julho 16, 2026 | Abraham Costa

Red Dead Redemption 3 pode não ser uma continuação — e isso pode ser a melhor notícia da franquia

Red Dead Redemption 3 pode não ser uma continuação. Todo mundo que joga Red Dead Redemption 2 desde 2018 carrega a mesma pergunta guardada num canto da cabeça: o que vem depois de Arthur Morgan? A resposta óbvia seria “o filho do John Marston, obviamente”. Só que quanto mais rumor sai sobre Red Dead Redemption 3, mais essa resposta óbvia perde força.

E tem um motivo simples para isso: a Rockstar já fez essa jogada antes, e ela não segue reto pra frente.

A franquia sempre andou pra trás, não pra frente

Repara numa coisa que passa batido pra quem não presta atenção na timeline: o primeiro Red Dead Redemption se passa em 1911, no fim da era dos foras-da-lei, com John Marston já velho de guerra tentando deixar o passado quieto. RDR2, lançado oito anos depois, não continuou a história do Jack adulto nem seguiu em frente no calendário — ele voltou pra 1899, pra mostrar a gangue Van der Linde na pior fase da queda dela. Ou seja: a sequência mais aclamada da história dos games não foi sequência nenhuma. Foi prequela.

Isso não é só curiosidade de fã organizado. É padrão de estúdio. E padrão de estúdio é a coisa mais fácil de apostar quando não existe confirmação oficial. <cite index=”9-1″>A franquia é conhecida por sua narrativa reversa: o primeiro jogo se passa no fim da era dos fora da lei, em 1911, e o segundo no início do declínio, em 1899</cite>. Se o terceiro título seguir a mesma lógica, o caminho natural não é ir pra frente, na direção dos anos 1920 e dos carros. É voltar mais ainda, pros 1870 ou 1880, quando o Velho Oeste ainda era bruto de verdade e não uma lembrança.

Por que ninguém quer ver Jack Marston de terno

A ideia de seguir o Jack adulto, décadas depois do primeiro jogo, sempre soou tentadora no papel. Só que esbarra num problema que a comunidade já discutiu à exaustão: os anos 1920 são a era de Al Capone, Lei Seca, gângster de terno e carro, não de cavalo e revólver. <cite index=”11-1″>Um jogo nos anos 20 seria sobre gângsteres, Lei Seca e carros, ficando mais parecido com Mafia do que com Red Dead, perdendo a identidade caubói</cite>. Pra uma franquia que vende justamente a sensação de cavalgar por território sem lei, trocar isso por metrópole e terno é abrir mão do próprio motivo de existir.

Tem gente que argumenta o oposto — que dá pra fazer funcionar, que o choque entre o velho oeste selvagem e a modernidade que chega é ótimo material dramático, com direito a crime organizado nascendo e um mundo em transição. É um argumento válido. Só que ele ainda é minoria dentro da própria comunidade que discute o assunto, e a Rockstar historicamente prefere manter a marca registrada da série intacta a arriscar descaracterizá-la.

O que “aposentar” os Van der Linde de vez significaria

Existe ainda uma terceira porta, mais radical: esquecer Dutch, Arthur, John e companhia de vez e apostar num elenco inteiramente novo, sem vínculo direto com os dois primeiros jogos. <cite index=”9-1″>No Reddit a sugestão mais popular é que o terceiro título apresente um elenco totalmente novo e uma trama independente, explorando o Velho Oeste selvagem em sua forma mais pura, antes da civilização e da lei moderna começarem a fechar o cerco</cite>.

Faz sentido dramático: a saga da gangue Van der Linde já tem começo, meio e fim redondos. Colocar mais um capítulo ali em cima corre o risco de virar aquele epílogo que ninguém pediu — tipo puxar mais uma temporada de uma série que já encerrou tudo direitinho no penúltimo episódio. Um novo protagonista, numa era ainda mais crua do oeste americano, dá liberdade total de roteiro sem pisar em cima do legado que já está consagrado.

Tem até quem aposte fichas em nomes específicos pra esse cenário sem Van der Linde — Sadie Adler caçando recompensa fora dos Estados Unidos aparece com frequência nessas conversas, assim como a possibilidade de resgatar Red Harlow, personagem do Red Dead Revolver original, o primeiro jogo da franquia antes mesmo do Red Dead Redemption de 2010.

