julho 8, 2026 | Abraham Costa

Bai Ri Cheng Wang: guia completo sobre o donghua que virou assunto em 2026

Bai Ri Cheng Wang. Se você caiu de paraquedas no Twitter, no Reddit ou em algum grupo de Telegram e viu todo mundo comentando sobre “Bai Ri Cheng Wang” (百日成王), calma que eu explico tudo. Primeiro, um detalhe que muita gente erra logo de cara: não é um anime japonês. É um donghua, ou seja, uma animação chinesa, e isso muda bastante a forma como a produção é feita, distribuída e até dublada.

O título internacional oficial é “Crowned in a Hundred Days”, e foi assim que a Crunchyroll decidiu batizá-lo para o público ocidental. A estreia aconteceu em julho de 2026, com quatro episódios liberados de uma vez pela Bilibili, o que já deu uma pista de que a produtora estava confiante no material. Quem está por trás da animação é a LAN Studio, casa que já tinha entregue trabalhos elogiados como “Link Click” e “To Be Hero X” — então não é exagero dizer que havia expectativa alta em cima desse lançamento.

Do que se trata a história

A sinopse parece simples no começo, quase uma comédia de bairro: Wang Xiaoming trabalha num restaurante que pertence ao pai de sua paixão de infância, Hong. Os dois prometeram um ao outro que se casariam assim que ela completasse 18 anos, e a contagem regressiva para esse aniversário já estava rolando havia tempo. Só que tudo desmorona quando o próprio rei do reino, Lie, aparece no restaurante.

No começo o clima é de honra e orgulho por receber a visita real. Só que, sem aviso nenhum, o soberano que era adorado pelo povo se transforma num monstro sanguinário, mata quase todos que estavam ali e sequestra Hong para fazê-la sua noiva à força. É esse choque de tom — de comédia romântica para carnificina — que fez muita gente comparar o piloto da série com o início de “Jujutsu Kaisen”, justamente pela forma como o clima muda de uma cena para outra sem aviso.

Wang acorda depois disso numa cabana isolada, onde uma cliente do restaurante — conhecida apenas como Madame Bruxa — revela a verdade por trás do massacre: o corpo do rei Lie foi roubado por um impostor, e a alma verdadeira dele foi expulsa, reduzida a algo frágil que vai se dissolver em cem dias se nada for feito. Para complicar, um agente do falso rei está atrás dessa alma para eliminá-la de vez. Sem muitas opções, Wang engole a alma de Lie e, com isso, ganha poderes que nunca imaginou ter.

A partir daí a trama vira uma corrida contra o tempo. Wang e Lie compartilham o mesmo corpo — o rei aparece como uma espécie de familiar invisível que só o protagonista consegue ouvir — e precisam expor o impostor, resgatar Hong e devolver o trono ao dono legítimo, tudo isso antes que os cem dias se esgotem. Ao longo do caminho, Wang usa uma memória fora do comum para dominar uma magia esquecida havia gerações, reunindo aliados e conquistando o apoio da população contra um regime que, aos poucos, revela o quanto estava podre por dentro.

Quem é quem no elenco

Além de Wang e Hong, dois nomes aparecem com bastante destaque nos materiais promocionais: Leiwan e Lan. Os pôsteres individuais liberados nos dias que antecederam a estreia deram protagonismo a esses personagens ao lado de Lie, sugerindo que eles vão ocupar papéis importantes conforme a trama avança — seja como aliados de Wang, seja como peças-chave da corte corrompida pelo falso rei.

O dublador de Lie na versão original é Zhang Fuzheng, e o restante do elenco chinês vem sendo revelado aos poucos conforme novos episódios são liberados. Vale lembrar que, por ser uma produção da Bilibili, o ritmo de divulgação de bastidores segue mais o padrão chinês do que o japonês, com PVs de personagem soltados individualmente nos dias que antecedem cada estreia.

Onde assistir e quantos episódios tem

A temporada foi anunciada com 25 episódios, um número generoso para os padrões de donghua atual, o que indica que a produtora está apostando numa narrativa mais longa e não num arco fechado e corrido. No Ocidente, o acesso legal principal é pela Crunchyroll, enquanto na China o lançamento simultâneo acontece direto no canal da Bilibili, inclusive no YouTube em alguns territórios.

