Informação insuficiente.]

— Você acabou de dizer que existem.

[Correto.]

— Então me fala.

[Não possuo dados suficientes para determinar quais estão disponíveis na região atual.]

Encostei na cadeira.

Ani não era uma enciclopédia.

Isso era importante.

Ela podia analisar informações que possuía, mas não sabia automaticamente tudo sobre o mundo.

Melhor assim.

Se ela soubesse absolutamente tudo, metade dos meus problemas acabaria antes de começar.

— Então precisamos encontrar uma fonte de energia.

[Conclusão adequada.]

Eu já conhecia algumas.

No jogo existiam cristais mágicos.

Núcleos de monstros.

Pedras espirituais.

Artefatos antigos.

Mas comprar qualquer uma dessas coisas custava dinheiro.

Dinheiro que talvez eu não tivesse.

— Mostra minhas finanças.

Nada apareceu.

— Ani?

[Não possuo acesso às finanças da Casa Veyron.]

— Claro que não.

Teria que perguntar para Edgar.

Levantei e caminhei até a janela.

A cidade se espalhava lá fora.

Era bonita.

Muito mais bonita do que as imagens do jogo conseguiam mostrar.

Carruagens atravessavam as ruas.

Pessoas caminhavam pelas calçadas.

Torres surgiam entre prédios de pedra clara.

Mais longe, acima de praticamente tudo, estava a Academia Imperial.

Eu reconheceria aquele lugar em qualquer lugar.

Passei centenas de horas olhando para aquele mapa.

E, de repente, uma lembrança surgiu.

Não da vida de Adrian.

Minha.

Do jogo.

Uma floresta.

Uma pequena ruína.

Uma estátua quebrada.

E alguma coisa enterrada embaixo dela.

Meu coração bateu mais rápido.

— Ani.

[Sim?]

— Você consegue analisar objetos mágicos?

[Se estiverem ao alcance dos meus sentidos ou forem fornecidas informações suficientes, sim.]

Sorri.

Era a primeira boa notícia desde que acordei.

Porque eu sabia onde encontrar um.

Na verdade, sabia onde encontrar vários.

O primeiro ficava relativamente perto da capital.

Era um tesouro tão insignificante para a história principal que a maioria dos jogadores nunca o encontrava.

Para mim, porém, poderia ser exatamente o que precisava.

Uma Pedra de Éter rachada.

No jogo, ela servia para alimentar um mecanismo antigo durante uma missão secundária.

Não era poderosa.

Não valia uma fortuna.

Não transformaria ninguém em guerreiro lendário.

Mas armazenava energia.

E energia era justamente o que eu não tinha.

Só havia um pequeno problema.

A área onde ela estava escondida pertencia a uma propriedade abandonada fora da capital.

E eu precisava sair da Academia para chegar lá.

Voltei para a cama.

— Primeiro cancelar o duelo.

[Decisão prudente.]

— Depois descobrir quanto dinheiro eu tenho.

[Decisão prudente.]

— Depois pegar aquela pedra.

[Decisão potencialmente perigosa.]

Olhei para o nada.

— Você precisava estragar a sequência?

[Estou cumprindo minha função.]

Suspirei.

Talvez eu tivesse acabado de encontrar alguém mais irritante que gerente de supermercado.

Alguns minutos depois, Edgar voltou trazendo uma bandeja.

Pão.

Queijo.

Frutas.

Ovos.

E uma pequena jarra.

Meu estômago imediatamente lembrou que o corpo estava vivo.

— Obrigado.

Edgar colocou tudo sobre a mesa.

Eu já estava puxando a cadeira quando percebi que ele não tinha ido embora.

— Alguma coisa?

— Jovem mestre…

A expressão dele estava estranha.

— Fala.

— Receio que exista outro problema.

Parei com um pedaço de pão na mão.

— Claro que existe.

Edgar respirou fundo.

— Chegou uma correspondência da Academia esta manhã.

