abril 22, 2026 | Abraham Costa

B2B Celestial: Negociando com Deuses – Light Novel (Cap. 1, 2 e 3 Completo)

Capítulo 1 — O Convite que Não Deveria Existir

O relógio do call center marcava 14h37, mas para João Almeida — conhecido entre os colegas apenas como Joca — parecia que o tempo se arrastava em câmera lenta.

De um lado, o barulho incessante de dezenas de vozes tentando vender cartões de crédito.
Do outro, a tela acinzentada com a lista de clientes que já haviam recusado dez, quinze vezes.

B2B Celestial: Negociando com Deuses é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

— “Boa tarde, senhor Carlos, aqui é da Central Financeira, estou ligando para oferecer um cartão sem anuidade, com limite especial…”

Do outro lado, silêncio seguido de um clique.

Mais uma ligação encerrada.

Joca suspirou.

Era a décima segunda recusa daquela tarde.

Dez anos no mesmo emprego. Sempre batendo na trave das metas, nunca chegando lá. O salário mal pagava o aluguel do quitinete. A comida da semana, muitas vezes, vinha do fiado na mercearia.

À noite, ele revezava entre ser corretor de imóveis de fachada e rodar de Uber com a motinha quase caindo aos pedaços.

“Trinta anos na cara e ainda nesse ciclo miserável…”, pensou, esfregando o rosto cansado.

Foi nesse instante que o celular vibrou no bolso.

Não era permitido mexer durante o expediente, mas Joca precisava de uma desculpa para fugir da monotonia.

Abriu rápido, tentando disfarçar.

Notificação do WhatsApp:

“Você foi adicionado ao grupo: B2B Celestial VIP 🌌✨”

Joca franziu a testa.

— “Que diabo é isso? Deve ser golpe…”

O grupo estava cheio de números estranhos, nenhum com foto.

Mas as mensagens…

Pareciam uma reunião empresarial de outro mundo.

Mercúria:
“Taxa de câmbio ajustada. Ouro celestial a 3:1 com relíquias menores.”

Zeus Júnior:
“Aceito apostas em trovões compactos. Quem dá mais?”

Malandro Celestial:
“Rapaz… até raio tá na feira agora? Cuidado, que o desconto vem com taxa escondida, visse?”

Joca soltou uma risada nervosa.

— “Rapaz, até no WhatsApp inventam jeito de enrolar otário.”

Quando estava prestes a sair, a tela brilhou.

O ícone do grupo se expandiu até ocupar todo o visor.

Uma luz intensa iluminou a baia apertada do call center.

De repente…

O chão sob seus pés pareceu se abrir.

Uma energia sugou o ar ao redor.

Entre os fios de computadores e cadeiras quebradas, formou-se um círculo dourado flutuante.

Um portal.

Joca arregalou os olhos, levantando-se instintivamente.

— “Oxente… o que é isso?!”

Do outro lado do portal, via-se uma sala envidraçada, imensa.

Como um escritório de arranha-céu que não deveria existir.

Uma figura feminina de cabelos prateados e olhar dourado estava sentada atrás de uma mesa, folheando relatórios como se fosse CEO de uma multinacional.

Ela ergueu os olhos.

Encarou Joca.

E abriu um sorriso leve.

— “Humano, seja bem-vindo ao B2B Celestial VIP.”

Uma pausa.

— “Você foi selecionado para negócios com deuses.”

O coração de Joca disparou.

As vozes dos colegas de call center sumiram.

O mundo inteiro pareceu silenciar.

— “Queremos saber…”

Ela inclinou levemente a cabeça.

— “O que você tem a oferecer?”

Joca não conseguia se mover.

Não conseguia respirar direito.

Só havia um pensamento ecoando na sua mente:

“Ou enlouqueci de vez…”

“…ou essa é a chance que esperei a vida inteira.”

Capítulo 2 — A Primeira Negociação

A sala de vidro do outro lado do portal parecia saída de um filme futurista.

Cadeiras flutuavam.

Papéis se organizavam sozinhos.

E a cidade lá embaixo não era Salvador nem qualquer metrópole conhecida — era um emaranhado de torres douradas que se erguiam até tocar as nuvens.

A mulher de cabelos prateados fechou a pasta que segurava e encarou Joca.

Sua voz era firme, mas sem esforço, como quem já estava acostumada a ditar as regras.

— “Sou Mercúria, responsável pelo Comércio Celestial. Você foi adicionado ao grupo porque, de alguma forma, alguém aqui acredita que tem potencial. Mas saiba… negociar com deuses não é brincadeira.”

Joca engoliu em seco.

— “Minha senhora… eu… só vendo cartão. E mal vendo, viu? O povo nem confia na minha voz.”

Ela arqueou a sobrancelha.

— “Então use o que tem. Cada humano possui algo que não imagina. Memórias, tempo, experiências, até mesmo sonhos. Tudo pode ser moeda.”

Joca piscou, confuso.

— “Memória? Sonho? Rapaz, eu já não durmo direito, se for vender sonho vou à falência.”

Um riso ecoou pelo escritório.

Da parede ao fundo, um sofá florido surgiu do nada.

E nele estava sentado um sujeito bronzeado, camisa estampada aberta no peito, corrente dourada balançando.

— “Oxente, Mercúria, não assusta o cabra logo na estreia, não. Vai espantar o freguês!”

Joca arregalou os olhos.

— “E tu é quem, meu irmão? Parece malandro de novela.”

O sujeito piscou, abrindo um sorriso largo.

— “Me chame de Malandro Celestial. Sou o guia dos caminhos tortos e das oportunidades escondidas. Se o mundo é um tabuleiro, eu ensino o atalho. Entendeu, cabra?”

Mercúria suspirou, como se já estivesse acostumada.

— “Ele sempre aparece sem ser convidado. Mas admito que, em certos negócios, sua visão… criativa… pode ser útil.”

Joca coçou a cabeça, ainda tentando processar tudo.

— “E como é que funciona, então? Eu dou o quê… e recebo o quê?”

Mercúria ergueu um tablet holográfico.

— “Faça sua primeira proposta. Pense no que tem, humano. Algo de valor para você — ou para nós.”

Joca respirou fundo.

Olhou para os bolsos, para o corpo.

Não tinha nada além de moedas de troco, uma caneta emprestada e o crachá do call center.

Pensou em voz alta:

— “Tenho vale-refeição… umas horas extras acumuladas… e uma motinha com o escapamento preso no arame.”

O Malandro Celestial gargalhou tão alto que até as paredes tremeram.

— “Rapaz, oferecer hora extra pra deus? Essa foi boa. Mas, veja, às vezes é justamente a ideia besta que vira ouro.”

Mercúria, no entanto, não riu.

Apenas digitou algo em sua tela.

O portal ao redor brilhou mais forte.

— “Se deseja mesmo iniciar… ofereça algo simples. A sua próxima noite de sono. Em troca, darei um item de baixo risco, apenas para teste.”

Joca hesitou.

— “Minha noite de sono? Já quase não durmo mesmo…”

Malandro Celestial se inclinou, piscando o olho:

— “Aceita, cabra. O máximo que acontece é ficar virado. E vai que você acorda milionário sem ter dormido.”

O coração de Joca disparou.

Sem entender direito, apenas balançou a cabeça.

— “Tá feito.”

O tablet de Mercúria apitou, confirmando o contrato.

Um pequeno cofre dourado apareceu sobre a mesa…

E imediatamente atravessou o portal.

Caiu aos pés de Joca.

Ele o segurou, quase sem acreditar.

Pesado.

Brilhante.

Parecia mais real que qualquer coisa em sua vida.

Mercúria sorriu pela primeira vez.

— “Parabéns, humano. Agora é parte oficial do B2B Celestial VIP. Que sua primeira transação seja apenas o começo.”

O portal começou a se fechar.

Mas antes que desaparecesse, o Malandro Celestial apontou para Joca, ainda sorrindo.

— “Ei, cabra… lembra do que eu disse: atalho não é trapaça, é inteligência. Se souber vender até seu fiado na mercearia, você chega longe.”

E então—

Num piscar de olhos—

Joca estava de volta ao call center.

Com o cofre dourado nos braços.

A primeira negociação tinha começado.

Capítulo 3 — A Relíquia do Vendedor

De volta à baia apertada do call center, Joca encarava o pequeno cofre dourado como quem olha para um pedaço de ouro roubado.

O objeto não combinava em nada com o teclado engordurado e o cheiro de café requentado do escritório.

Ele cutucou a lateral do cofre, tentando achar alguma trava.

— “E se for só enfeite? Deus também pode dar golpe, né?”

Um clique suave ecoou.

A tampa se abriu sozinha.

Lá dentro…

Uma caneta.

Simples.

Preta.

Mas com um brilho metálico que parecia vivo.

Joca franziu o cenho.

— “Passei minha noite de sono inteira por… uma caneta?”

Assim que segurou o objeto, uma sensação estranha percorreu seu braço.

Era como se a caneta pulsasse.

Como se exigisse ser usada.

No visor do computador, surgiu o próximo nome da lista:

Carlos Henrique dos Santos.

Joca bufou.

— “Esse já recusou cartão dez vezes. Vai desligar na minha cara.”

Respirou fundo.

Ajustou o fone.

E começou o script pela milésima vez.

— “Boa tarde, senhor Carlos, aqui é da Central Financeira…”

Mas no momento em que pressionou a caneta contra a mesa—

Algo mudou.

As palavras saíram diferentes.

Mais firmes.

Mais afiadas.

Mais… convincentes.

Do outro lado da linha, uma pausa.

— “…hm. E qual é a vantagem desse cartão aí mesmo?”

Joca arregalou os olhos.

Seu Carlinhos nunca tinha passado da primeira frase!

Empolgado, apertou a caneta de novo.

— “É um cartão que não pesa no bolso, abre portas e ainda pode ser seu aliado no dia a dia. Imagine não precisar se preocupar com anuidade nunca mais, senhor Carlos. Só vantagem, nenhuma dor de cabeça.”

Silêncio.

Um segundo.

Dois.

Então—

— “…Tá bom. Me cadastra aí.”

Joca quase deixou o headset cair.

— “Aceitou?! De primeira?!”

O sistema piscou.

Venda confirmada.

Dez anos naquela cadeira…

E ele nunca tinha sentido aquela vitória tão rápida.

Ele olhou para a caneta reluzindo em sua mão.

— “Rapaz… isso não é só caneta.”

Uma pausa.

— “Isso é chave de ouro.”

O coração batia acelerado.

A primeira relíquia tinha transformado uma ligação impossível em venda.

E pela primeira vez em muito tempo…

Joca sorriu.

Como quem enxergava um novo mundo se abrindo.

O expediente terminou tarde, como sempre.

Joca guardou a caneta com cuidado no bolso.

Como se fosse um diamante.

Na saída, o estômago roncou.

Ele seguiu direto para a mercearia da Dona Marlene — uma portinha apertada na esquina da rua.

— “Boa noite, Dona Marlene. Tô precisando pegar umas coisinhas no fiado, mas prometo que semana que vem eu pago.”

Ela o encarou de cima a baixo.

Olhos semicerrados.

— “Você já disse isso há três semanas, Joca. E até hoje, nada. Aqui não é banco, não. Vai pagar ou vai ficar devendo no ar?”

Joca suspirou.

A vontade era sumir.

Mas então—

Lembrou da caneta.

Apertou-a discretamente.

E aquela sensação voltou.

Confiança.

Presença.

Peso nas palavras.

— “Dona Marlene, olha… se a senhora me der só mais um voto de confiança, prometo que semana que vem eu trago não só o dinheiro atrasado, mas o dobro. A senhora vai olhar pra mim e dizer: ‘esse menino é homem de palavra’.”

