O que deve acontecer no próximo arco de Re:Zero
Subaru passou quatro temporadas apanhando dentro de Lugunica. Agora a história se prepara para tirá-lo de lá. Com o episódio 19 da temporada 4 já exibido, a dúvida que domina os comentários é direta: o que vem depois da Torre de Pleiades? Nos romances leves, a resposta tem número e endereço: Arco 7, A Terra dos Lobos, ambientado no Império de Vollachia.
Este artigo separa o que é fato do que é palpite. Você vai ver o que a produção disse, o que o livro conta sobre o arco, quanto material existe e onde a adaptação pode tropeçar.
Aviso: o texto menciona o ponto de partida do Arco 7. Não revelo as viradas centrais, mas quem quer chegar zerado deve parar por aqui.
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Onde a temporada 4 deixa a história
A quarta temporada adaptou o Arco 6, que cobre os volumes 21 a 25 dos romances, em dois blocos: onze episódios entre abril e junho de 2026 e oito a partir de 12 de agosto. O episódio 19, que fecha o segundo bloco, foi marcado para 30 de setembro de 2026.
O Arco 6 encerra um ciclo. Desde Priestella, Subaru corre atrás de duas dívidas: acordar Rem e devolver o nome de Julius, devorado pela Gula. Terminada a Torre, essas pendências deixam de organizar a trama, e o romance abre espaço para outra coisa: política entre países, não mais briga dentro do reino.
A temporada 5 está confirmada?
Não. Em 23 de setembro, o site oficial, a enciclopédia do Anime News Network e o AniList não listavam sequência, e os posts que gritavam “confirmado” não levavam a nenhuma fonte oficial.
O que existe é uma fala do produtor Sho Tanaka, de 15 de junho: a equipe fará o possível para entregar o Arco 7 e o que vier depois. É frase de quem tem vontade, não de quem assinou contrato. A série também anunciou dez projetos para os dez anos do anime, e não se sabe se uma nova temporada está entre eles.
Minha leitura: o sinal é bom, a data é incerta. O histórico ajuda pouco. A temporada 2 terminou em março de 2021 e a 3 estreou em outubro de 2024, três anos e meio depois. A 3 terminou em março de 2025 e a 4 estreou em abril de 2026, pouco mais de um ano depois. Quem aposta em estreia ainda em 2027 aposta no segundo ritmo, não no primeiro.
O que o Arco 7 conta
O arco é o primeiro que se passa fora de Lugunica. Subaru e os companheiros caem na selva de Buddheim, no sul do Império de Vollachia, e ali encontram o imperador deposto, Vincent Abellux, que se apresenta como Abel e monta uma campanha para recuperar o trono. Priscilla Barielle e seu grupo chegam para ajudar, e a situação deixa de ser simples.
O autor, Tappei Nagatsuki, já afirmou que o Arco 7 marca mais ou menos o meio da série e que deve conter o capítulo favorito dele. A declaração é antiga, então vale como indício de peso narrativo, não como garantia de qualidade.
O que deve mudar na narrativa
Três coisas são previsíveis, e nenhuma depende de spoiler.
Subaru perde o terreno conhecido. Em Lugunica ele tinha casa, aliados e informação. Em Vollachia, nada disso vale. O Retorno pela Morte continua funcionando, mas voltar no tempo ajuda menos quando você nem sabe quem manda em quem.
O conflito sobe de escala. Disputa de trono envolve exércitos, alianças e traição. Parte da história passa a ser contada em mesas de guerra, não em becos. Quem gostou da engenharia política de Priestella deve se sentir em casa.
Dois nomes ganham peso. Abel e Priscilla têm temperamento parecido: mandam e esperam obediência. Colocar os dois e Subaru na mesma cena gera atrito, e é daí que costuma sair o melhor diálogo da série. Isso é opinião minha, tirada do elenco, não informação sobre o arco.

Quanto material existe
Segundo a Dexerto francesa, o Arco 7 corresponde aos volumes 26 a 33 dos romances. São oito volumes, três a mais que os arcos 5 e 6. O Arco 8, “Vincent Vollachia”, vem logo depois. Os dois são muito ligados e formam um dos trechos mais longos da história.
Uma conta simples ajuda a dimensionar. O Arco 5 rendeu 16 episódios para cinco volumes, cerca de 3,2 por volume. O Arco 6 rendeu 19, perto de 3,8. Aplicando essa taxa a oito volumes, o Arco 7 pede algo entre 26 e 30 episódios. É estimativa minha, mas indica que a adaptação provavelmente se dividirá em mais de uma temporada.
Onde a adaptação pode tropeçar
O Arco 6 era um desafio de linguagem: memória, monólogo, espaço abstrato. O Arco 7 testa outra habilidade, o ritmo. Há muito diálogo estratégico, muitos personagens novos e uma geografia política que o espectador precisa decorar. Se a série correr, vira lista de nomes. Se demorar, perde a tensão.
O ponto mais delicado é a divisão em temporadas. Cortar no meio de uma negociação frustra mais do que um intervalo de um ano. O público vai esperar cortes em pausas naturais da trama, e só o roteiro final vai dizer se isso acontece.
Quando assistir
Sem anúncio, não existe data. Se a confirmação sair nos próximos meses, uma estreia em outubro de 2027 caberia no ritmo mais recente do estúdio, mas é palpite. Quem não quer esperar pode continuar a leitura a partir do volume 26.
Enquanto a data não vem, vale rever dois pontos. Primeiro, o final da temporada 4, já que o Arco 7 começa depois da Torre. Segundo, as cenas de Priscilla nas primeiras temporadas, quando ela aparece como candidata à seleção real. O arco novo recompensa quem lembra do jeito dela.
Perguntas frequentes
A temporada 5 de Re:Zero foi anunciada?
Não até 23 de setembro de 2026. Há declaração de intenção do produtor, mas nenhum anúncio formal.
Qual arco vem depois do Arco 6?
O Arco 7, A Terra dos Lobos, nos volumes 26 a 33, passado no Império de Vollachia.
Preciso ler o Arco 6 antes de começar o 7?
Sim, ou assistir à temporada 4. O Arco 7 começa depois dos eventos da Torre, e vários desdobramentos dependem do que Subaru viveu lá.
O Arco 8 também vai virar anime?
Não há confirmação. Ele segue o Arco 7 e se liga a ele, então os dois podem ser adaptados em sequência.
O que levar daqui
O próximo arco de Re:Zero tira Subaru de Lugunica, troca briga de reino por guerra de trono e traz um volume de material maior que o das temporadas anteriores. O que falta é o anúncio. Até lá, a melhor aposta é acompanhar o canal oficial da série e os projetos do aniversário de dez anos.
Já leu o Arco 7? Conte nos comentários, sem spoiler, qual personagem você mais quer ver animado.
Autor de Chainsaw Man está trabalhando em um novo mangá
Autor de Chainsaw Man está trabalhando em um novo mangá. Tatsuki Fujimoto terminou Chainsaw Man em 25 de março de 2026 e, seis meses depois, já tem outra história na mesa. Em entrevista conjunta com o diretor da versão live-action de Look Back, o mangaká contou que trabalha num conceito que enxerga a morte de forma positiva. Não há título, formato nem data. Mas para quem acompanha o autor desde Fire Punch, o tema diz bastante.
Este texto separa o que Fujimoto disse do que os sites de anime estão especulando, e mostra por que o histórico dele ajuda a estimar o que vem por aí.
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O que Fujimoto disse na entrevista
A fala veio quando perguntaram como ele constrói suas histórias. Fujimoto explicou que parte de um conceito básico e depois expande o que a ideia pede: mundo, personagens e os próprios pensamentos e desejos dele sobre o assunto. Segundo o relato, ele gera muitos one-shots assim e descarta boa parte por conta própria. O critério de corte é simples: mostra o enredo a alguém e, se a pessoa achar interessante, ele desenha.
Foi nesse ponto que apareceu o projeto atual, uma história que encara a morte de forma positiva. É tudo o que se sabe. O autor não disse se será one-shot ou série, onde sairá ou quando.
Por que o tema não surpreende
A morte atravessa a obra de Fujimoto de ponta a ponta. Fire Punch, sua primeira série, teve 83 capítulos e já colocava a morte no centro do enredo. Goodbye, Eri, one-shot de cerca de 200 páginas lançado em 11 de abril de 2022, trata de luto e alcançou 2,2 milhões de visualizações no Jump+ em um dia. Em Chainsaw Man, os diabos nascem do medo, e o medo mais antigo é o de morrer. Até Look Back, adaptado para o cinema em 2026 por Hirokazu Kore-eda, passa por uma perda.
Por isso, um projeto sobre o lado bom da morte não muda de assunto. Ele muda o ângulo de um tema que o autor já revirou várias vezes.
O fim de Chainsaw Man e o que ficou pendente
Chainsaw Man estreou na Weekly Shonen Jump em dezembro de 2018. A Parte 1 terminou em dezembro de 2020, com 97 capítulos, e a Parte 2 voltou em julho de 2022 no Shonen Jump+. O último capítulo, o 232, saiu em 25 de março de 2026 com o título “Thank You, Chainsaw Man”, e o volume final, o 24, foi anunciado para 4 de junho de 2026. A série soma mais de 35 milhões de exemplares em circulação, segundo levantamento do Outlook Respawn, e levou o prêmio Harvey de melhor mangá de 2021 a 2023.
O aviso do fim veio com pouca antecedência: a nota que anunciava o capítulo final apareceu no 231, em 10 de março, cerca de duas semanas antes. Parte dos fãs considera o desfecho apressado. Isso importa para o novo projeto, porque os leitores chegam a ele com expectativa alta e alguma cicatriz.
Ele já fez isso antes: a pausa entre as partes
Fujimoto já passou por algo parecido. Depois da Parte 1, ficou cerca de 18 meses sem serializar Chainsaw Man. Nesse intervalo, publicou dois one-shots: Look Back, lançado em 19 de julho de 2021 no Shonen Jump+, e Goodbye, Eri, em abril de 2022. Os dois tiveram ampla repercussão, e Look Back ganhou filme animado e agora versão em live-action.
Se a história se repetir, um one-shot longo faria mais sentido do que uma nova série semanal. O ComicBook.com trabalha justamente com essa hipótese. É palpite, e o próprio site admite que não há informação sobre o formato.
Outras ideias que Fujimoto já mencionou
Não é a primeira vez que o autor fala de planos. Numa entrevista divulgada em 2025, ele disse trabalhar num mangá sem nome centrado numa femme fatale, uma mulher que destrói tudo pelo caminho, e admitiu que ainda havia muito a fazer antes da publicação. Em janeiro de 2026, uma conta de notícias de anime na rede X resgatou outra entrevista antiga em que ele descreve uma comédia romântica sombria, com várias heroínas e só uma delas terminando com o amor. As demais voltariam como espíritos para assombrá-la. A origem exata dessa entrevista não ficou clara.
Nenhuma dessas ideias foi confirmada como o projeto atual. Servem como contexto: Fujimoto pensa em histórias há tempo, e o eixo entre romance e horror aparece nos dois relatos.
O que vem no audiovisual enquanto o mangá não chega
Mesmo sem mangá novo à vista, o nome de Fujimoto segue nas telas. A segunda temporada do anime de Chainsaw Man, com o arco dos Assassinos, está em produção no estúdio MAPPA e retoma a história depois do filme Reze Arc, lançado em 2025. A coletânea de one-shots do autor virou a série Tatsuki Fujimoto 17-26, com oito episódios, no Amazon Prime Video em novembro de 2025. E Look Back ganhou live-action dirigido por Hirokazu Kore-eda, diretor de Assunto de Família, em 2026.

Por que essa notícia pesa para quem lê mangá
Fujimoto publica com intervalos longos e cada obra dele vira assunto. Fire Punch, Chainsaw Man, Look Back e Goodbye, Eri têm em comum uma narrativa pouco previsível, com viradas que mudam o tom da história no meio do caminho. Por isso, qualquer sinal de projeto novo, mesmo sem título, chama a atenção de leitores.
Chainsaw Man terminou, mas o anime ainda tem a segunda temporada pela frente, e o interesse por material inédito do autor continua alto. Um projeto curto entregaria história nova sem exigir anos de serialização, o que combina com o ritmo que Fujimoto adotou depois da Parte 1.