Ele colocou um envelope sobre a mesa.

O selo dourado era familiar.

Academia Imperial de Matrimônio.

Abri.

Li.

Depois li novamente.

Não era sobre o duelo.

Era pior.

Minha avaliação anual de Rank seria realizada em três dias.

Olhei para o F nas minhas informações.

Depois para a carta.

— Edgar.

— Senhor?

— O que acontece se eu continuar Rank F?

O velho mordomo demorou um pouco para responder.

— A Casa Veyron perderá o direito de solicitar novos contratos matrimoniais de nível superior.

Isso eu já esperava.

Mas ele continuou.

— E, devido à situação atual do Viscondado, o Conselho poderá iniciar uma revisão da capacidade administrativa da Casa.

O pão parou no meio do caminho até minha boca.

— Traduz.

Edgar hesitou.

— Se o resultado for muito ruim… existe a possibilidade de o senhor perder parte das terras da família.

Baixei lentamente o pão.

Olhei novamente pela janela.

Três dias.

Eu tinha reencarnado fazia menos de uma hora.

Já tinha um duelo para cancelar.

Uma habilidade que não funcionava.

Onze pontos de reputação.

Um território aparentemente quebrado.

E agora corria o risco de perder terras.

Eu só queria uma esposa e uma vida tranquila.

Até aquele momento, não estava pedindo muito.

Começava a suspeitar que aquele mundo discordava.

Capitulo 3

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setembro 11, 2026 | Abraham Costa

Naruto na New York Comic Con 2026: os projetos que a franquia vai revelar em outubro

Naruto na New York Comic Con 2026. No dia 10 de outubro, às 17h no horário de Nova York, o Empire Stage do Jacob Javits Convention Center recebe um painel batizado de “Naruto: What’s Next?”. A data não foi escolhida ao acaso: é o aniversário oficial de Naruto Uzumaki, e a VIZ Media, editora do mangá nos Estados Unidos, prometeu que ali sairão do papel várias novidades que os fãs vinham pedindo desde o fim do anime original, em 2017.

A convenção em si roda de 8 a 11 de outubro e chega à sua vigésima edição. Colocar Naruto num painel próprio, com direito a dubladores japoneses viajando para Nova York, mostra o peso que a Shueisha e a TV Tokyo ainda dão à série mesmo quase uma década após o desfecho de Boruto ter mudado o foco da franquia para a nova geração.

Um novo filme de animação está a caminho

O ponto alto esperado do painel é a confirmação de um longa-metragem animado inédito, com direito a estreia mundial anunciada no próprio evento. A Variety, que teve acesso antecipado aos planos do painel, publicou que os destaques vão incluir esse anúncio de filme junto com informações sobre lançamento internacional e a exibição do primeiro material promocional.

Até agora ninguém revelou enredo, título ou data de estreia. O que se sabe é que o projeto retoma a linha de animação clássica do estúdio Pierrot, e não tem relação direta com o live-action que já está em produção nos Estados Unidos. Isso significa que a franquia caminha para ter, ao mesmo tempo, um filme animado japonês e uma adaptação ocidental em live-action rodando em paralelo — algo que nenhuma outra obra do Shonen Jump tentou nessa escala simultânea.

Um produtor da Studio Pierrot deve subir ao palco para falar sobre esse filme, ao lado de Junko Takeuchi, voz japonesa de Naruto desde o início da série, e Noriaki Sugiyama, voz de Sasuke Uchiha. A presença dos dois dubladores reforça que o painel não é apenas uma retrospectiva, mas um evento pensado para lançar algo novo.

Naruto Card Game ganha seu primeiro trailer

Outro anúncio já confirmado envolve o jogo de cartas colecionáveis da franquia. O Naruto Card Game fez sua estreia mundial na Gen Con 2026, entre 30 de julho e 2 de agosto, em Indianápolis, onde a Bandai organizou sessões de tutorial para os visitantes experimentarem o sistema de jogo antes do lançamento oficial. Quem participou levou para casa uma carta promocional exclusiva chamada CP-001 Chakra Card, além de uma mochila temática e um ticket de compra para o tapete de jogo oficial, que só chega às lojas em 2027.