As palavras saíram tão firmes…

Que até ele acreditou.

Dona Marlene piscou.

Confusa.

Como se estivesse indo contra a própria lógica.

Por fim, soltou um suspiro pesado.

— “Tá bom. Mas é a última vez, visse? Pega logo antes que eu me arrependa.”

Joca arregalou os olhos.

Saiu com sacolas cheias.

Sem pagar um centavo.

— “Oxente… essa caneta é o cheat code da vida real!”

No caminho de casa, ainda rindo sozinho—

Uma luz cortou o céu.

E caiu bem na sua frente.

O chão tremeu.

Um portal se abriu.

De dentro dele, saiu um jovem loiro, bronzeado, com sorriso de galã.

Roupas brilhavam como neon de boate.

Na mão…

Uma taça dourada.

— “E aí, humano. Finalmente te encontrei.”

Joca engoliu em seco.

— “E tu é quem, cabra?”

O rapaz jogou o cabelo pra trás, cheio de vaidade.

— “Sou Zeus Júnior. Apostador oficial do Olimpo, herdeiro do trovão e…”

Ele sorriu.

— “…futuro dono dessa caneta aí.”

A taça brilhou intensamente.

Como se fosse feita de ouro líquido.

— “Troco sua relíquia por esta taça de néctar divino. Um gole e você nunca mais vai sentir fome na vida.”

Uma pausa.

— “Fechado?”

Joca olhou para a taça.

Depois para a caneta no bolso.

O coração acelerou.

Pela primeira vez…

Alguém queria comprar algo que ele mal entendia.

E ele sabia.

Aquilo não era só uma troca.

Era o começo—

De um jogo perigoso.

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abril 16, 2026 | Abraham Costa

Kadokawa e a condenação histórica contra pirataria de anime e mangá

A indústria japonesa de mangás e animes viveu recentemente um marco jurídico que pode redefinir o combate à pirataria digital. A gigante Kadokawa, junto de outras editoras como Shueisha, Kodansha e Shogakukan, venceu uma ação contra a empresa norte-americana Cloudflare, acusada de facilitar a operação de sites piratas.

O caso em detalhes

  • Ação movida pelas editoras: As quatro maiores editoras japonesas se uniram para responsabilizar a Cloudflare por fornecer infraestrutura que permitia a manutenção de sites piratas.
  • Decisão judicial: O Tribunal Distrital de Tóquio condenou a empresa a pagar 500 milhões de ienes (cerca de R$ 17 milhões).
  • Prejuízos alegados: As editoras estimaram perdas superiores a 3,6 bilhões de ienes, mas solicitaram apenas parte desse valor como indenização.

O impacto para Kadokawa e o mercado

  • Proteção de propriedade intelectual: A Kadokawa, que publica títulos de grande sucesso e também atua na produção de animes, reforça sua posição contra a pirataria.
  • Sustentabilidade da indústria: A pirataria não afeta apenas os lucros, mas também compromete o financiamento de novas obras e a remuneração de artistas.
  • Exemplo global: A decisão mostra que empresas internacionais podem ser responsabilizadas mesmo sem serem diretamente responsáveis pelo conteúdo.

Reflexos fora do Japão

O combate não se limita ao território japonês. A associação CODA conseguiu encerrar 15 sites brasileiros de pirataria de anime, que juntos somavam cerca de 120 milhões de visitas mensais. Isso evidencia que a luta contra a pirataria é global e que o Brasil também está no radar das editoras japonesas.

Por que essa decisão é relevante?

  • Cria um precedente jurídico internacional.
  • Reforça a importância da proteção aos criadores e editoras.
  • Envia uma mensagem clara às empresas de tecnologia: não basta fornecer infraestrutura sem responsabilidade.

A condenação da Cloudflare, impulsionada por editoras como a Kadokawa, é um divisor de águas no combate à pirataria digital. Mais do que uma vitória financeira, representa um avanço cultural e jurídico, garantindo que a indústria de mangás e animes continue crescendo de forma legítima e sustentável.

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abril 16, 2026 | Abraham Costa

Maplestar confirma novos projetos e surpreende com animação +18 de Himmel e Frieren

O animador Maplestar voltou a movimentar a comunidade ao revelar novos projetos em desenvolvimento — e um deles chamou atenção imediatamente: uma animação +18 focada no casal Himmel e Frieren. A escolha não foi aleatória. Segundo o próprio criador, a dupla foi a mais votada em uma enquete realizada com os fãs em 2025, o que acabou impulsionando a produção.

Maplestar confirma novos projetos e surpreende com animação +18 de Himmel e Frieren
Anuncio blog Maplestar Março/2026

Outro anúncio que gerou bastante interesse envolve o universo de One Piece. Maplestar confirmou que está trabalhando em uma animação inédita com Zoro e Robin. Essa será a primeira vez que ele explora a obra de Eiichiro Oda, abrindo espaço para possíveis novos projetos dentro desse universo no futuro.

Novos projetos e personagens confirmados

Maplestar confirma novos projetos e surpreende com animação +18 de Himmel e Frieren
Anuncio blog Maplestar Março/2026

Além das adaptações baseadas em obras conhecidas, o criador também revelou um projeto autoral. Sua personagem original, Maple-chan, finalmente ganhará uma animação completa — incluindo voz — em uma versão mais longa e trabalhada. A ideia é expandir ainda mais a presença da personagem e explorar melhor seu potencial.

Paralelamente, outros títulos seguem em andamento. Entre eles está Solo Leveling, que já havia sido anunciado anteriormente, além de produções inspiradas em Sakamoto Days, Kaiju No. 8 e também na personagem Reze, de Chainsaw Man.

Cronograma e próximos lançamentos

De acordo com as informações divulgadas, Solo Leveling é o projeto mais próximo de ser lançado. A animação já se encontra nas etapas finais, com foco em composição e finalização dos cenários, e deve estrear em abril.

Na sequência, o planejamento inclui Sakamoto Days e Kaiju No. 8, com o projeto envolvendo Reze vindo logo depois. A ordem pode sofrer ajustes, mas esse é o cronograma atual apresentado pelo animador.

Maplestar já é conhecido por produzir animações voltadas ao público adulto, e personagens como Makima, Yor Forger e Marin Kitagawa tiveram papel importante na construção da sua popularidade nesse nicho.

Além dos projetos atuais, o criador também confirmou que pretende abrir novas votações em breve, permitindo que os próprios fãs decidam quais serão as próximas animações a serem produzidas.

Fonte: Blog Maplestar

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abril 16, 2026 | Abraham Costa

Maplestar revela prévias e animação de Solo Leveling

Maplestar voltou a falar sobre seus projetos e liberou novas prévias das animações que está desenvolvendo com base em obras populares. Em uma publicação recente, o animador agradeceu o apoio da comunidade e comentou o andamento de produções inspiradas em títulos como Solo Leveling, Kaiju No. 8 e Sakamoto Days.

De acordo com ele, a animação baseada em Solo Leveling já está praticamente concluída. O projeto entrou na etapa final, com foco em composição e pintura dos cenários, restando apenas alguns ajustes em cortes, traços e cores. A parte de dublagem já foi finalizada, e a previsão de lançamento fica entre o fim de março e o começo de abril.

Maplestar revela prévias e animação de Solo Leveling

Além disso, Maplestar também adiantou o que vem depois. Após concluir Solo Leveling, os próximos trabalhos devem envolver adaptações de Sakamoto Days e Kaiju No. 8. Por serem produções mais curtas, existe a chance de que uma — ou até ambas — sejam lançadas antes da metade de 2026.

Aprenda a dominar a arte de desenhos

Outro projeto que chamou atenção envolve a personagem Reze, de Chainsaw Man, mangá criado por Tatsuki Fujimoto e publicado na Weekly Shonen Jump. Segundo o animador, a versão principal dessa animação deve ser lançada por volta do meio do ano, enquanto uma edição mais compacta também está sendo considerada.

Maplestar revela prévias e animação de Solo Leveling

Por fim, ele revelou que atualmente trabalha em três novos projetos que ainda estão nas fases iniciais, como storyboard e layout. Os detalhes dessas produções devem ser divulgados na próxima atualização, prevista para o fim de março.

Vale lembrar que muitos dos projetos recentes foram escolhidos por meio de votações feitas pelos apoiadores no Patreon ao longo de 2025. Maplestar também afirmou que pretende abrir novas enquetes em breve para decidir quais serão as próximas animações.

Fonte: Blog Maplestar

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abril 13, 2026 | Abraham Costa

A Terra já passou por todos esses cenários antes — e a ciência aponta qual deles está mais perto de se repetir, com ou sem a nossa ajuda.

Tem uma coisa que a maioria das pessoas não percebe quando lê sobre o fim do mundo: os quatro grandes cenários climáticos — congelamento global, superaquecimento extremo, inundação dos continentes e desertificação total — não são ficção científica. São eventos que a Terra já viveu. A questão não é “se isso pode acontecer”, mas sim qual apocalipse climático tem mais chance de acontecer nos próximos séculos — e o que a humanidade está fazendo para acelerar ou evitar cada um deles.

Vamos pelo ranking, do menos para o mais provável. Spoiler: a resposta vai te incomodar.


Os 4 Cenários no Ringue

  • 4º lugar — Apocalipse de Gelo: Era glacial extrema. Probabilidade no curto prazo: baixa.
  • 3º lugar — Apocalipse Quente: Efeito estufa descontrolado. Risco crescente.
  • 2º lugar — Apocalipse de Água: Inundação dos continentes. Já em andamento.
  • 1º lugar — Apocalipse de Areia: Desertificação global. Já começou.

4º Lugar: Apocalipse de Gelo — Bonito na Teoria, Improvável Agora

A Terra já teve ao menos cinco grandes eras glaciais na sua história. A última grande glaciação terminou há cerca de 11.700 anos, e tecnicamente ainda estamos num período interglacial — ou seja, uma “pausa quente” entre ciclos de gelo. Isso significa que, sem interferência humana, uma nova era glacial viria naturalmente em alguns milhares de anos.

O problema? A humanidade botou tanta fumaça na atmosfera que praticamente cancelou o próximo ciclo glacial. Estudos publicados na revista Nature mostram que as emissões de CO₂ desde a Revolução Industrial foram suficientes para adiar a próxima era glacial em pelo menos 100.000 anos.

Resumindo: o apocalipse de gelo era o mais “natural” de acontecer — mas nós acidentalmente o impedimos ao aquecer o planeta. Irônico, não?

E o cenário de congelamento súbito?

Existe um cenário mais rápido chamado de “colapso da circulação termohalina” — basicamente, o derretimento do Ártico jogando água doce nos oceanos e travando as correntes marítimas que regulam o clima. Isso poderia esfriar drasticamente a Europa e partes da América do Norte. Não uma era glacial completa, mas invernos severos o suficiente para colapsar a agricultura em regiões inteiras. A probabilidade disso antes de 2100? Baixa, mas não zero.


3º Lugar: Apocalipse Quente — Vênus na Terra

O planeta Vênus tem 465°C de temperatura média e uma atmosfera de dióxido de carbono tão densa que esmagaria qualquer ser vivo. Cientistas acreditam que Vênus já foi parecido com a Terra — e passou por um processo chamado de “efeito estufa descontrolado” que transformou o planeta num inferno.

A boa notícia: chegar nesse ponto aqui na Terra exigiria um nível de emissões muito além do que é humanamente possível produzir. A má notícia: existem pontos de inflexão chamados de tipping points — limiares que, uma vez cruzados, disparam ciclos de aquecimento que se alimentam sozinhos, sem precisar de mais emissões humanas.