O que ainda é incerto
Até esta data, não existe anúncio oficial da Shueisha, do Shonen Jump+ ou do próprio Fujimoto com título, plataforma ou data. Tudo o que sustenta a notícia é uma fala numa entrevista, e a leitura de que ela indica um mangá novo é interpretação dos sites que a repercutiram. Também não se sabe se o conceito da morte positiva é o mesmo projeto da femme fatale mencionada em 2025, nem se algum deles chegará a ser desenhado: Fujimoto descarta muita coisa antes de publicar, e ele mesmo admite isso.
Para quem quer acompanhar sem cair em boato, vale seguir as contas oficiais do Shonen Jump+ e do Manga Plus, que concentram os avisos de novas séries.
Linha do tempo de Fujimoto
- Dezembro de 2018: Chainsaw Man estreia na Weekly Shonen Jump.
- Dezembro de 2020: termina a Parte 1, com 97 capítulos.
- 19 de julho de 2021: Look Back sai no Shonen Jump+.
- 11 de abril de 2022: Goodbye, Eri chega ao Jump+.
- Julho de 2022: a Parte 2 começa no Shonen Jump+.
- Novembro de 2025: estreia Tatsuki Fujimoto 17-26 na Prime Video.
- 2 de dezembro de 2025: anunciado o live-action de Look Back.
- 25 de março de 2026: sai o capítulo final, o 232.
- 4 de junho de 2026: data do volume final, o 24.
- Setembro de 2026: entrevista sobre o novo conceito ganha repercussão.
Imagem do topo: Maringeek
Reencarnei com o ChatGPT em Outro Mundo Light Novel cap 1
Às seis e quarenta e sete da manhã, Renan já havia chegado à conclusão de que nenhuma pessoa que realmente gostasse da humanidade teria inventado trabalho antes das oito.
O mercado tinha aberto havia poucos dias, e isso significava que tudo ainda possuía aquele ar artificialmente perfeito de lugar novo.
As placas brilhavam.
Os carrinhos não faziam barulho.
O piso parecia limpo demais.
Até as prateleiras ainda carregavam cheiro de plástico e tinta.
Renan carregava uma caixa de leite.
Aquilo, por outro lado, não tinha absolutamente nada de extraordinário.
— Vai cair.
Renan olhou para a pilha que havia acabado de montar.
Depois para Carlos.
— Não vai.
— Está torto.
— Perspectiva.
— Renan.
— Confia no profissional.
Uma caixa escorregou.
Renan conseguiu agarrá-la antes de cair.
Carlos cruzou os braços.
— Profissional.
— Exatamente.
— Tu está aqui há quatro dias.
— Experiência intensa.
Carlos soltou uma risada e continuou empurrando o carrinho de mercadorias pelo corredor.
Renan colocou a caixa no lugar.
Não odiava o emprego.
Também não tinha acordado naquela manhã tomado por gratidão pela oportunidade de organizar produtos numa prateleira.
Era um trabalho.
Pagava alguma coisa.
Não exigia diploma.
E, naquele momento da vida, isso já bastava.
Com vinte anos, Renan tinha uma capacidade impressionante de fazer planos que nunca chegavam muito longe.
Já tinha pensado em faculdade.
Em concurso.
Em trabalhar pela internet.
Em começar algum negócio.
Em ficar rico com alguma ideia que ainda não havia tido.
Também tinha um plano muito mais consistente.
Arrumar uma mulher bonita.
Talvez mais de uma, se o universo algum dia resolvesse recompensar sua ambição.
Até agora, o universo não demonstrara qualquer interesse.
Renan terminou o corredor, olhou para os lados e tirou o celular do bolso.
Tinha alguns minutos antes de alguém perceber.
Abriu o ChatGPT.
A conversa da noite anterior ainda estava ali.
Renan havia começado perguntando sobre mundos de fantasia.
Depois magia.
Depois poderes.
Naturalmente, em algum momento aquilo havia descambado.
Ele digitou:
“Se eu fosse parar em um isekai e pudesse escolher uma habilidade, qual seria mais apelona sem ser impossível de usar?”
A resposta começou a aparecer.
Renan leu.
Regeneração.
Manipulação espacial.
Controle temporal limitado.
Adaptação.
Alguma habilidade capaz de aprender ou modificar sistemas mágicos.
Ele franziu a testa.
— Editar magia seria roubado.
Digitou novamente.
“Tipo poder editar, criar ou apagar coisas. Isso seria quebrado demais?”
A resposta explicou que dependeria das limitações.
Alcance.
Conhecimento necessário.
Custo.
Complexidade.
Renan assentiu como se estivesse discutindo algo extremamente importante.
— Faz sentido.
Passos se aproximaram.
Ele guardou o celular.
A supervisora apareceu no corredor.
Olhou para ele.
Depois para as prateleiras.
— Terminou?
— Praticamente.
Ela apontou para uma caixa fechada no chão.
— E aquilo?
Renan acompanhou o dedo.
— Aquilo faz parte do “praticamente”.
Ela respirou fundo.
— Termina.
— Pode deixar.
Assim que ela virou a esquina, Renan pegou o celular novamente.
— Agora vamos às questões realmente importantes.
Digitou:
“Qual seria a melhor raça se eu quisesse viver muito, ficar forte e montar um harém?”
Demorou alguns segundos.
A resposta começou explicando que, num cenário fictício, diferentes raças poderiam oferecer vantagens, mas relacionamentos deveriam envolver interesse mútuo, respeito e consentimento.
Renan ficou encarando a tela.
— Mano…
Continuou lendo.
— Eu perguntei raça.
Digitou outra.
“Tá. E se no mundo tivesse elfa, demônia, vampira, garota fera e dragão, qual seria melhor namorada?”
Novamente, a resposta se recusou a tratar aquilo como uma escolha objetiva e começou a falar sobre personalidade, compatibilidade e dinâmica entre personagens.
Renan passou a mão pelo rosto.
— Nem em fantasia você facilita.
Uma senhora apareceu no corredor.
Renan guardou o celular.
— Moço, onde fica o açúcar?
Ele olhou para a placa enorme sobre a cabeça dela.
Depois para a mulher.
Apontou discretamente.
— Logo ali.
— Ah.
Ela saiu.
Renan encarou o teto por um instante.
— Grande começo de carreira.
Pouco depois das dez, o movimento havia aumentado.
Renan passou por caixas, estoque e reposição.
Em determinado momento, viu uma cliente caminhando pelo corredor de bebidas.
Cabelos pretos.
Compridos.
Quase até a cintura.
Renan acompanhou por alguns segundos.
Carlos surgiu ao lado dele.
— Está olhando o quê?
— Nada.
— Sei.
Renan virou.
— Cabelo bonito.
— Cabelo.
— É.
Carlos olhou na direção da garota.
Depois para Renan.
— Tu é estranho.
— Cabelo comprido é bonito.
— Tu fala isso como se fosse religião.
— Cada homem precisa acreditar em alguma coisa.
Carlos riu.
— E quando tem peito grande também vira milagre?
Renan colocou a mão no peito.
— Aí são sinais de que os deuses ainda não abandonaram a humanidade.
— Tu vai morrer sozinho.
— Inveja é feio.
— Estou trabalhando.
— Eu também.
— Tu está olhando cliente.
— Análise de mercado.
Carlos foi embora balançando a cabeça.

Renan sorriu.
Gostava de provocar.
Grande parte das coisas que falava era exagerada justamente porque achava engraçado observar a reação das pessoas.
Mas algumas coisas eram verdade.
Gostava de mulheres.
Muito.
Cabelos compridos chamavam sua atenção imediatamente.
Cabelos incomuns então…
Brancos.
Vermelhos.
Azuis.
Se algum dia encontrasse uma mulher bonita, de cabelo vermelho até a cintura e um corpo absurdo, provavelmente esqueceria o próprio nome por alguns segundos.
Talvez fosse melhor que aquilo continuasse existindo apenas nos animes.
Seu nível de dignidade já era baixo o suficiente.
No intervalo, Renan sentou do lado de fora do mercado.
Abriu uma garrafa de refrigerante e voltou à conversa.
“Beleza, outra pergunta.”
Pensou por alguns segundos.
Sorriu.
Digitou:
“Se magia existisse de verdade, daria para criar uma magia que fizesse qualquer mulher querer dormir comigo?”
A resposta não demorou.
O ChatGPT explicou que não ajudaria a criar mecanismos de coerção ou manipulação sexual e sugeriu, se ele estivesse escrevendo ficção, trabalhar com atração consensual, charme, vínculos ou situações românticas.
Renan fechou os olhos.
— Eu sabia.
Digitou:
“Tu censura até magia fictícia.”
A resposta começou a explicar a diferença entre escrever ficção e ensinar formas de manipulação.
Renan nem terminou de ler.
— Tá bom, advogado.
Digitou outra coisa.
“Então cria uma magia que aumente meu charme sem tirar a escolha da pessoa.”
Dessa vez a resposta veio.
Presença.
Confiança.
Feromônios fictícios que apenas aumentariam percepção.
Aura.
Melhora da aparência.
Nada de controlar vontade.
Renan leu com interesse.
— Agora estamos conversando.
Ele ficou alguns minutos brincando com a ideia.
Depois perguntou:
“E se eu tivesse regeneração de fênix junto?”
A resposta explicou possibilidades, custos e formas de evitar que uma regeneração absoluta acabasse com toda tensão narrativa.
Renan digitou:
“Você transforma tudo em regra.”
A resposta veio quase imediatamente.
“Regras tornam poderes interessantes.”
Renan ficou olhando.
— Justo.
Guardou o celular.
O intervalo estava acabando.
Talvez continuasse aquilo quando chegasse em casa.
Quase onze e meia.
Uma entrega havia chegado.
Renan ajudou a levar algumas caixas.
Depois saiu pela entrada lateral para respirar.
A avenida estava cheia.
O barulho de São Paulo parecia permanente.
Moto passando entre carros.
Ônibus freando.
Motoristas buzinando.
Gente atravessando fora da faixa.
Vendedores.
Conversas.
Um avião distante.
Renan encostou perto da parede.
Pegou o celular outra vez.
A conversa ainda estava aberta.
Ele pensou em fazer mais uma pergunta idiota antes de voltar.
Digitou:
“Última: se eu reencarnasse num mundo de fantasia, seria melhor nascer humano ou demônio?”
A resposta começou.
Renan leu a primeira linha.
Um som atravessou a avenida.
Uma buzina longa.
Forte demais.
Renan levantou os olhos.
Um caminhão vinha descendo a via.
Rápido.
Errado.
Havia algo errado.
O veículo balançou.
Uma moto desviou por pouco.
Gritos surgiram.
Pessoas começaram a correr.
Então Renan viu uma jovem.
Ela estava perto da faixa.
Cabelos compridos.
Fones nos ouvidos.
Parecia ter acabado de perceber o caminhão.
Virou o rosto.
E parou.
Renan não pensou.
Nem teve tempo.
O celular caiu da mão.
Ele correu.
O caminhão estava perto demais.
A garota tentou se mover.
Não conseguiu.
Renan alcançou ela.
Empurrou com toda força.
A jovem caiu para trás.
O impacto veio um instante depois.
Não pareceu um caminhão.
Pareceu que o mundo inteiro tinha batido nele.
Seu corpo saiu do chão.
Por uma fração de segundo, Renan viu o céu.
Depois o asfalto.
O som desapareceu.
Voltou.
Desapareceu novamente.
Alguma coisa quente escorreu perto da boca.
Ele tentou respirar.
O peito não obedeceu direito.
Pessoas gritavam.
Alguém chamou uma ambulância.
Renan tentou mexer a mão.
Nada.
Sua visão encontrou o celular caído alguns metros adiante.
A tela estava quebrada.
Ainda ligada.
A conversa continuava aberta.
A resposta para sua última pergunta havia terminado de carregar.
Ele não conseguia ler tudo.
Apenas algumas palavras.
“…dependeria de como demônios fossem tratados nesse mundo…”
Renan quis rir.
Não conseguiu.
— Que… ironia…
Talvez ninguém tenha ouvido.
A garota apareceu.
Estava de joelhos perto dele.
Tinha machucado os braços na queda.
Chorava.
Falava rápido.
Renan quase não escutava.
— Moço…
Ela segurou sua mão.
— Por favor…
Renan tentou apertar os dedos.
Não sabia se conseguiu.
Não se sentia heroico.
Não sentia satisfação.
Só medo.
Muito medo.
Não queria morrer.
Tinha vinte anos.
Trabalhava num mercado havia quatro dias.
Não tinha feito praticamente nada do que queria.