Na New York Comic Con, o jogo ganha seu primeiro vídeo promocional voltado ao público internacional. O lançamento mundial está marcado para o verão de 2027 no hemisfério norte, com o card game se posicionando como um título competitivo voltado à estratégia, no estilo dos grandes jogos de tabuleiro colecionáveis já consolidados no mercado ocidental.

Peça de teatro em Kyoto amplia o universo fora das telas

Menos comentado do que o filme e o card game, mas igualmente relevante para quem acompanha a franquia de perto, é o espetáculo teatral sem diálogos que vai rodar no Teatro Minamiza, em Kyoto, entre fevereiro e junho de 2027. A produção usa recursos visuais e coreográficos para contar histórias do universo ninja sem depender de falas, um formato pouco comum para adaptações de mangá e que sinaliza uma aposta da Shueisha em públicos que normalmente não consomem anime ou quadrinhos.

Detalhes sobre elenco, direção e quais arcos da história serão adaptados ainda não foram divulgados publicamente, mas é provável que o painel de outubro traga mais informações sobre a montagem, já que o evento também promete cobrir “outros desenvolvimentos de mídia” além do filme e do card game.

O live-action segue seu próprio caminho

Vale separar bem duas frentes que às vezes se confundem nas notícias: o filme animado que estreia no painel de outubro é um projeto distinto do live-action hollywoodiano anunciado em julho de 2026. Esse segundo longa está sendo desenvolvido pela Lionsgate e tem Destin Daniel Cretton na direção, o mesmo cineasta por trás de Homem-Aranha: Um Novo Dia. A produção já iniciou uma busca de elenco em escala mundial para preencher os papéis de Naruto, Sasuke e Sakura, os três integrantes originais do Time 7.

Não há confirmação de que o live-action terá qualquer presença direta no painel da New York Comic Con, já que o foco declarado do evento é o filme animado e o card game. Ainda assim, dado o interesse do público em ambos os projetos, não seria surpresa se a VIZ aproveitasse o momento para dar um retorno rápido sobre o andamento das filmagens ou da escalação do elenco.

Por que esse anúncio pesa tanto para os fãs mais antigos

Naruto na New York Comic Con 2026
Naruto na New York Comic Con 2026 – Imagem: Herói X

Quem acompanha Naruto desde a época da revista impressa sabe que a série passou boa parte da última década girando em torno de Boruto, com resultados mistos de crítica e público. Um novo filme ligado diretamente à história original, com participação confirmada dos dubladores clássicos e produção do mesmo estúdio que fez o anime original, sinaliza algo diferente: um retorno de foco para a geração que carregou a franquia entre 2002 e 2017.

Isso também explica por que a VIZ escolheu justamente o aniversário de Naruto Uzumaki para fazer o anúncio. A empresa já havia celebrado a data em anos anteriores com posts e promoções pontuais, mas nunca tinha reservado um painel inteiro de convenção só para isso. A construção da expectativa começou em meados de agosto, quando a conta oficial da franquia publicou uma contagem regressiva sem detalhar a natureza da revelação, algo que gerou bastante especulação entre a comunidade sobre se o anúncio envolveria um novo arco de anime, um remake ou justamente um filme inédito — hipótese que hoje parece a mais provável, segundo as fontes da Variety.

O que ainda falta confirmar

Até a publicação deste texto, a Naruto ainda não divulgou título, sinopse ou elenco de dublagem do novo filme animado. Também não há data de estreia definida, apenas a promessa de que ela será anunciada durante o próprio painel. O mesmo vale para detalhes técnicos do card game, como o número de cartas na coleção inicial ou quais personagens fazem parte do primeiro set de lançamento.

