O Último Herdeiro de Ravenmoor – Light Novel Capítulos 7 a 11
Capítulo 7 — O Primeiro Soldado

André entrou no quartel com passos lentos.
Lyra veio logo atrás.
O chão de pedra estava coberto por detritos.
Algumas lanças quebradas.
Partes de armaduras.
Pedaços de madeira.
Mas o que chamava mais atenção eram os corpos.
Soldados.
Pelo menos uma dúzia.
Alguns ainda vestiam partes de suas armaduras.
Outros estavam apenas com roupas simples de guarda.
A posição deles deixava claro o que tinha acontecido.
Eles haviam lutado até o fim.
André caminhou até um dos corpos.
O homem estava caído próximo à porta lateral.
A espada ainda estava em sua mão.
Ele se abaixou.
Observou a armadura.
A marca da Casa Valenfyr ainda era visível no metal.
Um escudo com duas lâminas cruzadas.
Lyra caminhava pelo salão.
Observando tudo.
— Eles seguraram a entrada.
Ela parou perto da porta principal quebrada.
— Provavelmente tentaram impedir o ataque de chegar à torre.
André assentiu devagar.
— Faz sentido.
Lyra voltou a caminhar.
Parou diante de outro corpo.
Um soldado grande.
Armadura pesada.
Ela inclinou a cabeça.
— Esse aqui parece forte.
André se aproximou.
O homem tinha ombros largos.
Mesmo morto há muito tempo, ainda parecia robusto.
A espada ao lado dele era maior que as outras.
Lyra olhou para André.
— Esse vale a pena.
André permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois estendeu a mão sobre o corpo.
A reação veio imediatamente.
A mesma sensação fria percorreu seu braço.
Desta vez mais intensa.
A mana respondeu.
Fragmentos de energia azul começaram a surgir no ar.
André manteve a mão estendida.
A energia fluiu.
Mas depois de alguns segundos ele parou.
A mão desceu lentamente.
Lyra levantou uma sobrancelha.
— Mudou de ideia?
André balançou a cabeça.
— Não.
Ele olhou para os outros corpos espalhados pelo salão.
Depois voltou os olhos para o soldado.
— Mas não vou levantar um por vez sem pensar.
Lyra cruzou os braços.
— Planejando um exército?
André respondeu com calma.
— Planejando não morrer.
Lyra sorriu.
— Justo.
André caminhou alguns passos pelo quartel.
Observando os corpos.
A maioria ainda estava relativamente preservada.
O lugar era seco.
Protegido da chuva.
Isso tinha ajudado.
Ele parou no centro do salão.
Olhou ao redor.
— Quantos você acha que consigo levantar?
Lyra respondeu sem hesitar.
— Agora?
Ela observou André de cima a baixo.
Depois analisou a energia ao redor dele.
— Talvez um.
André suspirou.
— Como imaginei.
Lyra deu de ombros.
— Você acabou de acordar sua necromancia.
Ela chutou levemente uma espada quebrada no chão.
— Não espere levantar um exército no primeiro dia.
André voltou a olhar para o soldado maior.
Aquele parecia a melhor escolha.
Ele caminhou até o corpo novamente.
Parou diante dele.
A mão se estendeu.
A mana respondeu outra vez.
Desta vez André não interrompeu.
A energia azul começou a envolver o corpo do soldado.
A armadura vibrou levemente.
Pequenas partículas de mana giravam ao redor do cadáver.
Lyra observava com interesse.
— Vamos ver o que você consegue fazer.
Capítulo 8 — Limite de Mana


A mão de André permaneceu estendida sobre o corpo do soldado.
A mana respondeu.
Fragmentos de energia azul começaram a surgir no ar.
Pequenas partículas brilhantes giravam lentamente sobre o cadáver.
A armadura do homem vibrou levemente.
A energia começou a penetrar no corpo.
Lyra observava em silêncio.
Os olhos azulados acompanhavam cada detalhe do processo.