O derretimento do permafrost siberiano, por exemplo, liberaria bilhões de toneladas de metano acumulado há milênios. O metano é 80 vezes mais potente que o CO₂ como gás de efeito estufa. Se isso virar uma reação em cadeia, o aquecimento passa do nosso controle — e o cenário quente escala rapidamente.

Onde isso aparece nos manhwas e ficção?

Manhwas como Nano Machine e The God of High School colocam personagens sobrevivendo em ambientes extremos de calor. A ficção científica ocidental vai mais longe: Mad Max inteiro é basicamente um apocalipse quente com colapso social acoplado. A diferença é que nesses universos as pessoas ainda conseguem sobreviver. No cenário real de aquecimento descontrolado, a maioria das regiões tropicais ficaria inabitável por conta de “bulbo úmido” — uma combinação de calor e umidade que impede o corpo humano de se refrigerar, mesmo na sombra.


2º Lugar: Apocalipse de Água — Já Está Acontecendo em Câmera Lenta

Esse é o mais fácil de subestimar porque parece lento demais para ser catastrófico. Mas os números são brutais: se toda a calota polar da Antártida derreter, o nível do mar sobe aproximadamente 58 metros. São Paulo ficaria debaixo d’água. Londres, Nova York, Tóquio, Mumbai, Xangai, Buenos Aires, Lagos — todas submersas ou irreconhecíveis.

Não precisa derreter tudo. Uma elevação de apenas 1 metro já seria suficiente para deslocar cerca de 150 milhões de pessoas em zonas costeiras baixas. E os modelos climáticos atuais apontam para uma elevação de 0,5 a 1 metro até 2100 — com cenários pessimistas chegando a 2 metros se o colapso das geleiras da Antártida Ocidental for mais rápido do que o esperado.

O que torna esse cenário diferente dos outros: ele não vem de uma catástrofe súbita. Vem da acumulação de décadas de decisões ignoradas. Quando o problema fica visível demais para ignorar, já é tarde para reverter.

As Cidades que Já Estão Afundando Hoje

Jacarta, capital da Indonésia, está afundando 25 centímetros por ano — uma combinação de elevação do mar e subsidência do solo por extração excessiva de água subterrânea. O governo indonésio já decidiu transferir a capital para outra cidade. Veneza, Bangkok, Miami e Manila enfrentam variações do mesmo problema. O apocalipse de água não é futuro. É presente.


1º Lugar: Apocalipse de Areia — o Mais Silencioso e o Mais Provável

Aqui está o cenário que quase ninguém coloca no topo da lista — e talvez seja o mais subestimado de todos. A desertificação global não mata com explosões nem com inundações. Mata com fome, seca e migração em massa. E já está em andamento em escala sem precedentes na história recente.

Atualmente, cerca de 40% da superfície terrestre do planeta já é considerada árida ou semiárida. Segundo a ONU, aproximadamente 1 bilhão de pessoas vivem em regiões que estão se tornando desertos. O Sahara avança em direção ao sul da Europa. O Cerrado brasileiro está perdendo umidade. O Oriente Médio está se tornando inabitável nos meses de verão.

A ONU estima que até 2050, a desertificação pode forçar o deslocamento de até 1,2 bilhão de pessoas. Para comparar: toda a crise migratória europeia dos anos 2010 envolveu cerca de 1 milhão de pessoas. Multiplique isso por 1.200.

Por que a Areia Ganha dos Outros Cenários?

Porque ela opera em múltiplas frentes ao mesmo tempo. O aquecimento resseca o solo. A falta de vegetação acelera o aquecimento local. Rios secam. Aquíferos são esgotados. Colheitas falham. Governos entram em colapso por falta de alimentos. Guerras por água — que já acontecem em escala regional na África e no Oriente Médio — escalam para conflitos maiores. É um ciclo de retroalimentação que, uma vez iniciado, é muito difícil de parar.

O Que Quase Ninguém Considera

Os quatro apocalipses climáticos não são mutuamente exclusivos. O cenário mais provável para o século 22 não é um deles isolado — é uma combinação: aquecimento extremo nas regiões tropicais, inundação das zonas costeiras, desertificação nos interiores continentais e, paradoxalmente, invernos mais intensos em partes do hemisfério norte por conta do colapso das correntes oceânicas. A Terra não escolhe um apocalipse. Ela pode oferecer todos ao mesmo tempo, em regiões diferentes.

E existe outro fator que os modelos climáticos raramente incorporam bem: o comportamento humano sob estresse. Quando recursos básicos escasseiam em escala global, os conflitos que surgem podem acelerar colapsos sociais que seriam evitáveis tecnicamente. O apocalipse climático e o apocalipse social caminham juntos.

Curiosidades que Vão Ficar na Sua Cabeça

  1. A Terra sobreviveu ao “Evento de Oxidação” há 2,4 bilhões de anos — quando cianobactérias inundaram a atmosfera de oxigênio e mataram quase toda vida anaeróbica existente. O primeiro apocalipse do planeta foi causado por seres vivos. História se repete.
  2. O Saara já foi um savana verde há cerca de 10.000 anos, com lagos, hipopótamos e populações humanas densas. A desertificação que transformou o norte da África aconteceu em poucos séculos — rápido o suficiente para ser vivenciado por gerações.
  3. O Mar de Aral, na Ásia Central, era o quarto maior lago do mundo nos anos 1960. Hoje está quase completamente seco por irrigação excessiva. É uma prévia em miniatura do que pode acontecer com recursos hídricos maiores.
  4. A cidade de Dubai está construindo florestas artificiais para tentar combater o calor extremo — temperaturas de 50°C no verão já são comuns. Se uma cidade precisa de florestas artificiais para ser habitável, algo já saiu errado.
  5. Cientistas encontraram vírus com 48.500 anos preservados no permafrost siberiano em 2022. Quando o gelo derreter, esses patógenos desconhecidos voltam à ativa. O apocalipse de areia pode trazer junto um bônus do apocalipse biológico.

Então, Qual é o Veredicto Final?

Se a pergunta é qual apocalipse climático tem mais chance de acontecer — não num futuro distante e abstrato, mas num horizonte que pessoas vivas hoje vão testemunhar — a resposta é a desertificação combinada com elevação do nível do mar. Dois processos lentos, silenciosos e já em andamento, que vão redefinir onde os seres humanos podem viver nas próximas décadas.

O apocalipse de calor total e o de gelo são mais dramáticos e mais usados na ficção justamente porque são mais fáceis de visualizar. Mas os mais prováveis são os que chegam sem explosões, sem monstros, sem portais — só com secas, cheias e migrações que os governos não conseguem absorver.

A natureza não precisa de roteirista. Ela já tem o script pronto.

Conclusão

No fim, o planeta não vai acabar de uma vez. Vai ficando menos habitável, pedaço por pedaço, até que a civilização que conhecemos precise se reinventar — ou não consiga. O apocalipse climático mais fácil de acontecer não é o mais espetacular. É o mais paciente.

Ranking final do artigo:

  • 🥇 Areia (desertificação) — 82% — já em andamento
  • 🥈 Água (inundação) — 68% — em câmera lenta
  • 🥉 Calor (efeito estufa) — 45% — risco crescente
  • 4º Gelo (era glacial) — 12% — nós mesmos adiamos
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abril 13, 2026 | Abraham Costa

Os Tipos de Apocalipse que os Manhwas Adoram

Se você já passou horas lendo Solo Leveling, The Beginning After the End, Global Freeze ou Omniscient Reader’s Viewpoint, sabe que os manhwas coreanos não economizam na criatividade quando o assunto é apocalipse. Torres que surgem do nada, zumbis invadindo metrôs, sistemas de status que aparecem diante dos olhos das pessoas… parece ficção pura. Mas e se parte disso não fosse tão distante da realidade quanto parece?

A pergunta que ninguém faz abertamente é: qual apocalipse é mais fácil de acontecer no mundo se a gente comparar os cenários dos manhwas com o que a ciência e a história já nos mostraram? A resposta vai te surpreender — e talvez te preocupar um pouco.

Os Tipos de Apocalipse que os Manhwas Adoram

Antes de falar qual deles tem mais chance de virar realidade, vale olhar para o cardápio que os manhwas nos oferecem. São basicamente quatro grandes categorias:

  • Portais & Monstros — Solo Leveling, A Returner’s Magic Should Be Special. Probabilidade real: baixa.
  • Pandemia & Mutação — All of Us Are Dead, Zombie Land Saga. Probabilidade real: alta.
  • Colapso Social — Weak Hero, The Villainess Turns the Hourglass. Probabilidade real: média-alta.
  • IA & Tecnologia — Omniscient Reader’s Viewpoint, The World After the Fall. Probabilidade real: crescente.

O Apocalipse Mais Fácil de Acontecer: Pandemia

Direto ao ponto: o apocalipse de pandemia e mutação viral, representado com brutalidade em All of Us Are Dead, é de longe o cenário com maior base científica entre todos os manhwas populares. E isso não é sensacionalismo — é o que epidemiologistas, virologistas e até a OMS discutem em reuniões fechadas.

All of Us Are Dead, lançado originalmente como webtoon por Joo Dong-geun, mostra um vírus que começa num laboratório escolar e se espalha de forma exponencial. A premissa não é tão absurda: os surtos de SARS, H1N1, Ebola e a própria Covid-19 seguiram lógicas parecidas de origem, espalhamento e colapso de infraestrutura.

O que diferencia o apocalipse viral dos outros cenários de manhwa é que ele não depende de magia, tecnologia avançada ou eventos sobrenaturais. Basta um patógeno com as características certas — alta transmissibilidade, período de incubação longo e mortalidade significativa.

Por que esse cenário é o mais plausível?

A ciência explica com uma clareza desconfortável. O planeta tem hoje condições ideais para uma pandemia catastrófica: desmatamento colocando humanos em contato com reservatórios de vírus desconhecidos, tráfico de animais silvestres, viagens aéreas que transportam um vírus de um continente a outro em menos de 24 horas, e populações urbanas densas que funcionam como amplificadores perfeitos.

O modelo matemático R0 — que mede quantas pessoas um indivíduo infectado contamina — é o que separa um surto controlável de um apocalipse. Se o R0 passar de certos limites com uma taxa de mortalidade alta, nenhum sistema de saúde do mundo aguenta. É exatamente o que os manhwas de zumbi mostram, só que com mais drama e protagonistas com poderes especiais.

Curiosidades Surpreendentes Sobre os Apocalipses dos Manhwas

  1. O vírus de All of Us Are Dead foi inspirado em pesquisas reais sobre “vírus de raiva modificada” — experimentos que existem de verdade em contextos de biossegurança nível 4.
  2. Em Solo Leveling, as torres e portais surgem sem explicação — curiosamente, isso reflete o conceito científico de “risco desconhecido”, aquele que não conseguimos prever porque sequer sabemos que existe.
  3. O colapso social de manhwas como Weak Hero imita com precisão o que sociólogos chamam de “colapso de instituições” — quando governos e forças de segurança perdem legitimidade mais rápido do que a violência se instala.
  4. A Coreia do Sul tem uma das maiores densidades urbanas do mundo, o que explica a obsessão dos manhwas com pandemias urbanas — é um medo culturalmente enraizado, não apenas imaginação criativa.
  5. O cenário de IA de Omniscient Reader’s Viewpoint, onde um ser superior reescreve as regras da existência, tem paralelos diretos com o conceito de “singularidade tecnológica” discutido por pesquisadores como Nick Bostrom.

O Que Quase Ninguém Sabe Sobre Esses Apocalipses

Existe um detalhe que passa despercebido quando você lê esses manhwas: os autores coreanos têm acesso a uma cultura de preparação para desastres muito mais desenvolvida do que a maioria dos países. A Coreia do Sul ainda vive sob ameaça constante do Norte, tem protocolos de defesa civil rigorosos e uma população que cresceu com simulacros reais de colapso social.