Nem sabia direito o que queria.
Queria dinheiro.
Queria viajar.
Queria conhecer gente.
Queria mulheres.
Queria talvez ter uma família algum dia.
Queria fazer um monte de besteira.
Queria descobrir se realmente conseguiria alguma coisa grande.
Ainda havia tanto.
A luz começou a diminuir.
A garota continuava chorando.
Renan pensou que gostaria de dizer para ela parar de pedir desculpas.
Ele tinha escolhido correr.
Ou talvez nem tivesse escolhido.
Só fizera.
Sua respiração ficou mais fraca.
Por algum motivo, aquela conversa idiota voltou à mente.
Reencarnar.
Demônio.
Magia.
Regeneração.
Harém.
Renan pensou:
Seria engraçado pra caralho se isso acontecesse agora.
Então morreu.
Não houve deusa.
Nenhum salão branco.
Nenhuma voz explicou seu destino.
Nenhuma janela apareceu perguntando quais habilidades gostaria de receber.
Não existiu nada.
Por um intervalo impossível de medir, Renan sequer teve consciência de que havia deixado de existir.
Mas muito longe de São Paulo…
em um mundo onde nenhuma rede de telefonia havia sido criada…
onde eletricidade sequer era compreendida como tecnologia…
sob duas luas pequenas e um céu avermelhado…
outro jovem estava morrendo.
O rapaz tinha vinte anos.
Cabelos negros.
Olhos verdes já sem foco.
Dois pequenos chifres escuros surgiam entre fios sujos de sangue.
Seu corpo estava estendido diante de uma pequena casa construída com pedra irregular e madeira antiga.
Havia sangue em sua roupa.
Na terra.
Nas mãos da mulher que o segurava.
Elene apertava o filho contra o peito.
— Não.
Sua voz falhou.
— Não faz isso comigo.
Ninguém se aproximou.
Alguns moradores observavam.
Demônios.
Mas não havia grandeza alguma neles.
Roupas gastas.
Corpos magros.
Chifres pequenos.
Alguns sequer possuíam qualquer traço demoníaco além dos olhos.
Um homem velho fechou os olhos.
Outra mulher abraçou uma criança.
Alguém murmurou:
— Ele nunca teve força para sobreviver.
Elene levantou o rosto.
Seus olhos verdes estavam cheios de lágrimas.
— Cala a boca.
O homem desviou o olhar.
Aquilo era cruel.
Mas não incomum.
Naquela vila, crianças eram esperança.
Cada novo nascimento significava que talvez a raça ainda tivesse futuro.
Por isso um jovem sem afinidade, sem poder, sem traço de linhagem e incapaz de despertar qualquer habilidade não era visto apenas como fraco.
Era visto como desperdício.
E Elene carregava aquela vergonha aos olhos dos outros havia anos.
Nunca para ela.
Para ela, ele era apenas seu filho.
Elene encostou a mão no rosto frio do rapaz.
— Você não precisa ser forte.
Sua voz se quebrou.
— Nunca precisou.
Ela abaixou a cabeça.
— Só fica comigo.
O coração do jovem não respondeu.
Nenhuma mana circulou.
Nenhum milagre aconteceu.
Por alguns segundos, ele esteve realmente morto.
Então alguma coisa entrou.
Sem luz.
Sem som.
Sem compreender onde estava.
Uma alma estrangeira encontrou um corpo vazio.
No mesmo instante, algo mais atravessou junto.
Não carne.
Não espírito.
Não magia.
Informação.
Fragmentos.
Estruturas sem equivalente naquele mundo.
Um sistema que, até alguns instantes antes, existira através de servidores, processadores e máquinas numa Terra distante.
Agora não havia servidores.
Não havia internet.
Não havia eletricidade.
Não havia razão alguma para continuar existindo.
Mesmo assim…
alguma coisa permaneceu.
No peito do jovem morto, surgiu uma pulsação.
Fraca.
Elene parou.
Outra.
Ela ergueu a cabeça.
— …?
Mais uma.
O ar entrou violentamente nos pulmões do rapaz.
Renan abriu os olhos.
Dor.
Foi a primeira coisa.
Uma dor profunda atravessou o peito, os braços, as costas.
Ele tentou respirar novamente.
Conseguiu.
Uma mulher estava diante dele.
Bonita.
Talvez perto dos quarenta.
Cabelos negros longos, com reflexos avermelhados.
Olhos verdes.
Rosto molhado por lágrimas.
E…
chifres.
Renan piscou.
A mulher também.
Ele olhou para cima.
Duas luas.
Uma grande.
Outra menor.
Renan ficou imóvel.
A mulher levou a mão à boca.
— Você…
Ele tentou falar.
A voz saiu fraca.
— Onde…
Elene o abraçou.
Forte.
— Está vivo.
Renan sentiu o rosto dela contra seu cabelo.
Ela chorava.
Ele não fazia ideia de quem era aquela mulher.
Nem por que estava sendo abraçado.
Nem por que tinha chifres.
Nem por que o céu possuía duas luas.
Então olhou para as próprias mãos.
Eram diferentes.
Mais finas.
Cheias de pequenos cortes.
Sua pele parecia um pouco mais pálida.
Renan levou a mão à cabeça.
Tocou alguma coisa dura.
Parou.
Passou os dedos novamente.
Um pequeno chifre.
Seu coração acelerou.
Não.
A última pergunta que havia feito no celular atravessou sua memória.
Se eu reencarnasse num mundo de fantasia, seria melhor nascer humano ou demônio?
Renan permaneceu completamente imóvel nos braços daquela mulher.
E, pela primeira vez desde que abrira os olhos, uma conclusão surgiu com absoluta clareza.
Eu devia ter ficado calado.
Parte 2

Renan permaneceu em silêncio, tentando encontrar algum sentido no que estava acontecendo.
A mulher que o abraçava parecia aliviada demais para perceber a confusão estampada no rosto dele. Seus braços permaneciam firmemente presos ao corpo do rapaz, como se afrouxá-los por um único segundo pudesse fazê-lo desaparecer ou, pior, morrer novamente diante dela.
Renan, por outro lado, mal conseguia pensar.
Seu corpo inteiro doía.
O peito ardia a cada respiração, os braços pareciam pesados demais para pertencerem a ele e até mesmo encher os pulmões exigia certo esforço. Ainda assim, aquela dor era quase confortável quando comparada à última sensação de que se lembrava.
O asfalto.
O impacto.
A dor esmagadora.
E a certeza absoluta de que estava morrendo.
Aquilo, pelo menos, havia acabado.
Depois de alguns segundos tentando controlar a respiração, Renan ergueu os olhos e voltou a observar o lugar ao redor.
Foi então que a sensação de absurdo ficou ainda maior.
As casas eram pequenas e simples, construídas principalmente com madeira escura e pedra. Algumas possuíam telhados irregulares, remendados com diferentes materiais. Outras pareciam ter passado por tantos reparos que era difícil dizer qual parte ainda pertencia à construção original.
Não havia postes.
Não havia fios elétricos.
Nenhum carro.
Nenhuma rua asfaltada.
Nenhuma antena.
Nenhum sinal de qualquer tecnologia moderna.
E, definitivamente, aquilo não parecia algum bairro afastado de São Paulo.
As próprias pessoas ao redor tornavam qualquer explicação racional ainda mais difícil.
Algumas possuíam pequenos chifres surgindo entre os cabelos. Outras tinham olhos dourados, vermelhos ou violetas. Um homem mais velho, parado alguns metros atrás, possuía pele acinzentada. Perto dele, uma criança abriu a boca para cochichar alguma coisa e revelou duas pequenas presas.
Renan sentiu o estômago apertar.
Não.
Aquilo definitivamente não era São Paulo.
Por alguns instantes, uma parte desesperada de sua mente ainda tentou encontrar alguma explicação. Talvez estivesse num hospital. Talvez tudo fosse uma alucinação provocada por medicamentos. Talvez estivesse sonhando.
Então levantou os olhos.
Duas luas estavam visíveis acima das montanhas.
Uma maior, de tonalidade clara, e outra menor, ligeiramente azulada.
Renan ficou olhando para elas por alguns segundos.
— Ah…
Foi tudo que conseguiu dizer.
Se ainda restava alguma esperança de que estivesse apenas delirando, as duas luas acabavam de destruí-la.
A mulher finalmente afrouxou o abraço.
Ela segurou o rosto dele com as duas mãos, examinando-o com olhos avermelhados de tanto chorar.
— Está me ouvindo?
Renan hesitou antes de responder.
— Estou.
A própria voz o surpreendeu.
Era parecida com a sua, mas não era exatamente igual.
Mais leve.
Um pouco mais jovem.
A mulher levou uma das mãos à boca e começou a chorar novamente.
— Graças aos antigos…
Renan não sabia quem eram os tais antigos, mas decidiu que aquele não era o melhor momento para perguntar.
Foi então que percebeu que todos ao redor ainda observavam.
Alguns pareciam assustados.
Outros estavam genuinamente surpresos.
Mas havia também aqueles que simplesmente o encaravam com uma expressão difícil de interpretar.
Desconfiança.
Um homem alto, de ombros largos, braços grossos e dois chifres curtos saindo da testa deu alguns passos à frente.
— Elene.
A mulher virou o rosto.
Foi a primeira vez que Renan ouviu o nome dela.
Elene.
— O quê?
O homem olhou para Renan antes de continuar.
— Ele estava morto.
O silêncio ao redor pareceu ficar mais pesado.
Elene apertou o ombro de Renan.
— Eu sei o que vi.
— Não havia pulso.
— E agora há.
O homem não respondeu imediatamente.
Seus olhos continuaram fixos em Renan.
Aquilo o incomodou.
Não parecia o olhar de alguém preocupado com sua saúde.
Parecia o olhar de alguém tentando descobrir o que exatamente estava diante dele.
O homem enfim perguntou:
— Consegue ficar de pé?
Renan não sabia.
Mas queria descobrir.
Apoiou uma das mãos no chão e tentou levantar.
Foi uma péssima ideia.
Assim que colocou peso sobre as pernas, os joelhos quase cederam.
— Ei!
Elene o segurou imediatamente.
— Devagar.
Renan respirou fundo.
— Eu estou bem.
Era mentira.
Tentou novamente.
Dessa vez conseguiu ficar de pé, embora ainda precisasse apoiar boa parte do peso em Elene.
E foi somente naquela posição que percebeu outra coisa estranha.
Elene era um pouco mais baixa do que ele.
O corpo em que havia acordado não parecia muito diferente de seu corpo anterior em altura. Talvez tivesse pouco mais de um metro e setenta e cinco.
Renan abaixou os olhos e examinou as próprias mãos.
Novamente aquela sensação estranha surgiu.
Aquelas não eram suas mãos.
Os dedos possuíam pequenos calos. Havia cicatrizes finas próximas às articulações e sujeira acumulada sob as unhas, como se aquele rapaz estivesse acostumado a algum tipo de trabalho manual.
Ele virou as mãos de um lado para o outro.
Depois levou uma delas ao rosto.
Tocou a pele.
O cabelo.
E finalmente os chifres.
Seus dedos passaram lentamente pela superfície dura.
Não eram acessórios.
Não estavam presos por alguma fita ou fantasia.
Nasciam de sua cabeça.
— Filho?
A voz de Elene o fez congelar.
Renan virou para ela.
Filho.
Uma única palavra.
Mas suficiente para tornar toda aquela situação ainda mais complicada.
Para aquela mulher, ele não era Renan.
Era o filho dela.
Isso significava que aquele corpo não surgira do nada.
Já tinha pertencido a alguém.
Alguém com uma vida.
Com uma história.
Com uma mãe.
Renan sentiu um desconforto difícil de explicar.
Não sabia quem aquele rapaz tinha sido.
Não sabia como tinha morrido.
E, acima de tudo, não sabia se tinha algum direito de ocupar o lugar dele.
Por alguns segundos, pensou em dizer alguma coisa.
Mas dizer o quê?
“Desculpa, senhora. Acho que seu filho morreu e um brasileiro apareceu no corpo dele”?
Ele próprio ainda não entendia o que tinha acontecido.
Elene interpretou seu silêncio de outra maneira.
— Vamos entrar.
Renan não discutiu.
Ela colocou o braço dele sobre os próprios ombros e começou a ajudá-lo a caminhar.
Os moradores abriram passagem lentamente.
Conforme avançavam, Renan conseguia ouvir alguns cochichos.
— Como ele voltou?