O chão do quartel parecia reagir levemente.
Como se a energia necromântica estivesse sendo puxada para aquele ponto.
Por alguns segundos o ritual continuou.
Então algo mudou.
A visão de André escureceu levemente.
Uma sensação pesada surgiu em seu peito.
A mana começou a falhar.
A energia azul que envolvia o corpo do soldado enfraqueceu.
As partículas começaram a desaparecer.
André retirou a mão rapidamente.
Respirou fundo.
A cabeça girou por um instante.
Lyra inclinou a cabeça.
— Já acabou?
André ficou em silêncio por alguns segundos.
A respiração ainda pesada.
Depois respondeu.
— Não tenho mana suficiente.
Lyra cruzou os braços.
— Imaginei.
Ela caminhou até o corpo do soldado.
Observou o cadáver.
Depois olhou novamente para André.
— Você já está mantendo uma necromante ativa.
Ela apontou para si mesma com o polegar.
— Eu.
André passou a mão pela testa.
A sensação de cansaço ainda estava ali.
— Então esse é o limite.
Lyra deu de ombros.
— Por enquanto.
Ela caminhou pelo salão novamente.
Passando pelos corpos espalhados.
— Levantar mortos consome energia.
Ela chutou levemente uma lança caída no chão.
— E manter eles funcionando consome ainda mais.
André voltou a olhar para o soldado que havia tentado levantar.
Aquele corpo ainda parecia útil.
Mas não agora.
Lyra parou diante de outro cadáver.
Um guarda jovem.
Armadura mais leve.
Ela observou por alguns segundos.
Depois voltou a olhar para André.
— Mas tem uma coisa interessante.
André levantou o olhar.
— O quê?
Lyra abriu os braços lentamente.
— Você não precisa levantar todos agora.
Ela apontou para os corpos espalhados pelo quartel.
— Eles não vão fugir.
André soltou um pequeno suspiro.
— Verdade.
Lyra caminhou até o centro do salão.
O olhar percorreu o quartel inteiro.
Depois parou em algo perto da parede do fundo.
Ela franziu levemente o cenho.
— Hm.
André percebeu a mudança.
— O que foi?
Lyra apontou discretamente.
— Aquilo ali.
Encostado contra a parede, parcialmente coberto por destroços de madeira, havia algo diferente.
Uma espada.
Muito maior que as outras espalhadas pelo quartel.
A lâmina ainda estava presa em uma rachadura no chão de pedra.
Como se tivesse sido cravada ali durante a batalha.
A empunhadura possuía um símbolo.
O mesmo escudo com duas lâminas cruzadas da Casa Valenfyr.
Lyra inclinou a cabeça.
— Essa parece importante.
Capítulo 9 — A Espada do Capitão

André caminhou até o fundo do quartel.
Os passos ecoavam levemente no salão vazio.
Lyra veio logo atrás.
A espada realmente era diferente das outras.
Mais pesada.
Mais longa.
A lâmina ainda parecia em bom estado, apesar do tempo.
André se abaixou e afastou alguns pedaços de madeira quebrada.
A arma estava presa na rachadura da pedra.
Ele segurou a empunhadura.
A superfície estava fria.
Mas firme.
André puxou.
A lâmina deslizou para fora da pedra com um som metálico grave.
Ele levantou a espada lentamente.
O peso era considerável.
A arma claramente havia sido feita para alguém forte.
Lyra observava.
— Não parece uma espada comum.
André virou a lâmina.
O símbolo da Casa Valenfyr estava gravado próximo à base.
— Provavelmente era do capitão da guarda.
Lyra inclinou levemente a cabeça.
— Então ele deve estar por aqui.
André levantou os olhos.
— Faz sentido.
Ele começou a observar os corpos novamente.
Se aquela era a espada do capitão…
o dono dela deveria estar em algum lugar naquele salão.
Lyra caminhou entre os cadáveres.
Parou diante de um corpo encostado contra a parede lateral.
A armadura era diferente das outras.
Mais robusta.