Isso significa que quando um escritor como Chugong (Solo Leveling) ou Joo Dong-geun (All of Us Are Dead) cria um cenário apocalíptico, ele não está apenas fantasiando — ele está processando um medo coletivo real, enraizado numa sociedade que sabe o que é viver à beira do abismo. Os apocalipses dos manhwas são, em muitos casos, metáforas sociais disfarçadas de fantasia.

E é por isso que, curiosamente, qual apocalipse é mais fácil de acontecer no mundo talvez seja uma pergunta que os próprios autores coreanos já respondem implicitamente com suas escolhas narrativas: aquele que vem de dentro da sociedade, não de fora.

O Segundo Colocado: Colapso Social e Desigualdade

Logo atrás do apocalipse viral vem algo que manhwas como Weak Hero, The Remarried Empress e até Hell’s Paradise retratam de forma mais sutil: o colapso das estruturas sociais. Não um fim do mundo com explosões e monstros, mas um processo lento de desintegração institucional.

Isso já aconteceu antes na história humana. O colapso da civilização micênica, a queda do Império Romano Ocidental, o colapso de estados modernos no século XX — todos seguiram padrões parecidos: desigualdade extrema, perda de confiança nas instituições, fragmentação do tecido social e violência que preenche o vácuo deixado pela ordem.

A diferença entre ficção e realidade é que no manhwa esse processo acontece em dias ou semanas. Na vida real, demora décadas — e talvez seja justamente por isso que é mais assustador. Você mal percebe enquanto está acontecendo.

E o apocalipse por IA?

O cenário tecnológico, apesar de crescente, ainda está distante de ser “fácil” de acontecer. Mas a velocidade com que a tecnologia avança faz com que esse ranking mude a cada poucos anos. O que parecia impossível em 2015 é rotina em 2026. Omniscient Reader’s Viewpoint pode estar chegando mais rápido do que parece.

Por Que os Manhwas Acertam Mais do que Parecem

A narrativa de ficção científica e fantasia sempre funcionou como laboratório de ideias. Muito antes de a pandemia de Covid-19 acontecer, roteiristas e escritores já exploravam cenários exatamente como aquele. Não porque fossem profetas, mas porque estavam olhando para os mesmos dados que os cientistas — só traduzindo em história.

Quando você lê um manhwa de apocalipse e pensa “que absurdo, isso jamais aconteceria”, vale fazer uma pausa. Porque a pergunta real não é se vai acontecer, mas qual desses cenários já começou — e simplesmente ainda não chegou ao ponto em que a história fica interessante o suficiente para virar webtoon.

Conclusão

No fim das contas, a resposta para qual apocalipse é mais fácil de acontecer no mundo, segundo os manhwas, é aquele que não precisa de magia nem de portais: o biológico, o social, o humano. Os monstros mais aterrorizantes de Solo Leveling e All of Us Are Dead não são os que aparecem nas telas — são os que já existem, esperando as condições certas. E talvez os autores coreanos saibam disso melhor do que qualquer um.

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março 11, 2026 | Abraham Costa

O Último Herdeiro de Ravenmoor – Light Novel Capítulos 7 a 11

Capítulo 7 — O Primeiro Soldado

André entrou no quartel com passos lentos.

Lyra veio logo atrás.

O chão de pedra estava coberto por detritos.

Algumas lanças quebradas.
Partes de armaduras.
Pedaços de madeira.

Mas o que chamava mais atenção eram os corpos.

Soldados.

Pelo menos uma dúzia.

Alguns ainda vestiam partes de suas armaduras.
Outros estavam apenas com roupas simples de guarda.

A posição deles deixava claro o que tinha acontecido.

Eles haviam lutado até o fim.

André caminhou até um dos corpos.

O homem estava caído próximo à porta lateral.

A espada ainda estava em sua mão.

Ele se abaixou.

Observou a armadura.

A marca da Casa Valenfyr ainda era visível no metal.

Um escudo com duas lâminas cruzadas.

Lyra caminhava pelo salão.

Observando tudo.

— Eles seguraram a entrada.

Ela parou perto da porta principal quebrada.

— Provavelmente tentaram impedir o ataque de chegar à torre.

André assentiu devagar.

— Faz sentido.

Lyra voltou a caminhar.

Parou diante de outro corpo.

Um soldado grande.

Armadura pesada.

Ela inclinou a cabeça.

— Esse aqui parece forte.

André se aproximou.

O homem tinha ombros largos.

Mesmo morto há muito tempo, ainda parecia robusto.

A espada ao lado dele era maior que as outras.

Lyra olhou para André.

— Esse vale a pena.

André permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Depois estendeu a mão sobre o corpo.

A reação veio imediatamente.

A mesma sensação fria percorreu seu braço.

Desta vez mais intensa.

A mana respondeu.

Fragmentos de energia azul começaram a surgir no ar.

André manteve a mão estendida.

A energia fluiu.

Mas depois de alguns segundos ele parou.

A mão desceu lentamente.

Lyra levantou uma sobrancelha.

— Mudou de ideia?

André balançou a cabeça.

— Não.

Ele olhou para os outros corpos espalhados pelo salão.

Depois voltou os olhos para o soldado.

— Mas não vou levantar um por vez sem pensar.

Lyra cruzou os braços.

— Planejando um exército?

André respondeu com calma.

— Planejando não morrer.

Lyra sorriu.

— Justo.

André caminhou alguns passos pelo quartel.

Observando os corpos.

A maioria ainda estava relativamente preservada.

O lugar era seco.

Protegido da chuva.

Isso tinha ajudado.

Ele parou no centro do salão.

Olhou ao redor.

— Quantos você acha que consigo levantar?

Lyra respondeu sem hesitar.

— Agora?

Ela observou André de cima a baixo.

Depois analisou a energia ao redor dele.

— Talvez um.

André suspirou.

— Como imaginei.

Lyra deu de ombros.

— Você acabou de acordar sua necromancia.

Ela chutou levemente uma espada quebrada no chão.

— Não espere levantar um exército no primeiro dia.

André voltou a olhar para o soldado maior.

Aquele parecia a melhor escolha.

Ele caminhou até o corpo novamente.

Parou diante dele.

A mão se estendeu.

A mana respondeu outra vez.

Desta vez André não interrompeu.

A energia azul começou a envolver o corpo do soldado.

A armadura vibrou levemente.

Pequenas partículas de mana giravam ao redor do cadáver.

Lyra observava com interesse.

— Vamos ver o que você consegue fazer.

Capítulo 8 — Limite de Mana

A mão de André permaneceu estendida sobre o corpo do soldado.

A mana respondeu.

Fragmentos de energia azul começaram a surgir no ar.

Pequenas partículas brilhantes giravam lentamente sobre o cadáver.

A armadura do homem vibrou levemente.

A energia começou a penetrar no corpo.

Lyra observava em silêncio.

Os olhos azulados acompanhavam cada detalhe do processo.

O chão do quartel parecia reagir levemente.

Como se a energia necromântica estivesse sendo puxada para aquele ponto.

Por alguns segundos o ritual continuou.

Então algo mudou.

A visão de André escureceu levemente.

Uma sensação pesada surgiu em seu peito.

A mana começou a falhar.

A energia azul que envolvia o corpo do soldado enfraqueceu.

As partículas começaram a desaparecer.

André retirou a mão rapidamente.

Respirou fundo.

A cabeça girou por um instante.

Lyra inclinou a cabeça.

— Já acabou?

André ficou em silêncio por alguns segundos.

A respiração ainda pesada.

Depois respondeu.

— Não tenho mana suficiente.

Lyra cruzou os braços.

— Imaginei.

Ela caminhou até o corpo do soldado.

Observou o cadáver.

Depois olhou novamente para André.

— Você já está mantendo uma necromante ativa.

Ela apontou para si mesma com o polegar.

— Eu.

André passou a mão pela testa.

A sensação de cansaço ainda estava ali.

— Então esse é o limite.

Lyra deu de ombros.

— Por enquanto.

Ela caminhou pelo salão novamente.

Passando pelos corpos espalhados.

— Levantar mortos consome energia.

Ela chutou levemente uma lança caída no chão.

— E manter eles funcionando consome ainda mais.

André voltou a olhar para o soldado que havia tentado levantar.

Aquele corpo ainda parecia útil.

Mas não agora.

Lyra parou diante de outro cadáver.

Um guarda jovem.

Armadura mais leve.

Ela observou por alguns segundos.

Depois voltou a olhar para André.

— Mas tem uma coisa interessante.

André levantou o olhar.

— O quê?

Lyra abriu os braços lentamente.

— Você não precisa levantar todos agora.

Ela apontou para os corpos espalhados pelo quartel.

— Eles não vão fugir.

André soltou um pequeno suspiro.

— Verdade.

Lyra caminhou até o centro do salão.

O olhar percorreu o quartel inteiro.

Depois parou em algo perto da parede do fundo.

Ela franziu levemente o cenho.

— Hm.

André percebeu a mudança.

— O que foi?

Lyra apontou discretamente.

— Aquilo ali.

Encostado contra a parede, parcialmente coberto por destroços de madeira, havia algo diferente.

Uma espada.

Muito maior que as outras espalhadas pelo quartel.

A lâmina ainda estava presa em uma rachadura no chão de pedra.

Como se tivesse sido cravada ali durante a batalha.

A empunhadura possuía um símbolo.

O mesmo escudo com duas lâminas cruzadas da Casa Valenfyr.

Lyra inclinou a cabeça.

— Essa parece importante.

Capítulo 9 — A Espada do Capitão

André caminhou até o fundo do quartel.

Os passos ecoavam levemente no salão vazio.

Lyra veio logo atrás.

A espada realmente era diferente das outras.

Mais pesada.

Mais longa.

A lâmina ainda parecia em bom estado, apesar do tempo.

André se abaixou e afastou alguns pedaços de madeira quebrada.

A arma estava presa na rachadura da pedra.

Ele segurou a empunhadura.

A superfície estava fria.

Mas firme.

André puxou.

A lâmina deslizou para fora da pedra com um som metálico grave.

Ele levantou a espada lentamente.

O peso era considerável.

A arma claramente havia sido feita para alguém forte.

Lyra observava.

— Não parece uma espada comum.

André virou a lâmina.

O símbolo da Casa Valenfyr estava gravado próximo à base.

— Provavelmente era do capitão da guarda.

Lyra inclinou levemente a cabeça.

— Então ele deve estar por aqui.

André levantou os olhos.

— Faz sentido.

Ele começou a observar os corpos novamente.

Se aquela era a espada do capitão…

o dono dela deveria estar em algum lugar naquele salão.

Lyra caminhou entre os cadáveres.

Parou diante de um corpo encostado contra a parede lateral.

A armadura era diferente das outras.

Mais robusta.

Peitoral reforçado.

O símbolo da casa gravado em destaque.

O corpo ainda segurava um escudo partido.

Lyra olhou para André.

— Achei ele.

André se aproximou.

O homem era grande.

Mesmo sentado contra a parede, era possível perceber que em vida devia ser imponente.

Uma marca profunda atravessava a armadura.

Provavelmente o golpe que o matou.

André olhou para a espada em sua mão.

Depois para o corpo.

— Capitão da guarda Valenfyr.

Lyra cruzou os braços.

— Parece que ele lutou até o final.

André observou o rosto do homem.

Mesmo após a morte, a expressão ainda parecia firme.

Como alguém que não havia recuado.

Lyra apoiou o ombro na parede.

— Esse aí seria uma invocação melhor que aquele soldado.