Vale um alerta rápido aqui: existem vários sites de streaming não oficiais circulando o nome em inglês e também a grafia original em pinyin, prometendo episódios legendados antes da hora. Como o material ainda está sendo lançado, a recomendação de sempre vale: prefira as plataformas licenciadas, tanto para ter qualidade de imagem decente quanto para não travar em anúncios suspeitos.

Por que esse donghua está chamando atenção

Tem alguns fatores que explicam o burburinho em torno de “Bai Ri Cheng Wang”. O primeiro é justamente o estúdio responsável. A LAN Studio já tinha construído reputação com produções de ação bem coreografada e um cuidado visual acima da média para o mercado de donghua, então a expectativa em cima do próximo trabalho deles já vinha alta antes mesmo do primeiro episódio ir ao ar.

O segundo fator é a virada de tom logo no início. Histórias que começam como comédia romântica e derrapam para violência gráfica costumam gerar reação forte — para o bem ou para o mal —, e esse tipo de contraste tende a viralizar rápido em fóruns e redes sociais, justamente porque pega o espectador desprevenido.

O terceiro ponto é a estrutura da premissa em si: um prazo de cem dias é um recurso narrativo clássico para criar tensão constante, algo parecido com o que histórias de contagem regressiva costumam fazer bem quando executadas com cuidado. Combinando isso com a dinâmica de duas almas dividindo um único corpo — um recurso que também aparece em outras produções de fantasia oriental —, dá pra entender por que a trama consegue prender atenção desde o piloto.

Por fim, tem o fator nostalgia às avessas: a premissa do casal de infância que promete se casar ao completar a maioridade é um clichê conhecido do romance escolar, só que aqui ele é usado como isca antes de o roteiro puxar o tapete e jogar o espectador dentro de uma trama política sangrenta de usurpação de trono. Esse tipo de subversão costuma render bastante discussão sobre o que realmente vai acontecer com Hong e com o relacionamento dos dois personagens dali para frente.

Bai Ri Cheng Wang
Bai Ri Cheng Wang – Imagem: Anime JL

Vale a pena acompanhar?

Se você gosta de tramas com reviravolta logo nos primeiros minutos, elenco de personagens com poderes ligados a memória e magia perdida, e não se incomoda com uma pegada mais sombria do que a sinopse inicial sugere, “Bai Ri Cheng Wang” tem tudo para entrar na sua lista. A produção ainda está em andamento, o que significa que boa parte dos mistérios sobre o impostor, sobre o destino de Hong e sobre os limites dos poderes de Wang ainda vão se revelar ao longo dos 25 episódios anunciados.

Por enquanto, a recepção inicial tem sido mista, com elogios à animação e à ambientação, mas também ressalvas de quem esperava um ritmo mais acelerado depois do choque do primeiro episódio. De qualquer forma, é um dos lançamentos de donghua mais comentados do meio de 2026, e acompanhar semana a semana enquanto a história ainda está se desenrolando é, sem dúvida, parte da graça.

Uma curiosidade sobre o nome

O título original em chinês, 百日成王, é composto por caracteres que remetem literalmente a “cem dias” e “tornar-se rei”, daí a escolha da Crunchyroll por “Crowned in a Hundred Days” na versão internacional. Já a romanização em pinyin, Bai Ri Cheng Wang, é a forma que mais aparece nas buscas do público ocidental, provavelmente porque foi assim que a obra circulou primeiro em posts e prévias antes de ganhar um título oficial em inglês. Vale ficar de olho nas duas grafias ao procurar por episódios, sinopses ou discussões sobre a série, porque nem todo site usa o nome traduzido — muitos catálogos e fóruns de donghua ainda listam a obra apenas pelo nome em pinyin, o que pode confundir quem está pesquisando pela primeira vez.

Outro ponto que vale mencionar é o próprio conceito de donghua para quem só conhece anime japonês. A indústria chinesa de animação vem crescendo bastante nos últimos anos, com estúdios investindo pesado em efeitos visuais, coreografias de luta mais elaboradas e roteiros que fogem do óbvio. “Bai Ri Cheng Wang” entra nesse movimento como mais um exemplo de produção que tenta equilibrar drama palaciano, ação e uma pitada de humor, sem se prender às fórmulas mais gastas do gênero isekai ou shounen tradicional. Para quem está descobrindo esse universo agora, pode ser um bom ponto de entrada — só prepare-se para o tom pesado que vem logo depois da primeira cena.

Imagem do topo: 30nama

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