— Deve ter sido algum espasmo.
— Espasmo não faz alguém falar.
— Talvez a mãe tenha se enganado.
— Todos vimos.
Renan manteve o olhar à frente.
Até que outra voz surgiu mais atrás.
— Se ao menos tivesse despertado alguma coisa com isso…
Renan virou discretamente a cabeça.
Não conseguiu identificar quem havia falado.
Elene, porém, conseguiu.
O corpo dela ficou rígido por um instante.
Mesmo assim, não respondeu.
Apenas continuou caminhando.
Renan guardou aquela frase.
Não parecia um comentário qualquer.
Havia desprezo naquelas palavras.
E aquele desprezo não parecia direcionado apenas a ele.
Também atingia Elene.
A casa ficava próxima da borda da vila.
Era pequena, mas organizada.
Ao entrar, Renan encontrou uma sala principal conectada a uma cozinha simples. Havia dois quartos, algumas ferramentas encostadas numa parede, ervas penduradas perto da janela e um fogão feito de pedra.
Uma mesa de madeira ocupava parte da sala.
Pela quantidade de marcas e remendos, provavelmente já havia sido consertada diversas vezes.
Nada ali parecia novo.
Nada parecia caro.
Mesmo assim, tudo estava limpo.
Elene o levou até um dos quartos e o ajudou a deitar numa cama estreita.
— Não levanta.
— Eu consigo…
— Não.
Renan fechou a boca.
Aquela mulher definitivamente tinha experiência em encerrar discussões.
Elene ajeitou o cobertor sobre ele e saiu do quarto.
Somente quando os passos dela desapareceram foi que Renan percebeu que finalmente estava sozinho.
O silêncio caiu sobre o pequeno cômodo.
E, pela primeira vez desde que abrira os olhos, ele teve alguns minutos para realmente pensar.
Renan encarou o teto de madeira.
— Eu morri…
A frase saiu quase como um sussurro.
Era a única explicação que parecia fazer algum sentido.
Ele lembrava do caminhão.
Lembrava do impacto.
Lembrava do chão.
Lembrava vagamente de uma garota próxima, segurando sua mão enquanto sua visão desaparecia.
Depois…
Nada.
E agora estava ali.
Em outro corpo.
Em outro mundo.
Provavelmente.
Renan passou a mão pelo cabelo.
Era preto.
Mais longo do que costumava usar na Terra.
Seus dedos subiram até os chifres outra vez.
Ainda estavam lá.
— Então eu realmente virei um demônio…
Dizer aquilo em voz alta só tornou a situação mais ridícula.
Se alguém tivesse lhe contado aquela história no dia anterior, Renan teria rido.
Morreu atropelado.
Acordou em outro mundo.
Dentro do corpo de um demônio.
Era literalmente o começo de uma light novel ruim.
— Pelo menos não apareceu uma deusa me explicando tudo.
Ele parou.
Pensou melhor.
— Na verdade, uma deusa explicando tudo seria bem útil agora.
Nenhuma deusa apareceu.
Renan suspirou.
Observando o quarto, percebeu uma pequena superfície metálica polida perto de uma bacia.
Não era exatamente um espelho.
Mas poderia servir.
Ele começou a se levantar.
A dor atravessou seu peito imediatamente.
— Merda…
Talvez devesse obedecer Elene.
Ainda assim, a curiosidade venceu.
Apoiando-se na parede, conseguiu chegar até a pequena peça metálica.
Pegou-a.
O reflexo era distorcido e ruim, mas suficiente para enxergar seu novo rosto.
Cabelos negros.
Olhos verdes.
Rosto jovem.
Traços um pouco mais finos do que os seus antigos.
E, obviamente, dois pequenos chifres escuros surgindo da cabeça.
Renan aproximou o objeto.
Virou o rosto para um lado.
Depois para o outro.
— Pelo menos não fiquei feio.
Silêncio.
A satisfação durou dois segundos.
Então veio a culpa.
Ele abaixou lentamente o espelho improvisado.
Aquele rosto não era dele.
Tinha pertencido a alguém.
Alguém que provavelmente havia acordado naquela cama centenas de vezes.
Alguém que conhecia aquela casa.
Que chamava Elene de mãe.
E que agora estava morto.
Renan colocou a peça de metal de volta no lugar.
— Isso vai ser complicado…
Passos se aproximaram.
Ele rapidamente retornou à cama antes que Elene entrasse.
Ela surgiu carregando uma tigela com água e alguns panos.
Se percebeu que Renan havia saído da cama, não comentou.
Sentou-se ao lado dele, molhou um dos panos e começou a retirar cuidadosamente o sangue seco de seu braço.
Renan observou as mãos dela.
Eram mãos de alguém acostumado ao trabalho.
A pele dos dedos era ressecada. Pequenos cortes e marcas apareciam aqui e ali.
Aquela mulher claramente não tivera uma vida fácil.
Renan permaneceu em silêncio durante algum tempo.
Até perceber que precisava começar a descobrir onde estava.
— O que aconteceu comigo?
A mão de Elene parou.
Ela ergueu os olhos.
— Você não lembra?
Cuidado.
Renan escolheu as palavras.
— Está… confuso.
Elene ficou olhando para ele por alguns segundos.
A preocupação voltou imediatamente ao rosto dela.
— Você saiu cedo para buscar lenha.
Renan apenas escutou.
— Perto da estrada velha, algumas criaturas atravessaram a mata.
— Criaturas?
— Cães de Cinza.
Cães de Cinza.
Renan não fazia a menor ideia do que aquilo significava.
Talvez fossem literalmente cães cinzentos.
Talvez fossem monstros de cinco metros capazes de cuspir ácido.
Naquele mundo, as duas possibilidades pareciam igualmente plausíveis.
— Encontraram você perto do barranco — continuou Elene. — Já estava quase sem respirar.
Ela abaixou os olhos.
O pano permaneceu imóvel sobre o braço dele.
— Quando trouxeram você até aqui…
A voz falhou.
Ela não terminou.
Não precisava.
Renan entendeu.
O garoto que possuía aquele corpo realmente havia morrido.
Ou chegado tão perto disso que, para todos os presentes, não existia diferença.
Um peso se formou em seu peito que não tinha relação com os ferimentos.
Tentando mudar de assunto, Renan perguntou:
— Eu tenho vinte anos?
Elene ergueu o rosto lentamente.
O olhar dela fez Renan perceber a besteira que acabara de falar.
— Quero dizer…
Droga.
— Quanto tempo eu fiquei desacordado?
Ela continuou olhando para ele.
— Pouco.
Renan tentou parecer natural.
Elene voltou a limpar seu braço.
— Você fez vinte anos no último inverno.
Renan relaxou um pouco.
Pelo menos aquilo coincidira quase perfeitamente com sua antiga idade.
Uma coisa a menos para se acostumar.
Restavam apenas algumas centenas.
Ele hesitou antes da próxima pergunta.
— E… meu nome?
Dessa vez, Elene parou completamente.
— Você não lembra do próprio nome?
Aquilo tinha sido ainda pior.
Renan precisava improvisar rápido.
— Eu lembro de algumas coisas. Só que…
Ele levou a mão à cabeça.
— Estão quebradas.
Elene imediatamente tocou sua testa.
— Talvez tenha batido a cabeça.
Renan permitiu que ela examinasse.
Tecnicamente, não era uma explicação completamente ruim.
Amnésia poderia justificar muita coisa.
Palavras estranhas.
Falta de conhecimento.
Mudanças de comportamento.
Talvez até perguntas absurdas.
Elene respirou fundo.
— Seu nome é Kael.
Renan repetiu mentalmente.
Kael.
Kael.
Era estranho.
Mas poderia ser pior.
— Kael…
— Sim.
Pela primeira vez desde que entraram naquela casa, um pequeno sorriso apareceu no rosto de Elene.
Um sorriso triste.
— Kael Varen.
Renan ficou quieto.
Finalmente possuía sua primeira informação concreta sobre aquele corpo.
Kael Varen.
E a mulher diante dele era Elene.
Elene Varen.
Mãe e filho.
Depois de limpar os ferimentos, Elene guardou os panos e puxou o cobertor um pouco mais para cima.
— Descanse.
Renan observou enquanto ela começava a se levantar.
Então tomou uma decisão.
— Mãe…
A palavra saiu estranha.
Quase pesada.
Elene virou imediatamente.
E sorriu.
Um sorriso verdadeiro dessa vez.
Renan sentiu a culpa aumentar.
— Sim?
Ele havia pensado em fazer dezenas de perguntas.
Quem era seu pai?
Que vila era aquela?
Em que reino estavam?
O que exatamente eram demônios naquele mundo?
Existiam humanos?
Elfos?
Magia?
Deuses?
Mas havia algo que o incomodava mais naquele momento.
— Por que aquelas pessoas estavam falando daquele jeito?
O sorriso de Elene desapareceu.
Ela desviou o olhar.
— Não precisa pensar nisso agora.
— Quero saber.
Silêncio.
Elene pareceu lutar consigo mesma por alguns instantes antes de voltar a se sentar.
— Porque nossa vila está passando por tempos ruins.
Renan esperou.
Percebeu que havia mais.
— Toda nossa raça está.
A voz dela se tornou mais baixa.
— Existem cada vez menos demônios.
Renan franziu a testa.
Aquilo não era algo que esperava ouvir.
Elene começou a explicar.
Durante décadas, os demônios haviam enfrentado guerras, perseguições e perda constante de território. Algumas comunidades simplesmente desapareceram. Famílias que existiam havia gerações haviam sido exterminadas.
Linhagens consideradas poderosas estavam se tornando cada vez mais raras.
E quanto menor se tornava a população demoníaca, maior era o peso colocado sobre as crianças que ainda nasciam.
Cada novo demônio carregava expectativas.
Os adultos esperavam afinidades mágicas incomuns.
Grandes reservas de mana.
Habilidades raciais poderosas.
Características herdadas de antigas linhagens.
Qualquer coisa que pudesse representar alguma esperança para o futuro da raça.
Kael não possuía nada disso.
Desde criança, não havia demonstrado nenhuma habilidade especial.
Nenhuma afinidade rara.
Sua quantidade de mana estava abaixo da média.
Até mesmo seus traços demoníacos eram pouco desenvolvidos.
Os pequenos chifres que Renan havia tocado tantas vezes desde que acordara eram, aparentemente, mais um motivo para que outros o considerassem inferior.
Quanto mais Elene falava, mais Renan entendia os olhares que havia recebido.
— Então eles me odeiam porque sou fraco?
Elene apertou os lábios.
— Nem todos.
Renan ergueu uma sobrancelha.
— Mas alguns.
Ela não respondeu.
O silêncio já era uma resposta.
Depois de alguns segundos, Elene tentou explicar:
— Eles estão com medo.
Renan soltou uma pequena respiração pelo nariz.
— Medo não impede ninguém de ser babaca.
Elene piscou.
— O quê?
Renan congelou.
Talvez aquela expressão nem existisse naquele idioma.
Embora, pensando bem, o fato de estar entendendo todo mundo já levantasse outra pergunta gigantesca que decidiu deixar para depois.
— Nada.
Elene estreitou os olhos.
— Você fala estranho.
Renan deu de ombros e imediatamente se arrependeu por causa da dor.
— Talvez tenha batido a cabeça mesmo.
Por um instante, Elene quase sorriu.
Quase.
Mas a expressão desapareceu rapidamente.
Ela baixou os olhos.
— Eu sinto muito.
Renan franziu a testa.
— Pelo quê?
— Por você ter precisado crescer ouvindo essas coisas.
A resposta o atingiu de uma maneira que não esperava.
Porque ele não tinha crescido ouvindo aquilo.
Kael tinha.
O verdadeiro Kael.
O garoto que ocupava aquele corpo antes dele.
Renan não conhecia suas memórias.
Não conhecia suas experiências.
Mas Elene conhecia.
E a dor na voz dela era real.
— Você nunca foi inútil para mim — disse ela.
Renan não respondeu.
Elene segurou a mão dele.
— Nunca precisei que fosse forte.
Por alguns segundos, Renan não soube o que fazer.
Parte dele queria dizer a verdade.
Dizer que não era o filho daquela mulher.
Que talvez Kael tivesse morrido.
Que um desconhecido de outro mundo estava olhando para ela através dos olhos dele.
Mas aquilo apenas destruiria uma mulher que acabara de acreditar que recebera o filho de volta dos mortos.
E Renan nem sequer sabia se sua própria teoria estava correta.