André não respondeu imediatamente.

Ele ainda sentia o cansaço da tentativa anterior.

A mana não tinha se recuperado.

Ele olhou novamente para o capitão.

Depois para o restante do quartel.

— Não agora.

Lyra assentiu.

— Sensato.

André apoiou a espada do capitão no ombro.

Depois começou a caminhar lentamente pelo quartel novamente.

Observando o lugar com mais atenção.

Agora ele sabia de duas coisas importantes.

Primeiro.

Ravenmoor estava cheia de mortos úteis.

Segundo.

Ele precisava aprender a usar melhor sua necromancia antes de tentar levantar alguém como aquele capitão.

Lyra o acompanhou até a porta do quartel.

Ela olhou novamente para o vilarejo abandonado.

— Ainda tem muita coisa nesse território que você não viu.

Capítulo 10 — Reconstruindo Ravenmoor

André saiu do quartel.

A luz do dia parecia mais forte depois da escuridão do interior do prédio.

A rua principal de Ravenmoor se estendia à frente deles.

Lyra caminhava ao lado dele.

Observando tudo com curiosidade.

— Pequena cidade.

André respondeu.

— Era suficiente.

Lyra olhou as casas destruídas.

— Quantas pessoas viviam aqui?

André pensou por alguns segundos.

As memórias do jogo ainda eram incompletas.

— Algumas centenas.

Lyra assobiou baixo.

— Bastante gente para um massacre.

Eles caminharam pela rua.

André empurrou a porta de uma casa próxima.

A madeira cedeu facilmente.

O interior estava vazio.

Uma mesa quebrada.

Duas cadeiras.

Algumas panelas espalhadas no chão.

Nada de valor.

Ele saiu novamente.

Continuaram andando.

A próxima construção era uma pequena loja.

Provavelmente um ferreiro.

Ferramentas enferrujadas ainda estavam penduradas na parede.

Lyra pegou um martelo velho.

Observou por alguns segundos.

Depois jogou de volta na mesa.

— Esse lugar foi abandonado às pressas.

André concordou.

— O ataque foi rápido.

Eles continuaram pela rua.

Mais à frente, o caminho se abria em uma pequena praça.

No centro havia um poço de pedra.

Alguns bancos quebrados estavam espalhados ao redor.

Lyra parou perto do poço.

Olhou dentro.

— Ainda tem água.

André se aproximou.

Observou a profundidade.

— Útil.

Lyra apoiou os braços na borda de pedra.

— Então o que você pretende fazer com esse lugar?

André olhou ao redor.

Casas abandonadas.

Estradas vazias.

Campos ao longe.

Depois respondeu.

— Primeiro sobreviver.

Lyra assentiu.

— Justo.

André continuou.

— Depois reconstruir.

Lyra virou o rosto para ele.

Um sorriso leve apareceu.

— Ambicioso.

André apoiou a espada do capitão no ombro novamente.

— Não tenho escolha.

Lyra observou o vilarejo silencioso.

Depois voltou os olhos para ele.

— E você acha que consegue fazer isso sozinho?

André olhou novamente para Ravenmoor.

A torre.

O quartel.

O cemitério.

Depois respondeu com calma.

— Não vou estar sozinho por muito tempo.

Capítulo 11 — O Vilarejo Perdido

Lyra observou André por alguns segundos.

Depois soltou uma pequena risada.

— Então você pretende levantar o vilarejo inteiro.

André respondeu com naturalidade.

— Eventualmente.

Lyra apoiou o cotovelo na borda do poço.

— Isso vai dar trabalho.

André começou a caminhar novamente.

Dessa vez na direção da construção de pedra na praça.

O prédio estava parcialmente destruído.

Uma parte da parede havia desabado.

A porta principal estava caída no chão.

Lyra o seguiu.

— O que era isso?

André observou o interior antes de responder.

— Escritório do administrador do vilarejo.

Eles entraram.

O lugar estava cheio de papéis espalhados.

Pergaminhos antigos.

Registros.

Alguns armários estavam abertos.

Outros quebrados.

André começou a olhar os documentos.

A maioria estava rasgada.

Mas alguns ainda eram legíveis.

Listas de suprimentos.

Controle de colheitas.

Registros de moradores.

Lyra caminhava pelo local.

Mexendo em alguns objetos.

— Esse lugar era organizado.

André assentiu.

— Casas pequenas precisam ser.

Ele pegou um dos registros.

A lista continha nomes.

Famílias inteiras.

Ele passou os olhos pelas páginas.

Lyra percebeu.

— O que foi?

André mostrou o pergaminho.

— Moradores do vilarejo.

Lyra aproximou o rosto.

— Bastante gente.

André continuou folheando.

A maioria dos nomes tinha pequenas marcações feitas com tinta.

Alguns estavam circulados.

Outros riscados.

Lyra inclinou a cabeça.

— Mortos?

André respondeu.

— Provavelmente.

Ele fechou o pergaminho.

Olhou novamente para a praça pela abertura da parede.

— Então Ravenmoor tinha mais gente do que apenas os soldados.

Lyra sorriu levemente.

— Ótimo para você.

André não respondeu imediatamente.

Ele caminhou até a parede quebrada.

Observou as casas ao redor.

Algumas ainda estavam em pé.

Outras completamente destruídas.

Ele já conseguia imaginar o que existia ali antes.

Crianças correndo pelas ruas.

Comerciantes abrindo lojas.

Guardas patrulhando.

Agora só restava silêncio.

Lyra parou ao lado dele.

— Pensando em quem levantar primeiro?

André respondeu com calma.

— Pensando em quem vale a pena levantar.

Lyra sorriu novamente.

— Boa escolha.

Ela voltou a olhar a praça.

Depois apontou discretamente para uma casa do outro lado.

— Aquela construção parece maior.

André seguiu o olhar.

A casa era realmente diferente.

Mais sólida.

Provavelmente pertencia a alguém importante do vilarejo.

A porta estava aberta.

Lyra inclinou a cabeça.

— Talvez alguém interessante tenha morrido ali.

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março 11, 2026 | Abraham Costa

O Último Herdeiro de Ravenmoor – Light Novel Capítulos 4 a 6

Capítulo 4 — Um Território de Mortos

André observou o corpo do carniçal caído.

Lyra também olhou.

A criatura não se movia mais.

Ela inclinou a cabeça levemente.

— Você quer que eu enterre de novo?

André balançou a cabeça.

— Não precisa.

Ele caminhou até o corpo.

A criatura era mais magra do que parecia quando estava em movimento.

Pele cinza.

Garras longas.

Provavelmente passava a maior parte do tempo escavando túmulos.

André agachou ao lado do cadáver.

Lyra observava.

— Vai levantar ele também?

André passou a mão sobre o queixo.

— Não.

Ele analisou o corpo por alguns segundos.

— Não parece valer o esforço.

Lyra sorriu.

— Concordo.

Ela caminhou alguns passos pelo cemitério.

Parou diante de outra sepultura.

Observou o terreno.

Depois voltou os olhos para André.

— Você percebeu algo?

André levantou o olhar.

— O quê?

Lyra apontou para o chão.

— O território.

Ele franziu a testa.

— Explica.

Lyra bateu levemente o pé contra a terra.

— Ravenmoor está cheio de mortos.

Ela olhou ao redor.

As lápides se estendiam por toda parte.

— Não apenas aqui.

André ficou em silêncio.

Lyra continuou.

— Vilarejo.
— Campos.
— Estrada.
— Torre.

Ela abriu os braços.

— Muita gente morreu nesse lugar.

André já sabia disso.

Mas ouvir daquela forma fazia parecer diferente.

Mais concreto.

Lyra caminhou até o túmulo que ele tinha aberto.

Olhou para dentro.

Depois voltou a olhar para ele.

— E agora você apareceu.

André cruzou os braços.

— Isso é ruim?

Lyra deu de ombros.

— Depende.

Ela se aproximou novamente.

Parou a poucos passos dele.

— Necromantes gostam de lugares assim.

André observou o cemitério inteiro.

O vento passou novamente entre as árvores secas.

As folhas no chão se moveram.

Ele começou a perceber algo.

Antes parecia apenas um cemitério.

Agora parecia… maior.

Como se aquele fosse apenas um pedaço do que realmente estava enterrado em Ravenmoor.

André caminhou alguns passos entre os túmulos.

Lyra o seguiu.

Ele parou diante de outra lápide.

Passou a mão sobre a pedra.

A mesma sensação fria voltou.

Fraca.

Mas presente.

Ele olhou para a própria mão.

— Então não foi só aquele túmulo.

Lyra respondeu com naturalidade.

— Claro que não.

Ela apontou discretamente para o terreno ao redor.

— Você está andando sobre um campo inteiro de energia da morte.

André respirou fundo.

Olhou novamente para Ravenmoor ao longe.

Vilarejo vazio.

Campos abandonados.

Estradas silenciosas.

Depois voltou os olhos para o cemitério.

— Então tem bastante material para trabalhar.

Lyra sorriu novamente.

— Bastante.

Ela inclinou a cabeça.

Observando o território além da cerca do cemitério.

— E ainda tem o resto de Ravenmoor para explorar.

Capítulo 5 — Memórias da Última Batalha

André continuava observando o cemitério.

A quantidade de sepulturas era maior do que ele havia imaginado à distância.

Algumas lápides estavam praticamente enterradas sob a terra.

Outras tinham sido quebradas durante o ataque.

Ele voltou a olhar para o corpo do carniçal.

Depois para Lyra.

— Você luta bem.

Lyra deu de ombros.

— Provavelmente eu fazia isso antes.

André levantou uma sobrancelha.

— Você não lembra?

Lyra ficou em silêncio por um instante.

Os olhos azuis se voltaram lentamente para a torre da Casa Valenfyr.

Algo em sua expressão mudou.

O sorriso travesso desapareceu por um momento.

Ela levou a mão à cabeça.

— Eu…

A frase parou no meio.

Uma imagem surgiu.

Fogo iluminando a noite.

A torre cercada por soldados.

O som de gritos ecoando no pátio.

Lyra correndo pela escadaria com uma espada na mão.

Armadura manchada de sangue.

Vários corpos espalhados pelo chão.

Uma voz masculina gritando atrás dela.

— Protejam o jovem senhor!

Ela girou a espada contra um inimigo.

Outro soldado avançou.

A lâmina atravessou sua lateral.

O impacto a fez cair de joelhos.

A última coisa que viu foi a torre ardendo em chamas.

Lyra piscou.

A memória desapareceu.

Ela abaixou a mão lentamente.

— Estranho…

André observava em silêncio.

— Lembrou de algo?

Lyra olhou novamente para a torre.

— Um pouco.

Ela respirou devagar.

— Acho que eu morri lutando.

André não parecia surpreso.

O estado de Ravenmoor já deixava isso claro.

Lyra voltou a olhar para ele.

O sorriso provocador retornou.

— Pelo menos eu tinha bom gosto para morrer em um lugar bonito.

André cruzou os braços.

— Bonito?

Lyra abriu os braços.

— Um cemitério inteiro cheio de energia necromântica.

Ela sorriu.

— Para mim parece perfeito.

André voltou a olhar para as lápides ao redor.

Depois para a torre destruída.

— Então esse lugar ainda tem utilidade.

Lyra inclinou levemente a cabeça.

— Bastante.

Ela começou a caminhar novamente entre as sepulturas.

Observando cada túmulo.

— E provavelmente eu não sou a única enterrada aqui que sabia lutar.

André acompanhou o movimento dela.

O cemitério parecia maior agora.

Cada lápide podia esconder alguém que havia defendido Ravenmoor.

Ele passou a mão sobre outra pedra antiga.

A sensação fria voltou.

Mais fraca.

