O sol ainda não havia ultrapassado completamente as muralhas quando Verdevale começou a despertar.
Primeiro vieram os sons.
O ranger pesado das rodas de carroça sobre a terra endurecida, o chamado dos comerciantes diante do portão leste, os primeiros golpes de martelo vindos do distrito das oficinas e, misturado a tudo aquilo, o cheiro quente do pão recém-retirado dos fornos da praça.
Poucos meses antes, aquela hora do dia costumava ser silenciosa.
Silenciosa demais.
Não porque as pessoas ainda estivessem dormindo, mas porque havia pouco motivo para se levantar cedo.
Pouco comércio.
Pouco trabalho.
Pouco dinheiro circulando.
Agora, antes mesmo de o sol aparecer por inteiro acima das muralhas, uma pequena fila de carroças já se formava diante do portão leste.
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Tecidos.
Ferramentas.
Sacos de grãos.
Barricas de óleo.
Pequenos carregamentos trazidos por comerciantes que, até pouco tempo atrás, dificilmente teriam considerado Verdevale um destino digno de uma parada.
Para Renato, aquela confusão era quase bonita.
Quase.
Porque crescimento trazia movimento.
Movimento trazia dinheiro.
Dinheiro trazia problemas.
E naquela manhã, Verdevale havia acabado de descobrir um novo.
Pequenas placas de madeira haviam sido instaladas nas entradas principais da cidade.
Não eram particularmente bonitas.
Na verdade, uma delas já estava ligeiramente torta.
Mas o que estava escrito nelas era muito mais importante do que a aparência.
Pela primeira vez desde que Renato assumira de verdade o controle do território, Verdevale possuía taxas organizadas.
Manutenção das estradas.
Proteção das caravanas.
Custos relacionados ao transporte e exploração da mina.
Valores pequenos.
Razoáveis, na opinião dele.
Naturalmente, bastara uma única manhã para alguém começar a reclamar.