A recomendação para quem quer acompanhar tudo em tempo real é ficar de olho no perfil oficial da franquia e nos canais da VIZ Media no dia 10 de outubro, já que a cobertura ao vivo deve trazer as imagens do trailer assim que forem exibidas no Empire Stage. Dado o histórico recente de vazamentos rápidos em eventos desse porte, é bem possível que trechos do material circulem nas redes sociais minutos depois da exibição oficial, mesmo antes de qualquer divulgação formal por parte da produtora.

Quem não vai estar em Nova York ainda pode acompanhar

Painéis desse tamanho na New York Comic Con costumam ter cobertura de imprensa credenciada dentro da sala, o que normalmente garante fotos e trechos em vídeo circulando ainda durante a apresentação, mesmo sem uma transmissão oficial da organização do evento. Nos últimos anos, tanto a Crunchyroll quanto veículos especializados em anime passaram a publicar resumos ao vivo de painéis parecidos, então a expectativa é que o mesmo aconteça com o “Naruto: What’s Next?”. Quem prefere esperar o material oficial deve encontrar o trailer do filme animado publicado nas contas internacionais da franquia horas depois do painel, já que esse tipo de divulgação segue um fluxo padrão entre editoras japonesas e distribuidoras ocidentais.

Também há uma cobrança natural do público em torno da Netflix e da Crunchyroll, já que ambas distribuem partes do catálogo de Naruto e Boruto fora do Japão. Nenhuma das duas plataformas confirmou participação direta no painel até o momento, mas costuma ser comum que anúncios desse porte sejam seguidos, dias depois, por confirmações de onde o novo material vai ser exibido internacionalmente.

De qualquer forma, com filme animado, card game internacional, peça de teatro em Kyoto e live-action hollywoodiano andando em paralelo, fica claro que 2026 marca o ano em que Naruto deixou de ser tratado como uma franquia encerrada para voltar a ocupar o centro das atenções da Shueisha — e a New York Comic Con foi escolhida como a vitrine para provar isso.

Imagem do topo: Vietnam vn

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setembro 10, 2026 | Abraham Costa

Café da Reze de Chainsaw Man abre em três cidades do Japão em outubro: veja endereços, cardápio e preços

Café da Reze de Chainsaw Man. Quem já assistiu a Chainsaw Man – O Filme: Arco da Reze sabe exatamente qual cena vem à cabeça quando o assunto é comida: o balcão do café onde Reze trabalha meio período, os guardanapos dobrados, o silêncio antes de Denji aparecer na porta. Pois esse cenário vai sair da tela.

A partir de outubro, o Japão recebe três unidades temporárias inspiradas no local, batizado no filme de Cafe Crossroads (também traduzido como Futamichi, dependendo da fonte), com cardápio, cenografia e produtos exclusivos construídos em cima de momentos específicos da relação entre os dois personagens.

Onde e quando visitar

As unidades abrem em datas ligeiramente diferentes, então vale anotar antes de fechar a viagem:

  • Tóquio – funcionamento de 1º de outubro a 8 de novembro de 2026.
  • Nagoia (Aichi) – mesmo período de Tóquio, de 1º de outubro a 8 de novembro, a poucos minutos a pé da Estação Sakae.
  • Osaka – abre uma semana depois, em 8 de outubro, e segue até 8 de novembro, dentro do complexo HEP FIVE, próximo à Estação Osaka-Umeda.

O acesso não é livre: é preciso reservar horário com antecedência pelo site oficial da colaboração, e há uma taxa de 660 ienes por pessoa só para garantir a mesa — valor que não inclui comida ou bebida. Cada sessão tem limite de permanência (75 minutos nas unidades que já divulgaram esse detalhe), então quem for atrás de fotos com calma deve chegar cedo e não se atrasar, já que reservas com mais de 20 minutos de atraso costumam ser canceladas.

O que muda em relação a um café comum

A ideia por trás da colaboração não é só colar adesivos de anime na parede. Cada prato do menu foi pensado como uma referência direta a uma cena do filme, o que muda bastante a experiência de quem conhece a história por trás dos personagens.