Mas ainda presente.

Lyra parou alguns passos à frente.

Olhou para ele.

— Está sentindo também, não está?

André assentiu devagar.

— Sim.

Lyra sorriu novamente.

— Então vamos continuar cavando.

Capítulo 6 — O Quartel da Guarda

Lyra observava as sepulturas.

— Então vamos continuar cavando.

André permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Depois balançou a cabeça.

— Não.

Lyra virou o rosto.

— Não?

André olhou ao redor do cemitério.

As lápides se estendiam em todas as direções.

— Se eu continuar cavando aqui…

Ele apontou para as sepulturas.

— vou acabar gastando toda minha mana.

Lyra cruzou os braços.

— Inteligente.

Ela inclinou a cabeça.

— Você já percebeu.

André abriu a mão lentamente.

Uma sensação leve de cansaço percorreu seu corpo.

A invocação dela estava consumindo algo.

— Eu não posso invocar infinitamente.

Lyra sorriu.

— Claro que não.

Ela caminhou até a cerca do cemitério.

Apoiou o braço na grade enferrujada.

O olhar se voltou para o vilarejo.

— Mas esse lugar…

Ela apontou com o queixo para Ravenmoor.

— está cheio de mortos.

André seguiu o olhar dela.

Casas abandonadas.

Portas quebradas.

Estradas vazias.

— Nem todos foram enterrados.

Lyra assentiu.

— Exato.

Ela empurrou a grade.

O ferro produziu um som grave.

— Então vamos procurar.

André saiu do cemitério ao lado dela.

O caminho de terra levava diretamente ao vilarejo.

Enquanto caminhavam, o silêncio de Ravenmoor parecia ainda maior.

Nenhum animal.

Nenhuma fumaça.

Nenhuma voz.

Lyra observava tudo com curiosidade.

— Quantas pessoas viviam aqui?

André respondeu sem olhar para ela.

— Pelo menos algumas centenas.

Lyra assobiou baixo.

— Então tem muito trabalho para fazer.

Eles caminharam pela estrada principal.

As primeiras casas apareceram.

Portas arrombadas.

Janelas quebradas.

Marcas de fogo em algumas paredes.

André parou diante de uma construção maior no final da rua.

O prédio era de pedra.

Parte do telhado havia desabado.

Acima da porta ainda era possível ver um símbolo esculpido.

Uma espada cruzada com um escudo.

Lyra observou.

— Isso parece um quartel.

André assentiu.

— Era o quartel da guarda Valenfyr.

Lyra sorriu lentamente.

— Soldados mortos costumam ser mais úteis que camponeses mortos.

André começou a caminhar em direção à porta destruída.

O interior do quartel estava escuro.

Pedaços de armaduras quebradas estavam espalhados pelo chão.

E algo mais.

No fundo do salão, vários corpos ainda permaneciam caídos onde tinham lutado.

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março 11, 2026 | Abraham Costa

O Último Herdeiro de Ravenmoor – Light Novel Capítulos 1 a 3

Ravenmoor — O Despertar do Necromante

Capítulo 1 — O Herdeiro que Deveria Ter Morrido

André abriu os olhos devagar.
O teto acima dele estava quebrado.
Vigas de madeira atravessavam o espaço onde antes existia um telhado inteiro.
O vento da manhã passava livremente por ali.

Durante alguns segundos ele não se moveu.

A mente ainda estava confusa.

Memórias surgiam em fragmentos.

Sol forte.
O som das ondas.
Pessoas caminhando na areia.

Bahia.

Ele lembrava daquele dia.

Tinha decidido viajar sozinho.

Turismo.
Nada complicado.
Nada perigoso.

Estava atravessando uma rua perto da praia quando ouviu um som seco.

Um impacto.

Algo atravessou seu corpo.

A dor veio forte.

Depois apenas escuridão.

André levou a mão ao peito instintivamente.

Nenhum ferimento.

Nenhuma marca.

Ele soltou um pequeno suspiro.

— Bala perdida…

A voz saiu baixa.

— Que forma idiota de morrer.

Ele sentou devagar sobre o velho colchão de palha onde estava deitado.

Aquele lugar não era um hospital.

Nem um quarto moderno.

Pedras antigas formavam as paredes ao redor.

O ar tinha cheiro de poeira e madeira velha.

André olhou as próprias mãos.

Mais jovens.

Outro corpo.

Levantou-se devagar.

Caminhou até a janela quebrada.

A visão lá fora fez algo em sua memória se reorganizar.

Campos abandonados.
Casas destruídas.
Um vilarejo inteiro silencioso.

Ele conhecia aquele lugar.

Não da Terra.

Mas de outro lugar.

De um jogo.

André franziu a testa.

— Não pode ser…

Ele observou novamente o território.

A pequena colina.
A estrada que descia até o vilarejo.
As ruínas espalhadas.

A lembrança finalmente se encaixou.

Ravenmoor.

Um território pequeno em um grande mundo de fantasia.

Uma casa nobre menor.

Quase irrelevante no mapa.

Casa Valenfyr.

Ele passou a mão pelos cabelos verdes.

Uma característica que o personagem do jogo também possuía.

André respirou fundo.

— Então eu reencarnei…

Olhou novamente para o vilarejo vazio.

— …logo nesse NPC?

A memória do jogo era incompleta.

Mas algumas coisas eram claras.

Ravenmoor tinha sido destruída logo no início da história.

O evento era chamado de Purificação de Ravenmoor.

Um ataque autorizado pela igreja e apoiado por nobres próximos.

Motivo oficial:
suspeita de necromancia.

Resultado:
território exterminado.

André permaneceu em silêncio por alguns segundos.

A torre onde estava parecia confirmar tudo.

Não havia guardas.

Não havia servos.

Nenhum som humano.

Apenas vento.

Ele apoiou os braços no parapeito da janela.

— Então aconteceu de verdade…

Olhou novamente para o vilarejo.

— Todos morreram.

A memória do jogo dizia que o herdeiro da casa também morria naquele evento.

Um jovem nobre sem talento.

Fraco.

Incapaz de proteger o território.

Um NPC que quase ninguém lembrava.

André soltou um pequeno riso.

— Que sorte absurda.

Ele se afastou da janela.

Caminhou lentamente pelo salão destruído da torre.

Móveis quebrados estavam espalhados pelo chão.

Uma mesa tombada.
Cadeiras partidas.
Quadros arrancados das paredes.

Aquilo não era apenas decadência.

Era resultado de batalha.

Marcas de espada ainda eram visíveis em algumas pedras.

André parou diante de uma dessas marcas.

Passou os dedos pela superfície.

— Eles realmente vieram até aqui…

A história do jogo não explicava tudo.

Apenas dizia que Ravenmoor tinha sido eliminada.

Mas olhando ao redor…

ficava claro que alguém tinha lutado.

E lutado muito.

Ele caminhou novamente até a janela.

Observando o território inteiro.

O silêncio de Ravenmoor parecia pesado.

Carregado.

André respirou fundo.

Pensando.

Ele já tinha morrido uma vez.

Uma bala perdida na Bahia tinha decidido isso.

Agora estava ali.

Dentro de um mundo que conhecia parcialmente.

Dentro de um corpo que no jogo não sobrevivia.

Ele apoiou as mãos no parapeito.

O vento frio tocou seu rosto.

— Certo…

Um pequeno sorriso apareceu.

— Então vamos mudar o roteiro.

Se aquele NPC tinha morrido no jogo…

ele simplesmente não morreria dessa vez.

André olhou novamente para Ravenmoor.

Um território destruído.

Cheio de mortos.

Cheio de mistérios.

E cheio de possibilidades.

— Se eu já estou aqui…

Ele passou a mão pelos cabelos verdes novamente.

Os olhos castanhos brilhavam com determinação.

— Então vou ficar forte o suficiente para que ninguém consiga me apagar de novo.

O vento atravessou a torre arruinada.

E pela primeira vez desde o massacre…

o herdeiro da Casa Valenfyr estava novamente de pé em Ravenmoor.

Capítulo 1.5 — O Registro da Casa Valenfyr

André caminhou devagar pelo salão da torre.

Cada passo levantava pequenas nuvens de poeira que flutuavam lentamente no ar.

O lugar parecia abandonado havia muito tempo.

Ele parou diante de uma das paredes de pedra.

Ali havia marcas profundas.

Cortes.

Não eram rachaduras naturais.

Pareciam golpes de espada.

André passou os dedos pela superfície.

— Então alguém lutou aqui…

Ele continuou andando.

No chão, perto de uma coluna caída, encontrou o que restava de uma mesa.

A madeira estava quebrada ao meio.

Sobre ela ainda havia fragmentos de vidro de um antigo castiçal.

André inclinou a cabeça, observando o salão.

O silêncio era estranho.

Um território inteiro destruído.

Mas nenhum corpo visível.

Nenhum sinal de enterramento improvisado perto da torre.

Isso significava apenas uma coisa.

Os mortos tinham sido levados para outro lugar.

Ele continuou explorando.

Perto da parede norte, a estante caída chamou sua atenção.

Livros antigos estavam espalhados pelo chão.

Alguns completamente destruídos pela umidade.

Outros ainda intactos.

André se abaixou.

Pegou um dos volumes.

A capa estava marcada pelo tempo.

Ele abriu.

As páginas estavam amareladas.

Registros antigos.

Contas de colheita.

Movimentação de mercadorias.

Nada realmente útil.

Ele largou o livro.

Continuou procurando.

Debaixo de uma tábua solta da estante havia outro volume.

Mais pesado.

André puxou.

A poeira se espalhou quando ele o abriu.

O título estava quase apagado.

Registro Interno da Casa Valenfyr.

Ele folheou as primeiras páginas.

Datas antigas.

Relatórios de patrulha.

Listas de suprimentos.

Tudo parecia rotina administrativa.

Até chegar às últimas páginas.

A escrita ali era diferente.

Mais rápida.

Quase desesperada.

André leu em silêncio.

Relatório de ataque.

Movimentação de tropas.

Feridos.

Mortos.

O ataque tinha sido rápido.

Muito mais rápido do que a memória fragmentada do jogo deixava entender.

Ele virou outra página.

Uma lista de nomes apareceu.

Guardas.

Servos.

Trabalhadores do vilarejo.

Alguns marcados como mortos.

Outros como desaparecidos.

André continuou lendo.

A maioria dos nomes possuía uma pequena anotação ao lado.

Enterrado no cemitério traseiro.

Ele parou por um momento.

O cemitério.

Claro.

Era o único lugar onde faria sentido levar tantos mortos.

Enquanto observava a página, uma sensação estranha percorreu seu braço.

Fria.

Sutil.

Quase como uma vibração sob a pele.

André franziu a testa.

A sensação não vinha do livro.

Parecia vir de fora.

Da direção atrás da torre.

Ele levantou o olhar lentamente.

Por alguns segundos ficou em silêncio.

Depois fechou o registro.

A sensação voltou.

Mais forte agora.

Uma presença distante.

Como se algo estivesse chamando.

André olhou novamente para o salão destruído.

Depois caminhou até a porta lateral da torre.

O vento frio atingiu seu rosto assim que saiu para o lado de fora.

Atrás da torre, o terreno descia em direção a uma área cercada por árvores antigas.

Entre os troncos tortos era possível ver parte de uma grade de ferro.

O cemitério de Ravenmoor.

André permaneceu alguns segundos parado, observando.

A sensação sob sua pele ainda estava ali.

Fria.

Constante.

Ele apertou o registro antigo contra o corpo.

Depois começou a caminhar na direção do cemitério.

Ravenmoor — O Despertar do Necromante

Capítulo 2 — A Primeira Invocação

André atravessou o portão enferrujado do cemitério.
O ferro produziu um som baixo quando se moveu.