Peitoral reforçado.
O símbolo da casa gravado em destaque.
O corpo ainda segurava um escudo partido.
Lyra olhou para André.
— Achei ele.
André se aproximou.
O homem era grande.
Mesmo sentado contra a parede, era possível perceber que em vida devia ser imponente.
Uma marca profunda atravessava a armadura.
Provavelmente o golpe que o matou.
André olhou para a espada em sua mão.
Depois para o corpo.
— Capitão da guarda Valenfyr.
Lyra cruzou os braços.
— Parece que ele lutou até o final.
André observou o rosto do homem.
Mesmo após a morte, a expressão ainda parecia firme.
Como alguém que não havia recuado.
Lyra apoiou o ombro na parede.
— Esse aí seria uma invocação melhor que aquele soldado.
André não respondeu imediatamente.
Ele ainda sentia o cansaço da tentativa anterior.
A mana não tinha se recuperado.
Ele olhou novamente para o capitão.
Depois para o restante do quartel.
— Não agora.
Lyra assentiu.
— Sensato.
André apoiou a espada do capitão no ombro.
Depois começou a caminhar lentamente pelo quartel novamente.
Observando o lugar com mais atenção.
Agora ele sabia de duas coisas importantes.
Primeiro.
Ravenmoor estava cheia de mortos úteis.
Segundo.
Ele precisava aprender a usar melhor sua necromancia antes de tentar levantar alguém como aquele capitão.
Lyra o acompanhou até a porta do quartel.
Ela olhou novamente para o vilarejo abandonado.
— Ainda tem muita coisa nesse território que você não viu.
Capítulo 10 — Reconstruindo Ravenmoor
André saiu do quartel.
A luz do dia parecia mais forte depois da escuridão do interior do prédio.
A rua principal de Ravenmoor se estendia à frente deles.
Lyra caminhava ao lado dele.
Observando tudo com curiosidade.
— Pequena cidade.
André respondeu.
— Era suficiente.
Lyra olhou as casas destruídas.
— Quantas pessoas viviam aqui?
André pensou por alguns segundos.
As memórias do jogo ainda eram incompletas.
— Algumas centenas.
Lyra assobiou baixo.
— Bastante gente para um massacre.
Eles caminharam pela rua.
André empurrou a porta de uma casa próxima.
A madeira cedeu facilmente.
O interior estava vazio.
Uma mesa quebrada.
Duas cadeiras.
Algumas panelas espalhadas no chão.
Nada de valor.
Ele saiu novamente.
Continuaram andando.
A próxima construção era uma pequena loja.
Provavelmente um ferreiro.
Ferramentas enferrujadas ainda estavam penduradas na parede.
Lyra pegou um martelo velho.
Observou por alguns segundos.
Depois jogou de volta na mesa.
— Esse lugar foi abandonado às pressas.
André concordou.
— O ataque foi rápido.
Eles continuaram pela rua.
Mais à frente, o caminho se abria em uma pequena praça.
No centro havia um poço de pedra.
Alguns bancos quebrados estavam espalhados ao redor.
Lyra parou perto do poço.
Olhou dentro.
— Ainda tem água.
André se aproximou.
Observou a profundidade.
— Útil.
Lyra apoiou os braços na borda de pedra.
— Então o que você pretende fazer com esse lugar?
André olhou ao redor.
Casas abandonadas.
Estradas vazias.
Campos ao longe.
Depois respondeu.
— Primeiro sobreviver.
Lyra assentiu.
— Justo.
André continuou.
— Depois reconstruir.
Lyra virou o rosto para ele.
Um sorriso leve apareceu.
— Ambicioso.
André apoiou a espada do capitão no ombro novamente.
— Não tenho escolha.
Lyra observou o vilarejo silencioso.
Depois voltou os olhos para ele.
— E você acha que consegue fazer isso sozinho?
André olhou novamente para Ravenmoor.
A torre.
O quartel.
O cemitério.
Depois respondeu com calma.