O prato mais comentado até agora é um sanduíche nas cores vermelho e branco, vendido por 1.890 ienes, que remete à cabine telefônica onde Denji e Reze se encontram pela primeira vez — o corte do pão e o recheio foram montados para lembrar a flor branca que Denji entrega a ela nesse momento. Na sequência salgada também entra uma massa com salsicha e queijo, também a 1.890 ienes, inspirada na cena final na praia, e uma versão de arroz frito ao estilo da cafeteria original, servido com presunto e ervilhas para quem prefere algo mais simples antes de partir para as sobremesas.

E é nas sobremesas que o cardápio realmente aposta na nostalgia de quem já viu o filme mais de uma vez. O Parfait Nighttime Pool (1.690 ienes) recria a visita noturna de Denji e Reze à piscina da escola usando gelatina azul, nata de coco e sorvete de ramune — a mesma combinação de cores da cena. Já o Bouquet Cake, também a 1.690 ienes, faz referência ao momento em que Denji esconde um buquê nas costas enquanto espera por ela. Tem ainda um pudim roxo dedicado à coleira característica da Reze, acompanhado de sorvete de baunilha preta e uvas brancas, e um mini parfait de manga com maracujá decorado com o rosto do Pochita, pensado para quem quer uma sobremesa mais leve entre um prato e outro. Para beber, o menu tem uma soda de melão e um chá de maçã com toque floral, ambos criados para complementar as sobremesas sem competir com o doce.

Café da Reze de Chainsaw Man
Café da Reze de Chainsaw Man – Imagem: Dexerto via X

Vale destacar que, embora o nome do evento gire em torno de Reze, o cardápio também reserva espaço para outros nomes do elenco: Denji, Makima e Aki Hayakawa aparecem em pratos e bebidas com cores associadas a cada um deles, então quem não é fã só da Reze também tem motivo para conferir o menu completo antes de escolher o pedido.

Produtos exclusivos e brindes

Fora da cozinha, a colaboração também mira o público que coleciona itens de edição limitada. Estão confirmados suportes de acrílico, broches, adesivos, chaveiros, porta-copos, artes em tela e um copo temático do Pochita, todos vendidos separadamente dentro do espaço. Quem faz a reserva com antecedência ainda recebe um mini clear file entre seis ilustrações diferentes, e cada bebida pedida dá direito a um porta-copo de papel colecionável, sorteado entre sete estampas distintas — ou seja, dá pra sair de lá com peças que não se repetem mesmo voltando mais de uma vez.

O café real que inspirou a cena

Um detalhe que poucos artigos mencionam: o Cafe Crossroads do filme não nasceu do nada. Fãs que foram atrás das locações reais identificaram o bairro de Jinbocho, em Kanda, Tóquio, como referência direta das ruas por onde Reze caminha até o trabalho. O prédio conhecido como Aoi Building, na Hakusan Street, aparece no fundo de uma cena rápida quando ela segue para o expediente, e a escadaria de Onnazaka — construída em 1924, durante a reconstrução pós-terremoto de Kanto — fica a poucos metros dali, no trajeto que também lembra a cabine telefônica do primeiro encontro entre os dois personagens.

O estabelecimento apontado como modelo mais próximo do café fictício é o Trois Bagues, uma cafeteria de fachada europeia com interior em madeira que funciona há anos na região e não trabalha com reservas — quem for até lá deve contar com fila, principalmente aos finais de semana. Para quem vai ao Japão durante o período da colaboração oficial, dá para organizar um roteiro que una as duas experiências: a montagem cenográfica das unidades temporárias e a caminhada pelas ruas reais que inspiraram o roteiro do filme.

Vale a pena reservar?