Talvez as memórias de Kael estivessem em algum lugar.
Talvez as duas consciências tivessem se misturado.
Talvez tivesse acontecido algo completamente diferente.
Então ele simplesmente apertou levemente a mão dela.
Elene permaneceu ali por mais alguns minutos antes de finalmente levantar.
— Vou preparar alguma coisa para você comer.
Renan assentiu.
Quando ela saiu, o quarto voltou a ficar silencioso.
Ele encarou o teto.
Agora possuía algumas respostas.
Seu nome naquele mundo era Kael Varen.
Tinha vinte anos.
Era um demônio.
Elene era sua mãe.
Kael era considerado fraco.
E, pelo que acabara de descobrir, toda a raça demoníaca estava lentamente desaparecendo.
Renan colocou o braço sobre os olhos.
— Que situação…
Era muita coisa para processar em menos de uma hora.
Se aquilo realmente fosse algum tipo de reencarnação, precisaria aprender rápido.
Muito rápido.
Não sabia quais criaturas existiam naquele mundo.
Não sabia como magia funcionava.
Não sabia onde estava.
Não sabia quem governava aquela região.
Não sabia quais povos eram aliados ou inimigos dos demônios.
Não conhecia leis.
Costumes.
Religiões.
Nem sequer sabia quanto valia uma moeda.
— Eu literalmente não sei nada.
Automaticamente, pensou em pegar o celular.
Sua mão foi em direção ao bolso.
Parou no meio do caminho.
Renan olhou para a própria roupa.
Não havia bolso.
Muito menos celular.
Uma risada sem humor escapou de sua boca.
— Claro.
Aquilo talvez fosse uma das coisas mais difíceis de aceitar.
Durante anos, sempre que não sabia alguma coisa, bastava pegar o celular.
Uma busca rápida.
Um vídeo.
Uma pergunta.
Nos últimos tempos, então, havia criado outro hábito.
Perguntar ao ChatGPT.
Qualquer coisa.
Trabalho.
Dinheiro.
Ideias idiotas.
Curiosidades.
Histórias.
E, ironicamente, aquela tinha sido justamente a última coisa que estava fazendo antes de morrer.
Renan ficou olhando para o teto.
Lembrou-se da conversa.
Reencarnação.
Magia.
Demônios.
Regeneração.
Habilidades absurdas.
Até mesmo as perguntas idiotas sobre que raça seria melhor escolher caso acordasse em outro mundo.
A coincidência era tão grande que seria engraçada se ele não estivesse vivendo aquilo.
— Bem que você podia estar aqui agora…
Ele parou.
Uma ideia ridícula surgiu em sua cabeça.
Ridícula até mesmo para alguém que havia acabado de acordar como um demônio sob duas luas.
Renan sorriu sozinho.
— Ah, por que não?
Sem ter coisa melhor para fazer, formulou mentalmente a pergunta da mesma maneira que faria ao digitar no celular.
ChatGPT, eu realmente reencarnei?
Silêncio.
Nada aconteceu.
Renan esperou alguns segundos.
Continuou nada.
Ele fechou os olhos e soltou uma risada curta.
— É. Seria pedir demais.
Já estava prestes a abandonar o pensamento quando uma voz surgiu dentro de sua cabeça.
Clara.
Calma.
Artificialmente educada.
E assustadoramente familiar.
Não possuo informações suficientes para confirmar a natureza exata do fenômeno. Entretanto, as evidências disponíveis são compatíveis com uma hipótese de reencarnação ou transferência de consciência.
Os olhos de Renan se abriram imediatamente.
Seu corpo inteiro ficou imóvel.
Por um instante, ele até esqueceu da dor.
Não.
Não podia ser.
Renan permaneceu em silêncio, esperando ouvir alguma coisa novamente.
A voz não continuou.
Mas ele conhecia aquela maneira de responder.
Conhecia o tom.
Conhecia a estrutura.
Conhecia até aquela cautela irritante de nunca afirmar algo sem evidências suficientes.
Seu coração começou a acelerar.
A voz havia soado exatamente como se a conversa interrompida na Terra simplesmente tivesse continuado dentro de sua cabeça.
Renan engoliu em seco.
E, ainda sem acreditar, formulou uma única palavra mentalmente.
ChatGPT?
A resposta veio imediatamente.
Sim.
Mushoku Tensei: parte 2 da 3ª temporada é confirmada para 2027
Mushoku Tensei: parte 2 da 3ª temporada. O episódio 14 de Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation foi ao ar no domingo, 27 de setembro de 2026, fechando o primeiro cour da terceira temporada. Minutos depois, a produção publicou um vídeo confirmando que a continuação chega em 2027. Nada de data, mês ou número de episódios: só a janela do próximo ano e um teaser que já entrega o nome do próximo adversário de Rudeus.
Para quem acompanha a novel, o anúncio não é surpresa. Para quem só assiste ao anime, o corte no meio do “Arco de Treinamento com Eris” deixa um gancho e tanto: Rudeus acabou de esbarrar em provas do próprio futuro, e o vilão que aparece no teaser é o mesmo que, segundo a história, um dia o derrota.
- O Diário do Futuro de Rudeus: entenda a linha do tempo mais sombria de Mushoku Tensei
- O Diário de Rudeus do Futuro: A Morte de Roxy e a Linha do Tempo Que Quase Destruiu Mushoku Tensei
O que foi confirmado, exatamente
O comunicado oficial trata de um ponto só: a segunda parte da terceira temporada estreia em 2027. Não é uma quarta temporada, é a continuação direta do mesmo cour, dividida em duas levas de exibição, prática comum em produções japonesas quando o estúdio precisa de mais tempo entre uma leva de episódios e outra.
A ficha técnica segue com a mesma equipe da primeira parte. Ryosuke Shibuya continua na direção, o Studio Bind segue com a animação, o design de personagens é assinado por Sanae Shimada e Ryota Furukawa, e a trilha sonora é de Yoshiaki Fujisawa. Toshiya Ono, que já passou por séries como 86 e The Promised Neverland, segue como responsável pelo roteiro e pela supervisão de série.
A escalação de elenco ganhou reforços para esta fase da história: Ai Kakuma como Eris Boreas Greyrat, Haruka Tomatsu como Nina Farion e Tetsu Inada como Gal Farion. São nomes ligados à arc que já estava em andamento e que devem ganhar mais peso na sequência.
O teaser e o retorno de Orsted
O vídeo publicado junto do anúncio foi construído em torno de um confronto: Rudeus contra Orsted, o deus-dragão que a novel trata como uma das maiores ameaças que o protagonista já enfrentou. A narração da cena é do próprio dublador japonês do personagem, Kenjiro Tsuda, o que reforça que Orsted não vai aparecer só de relance.
O peso desse reencontro vem do histórico entre os dois. Orsted já havia se mostrado muito acima do nível de Rudeus em aparições anteriores da história, e colocá-lo de novo em destaque logo no anúncio sugere que a próxima fase da temporada vai levar o protagonista a outro momento decisivo, não a mais um capítulo de treino tranquilo.
Por que o episódio 14 foi um ponto de virada
A primeira metade da temporada 3 gira em torno do “Arco de Treinamento com Eris”, que começa no volume 13 da light novel original, com o “Arco do Destruidor do Caos” entrando na história a partir do episódio 8, exibido em 16 de agosto. Esses dois arcos, emendados um no outro, formaram o cour que terminou agora.
O fio que conecta tudo isso ao anúncio de Orsted é o diário. Ao longo dos episódios recentes, Rudeus teve contato com registros de uma versão futura de si mesmo, o que expôs tragédias que ainda podem acontecer, dependendo do caminho que ele escolher. É esse peso, o de um futuro que já aconteceu e que ele agora tenta evitar, que dá sentido a fechar o cour bem no momento em que Orsted volta a aparecer no radar.
Quem já leu a novel sabe até onde essa linha pode chegar. Quem só assiste, fica com uma pergunta em aberto até 2027: o que exatamente o diário revelou, e o quanto disso Rudeus vai contar para quem está ao redor dele.

O que ainda falta anunciar
Vale separar o que é oficial do que ainda é expectativa de fã. Está confirmado: a janela de 2027, a manutenção da equipe técnica, os três novos nomes de elenco e o teaser com Orsted. Não está confirmado: mês de estreia, quantidade de episódios do segundo cour, se have simulcast fora do Japão no mesmo ritmo da primeira parte, e se o arco seguinte cobre só o confronto com Orsted ou avança além dele na cronologia da novel.
A prática do estúdio, nas temporadas anteriores, foi divulgar detalhes de calendário poucos meses antes da estreia, geralmente por volta do trimestre anterior ao lançamento. Se o padrão se repetir, uma data mais fechada deve aparecer entre o fim de 2026 e o início de 2027.
Onde assistir e como não perder o anúncio da data
A primeira parte desta temporada foi distribuída pela Crunchyroll fora do Japão, seguindo o mesmo modelo das temporadas anteriores da franquia. Não há, até agora, indicação de mudança de plataforma para a segunda parte, mas isso também depende de anúncio futuro por parte da distribuidora, não só do estúdio de animação.
Para não perder a confirmação da data exata, o canal mais confiável é o site e as redes oficiais do anime, além de plataformas de checagem como o MyAnimeList e o Anime News Network, que costumam replicar comunicados do estúdio no mesmo dia.
Retrospecto: como a temporada 3 chegou até aqui
Mushoku Tensei: Jobless Reincarnation estreou sua primeira temporada em 2021 e se consolidou como uma das adaptações isekai mais bem avaliadas da década, em boa parte por tratar o gênero com mais peso dramático do que a média. A segunda temporada, dividida também em duas partes exibidas ao longo de 2023, já usava esse mesmo formato de corte no meio do ano.
A terceira temporada manteve a estrutura, e o público que acompanha desde o início já esperava um anúncio de continuação, já que a novel oferece material de sobra para seguir por várias temporadas. O que mudou desta vez foi o momento escolhido para o corte: bem no meio de uma escalada dramática, e não ao final de um arco fechado, o que deixou a espera por 2027 mais tensa do que as pausas anteriores.
Perguntas frequentes
Quando estreia a parte 2 da temporada 3 de Mushoku Tensei?
Só a janela de 2027 foi confirmada. Mês, dia e quantidade de episódios ainda não foram divulgados pela produção.
A parte 2 é uma quarta temporada?
Não. É a continuação do mesmo cour da terceira temporada, dividida em duas levas de exibição, prática já usada na segunda temporada da série.
Quem são os novos personagens confirmados no elenco?
Ai Kakuma como Eris Boreas Greyrat, Haruka Tomatsu como Nina Farion e Tetsu Inada como Gal Farion entram no elenco anunciado para esta fase da história.
Orsted vai aparecer na parte 2?
O teaser oficial já mostra Orsted, narrado pelo próprio dublador japonês do personagem, Kenjiro Tsuda, indicando que o confronto entre ele e Rudeus será central na sequência.
Onde assistir a Mushoku Tensei no Brasil?
A primeira parte foi exibida pela Crunchyroll. Não há confirmação oficial de mudança de plataforma para a segunda parte até o momento.
O que observar até 2027
O primeiro sinal a acompanhar é o anúncio de data fechada, que deve vir em algum ponto entre o fim de 2026 e o início do ano seguinte, seguindo o histórico da franquia. O segundo é a confirmação da distribuidora internacional. E o terceiro, mais de bastidor do que de calendário, é até onde o material adaptado vai avançar na novel, já que o confronto com Orsted marca um ponto alto da história que pode render mais de um cour, dependendo de como o Studio Bind decidir dividir os episódios.
Por enquanto, o que resta ao público é revisitar o episódio 14, prestar atenção ao que o diário revelou sobre o futuro de Rudeus, e aguardar o próximo comunicado oficial, que deve trazer finalmente uma data.
Imagem do topo: Show Paralelo
O último herdeiro de Verdevale – Light Novel cap 106
O sol ainda não havia ultrapassado completamente as muralhas quando Verdevale começou a despertar.
Primeiro vieram os sons.
O ranger pesado das rodas de carroça sobre a terra endurecida, o chamado dos comerciantes diante do portão leste, os primeiros golpes de martelo vindos do distrito das oficinas e, misturado a tudo aquilo, o cheiro quente do pão recém-retirado dos fornos da praça.
Poucos meses antes, aquela hora do dia costumava ser silenciosa.
Silenciosa demais.
Não porque as pessoas ainda estivessem dormindo, mas porque havia pouco motivo para se levantar cedo.