Red Dead Redemption 3 pode não ser uma continuação
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Por que a Rockstar bateria o martelo nessa direção

Ninguém da Rockstar confirmou nada — isso precisa ficar claro antes de qualquer especulação render matéria. <cite index=”3-1″>Oficialmente, o CEO da Take-Two, Strauss Zelnick, disse que GTA e Red Dead seriam franquias eternas</cite>, mas isso é discurso de investidor sobre valor de marca, não anúncio de produto. Fora isso, silêncio total.

O que sustenta a teoria da prequela ou do elenco novo não é vazamento, é lógica de roteiro somada a comportamento histórico do estúdio. RDR2 provou que voltar no tempo funciona melhor comercial e criticamente do que avançar. O jogo vendeu mais de 45 milhões de cópias sendo uma prequela — não precisava reinventar a roda pra cima, precisava aprofundar pra trás. Repetir a fórmula que já deu certo é justamente o tipo de aposta segura que uma empresa faz quando o próximo lançamento vai levar quase uma década pra ficar pronto e custar centenas de milhões de dólares.

Quando isso vira jogo, afinal

Aqui a resposta desanima quem espera notícia rápida. Com o lançamento de GTA VI marcado pra novembro de 2026, o time principal da Rockstar segue mobilizado no maior projeto da empresa em mais de dez anos. Um ex-animador do estúdio que passou por GTA V foi direto ao ponto numa entrevista recente: <cite index=”6-1″>não vê esse jogo sendo lançado antes de 2032, especialmente considerando o tempo que GTA VI levou pra ficar pronto, já que títulos desse calibre levam de cinco a sete anos pra serem produzidos</cite>.

Isso bate com o histórico da própria franquia: RDR2 levou cerca de oito anos entre um lançamento e outro. Se o ciclo se repetir contando a partir do momento em que a equipe principal migrar de vez pra esse projeto — o que só deve acontecer depois que a poeira de GTA VI assentar, lá por 2027 ou 2028 — o jogo dificilmente aparece antes do início da década de 2030.

O peso de quem escreveu RDR2 já não está mais lá

Tem um detalhe que costuma ficar de fora dessas discussões e que pesa mais do que qualquer teoria de cenário: Dan Houser, o roteirista-chefe e cofundador da Rockstar responsável pela espinha dorsal narrativa de RDR2, saiu da empresa em 2020. A profundidade de Arthur Morgan, os diálogos que grudam na memória anos depois, a filosofia que dá alma pro jogo — isso não nasceu sozinho, nasceu de uma cabeça específica que hoje não está mais dentro do estúdio.

Isso não quer dizer que o próximo Red Dead vai ser ruim. A Rockstar ainda é a mesma empresa que entregou GTA V há mais de uma década e continua vendendo até hoje. Mas explica por que uma prequela, ou um elenco novo distante da gangue Van der Linde, pode ser a escolha mais segura pro time atual: reescrever Dutch, Hosea e companhia num roteiro que precisa bater de frente com o material que Houser deixou é um risco enorme de comparação direta. Contar uma história nova, num período diferente, com personagens que ninguém já ama de um jeito específico, tira essa régua de cima da mesa.

O que fica certo em meio a tanto “talvez”

Ninguém sabe se Red Dead Redemption 3 vai ser prequela, elenco novo ou sequência direta. O que dá pra afirmar com mais segurança é que a aposta mais defendida por quem acompanha a franquia de perto não é continuar a história pra frente — é voltar pra trás, do jeito que RDR2 já fez uma vez e funcionou melhor do que qualquer sequência tradicional teria funcionado. A “continuação óbvia” que todo mundo imagina de cara pode ser justamente o caminho que a Rockstar evita, porque western com metrópole e carro deixa de ser western.

Até lá, resta acompanhar os bastidores com desconfiança saudável de qualquer vazamento sem fonte confirmada, e aceitar que a resposta definitiva só deve vir quando a própria Rockstar decidir falar — o que, historicamente, nunca é cedo.

Imagem do topo: PS Blog

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