Depende do que você busca. Se a ideia é simplesmente comer bem em Tóquio, Nagoia ou Osaka, existem opções mais baratas e sem taxa de entrada. Agora, para quem acompanha Chainsaw Man e quer um passeio pensado nos mínimos detalhes — do corte do sanduíche à cor da bebida —, o valor de 660 ienes pela reserva costuma compensar, ainda mais considerando que o evento tem prazo definido e não deve ser repetido tão cedo.

Um ponto de atenção: como as unidades funcionam por sistema de horário marcado e têm tempo de mesa limitado, quem pretende visitar mais de uma cidade dentro da mesma viagem precisa organizar a agenda com cuidado, já que os intervalos entre reservas costumam esgotar rápido nas primeiras semanas após a abertura. Vale acompanhar o site oficial da colaboração para conferir liberação de novos horários e possíveis extensões de prazo, algo comum nesse tipo de café temático quando a procura supera o esperado.

Para quem já tem passagem marcada para o Japão entre outubro e o início de novembro, a recomendação prática é simples: decida a cidade com base no roteiro da viagem, feche a reserva assim que o horário desejado abrir e reserve pelo menos uma hora livre depois da refeição — só para passar pela loja de produtos sem pressa.

Imagem do topo: Anime Trending

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setembro 9, 2026 | Abraham Costa

Re:Zero vai continuar durante mais uma década, garante produtor

Re:Zero vai continuar durante mais uma década. Dez anos depois de estrear e virar sinônimo de sofrimento otimizado no gênero isekai, Re:Zero acaba de receber a confirmação que os fãs mais ansiosos esperavam: a franquia não tem prazo de validade. Durante as comemorações do décimo aniversário do anime, o produtor executivo Sho Tanaka, da Kadokawa, deixou claro que o plano da equipe é seguir produzindo conteúdo pelos próximos dez anos, sem longos hiatos entre as temporadas e sem pressa para encerrar a história de Subaru Natsuki.

A declaração surgiu num momento simbólico. O anime estreou em 2016 pelo estúdio White Fox e, desde então, se firmou como uma das obras mais influentes do gênero, ao lado de nomes como Sword Art Online e That Time I Got Reincarnated as a Slime. Só que, segundo o próprio Tanaka, quase nada disso teria acontecido se algumas decisões de bastidor tivessem seguido outro rumo.

O anime que quase saiu pela metade

Um dos detalhes mais curiosos revelados por Tanaka durante as celebrações do aniversário diz respeito ao orçamento inicial da primeira temporada. Em 2016, a confiança da produção no projeto era baixa, e as contas apertadas quase limitaram a adaptação a apenas 13 episódios — um único cour, o suficiente para cobrir uma fração pequena da história que os fãs conhecem hoje. Foi a insistência da própria equipe de produção que garantiu a expansão para 25 episódios, permitindo cobrir os arcos iniciais das light novels de Tappei Nagatsuki com muito mais fôlego.

Esse tipo de bastidor ajuda a entender por que a mensagem atual de Tanaka pesa tanto. Não se trata de uma obra que nasceu com todo o apoio do mercado e cresceu de forma linear; Re:Zero se firmou aos poucos, sustentada por uma base de fãs que cresceu junto com a série. Hoje, com mais de 16 milhões de cópias das light novels em circulação ao redor do mundo, a franquia tem números suficientes para justificar um planejamento de longuíssimo prazo, algo raro mesmo entre séries populares do gênero.

Uma linha do tempo que não para

Depois da estreia em 2016, o caminho até aqui não foi rápido. A segunda temporada chegou entre 2020 e 2021, a terceira ficou dividida entre o fim de 2024 e o início de 2025, e a quarta começou a ser exibida em abril de 2026. Esse ritmo, de dois a quatro anos entre temporadas, é justamente o que Tanaka quer evitar daqui para frente. A ideia declarada pelo produtor é manter uma continuidade mais constante, sem os intervalos longos que costumam esfriar o interesse do público entre um arco e outro.