Ele caminhou lentamente entre as lápides.

O lugar parecia mais antigo do que o restante do vilarejo.

Algumas pedras estavam cobertas por musgo.

Outras tinham inscrições tão desgastadas que já não podiam ser lidas.

O vento passou entre as árvores secas.

André abriu o registro antigo novamente.

Passou os olhos pelas últimas páginas.

A lista de mortos da Casa Valenfyr continuava ali.

Guardas.
Servos.
Trabalhadores.

Quase todos com a mesma anotação.

Enterrado no cemitério traseiro.

Ele fechou o livro devagar.

A sensação fria que vinha sentindo desde a torre voltou.

Desta vez mais forte.

Como uma vibração leve sob a pele.

André caminhou alguns passos entre os túmulos.

Parou diante de uma lápide inclinada.

Musgo cobria boa parte da inscrição.

Ele se abaixou.

Passou a mão sobre a pedra.

A terra ao redor parecia levemente afundada.

André limpou o musgo com a manga da camisa.

Algumas letras apareceram.

A gravação estava quase apagada.

Mas ainda era possível reconhecer o formato de um nome.

Ele permaneceu observando por alguns segundos.

Depois colocou a mão sobre a terra da sepultura.

A reação veio imediatamente.

Uma corrente fria percorreu seu braço.

André puxou a mão para trás por reflexo.

Pequenos símbolos azulados apareceram brevemente sobre sua pele.

Linhas finas de energia.

Desapareceram em segundos.

Ele olhou para a própria mão.

— Então é isso…

A sensação ainda vibrava.

Como se algo sob a terra tivesse respondido.

André pegou um pedaço de madeira caído perto da cerca.

Começou a cavar.

A terra estava úmida.

Cedia com facilidade.

Camadas escuras de solo se afastavam a cada movimento.

Alguns minutos depois a madeira bateu contra algo sólido.

André limpou a terra com as mãos.

A tampa de um caixão apareceu.

Madeira antiga.

Quase completamente deteriorada.

Ele empurrou a tampa.

A madeira se partiu com facilidade.

Dentro havia apenas restos.

Um esqueleto parcialmente preservado.

André estendeu a mão sobre os ossos.

A energia voltou.

Mais intensa.

As marcas azuladas reapareceram sobre sua pele.

Fragmentos de mana começaram a surgir no ar.

Pequenas partículas azuis flutuando lentamente.

A energia escorreu de sua mão.

Entrou nos ossos.

Durante alguns segundos nada aconteceu.

Então o chão vibrou levemente.

Os ossos começaram a se mover.

Uma névoa escura surgiu ao redor do túmulo.

A estrutura óssea começou a desaparecer dentro da energia.

Uma nova forma começou a surgir.

Primeiro cabelos.

Loiros.

Curtos.

Depois pele clara.

Os olhos abriram devagar.

Azuis.

A jovem apareceu sentada sobre uma estrutura de ossos formada pela própria energia necromântica.

Como se fosse um grande crânio.

Ela apoiava o cotovelo sobre o joelho.

Observando André com curiosidade.

A ponta da língua apareceu levemente quando ela sorriu.

O casaco negro se moveu com o vento.

Ela inclinou a cabeça.

— Então…

A voz saiu suave.

Divertida.

— Foi você que me trouxe de volta?

Capítulo 3 — A Valquíria Sepulcral

Lyra continuava sentada sobre a estrutura de ossos que a sustentava.

Os olhos azuis observavam André com curiosidade.

Ele respondeu com simplicidade.

— Pelo visto.

Ela inclinou levemente a cabeça.

Como se analisasse algo invisível.

Depois olhou ao redor do cemitério.

— Interessante lugar para acordar.

Lyra apoiou as mãos nos joelhos e saltou da estrutura de ossos.

O grande crânio espiritual se dissolveu no ar em pequenas partículas azuis.

Ela caminhou alguns passos entre os túmulos.

Observando o lugar.

— Bastante gente morreu aqui.

André permaneceu parado.

Observando os movimentos dela.

Lyra parou diante de uma lápide quebrada.

Passou os dedos pela pedra.

— A energia da morte ainda está fresca.

Ela olhou por cima do ombro.

— Você fez isso sem saber como fazer, não foi?

André deu de ombros.

— Mais ou menos.

Lyra soltou um pequeno riso.

— Interessante.

Ela voltou a caminhar.

Parou diante de outro túmulo.

Inclinou o corpo levemente.

Então levantou o olhar.

— Aliás…

Ela apontou discretamente para o lado direito do cemitério.

— Não estamos sozinhos.

André franziu o cenho.

— O que você quer dizer?

Lyra sorriu.

A expressão travessa voltou.

— Aquilo.

Entre duas lápides inclinadas, algo se moveu.

Primeiro um som.

Terra sendo arrastada.

Depois uma mão esquelética surgiu da terra.

Não.

Não era um esqueleto.

A criatura saiu do solo com movimentos rápidos.

O corpo magro e deformado se ergueu completamente.

Olhos amarelos brilhavam.

O carniçal abriu a boca cheia de dentes irregulares.

O cheiro de carne apodrecida se espalhou no ar.

Lyra observou a criatura por alguns segundos.

Depois olhou para André.

— Quer que eu cuide disso?

André analisou o monstro.

O corpo era ágil.

As garras longas.

Provavelmente rápido.

Ele cruzou os braços.

— Pode tentar.

Lyra sorriu.

— Que educado.

O carniçal avançou.

Movimento rápido.

As garras rasgaram o ar.

Lyra desviou com facilidade.

O corpo dela girou suavemente para o lado.

A criatura passou direto.

Antes que pudesse se virar novamente, Lyra já estava atrás dela.

Uma lâmina de osso espiritual surgiu na mão da necromante.

Curta.

Afiada.

Ela atravessou a lâmina na nuca do monstro.

O carniçal caiu no chão com um som seco.

O corpo parou de se mover.

Lyra limpou a lâmina no ar.

A arma se dissolveu em partículas azuis.

Ela voltou caminhando calmamente.

Parou diante de André.

— Então…

A expressão provocadora voltou.

— Esse território parece bem divertido.

Ela olhou ao redor do cemitério novamente.

Depois voltou os olhos para ele.

— Mestre, você tem muito trabalho para fazer aqui.

Próximo capitulo

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março 6, 2026 | Abraham Costa

Reencarnei em Outro Mundo com uma Caneta que Reescreve a Realidade: Light Novel Capítulos 1 a 4

Capítulo 1 — O Despertar do Autor

A história começa.

O vento passava entre as árvores como um sussurro.

Auren corria pela trilha estreita tentando acompanhar os passos largos do pai.

— Pai… espera! — reclamou o garoto, respirando rápido.

Aldric não diminuiu o ritmo.

— Um cavaleiro precisa aprender a acompanhar o campo de batalha.

Auren fez uma careta, mas continuou correndo.

Era a primeira vez que o pai permitia que ele acompanhasse uma patrulha fora da cidade.

Para ele, aquilo já era uma aventura enorme.

A floresta parecia muito maior do que quando observava suas bordas das muralhas.

O garoto olhava tudo com curiosidade.

Então perguntou:

— As fendas realmente aparecem por aqui?

Aldric respondeu sem olhar para trás.

— Às vezes.

Ele parou de repente.

O silêncio da floresta tinha mudado.

A mão foi automaticamente até o cabo da espada.

— Fique atrás de mim.

Auren engoliu seco e obedeceu.

Um estalo ecoou entre as árvores.

Depois outro.

Algo grande se movia na mata.

O cheiro de mana distorcida atravessou o ar.

A criatura saltou para a trilha.

O impacto fez folhas e terra voarem.

O Lobo das Fendas ergueu a cabeça lentamente.

Os olhos vermelhos fixaram diretamente em Aldric.

O monstro rosnou.

A mana ao redor dele tremia como fumaça.

Auren nunca tinha visto algo assim antes.

Era enorme.

Muito maior que qualquer lobo normal.

Aldric puxou a espada.

— Não se mova.

O lobo avançou.

Rápido demais.

Aldric girou o corpo e bloqueou com a espada.

O choque entre aço e garras fez faíscas voarem.

O impacto empurrou o homem alguns passos para trás.

Auren caiu sentado no chão.

O coração batia tão forte que ele quase não conseguia respirar.

A luta continuava.

Golpes rápidos.

Rosnados.

Garras rasgando o chão.

Aldric lutava bem.

Mas a criatura era forte.

Muito forte.

O lobo saltou novamente.

Aldric desviou, mas escorregou nas folhas.

A mandíbula do monstro desceu.

Auren viu aquilo acontecer.

O tempo pareceu desacelerar.

Algo dentro da mente dele estalou.

Imagens apareceram.

Um quarto pequeno.

Uma mesa cheia de folhas.

Um computador.

O som do mar.

Remédios.

Dor.

Outra vida.

Outra realidade.

Auren levou a mão à cabeça.

A respiração ficou irregular.

— O que…

Mais memórias surgiram.

Histórias.

Personagens.

Mundos inteiros que ele havia imaginado.

Então um pensamento atravessou sua mente.

Claro.

Inconfundível.

“Eu… já vivi antes.”

Os olhos verdes se arregalaram.

Ele olhou para as próprias mãos pequenas.

Depois para o pai lutando.

Depois para o monstro.

Reencarnação.

A palavra apareceu em sua mente.

O lobo avançou novamente.

Aldric tentou se levantar, mas estava desequilibrado.

A criatura abriu a mandíbula.

Então algo estranho aconteceu.

Palavras começaram a surgir diante dos olhos de Auren.

Letras feitas de mana.

Flutuando no ar.

Ele piscou.

Mas elas continuavam ali.

Brilhando.

Tremendo.

Como se esperassem algo.

Auren sentiu algo novo em sua mão direita.

Algo leve.

Algo antigo.

Quando olhou, viu um objeto fino entre seus dedos.

Uma caneta de metal prateado, coberta por pequenas runas brilhantes.

Ele não sabia de onde tinha vindo.

Mas sabia instintivamente o que fazer.

A mão se moveu sozinha.

A ponta da caneta tocou o ar.

E uma palavra apareceu.

Feita de luz.

Auren não entendia ainda o que aquilo significava.

Mas uma certeza silenciosa surgiu dentro dele.

Se aquela era sua segunda vida…

…então ele não seria apenas um personagem.

Ele escreveria a própria história.


Capítulo 2 — A Primeira Personagem

A ponta da caneta tocou o ar.

Uma linha de luz surgiu.

Auren mal respirava.

As palavras feitas de mana tremiam diante de seus olhos como se fossem vivas.

A mão dele se moveu novamente.

Lenta.

Instintiva.

A ponta da caneta desenhou novas letras no ar.

Auren não entendia completamente o que estava acontecendo.

Mas uma parte dele sabia.

Era a mesma sensação de quando criava personagens em sua antiga vida.

A mesma sensação de quando imaginava histórias inteiras.

Do outro lado da trilha, o Lobo das Fendas avançou novamente.

Aldric girou o corpo e bloqueou o ataque com a espada.

O impacto fez o aço vibrar.

A criatura era forte demais.

Se a luta continuasse daquele jeito, Aldric não conseguiria segurar por muito tempo.

Auren apertou a caneta com mais força.

A luz das letras ficou mais intensa.

Ele escreveu mais uma palavra.

Depois outra.

O ar diante dele começou a distorcer.

A mana da floresta reagiu.

Como se algo estivesse sendo puxado para aquele ponto.

Auren não percebeu.

Ele apenas continuou escrevendo.

Palavras simples.

Instintivas.

Palavras que formavam um conceito.