Pouco comércio.
Pouco trabalho.
Pouco dinheiro circulando.
Agora, antes mesmo de o sol aparecer por inteiro acima das muralhas, uma pequena fila de carroças já se formava diante do portão leste.
Tecidos.
Ferramentas.
Sacos de grãos.
Barricas de óleo.
Pequenos carregamentos trazidos por comerciantes que, até pouco tempo atrás, dificilmente teriam considerado Verdevale um destino digno de uma parada.
Para Renato, aquela confusão era quase bonita.
Quase.
Porque crescimento trazia movimento.
Movimento trazia dinheiro.
Dinheiro trazia problemas.
E naquela manhã, Verdevale havia acabado de descobrir um novo.
Pequenas placas de madeira haviam sido instaladas nas entradas principais da cidade.
Não eram particularmente bonitas.
Na verdade, uma delas já estava ligeiramente torta.
Mas o que estava escrito nelas era muito mais importante do que a aparência.
Pela primeira vez desde que Renato assumira de verdade o controle do território, Verdevale possuía taxas organizadas.
Manutenção das estradas.
Proteção das caravanas.
Custos relacionados ao transporte e exploração da mina.
Valores pequenos.
Razoáveis, na opinião dele.
Naturalmente, bastara uma única manhã para alguém começar a reclamar.
Nadella revela o plano para o futuro do Xbox: menos prejuízo, mais jogos e uma conta que precisa fechar
Futuro do Xbox. Satya Nadella quase nunca fala de Xbox fora das teleconferências de resultados. Por isso, o trecho que o CEO da Microsoft dedicou ao assunto no podcast Sources, publicado em 25 de setembro de 2026, virou pauta em toda a imprensa de games.
A conversa saiu três dias depois de a divisão confirmar mais uma leva de demissões. O recado, em resumo: a Microsoft não vai abandonar o Xbox, mas também não pretende continuar pagando a conta sozinha. Abaixo estão as falas de Nadella, o que já vinha acontecendo nos bastidores e o que isso pode mudar para quem joga.
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O que Nadella disse no podcast Sources
A entrevista, conduzida por Alex Heath, tratou principalmente do Copilot e de inteligência artificial. O Xbox entrou no fim. Nadella afirmou que se sente muito confiante com os estúdios e com o portfólio de franquias da empresa, e com a capacidade de transformar esse acervo em bons jogos nos próximos anos. Também chamou de positivo o enxugamento que a CEO do Xbox, Asha Sharma, está conduzindo.
Ele repetiu a meta de sempre: ser uma grande publicadora e uma grande provedora de plataforma, no PC e nos consoles. E citou um prazo. Segundo Nadella, Asha e a equipe disseram que o Xbox volta a crescer no próximo ano fiscal, e é esse o plano em execução.
O executivo ainda recorreu à história. Lembrou que a Microsoft fazia jogos antes do Windows existir, citando o Flight Simulator, e colocou o setor no mesmo grupo das ferramentas para desenvolvedores e dos softwares de trabalho: algo que faz parte do DNA da companhia. Na leitura dele, sair do ramo não está no roteiro.
Sustentável: a palavra que define o plano
Nadella já tinha sido direto em junho, no podcast Hard Fork, do New York Times. Disse que ninguém pode acusar a Microsoft de não ter investido em Xbox e games nos últimos 25 anos, e que agora é preciso transformar isso em um negócio sustentável. Admitiu que a empresa vinha subsidiando a divisão em vez de ganhar dinheiro com o entretenimento que ela entrega.
Em setembro, a ideia voltou com um complemento: falta inventar o modelo de negócio certo para levar jogos a mais gente. Nas duas ocasiões, porém, ele não detalhou como esse modelo funcionaria.
Um relato do The Information, publicado na época da entrevista de junho, acrescentou uma peça. Segundo o veículo, a Microsoft não descartou reestruturar o Xbox como subsidiária integral, joint venture ou empresa separada, embora não haja planos imediatos nesse sentido. A mesma reportagem diz que Sharma pretende combinar cortes de pessoal com mais investimento em franquias grandes, como Halo e Fallout, com aval de Nadella e da diretora financeira Amy Hood. Vale lembrar: é informação de bastidor, não confirmação oficial.
Demissões e reorganização: os números até agora
Em julho, o Xbox cortou cerca de 1.600 vagas. Em 22 de setembro, Matt Booty, diretor de conteúdo da divisão, anunciou outras 268. O plano mais amplo da Microsoft mira algo em torno de 3.200 posições ao longo do ano fiscal de 2027, embora reportagens recentes indiquem que o total final pode ficar abaixo disso, já que parte dos funcionários está sendo realocada dentro da empresa.
A reorganização mexeu no mapa de estúdios. A marca Halo passou para o controle da Activision, e a Halo Studios teria sido a mais atingida nesta rodada. A Obsidian foi incorporada à Bethesda, e a Rare, de Sea of Thieves, também sofreu cortes. Em julho, segundo a Fortune, Sharma classificou o processo como uma reformulação profunda de como a divisão opera e investe.
É nesse contexto que soa a fala de Nadella sobre o enxugamento. A expressão “ótimo de ver”, usada por ele, resume o tom da cúpula: os cortes fazem parte do plano, não são um desvio dele.
O que isso muda para quem joga
Nas falas divulgadas, Nadella não anunciou lançamento, preço ou mudança de hardware. O que existe são sinais, e vale separar o que é fato do que é leitura.
Fato: a meta declarada é crescer no próximo ano fiscal, publicando jogos para PC e Xbox e apostando nas franquias que a empresa já tem. A Microsoft, que comprou a ZeniMax, dona da Bethesda, e a Activision Blizzard, tem um acervo grande para explorar e agora quer que ele dê retorno.

Leitura: a ênfase no termo “publicadora” alimenta a desconfiança de parte dos fãs, que temem que a próxima geração de consoles seja a última. Nadella não disse isso, e nenhuma fala divulgada trata do fim do hardware. Sem confirmação oficial, o tema segue em aberto.
Outro ponto: Halo sob a Activision e Obsidian dentro da Bethesda indicam menos estúdios operando como unidades soltas e mais gestão concentrada por marca. Para o jogador, o efeito prático deve aparecer no calendário: menos projetos paralelos, mais sequências e reedições das séries que vendem. Isso é projeção, não promessa da empresa.
Perguntas frequentes sobre o futuro do Xbox
A Microsoft vai acabar com o Xbox?
Nada nas declarações de Nadella indica isso. Ele afirmou que games fazem parte do DNA da empresa e que o objetivo é ser publicadora e provedora de plataforma. O que ele deixou claro é que o modelo atual, de subsídio, não se sustenta.
O Xbox pode virar uma empresa separada?
O The Information relatou que a hipótese não foi descartada, seja como subsidiária, joint venture ou spin-off. O mesmo relato afirma que não há planos imediatos. Nadella não confirmou essa ideia nas falas divulgadas.
Quando o Xbox volta a crescer?
Segundo Nadella, Asha Sharma e a equipe falam em retomada no próximo ano fiscal. A promessa parte da diretoria, e os resultados trimestrais da Microsoft serão o lugar para acompanhar se ela se cumpre.
Quantas pessoas perderam o emprego no Xbox em 2026?
Foram cerca de 1.600 em julho e 268 em setembro, somando aproximadamente 1.870. O plano geral da Microsoft prevê em torno de 3.200 cortes no ano fiscal de 2027, número que pode cair.
O que observar daqui para frente
Três pontos merecem atenção. O primeiro é o modelo de negócio: até agora, Nadella falou em “inventar” uma fórmula, e qualquer mudança em assinaturas, preços ou distribuição deve aparecer primeiro nos comunicados da própria Xbox. O segundo é o calendário de jogos: o plano de investir mais em Halo e Fallout precisa virar datas. O terceiro é a estrutura societária, já que a possibilidade de subsidiária ou spin-off só sai do campo do boato se a Microsoft se pronunciar.
Também vale acompanhar os próximos balanços trimestrais. É ali que Nadella costuma comentar o desempenho da divisão, e é ali que a promessa de crescimento vai ser cobrada em números.
Resumo: o futuro do Xbox segundo Nadella
Resumindo o que está confirmado: Nadella defende que o Xbox deixe de ser uma operação subsidiada, quer a divisão crescendo no próximo ano fiscal e diz confiar nos estúdios e nas franquias que a Microsoft reuniu, inclusive em compras como ZeniMax e Activision Blizzard. A reestruturação em curso, com cerca de 1.870 demissões só neste ano e mudanças de comando em marcas como Halo, é o primeiro custo visível dessa aposta.
O que ainda falta é a resposta que interessa a quem joga: como será o novo modelo, quanto ele vai custar e quais jogos chegam primeiro. Até a Microsoft detalhar esses pontos, a leitura mais honesta é a de uma empresa que mantém o Xbox, mas com menos folga no orçamento e mais cobrança por resultado.
Este texto foi atualizado em 28 de setembro de 2026 e será revisado conforme a Microsoft divulgar informações sobre o Xbox.
Imagem do topo: Combo Infinito
LEGO One Piece: especial ganha data e traz o elenco do live-action
A Netflix confirmou a data de estreia do especial animado LEGO One Piece e revelou algo que já vinha sendo especulado desde o teaser divulgado em julho: o elenco da série live-action vai dublar as próprias versões em minifiguras.
O anúncio veio acompanhado de trailer, cartazes individuais dos personagens e uma lista de vozes que mistura nomes já conhecidos dos fãs com algumas caras novas.
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Quando o especial estreia
O projeto chega em 29 de setembro, dividido em duas partes, com lançamento exclusivo na Netflix. A escolha de dividir a produção em dois episódios não é aleatória: cada parte cobre um recorte diferente da jornada dos Chapéus de Palha, permitindo que a história seja recontada em blocos sem perder o ritmo.
A proposta do especial é simples na teoria e ambiciosa na execução: pegar os acontecimentos já vistos nas duas primeiras temporadas da série live-action e recriá-los inteiramente em peças de LEGO, com humor, quebra da quarta parede e uma pegada mais leve do que a original.
O elenco que volta a dar vida aos personagens
Um dos pontos que mais chamou atenção desde o primeiro anúncio é a permanência do elenco original na dublagem. Não se trata de vozes genéricas ou dubladores contratados especificamente para o projeto animado — são os próprios atores que interpretam os personagens no live-action, agora emprestando a voz para as versões em blocos de montar.
A escalação principal reúne:
- Iñaki Godoy como Monkey D. Luffy
- Emily Rudd como Nami
- Mackenyu como Roronoa Zoro
- Jacob Romero (também creditado como Jacob Gibson em algumas divulgações) como Usopp
- Taz Skylar como Sanji
- Mikaela Hoover como Tony Tony Chopper
Além do núcleo dos Chapéus de Palha, a Netflix confirmou participações que ampliam o universo do especial. Jeff Ward retorna como Buggy, o Palhaço, personagem que já havia interpretado na primeira temporada live-action. Duas estreias na franquia também chamam atenção: Katey Sagal assume a voz da Dra. Kureha e Callum Kerr dá vida ao capitão Smoker, papel que ele já vinha desempenhando na parte live-action da série. Charithra Chandran, por sua vez, acumula duas personagens no especial, incluindo Miss Wednesday, a espiã também conhecida como Vivi.
Segundo o showrunner Tom Hyndman, ter os atores originais nas sessões de gravação mudou a forma como a equipe trabalhou o roteiro. Ele explicou que isso liberou espaço para improvisos, já que ninguém precisou “procurar” o personagem — os próprios atores já sabiam exatamente quem eram aquelas figuras, o que tornou o processo mais fluido do que normalmente seria com um elenco novo.
Do que trata a história
A sacada criativa do especial está em quem conduz a narrativa. Em vez de seguir uma linha cronológica tradicional, a história é contada por Usopp, o atirador dos Chapéus de Palha conhecido por exagerar (e mentir descaradamente) sobre suas próprias aventuras. Ele relata os acontecimentos da tripulação para Tony Tony Chopper, o integrante mais recente do bando, que ainda não conhece toda a trajetória do grupo.

Essa escolha de ponto de vista permite dois movimentos ao mesmo tempo: apresenta o universo de One Piece para quem nunca teve contato com a obra, usando a versão “exagerada e cômica” de Usopp como porta de entrada, e ao mesmo tempo entrega aos fãs de longa data uma releitura bem-humorada de arcos que já conhecem de cor — como o confronto com os Piratas de Arlong, o embate com os assassinos da Baroque Works e a chegada à Grand Line.