Vale lembrar que o hiato entre temporadas não é incomum em produções desse porte, especialmente quando o material de origem segue sendo escrito. Mas para uma obra que depende tanto de tensão psicológica e de acompanhar o desenvolvimento gradual dos personagens, longos intervalos podem custar caro em retenção de público. É exatamente esse ponto que parece estar no radar da produção ao planejar a próxima década.

O que vem depois da quarta temporada

Re:Zero vai continuar durante mais uma década
Re:Zero vai continuar durante mais uma década – Imagem: Games gg

Questionado sobre a possibilidade de a adaptação avançar até o sétimo arco da história das light novels — e além dele —, Tanaka se mostrou otimista quanto ao futuro. Segundo o produtor, a equipe ficaria satisfeita em continuar fazendo a franquia crescer ao lado do público, entregando o Arco 7 e dando sequência a partir daí. A frase resume bem o tom das celebrações: não é apenas uma confirmação de continuidade, mas um recado de que o planejamento já está em andamento para o que vem depois.

Isso é relevante porque a história de Re:Zero, na forma de light novel, está longe de terminar. Em declarações recentes, o próprio autor Tappei Nagatsuki comentou que a obra está apenas na metade de seu percurso, mesmo após quase 14 anos de publicação. Segundo ele, o Arco 9 está em andamento, com mais três arcos planejados depois dele — o 10, o 11 e o 12 —, e a estimativa pessoal do autor é concluir tudo por volta dos 16 anos de projeto. Nagatsuki reforçou que se trata de um palpite, não de uma data fechada, mas o recado deixa claro que ainda há muito material para o anime adaptar.

Uma década de celebração e mais nove anúncios pela frente

As comemorações do décimo aniversário não pararam na fala de Tanaka. A produção confirmou um pacote de dez projetos especiais para marcar a data, começando por uma transmissão ao vivo com os principais nomes do elenco de dublagem japonês. O evento, batizado de 10th Anniversary Party ~Premium Night~, foi só o primeiro capítulo de uma sequência de anúncios que devem se estender ao longo do ano, trazendo mais detalhes sobre os próximos passos da franquia e da quarta temporada.

O próprio Nagatsuki participou das celebrações com uma mensagem voltada diretamente aos fãs, destacando a emoção de ver a obra ganhar vida através da animação desde o primeiro episódio até hoje. O autor comentou que ainda existem cenas que quer ver animadas e falas que ainda não conseguiu contar por completo, reforçando a ideia de que o projeto está pensado não só para o décimo aniversário, mas também para o vigésimo e o trigésimo.

Por que isso importa para quem acompanha a série

Para quem já se acostumou a esperar anos entre uma temporada e outra, o anúncio de Tanaka funciona como um alívio duplo: confirma que a história vai continuar sendo contada até o fim, e sinaliza uma mudança de postura na forma como a produção pretende lidar com o calendário de lançamentos daqui para frente. Um planejamento de dez anos não é apenas uma frase de efeito para marcar um aniversário redondo — ele exige acordos de longo prazo com estúdio, elenco e distribuidoras, algo que só faz sentido quando a franquia já provou ter fôlego comercial suficiente para sustentar o investimento.

Do ponto de vista narrativo, a notícia também ajuda a encaixar as peças: se a light novel ainda está na metade do caminho e o anime segue avançando arco por arco, faz sentido que a produção já esteja de olho no que vem depois da quarta temporada, incluindo o cobiçado Arco 7. A cada nova declaração da equipe, fica mais evidente que Re:Zero deixou de ser tratado como um sucesso pontual do isekai para se tornar um projeto de longuíssimo prazo, nos mesmos moldes de franquias que atravessam gerações de fãs.

Com a quarta temporada em exibição e um autor que ainda enxerga metade da jornada pela frente, a mensagem de Sho Tanaka parece menos uma promessa otimista e mais um plano de trabalho já em curso. Resta acompanhar os próximos anúncios do aniversário para entender quais dos dez projetos prometidos vão, de fato, moldar essa nova década de Re:Zero.

Imagem do topo: ANIHK

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