Do outro lado da trilha, o Lobo das Fendas saltou novamente.

A mandíbula abriu.

Aldric levantou a espada para bloquear.

Mas a criatura mudou o movimento no meio do salto.

As garras vieram direto para o peito do homem.

Antes que o golpe chegasse…

A mana explodiu.

Uma onda de luz azul surgiu entre Auren e o monstro.

O impacto empurrou folhas e poeira pelo chão.

O Lobo das Fendas foi arremessado alguns metros para trás.

Aldric caiu de joelhos, respirando pesado.

Ele levantou o olhar.

Confuso.

Auren também estava olhando.

No espaço entre eles, algo estava acontecendo.

A luz começou a se condensar.

Primeiro como uma névoa.

Depois como uma silhueta.

Uma forma humana.

A silhueta ganhou contornos.

Braços.

Cabelos.

Roupas.

A mana ao redor continuava se juntando.

Aldric se levantou lentamente.

A espada ainda na mão.

Os olhos dourados fixos naquilo que estava se formando.

A luz diminuiu.

A silhueta finalmente ganhou forma completa.

Uma jovem estava ali.

Respirando pela primeira vez.

Os olhos dela se abriram devagar.

Por um instante, ela observou a floresta ao redor.

Depois olhou para Auren.

Havia curiosidade no olhar dela.

Como alguém que havia acabado de despertar.

A voz dela saiu calma.

Suave.

— Autor… você me chamou.

Auren ficou imóvel.

A caneta ainda estava em sua mão.

A mente girava.

Memórias da vida passada.

A luta que havia acabado de acontecer.

A criatura ainda viva alguns metros à frente.

Tudo parecia surreal.

O Lobo das Fendas rosnou novamente.

A criatura se levantou.

Os olhos vermelhos agora fixos na nova presença.

A jovem levantou uma das mãos.

Pequenos fragmentos de mana começaram a girar ao redor de seus dedos.

Ela observou o monstro por um instante.

Como alguém analisando algo simples.

Então falou calmamente.

— Entendi.

A mão dela se moveu.

Um círculo de mana surgiu diante da palma.

A energia se condensou.

Um projétil de luz azul disparou.

O impacto atingiu o peito da criatura.

O Lobo das Fendas foi arremessado contra uma árvore.

O tronco rachou com a força do impacto.

A criatura caiu no chão.

O corpo tremendo.

Depois ficou imóvel.

O silêncio voltou à floresta.

A mana no ar lentamente começou a se estabilizar.

A jovem baixou a mão.

Depois olhou novamente para Auren.

Ela inclinou levemente a cabeça.

— Autor… qual é o próximo comando?

Auren piscou algumas vezes.

Ainda tentando entender tudo o que havia acabado de acontecer.

Mas uma coisa já estava clara.

Aquela caneta.

Aquelas palavras.

Aquela criação.

Nada daquilo era comum.

E aquela nova vida…

…acabava de se tornar muito mais estranha do que ele imaginava.

Capítulo 3 — Ecos de uma Narrativa Instável

A floresta parecia diferente depois da batalha.

Mais quieta.
Mais pesada.

Auren ainda estava parado, segurando a caneta com força, tentando entender tudo que tinha acabado de acontecer.

O corpo do Lobo das Fendas permanecia imóvel no chão.

Aldric foi o primeiro a se mover.

Ele guardou a espada lentamente, ainda observando a jovem que havia surgido do nada no meio da floresta.

Os olhos dourados dele analisavam cada detalhe.

A mana ao redor dela.
A postura.
A calma.

Nada daquilo parecia invocação comum.

— Auren… — disse ele com voz baixa.

O garoto virou a cabeça.

Ainda parecia meio perdido.

Aldric caminhou até ele.

O olhar então caiu sobre a caneta na mão do filho.

Depois voltou para a jovem.

— Você fez isso?

Auren demorou alguns segundos para responder.

Ele ainda estava organizando as próprias memórias.

Duas vidas.
Dois mundos.
Uma caneta que parecia responder aos pensamentos dele.

— Eu… acho que sim.

A jovem de cabelos prateados observava os dois em silêncio.

Depois voltou a olhar para Auren.

— Autor.

A palavra saiu naturalmente.

Como se fosse a forma mais correta de chamá-lo.

— Minha existência responde à sua narrativa.

Aldric franziu a testa.

— Narrativa?

Auren também não entendia completamente.

Mas algo dentro dele reconhecia aquela sensação.

Era familiar.

Era a mesma sensação de quando ele criava personagens na vida passada.

Só que agora…

…eles existiam.

O garoto olhou novamente para a caneta.

As runas prateadas gravadas nela brilhavam suavemente.

Como se estivessem vivas.

— Pai… — disse Auren devagar.

— Eu acho que…

Ele hesitou um momento.

— Eu criei ela.

Aldric ficou em silêncio.

O guerreiro já tinha visto muitas coisas na vida.

Monstros.
Magia.
Fendas surgindo do nada.

Mas aquilo era diferente.

Muito diferente.

A jovem levantou a mão lentamente.

Um pequeno círculo de mana apareceu sobre a palma.

Energia pura.

Estável.

Refinada.

Ela observou a própria magia por um instante.

Depois olhou novamente para Auren.

— Meu núcleo mágico ainda está se estabilizando.

Ela parecia falar como alguém que já entendia a própria natureza.

— Mas posso lutar quando necessário.

Aldric respirou fundo.

O olhar dele voltou para o corpo do Lobo das Fendas.

— Essa criatura não deveria estar aqui.

Auren levantou o olhar.

— O que quer dizer?

Aldric caminhou até o monstro.

Agachou-se ao lado do corpo.

A mão tocou a pelagem negra da criatura.

A mana ainda pulsava fraca dentro dela.

— Lobos das Fendas normalmente aparecem apenas quando uma fenda narrativa se abre nas proximidades.

Ele se levantou devagar.

O olhar percorreu a floresta ao redor.

— Mas eu não senti nenhuma fenda surgir hoje.

O vento passou novamente entre as árvores.

A floresta parecia tranquila.

Mas Aldric continuava alerta.

— Algo mudou.

Auren ficou em silêncio.

Mesmo sem entender completamente o mundo novo em que vivia…

Ele sentia a mesma coisa.

Algo maior estava acontecendo.

A jovem criada por ele também parecia perceber.

Ela fechou os olhos por um instante.

Sentindo a mana ao redor.

Quando abriu novamente, falou calmamente:

— A energia deste mundo é… incomum.

Auren inclinou levemente a cabeça.

— Incomum como?

Ela pensou por um momento.

— Instável.

Aldric olhou para o horizonte da floresta.

— Nos últimos anos, as fendas têm aparecido com mais frequência.

Ele falou mais para si mesmo do que para os outros.

— Algumas delas liberam monstros pequenos.

Outras…

Ele não terminou a frase.

Mas Auren percebeu que o pai estava pensando em algo muito pior.

Criaturas capazes de destruir cidades.

Talvez até reinos inteiros.

O garoto apertou levemente a caneta em sua mão.

Se aquele mundo realmente estava cheio de monstros desse nível…

Então o poder que ele tinha acabado de despertar seria muito mais importante do que imaginava.

A jovem de cabelos prateados observava tudo em silêncio.

Depois falou novamente.

— Autor.

Auren levantou o olhar.

— Sim?

Ela respondeu com naturalidade:

— Este mundo possui muitas histórias perigosas.

Ela olhou para a floresta distante.

— Talvez você precise escrever muitas outras antes que sua narrativa esteja completa.

O vento atravessou novamente as árvores.

E pela primeira vez desde que recuperou suas memórias…

Auren começou a entender algo importante.

Ele não estava apenas vivendo uma nova vida.

Ele tinha entrado em um mundo onde histórias podiam se tornar realidade.

E agora…

Ele era aquele que podia escrevê-las.


Capítulo 4 — A Habilidade que Escreve Existência

A mana no ar diminuía lentamente.

Auren ainda observava a jovem que havia surgido diante dele.

Agora, com a luz da energia mágica diminuindo, ele conseguia vê-la com mais clareza.

Os longos cabelos rosa claro desciam até a cintura.

A armadura roxo escura refletia pequenos brilhos de mana.

A pequena esfera de energia girava suavemente na mão dela.

Era impossível negar.

Ela realmente existia.

Aldric também estava olhando.

O cavaleiro passou anos enfrentando monstros e fenômenos estranhos que surgiam das fendas.

Mas aquilo…

…não se parecia com nenhuma magia que ele conhecia.

— Auren — disse ele devagar.

O garoto virou a cabeça.

— Sim, pai?

Aldric apontou discretamente para a jovem.

— Você entende o que acabou de fazer?

Auren pensou por alguns segundos.

Memórias da vida passada ainda ecoavam na mente dele.

Histórias.
Personagens.
Mundos imaginados.

Ele olhou para a caneta prateada em sua mão.

Depois respondeu honestamente.

— Não completamente.

A jovem observava os dois em silêncio.

Então ela deu um pequeno passo à frente.

A esfera de mana na mão dela desapareceu como poeira de luz.

— Minha existência responde à vontade do Autor.

Aldric cruzou os braços.

— Autor…

A palavra parecia estranha.

Ele voltou o olhar para o filho.

— Auren, todos neste mundo nascem com uma habilidade.

O garoto piscou.

— Habilidade?

Aldric assentiu.

— Algumas são simples. Outras são poderosas.

Ele apontou para o corpo do Lobo das Fendas.

— A minha é reforço de combate. Ela fortalece meu corpo e minha espada.

Auren olhou novamente para a criatura derrotada.

Aquela coisa enorme quase tinha matado o pai.

Então perguntou:

— E a minha?

Aldric olhou para a jovem novamente.

Depois para a caneta.

Ele soltou um pequeno suspiro.

— Eu nunca vi algo assim antes.

A jovem de cabelos rosa inclinou levemente a cabeça.

— Autor possui habilidade única.

Ela falou aquilo como se fosse óbvio.

Auren levantou uma sobrancelha.

— Única?

— Sim.

Ela olhou para a caneta.

— O Autor escreve existência.

O vento passou entre as árvores novamente.

Aldric permaneceu em silêncio por alguns segundos.

Finalmente falou:

— Se isso for verdade…

Ele olhou diretamente para Auren.

— Então seu poder é algo que pode mudar este mundo.

O garoto não respondeu.

Ele ainda estava absorvendo tudo.

Nova vida.

Novo mundo.

Um poder que permitia criar pessoas.

Parecia impossível.

A jovem virou o olhar para a floresta distante.

Seus olhos azul-claros brilharam levemente.

— Autor.

— Sim?

Ela apontou para o horizonte.

— Algo está se movendo.

Aldric virou a cabeça imediatamente.

O cavaleiro também sentiu.

Uma vibração de mana distante.

Muito distante.

Mas enorme.

O suficiente para fazer o ar da floresta tremer.

Mesmo a quilômetros de distância.

Auren também sentiu.

Uma pressão estranha no peito.

Como se algo gigantesco tivesse despertado em algum lugar.

Aldric franziu o cenho.

— Isso não é uma fenda pequena.

Ele falou quase em um sussurro.

A jovem respondeu calmamente.

— Correto.

Os olhos dela continuavam fixos no horizonte.

— Energia dessa magnitude costuma indicar presença de criatura de nível calamidade.

Auren arregalou os olhos.

— Calamidade?

Aldric respondeu:

— Monstros capazes de destruir cidades.

O vento soprou novamente.

A floresta ficou silenciosa.

Por um momento, Auren percebeu algo importante.

Aquele mundo era muito maior.

Muito mais perigoso.

E agora ele possuía um poder que podia criar aliados…

…em um mundo cheio de monstros capazes de apagar reinos inteiros.

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