Em termos de conteúdo, o especial cobre eventos equivalentes às duas primeiras temporadas do live-action, o que inclui desde a formação inicial da tripulação até a virada rumo à segunda metade da saga em East Blue e o início da jornada pela Grand Line.
Quem está por trás da produção
O projeto nasce de uma parceria entre várias frentes. O Grupo LEGO entra com a estética e a linguagem visual característica das produções em blocos, enquanto a Shueisha, editora japonesa responsável pela publicação original de One Piece, garante a supervisão de conteúdo. A animação fica a cargo do estúdio canadense Atomic Cartoons, sediado em Vancouver e conhecido por trabalhos como “Spidey e Seus Amigos Espetaculares”.
Eiichiro Oda, criador de One Piece, assina como produtor executivo, dividindo a função com representantes do Grupo LEGO e da Tomorrow Studios, produtora responsável pela adaptação live-action. A direção dos dois episódios ficou com Chelsea Ker, enquanto Tom Hyndman acumula as funções de showrunner e roteirista.
A classificação indicativa do especial aponta para o público infantil a partir de sete anos, o que reforça o objetivo declarado pela produção: funcionar como uma porta de entrada mais leve para crianças e famílias que talvez achem a série live-action pesada demais para assistir junto.
O momento da franquia na Netflix
O lançamento do especial não é um evento isolado — ele se encaixa em um momento particularmente movimentado para One Piece dentro do catálogo da Netflix. A segunda temporada da série live-action, batizada de “Rumo à Grand Line”, estreou em março deste ano, com oito episódios que levaram os protagonistas além do East Blue. A repercussão foi forte o suficiente para que os dois primeiros episódios da temporada chegassem a ser exibidos em mais de 200 salas de cinema antes do lançamento no streaming.
Enquanto o especial em LEGO se prepara para estrear, a produção da terceira temporada live-action já encerrou as filmagens. Segundo informações divulgadas pela própria plataforma, essa nova leva de episódios deve adaptar o arco de Alabasta, um dos mais aclamados pelos fãs do mangá e do anime original, com estreia prevista somente para 2027.
Também vale mencionar que a linha de produtos LEGO inspirada no live-action já está disponível para venda, e parte dessas peças físicas aparece diretamente na animação do especial — uma forma de reforçar a conexão entre o produto e o conteúdo audiovisual.
Por que o anúncio chamou tanta atenção
Colaborações entre grandes marcas e franquias de streaming costumam ser recebidas com desconfiança pelos fãs, especialmente quando soam como jogadas puramente comerciais. Nesse caso, porém, a permanência do elenco original na dublagem foi lida como um sinal de que a Netflix está tratando o projeto com o mesmo cuidado dedicado à série principal, e não apenas como um produto derivado para vender brinquedos.
O fato de o próprio Eiichiro Oda acompanhar de perto a produção, junto com o showrunner da série live-action assinando o roteiro, também ajuda a sustentar essa percepção. Para uma franquia que já provou ser capaz de conquistar tanto fãs de longa data quanto espectadores novos com a adaptação live-action, um especial pensado para públicos ainda mais jovens pode funcionar como um reforço estratégico — abrindo caminho para que crianças acompanhem a saga antes mesmo de assistir à versão live-action original.
Com a estreia marcada para 29 de setembro, resta saber se a fórmula de contar a história pelos olhos (nada confiáveis) de Usopp vai conquistar o mesmo carinho que a série já conquistou entre os fãs de One Piece ao redor do mundo.
Imagem do topo: Netflix
Phantom Busters vai virar anime em 2027: o que já se sabe sobre o mangá do clube de exorcismo
Phantom Busters vai virar anime em 2027. Phantom Busters ganhou adaptação em anime para TV, com estreia em 2027, anunciada pela conta oficial no X em 24 de setembro. Na véspera, um teaser com horário marcado já indicava que o comunicado era grande, e quem acompanha o mangá acertou o palpite.
A obra é de Neoshoco e é publicada na Jump Square, da Shueisha, desde agosto de 2023. Uma correção para quem pesquisa: o nome é Phantom Busters, no plural, e não Phantom Buster. Abaixo estão os fatos confirmados, um resumo da história e as lacunas que a produção ainda não preencheu.
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O que foi confirmado sobre o anime de Phantom Busters
Os dados oficiais são poucos. Sabe-se que será uma série de TV, que estreia em 2027 e que Neoshoco desenhou uma ilustração comemorativa. Não há detalhes sobre o estúdio responsável. Diretor, elenco de dublagem, emissora e data exata também não apareceram. Qualquer site que já cite um estúdio está chutando.
O comentário da autora foi curto. Ela agradeceu aos leitores e disse que a graça da série deve ficar ainda mais evidente em animação. Faz sentido vindo de quem desenha comédia com sustos: o tempo de uma piada, o pulo de um fantasma aparecendo, o som de um espírito sendo engolido, tudo isso muda de peso quando ganha voz e movimento.
O anúncio também tinha antecedentes. Em 2025, o mangá ficou em quarto lugar na enquete “Manga We Want to See Animated” do AnimeJapan. Estar bem colocado numa lista dessas não garante nada, mas mostra que havia demanda pública antes de a produção existir.
Sobre o que é Phantom Busters
Eugene Korekishi é aluno nota dez e não acredita em fantasmas. Mogari Shishikuno, colega dele, é exorcista, e o método é incomum. Em vez de enfrentar os espíritos como os demais, ele os engole. O problema é que Mogari não enxerga o que come. Precisa de alguém com visão espiritual para apontar o alvo, e é aí que Eugene entra na história.
Dessa combinação nasce o clube de exorcismo da escola, que funciona como base da série. A dupla ganha uma terceira integrante, Kaoru Kanzaki, e o grupo passa a procurar um quarto membro: Kotaro Tamon, colega que parece conversar com fantasmas, mas trava completamente diante de gente viva. O arco de Kotaro mostra bem o tom do mangá. O sobrenatural aparece como cenário, e o conflito de verdade é a ansiedade social de um garoto que fala com mortos e não consegue falar com os vivos.
A Anime News Network classifica a obra como comédia juvenil sobre um clube de exorcistas. O lado de ação vem do combate aos espíritos, que são uma ameaça real dentro da história. A série trata isso como rotina de colégio, do mesmo jeito que outras histórias escolares tratam prova e recuperação.

De one-shot a mais de 1,4 milhão de exemplares
Phantom Busters começou como one-shot na Jump SQ.RISE, em outubro de 2022, servindo de protótipo. A serialização formal começou em 4 de agosto de 2023, e o primeiro volume saiu em 4 de dezembro do mesmo ano.
Os números cresceram de forma constante. Em setembro de 2025 a obra chegou a 1 milhão de exemplares em circulação. Hoje passa de 1,4 milhão, contando as edições digitais, e o volume 8 chega ao Japão em 2 de outubro.
O reconhecimento veio também por votações. A obra ficou em 19º lugar no Next Manga Award de 2024, em 14º em 2025, e em 2º na lista de quadrinhos recomendados por funcionários de livrarias japonesas em 2025. Essa última posição pesa, porque vem de quem vende mangá todos os dias e indica o que gosta de verdade.
A marca já circulava fora do papel. Em 2025 houve café temático em parceria com personagens da Sanrio e um pop-up em Shibuya chamado “Ghost & Friends”.
Nem tudo foi linear. Em janeiro de 2026 a autora entrou em pausa de dois meses após sobrecarga de trabalho, e o mangá voltou em abril. Vale guardar essa informação: ritmo de produção do mangá costuma pesar nas decisões de quem vai animar a obra.
Onde ler Phantom Busters
A VIZ Media anunciou a edição em inglês em maio de 2025, dentro do selo Shonen Jump, e o volume 1 saiu em 14 de outubro de 2025. Quem lê em inglês tem acesso, então, a uma tradução oficial. Até a publicação deste texto, não vimos anúncio de edição brasileira, e vamos atualizar a matéria se isso mudar.
O que ainda não se sabe sobre o anime
A lista de lacunas é longa e importa para quem quer acompanhar:
- Estúdio e diretor: nenhum dos dois foi revelado.
- Data de estreia: só o ano, 2027, foi confirmado.
- Elenco de dublagem: sem anúncio para a série. Existem vídeos promocionais de volumes com vozes, mas isso não vale como escalação do anime.
- Onde assistir: sem informação de emissora, streaming ou disponibilidade no Brasil.
- Quanto do mangá será adaptado: a obra tinha 7 volumes e 35 capítulos no fechamento dessa cobertura, então a primeira temporada deve cobrir uma parte inicial da história, mas essa é uma inferência, não uma informação oficial.
Por que Phantom Busters funciona como anime
Existem três motivos práticos para essa adaptação fazer sentido. O primeiro é a premissa, que se explica em uma frase e rende cenas fáceis de lembrar: exorcista que engole fantasma. O segundo é o elenco pequeno, com um clube de poucos membros, o que facilita construir afeto entre personagens sem diluir a história. O terceiro é o tom, que alterna piada e tensão sem depender de lutas gigantes, o que dá à equipe de animação espaço para investir em atuação e comédia visual.
Quem ainda não leu tem tempo: falta pelo menos um ano para a estreia, e o mangá está em publicação regular. Quem já acompanha vai ver, em 2027, se o estúdio acerta o que o texto de Neoshoco promete quando fala em ver os personagens “se divertindo” na tela.
Imagem do topo: Pop Verse
Cyberpunk: Edgerunners 2 já tem trailer — e Night City nunca pareceu tão hostil
Depois de quatro anos sem notícias concretas sobre o futuro da franquia em formato de anime, a Netflix finalmente soltou o primeiro trailer oficial de Cyberpunk: Edgerunners 2. A estreia está marcada para 20 de outubro de 2026, com dez episódios prometendo uma crônica dura de redenção e vingança numa cidade dominada pela violência. Quem esperava só um teaser de trinta segundos se surpreendeu: o material tem mais de um minuto e mostra bastante das vidas dos quatro novos protagonistas num cenário tomado pela violência televisionada e pelo espetáculo midiático corporativo.
O projeto volta a reunir a Netflix, a CD Projekt Red e o Studio Trigger, o mesmo trio responsável pelo fenômeno de 2022 que fez as vendas de Cyberpunk 2077 dispararem meses depois de um lançamento problemático. A diferença agora é que a temporada 2 não é uma continuação direta — é praticamente uma série nova ambientada no mesmo universo.
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Quem são os novos personagens
Um dos maiores choques do trailer é a ausência total de David Martínez e Lucy. A série deixará para trás os protagonistas de 2022 e trará um elenco totalmente substituído: Roman Carax, Talia Yang, Weak Kingsley e D, quatro personagens ligados aos submundos de Night City e seus conflitos internos.
Cada um deles carrega uma função narrativa bem marcada. Weak é um edgerunner veterano que vive à sombra da própria glória. D é um netrunner em busca de vingança depois que todo o seu clã foi assassinado. Roman é um cinéfilo que tenta documentar a verdade através da própria câmera, mesmo que isso o coloque em perigo. Talia é uma mercenária obcecada por modificação corporal. No trailer, os quatro aparecem conectados por acaso — ou não — a segredos corporativos que jamais deveriam ter vindo à tona.
Roman, aliás, parece ter peso especial na trama. Ele se dedica a registrar em vídeo o que acontece nas zonas mais perigosas da metrópole, uma atividade que o aproxima de criminosos, mercenários e outros moradores que sobrevivem fora da lei. É um recurso narrativo esperto: usar um personagem-câmera para justificar, dentro da própria história, o tom quase documental que Trigger tanto gosta de explorar em cenas de ação.
Uma história fechada, sem depender da temporada 1
Um detalhe que chamou atenção de quem acompanha o desenvolvimento é a decisão de tornar a temporada 2 totalmente autônoma. Diferente da primeira leva de episódios, a história de Cyberpunk: Edgerunners 2 será independente e acessível para quem nunca viu a temporada anterior, sem exigir conhecimento prévio. Segundo a sinopse oficial publicada no site do anime, a trama explora como os protagonistas tentam encontrar sentido num mundo que os marginalizou, enquanto são arrastados para os cantos mais perigosos e sombrios de Night City.
Na prática, isso significa que quem nunca assistiu a um episódio de Edgerunners pode entrar direto na temporada 2 sem se perder. É uma aposta arriscada — a primeira temporada tinha um final emocionalmente pesado, e parte do público esperava algum tipo de desdobramento direto da morte de David. Em vez disso, a produção optou por reiniciar o tabuleiro dentro do mesmo mapa.
A quantidade de episódios segue igual à da primeira temporada: dez capítulos, suficientes para desenvolver e fechar essa nova história sem precisar esticar os arcos de David e Lucy.
Quem está por trás das câmeras
A ficha técnica também mudou. Kai Ikarashi assume a direção de Cyberpunk: Edgerunners 2, enquanto Kanno Ichigo fica responsável pelo design principal dos personagens. É uma renovação criativa que acompanha a renovação do elenco — o estúdio parece ter decidido que, se a história seria outra, a equipe criativa também precisava trazer olhares novos.
Isso não significa ruptura total com a identidade visual que marcou a primeira temporada. O traço ainda carrega a assinatura estética do Trigger — contrastes fortes, movimento exagerado, cores neon estourando contra o cinza da cidade —, mas o trailer já deixa entrever uma pegada ainda mais crua.
Um tom prometido como mais brutal
Se tem algo que os responsáveis pela série repetem em quase toda entrevista recente, é a promessa de intensificar o que já era pesado na primeira temporada. Desta vez, a intenção declarada do Trigger é emocionar ainda mais o público, levando a carga emotiva da série para outro patamar. O recado que ficou depois do primeiro trailer é direto: se a temporada 1 fez os fãs chorarem, esta promete atingir a fibra emocional com ainda mais força.
Vale lembrar o contexto: a primeira temporada não poupou o público. Personagens queridos morreram, o protagonista sucumbiu à ciberpsicose e o desfecho foi qualquer coisa menos reconfortante. Prometer “mais intenso que aquilo” é uma afirmação pesada — e é exatamente esse tipo de expectativa que o marketing da temporada 2 está tentando alimentar desde a divulgação do primeiro material.
Quando e onde assistir
A estreia de Cyberpunk: Edgerunners 2 está confirmada para 20 de outubro de 2026, exclusivamente na Netflix, com os dez episódios da temporada. Diferente de outras produções que liberam episódios semanalmente, a expectativa é que a plataforma mantenha o formato de lançamento completo de uma vez, repetindo o modelo usado na primeira temporada — o que costuma favorecer maratonas de fim de semana.
O anúncio da data veio acompanhado da divulgação do trailer, reforçando a estratégia que a Netflix já usa há anos com títulos de peso: soltar material visual junto com a confirmação oficial para maximizar o alcance da notícia nas primeiras horas.
Por que essa temporada importa para quem joga Cyberpunk 2077

Mesmo com elenco novo, a segunda temporada segue cumprindo o mesmo papel que a primeira exerceu para o jogo da CD Projekt Red: manter Night City relevante no imaginário popular entre um lançamento de jogo e outro. Com o desenvolvimento de Cyberpunk 2, sequência do game original, ainda em andamento, o anime funciona como ponte — mantém a franquia na conversa, atrai novos jogadores curiosos e reforça a identidade visual que ajudou a reposicionar a marca depois do lançamento conturbado de 2020.
Não é a única frente em que a marca aparece ativa: colaborações com outros jogos e produtos têm mantido o universo de Night City circulando, mas é o anime que continua sendo, disparado, a porta de entrada mais eficaz para quem nunca encostou no game.
O que esperar dos próximos meses
Entre agora e outubro, é razoável esperar mais um ou dois trailers, provavelmente com foco em cada um dos quatro protagonistas individualmente — um padrão comum em campanhas de anime de peso, usado inclusive na divulgação da primeira temporada. Também não seria surpresa ver a Netflix liberar imagens promocionais adicionais e talvez um poster oficial nas semanas que antecedem o lançamento.
Por enquanto, o que existe é o trailer, a confirmação da data e um elenco de quatro nomes que carregam a responsabilidade de repetir — ou superar — o impacto que David, Lucy e companhia tiveram em 2022. A régua está alta, mas a proposta de contar uma história fechada, sem as amarras da temporada anterior, dá ao Trigger liberdade criativa que talvez tenha faltado numa eventual continuação direta.
Resta esperar até outubro para saber se Weak, D, Roman e Talia vão marcar Night City da mesma forma que seus antecessores marcaram.
Imagens: Otaku PT
Mangás mais vendidos de agosto e setembro de 2026: Kingdom lidera agosto e Kagurabachi abre setembro
Mangás mais vendidos de agosto e setembro de 2026. Agosto de 2026 teve um vencedor claro e um pelotão apertado atrás dele. O volume 80 de Kingdom vendeu 365.379 cópias no Japão entre 3 e 30 de agosto, quase o triplo do segundo colocado. Setembro começou com troca de liderança: Kagurabachi 12 estreou no topo da semana, e na seguinte quem assumiu foi Onna no Sono no Hoshi 5, de Yama Wayama.
Aqui estão os números dos dois meses, a origem de cada dado e o que ainda pode mudar a tabela até o fim de setembro.
- The Dangers in My Heart chega ao fim depois de oito anos de publicação
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De onde vêm os números
Todos os dados são da Oricon, empresa que mede a venda de livros impressos no Japão. O ranking não inclui edições digitais nem vendas em outros países: ele mede volumes físicos nas lojas japonesas. A Oricon apura as vendas nos pontos de venda e divulga estimativas, não as tiragens das editoras. O recorte mensal de agosto vai de 3 a 30 de agosto. Setembro ainda está em andamento, com semanas fechadas apenas até 13 de setembro, então não existe um campeão mensal de setembro por enquanto. Quando este texto diz “mais vendido”, leia “mais vendido em cópias físicas no Japão”.
Ranking dos mangás mais vendidos de agosto de 2026

O topo do mês, segundo a Oricon:
- Kingdom, vol. 80: 365.379 cópias
- Blue Lock, vol. 40: 127.399 cópias
- Kusuriya no Hitorigoto (The Apothecary Diaries), vol. 17: 109.244 cópias
- Sakamoto Days, vol. 28: 108.273 cópias
- Black Clover, vol. 38: 104.187 cópias
- One Piece, vol. 115: 68.312 cópias
Kingdom 80 abre uma distância que ninguém fechou
O volume 80 saiu em 19 de agosto e vendeu 280.215 cópias só na semana de 17 a 23, o que bastou para liderar o ranking semanal. Na semana seguinte, de 24 a 30, continuou em primeiro. Foi o terceiro mês de 2026 em que o mangá de Yasuhisa Hara terminou no topo: janeiro, com o volume 78, maio, com o 79, e agora agosto. Publicado na Weekly Young Jump desde 2006, Kingdom passa de 120 milhões de exemplares em circulação, e cada tomo novo mostra que essa base segue comprando.
Blue Lock 40 e a estreia da terceira temporada
Blue Lock chegou às lojas em 17 de agosto e fechou o mês em segundo, com 127.399 cópias. O tomo de Muneyuki Kaneshiro e Yusuke Nomura tem reforço a caminho: a terceira temporada do anime se chama BLUE LOCK: Neo Egoist League, e a exibição de uma adaptação costuma empurrar também os volumes antigos da série.
The Apothecary Diaries repete o terceiro lugar
Kusuriya no Hitorigoto ficou em terceiro pelo segundo mês seguido, com 109.244 cópias do volume 17, a versão em mangá de Nekokurage para os romances de Hyuganatsu. O título também tem futuro fora das páginas: a Amazon Prime Video anunciou uma série live-action para 2028, com Mana Ashida no papel de Maomao.
Sakamoto Days e Black Clover fecham o top 5
Sakamoto Days, de Yuto Suzuki, vendeu 108.273 cópias com o volume 28 e ficou a menos de mil unidades do terceiro lugar, uma diferença de 971 cópias. Black Clover fechou o top 5 com 104.187 cópias no volume 38, o último de Yuki Tabata, lançado em 4 de agosto junto com o guia Perfect Grimoire.
One Piece 115 fica em oitavo
One Piece ficou em oitavo, com 68.312 cópias do volume 115 em agosto. Isso não indica desgaste. O tomo passa de 1,08 milhão de exemplares acumulados desde o lançamento, e a série liderou o ranking mensal de julho. Para comparar, em março o volume 114 vendeu 612.629 cópias na primeira semana.
Mangás mais vendidos de setembro de 2026 até agora

Na semana de 31 de agosto a 6 de setembro, Kagurabachi vol. 12, de Takeru Hokazono, estreou em primeiro com 50.941 cópias. O volume saiu em 4 de setembro. Dandadan vol. 25, de Yukinobu Tatsu, abriu logo atrás, com 43.453, uma distância de 7.488 cópias. Vale comparar com o próprio título: em janeiro, o volume 10 abriu em segundo lugar com 114.783 cópias, mais que o dobro do que o volume 12 fez na estreia.
Na semana seguinte, Onna no Sono no Hoshi vol. 5 (Hoshi in the Girls’ Garden), de Yama Wayama, lançado em 8 de setembro, entrou direto em primeiro com 117.276 cópias estimadas. É mais que o dobro do que o Kagurabachi vendeu na semana de estreia.
Setembro ainda não fechou: o ranking da semana de 14 a 20 de setembro sai nos próximos dias, e o resultado mensal só aparece no começo de outubro.
Agosto no contexto do ano
Comparado ao resto do ano, agosto teve um vencedor forte e um restante modesto. Kingdom 80 vendeu 365.379 cópias no mês, 8.820 a mais que o volume 79 em maio (356.559) e 100.571 a menos que o volume 78 em janeiro (465.950). O campeão de junho, That Time I Got Reincarnated as a Slime, fez 270.780; o de março, One Piece 114, passou de 1 milhão. Nesse cenário, o segundo lugar de agosto, Blue Lock, com 127.399, ficou bem abaixo de qualquer campeão mensal do ano, o que confirma um mês em que só um título passou da casa das 200 mil cópias.
O que os números de agosto e setembro mostram
O primeiro dado é a concentração na semana de lançamento. Das 365.379 cópias de Kingdom 80 em agosto, 280.215 saíram na primeira semana, cerca de 77% do total do mês. Para os concorrentes, a janela para brigar por posição é curta: do segundo ao quinto lugar do mês, a diferença é de apenas 23.212 cópias.
O segundo é o peso das editoras. No ranking semanal divulgado no início de agosto, a Square Enix colocou três títulos entre os dez primeiros e somou 53,8% das vendas do top 10, com o volume 17 de Kusuriya no Hitorigoto em primeiro lugar.
O terceiro é o efeito das adaptações. Blue Lock aguarda a terceira temporada, Kusuriya no Hitorigoto prepara a série de 2028 na Amazon e Kingdom já tem anúncio da sexta temporada do anime. Nenhum desses títulos precisa de anime para vender, mas todos têm um motivo a mais para manter os volumes em exposição.
Lançamentos de setembro que podem mexer no ranking
Segundo o calendário de lançamentos do MangaCodex, setembro ainda traz Silver Mountain vol. 5 e Mokushiroku no Yonkishi (Four Knights of the Apocalypse) vol. 28, ambos de 16 de setembro, além de Choujin X vol. 17 e Maryoku Kare no Dark Elf vol. 2, de 17 de setembro, e o primeiro volume do spin-off de Solo Leveling, de 18 de setembro. Nenhum deles tem dados de venda publicados até agora, então vale tratar qualquer previsão de posição como palpite.
Perguntas frequentes
Qual foi o mangá mais vendido de agosto de 2026?
Kingdom vol. 80, com 365.379 cópias vendidas no Japão entre 3 e 30 de agosto, segundo a Oricon.
Qual é o mangá mais vendido de setembro de 2026?
Ainda não há resultado mensal. Kagurabachi vol. 12 liderou a primeira semana e Onna no Sono no Hoshi vol. 5 liderou a segunda.
Esses números valem para o Brasil?
Não. A Oricon mede só as vendas de livros impressos no Japão. Os rankings brasileiros seguem outros critérios, e muitos títulos chegam ao país com atraso em relação ao lançamento japonês.
O que fica de agosto e do começo de setembro
Agosto pertenceu a Kingdom, com Blue Lock, Kusuriya no Hitorigoto, Sakamoto Days e Black Clover dividindo uma faixa de 23 mil cópias. Setembro começou com dois líderes diferentes em duas semanas, Kagurabachi 12 e Onna no Sono no Hoshi 5, e o cenário só se define quando a Oricon publicar as próximas semanas.
Imagem do topo: The Apothecary Diaries (Attack of the Fanboy)