— Não vou estar sozinho por muito tempo.
Capítulo 11 — O Vilarejo Perdido

Lyra observou André por alguns segundos.
Depois soltou uma pequena risada.
— Então você pretende levantar o vilarejo inteiro.
André respondeu com naturalidade.
— Eventualmente.
Lyra apoiou o cotovelo na borda do poço.
— Isso vai dar trabalho.
André começou a caminhar novamente.
Dessa vez na direção da construção de pedra na praça.
O prédio estava parcialmente destruído.
Uma parte da parede havia desabado.
A porta principal estava caída no chão.
Lyra o seguiu.
— O que era isso?
André observou o interior antes de responder.
— Escritório do administrador do vilarejo.
Eles entraram.
O lugar estava cheio de papéis espalhados.
Pergaminhos antigos.
Registros.
Alguns armários estavam abertos.
Outros quebrados.
André começou a olhar os documentos.
A maioria estava rasgada.
Mas alguns ainda eram legíveis.
Listas de suprimentos.
Controle de colheitas.
Registros de moradores.
Lyra caminhava pelo local.
Mexendo em alguns objetos.
— Esse lugar era organizado.
André assentiu.
— Casas pequenas precisam ser.
Ele pegou um dos registros.
A lista continha nomes.
Famílias inteiras.
Ele passou os olhos pelas páginas.
Lyra percebeu.
— O que foi?
André mostrou o pergaminho.
— Moradores do vilarejo.
Lyra aproximou o rosto.
— Bastante gente.
André continuou folheando.
A maioria dos nomes tinha pequenas marcações feitas com tinta.
Alguns estavam circulados.
Outros riscados.
Lyra inclinou a cabeça.
— Mortos?
André respondeu.
— Provavelmente.
Ele fechou o pergaminho.
Olhou novamente para a praça pela abertura da parede.
— Então Ravenmoor tinha mais gente do que apenas os soldados.
Lyra sorriu levemente.
— Ótimo para você.
André não respondeu imediatamente.
Ele caminhou até a parede quebrada.
Observou as casas ao redor.
Algumas ainda estavam em pé.
Outras completamente destruídas.
Ele já conseguia imaginar o que existia ali antes.
Crianças correndo pelas ruas.
Comerciantes abrindo lojas.
Guardas patrulhando.
Agora só restava silêncio.
Lyra parou ao lado dele.
— Pensando em quem levantar primeiro?
André respondeu com calma.
— Pensando em quem vale a pena levantar.
Lyra sorriu novamente.
— Boa escolha.
Ela voltou a olhar a praça.
Depois apontou discretamente para uma casa do outro lado.
— Aquela construção parece maior.
André seguiu o olhar.
A casa era realmente diferente.
Mais sólida.
Provavelmente pertencia a alguém importante do vilarejo.
A porta estava aberta.
Lyra inclinou a cabeça.
— Talvez alguém interessante tenha morrido ali.
O Último Herdeiro de Ravenmoor – Light Novel Capítulos 4 a 6
Capítulo 4 — Um Território de Mortos

André observou o corpo do carniçal caído.
Lyra também olhou.
A criatura não se movia mais.
Ela inclinou a cabeça levemente.
— Você quer que eu enterre de novo?
André balançou a cabeça.
— Não precisa.
Ele caminhou até o corpo.
A criatura era mais magra do que parecia quando estava em movimento.
Pele cinza.
Garras longas.
Provavelmente passava a maior parte do tempo escavando túmulos.
André agachou ao lado do cadáver.
Lyra observava.
— Vai levantar ele também?
André passou a mão sobre o queixo.
— Não.
Ele analisou o corpo por alguns segundos.
— Não parece valer o esforço.
Lyra sorriu.
— Concordo.
Ela caminhou alguns passos pelo cemitério.
Parou diante de outra sepultura.
Observou o terreno.
Depois voltou os olhos para André.
— Você percebeu algo?
André levantou o olhar.
— O quê?
Lyra apontou para o chão.
— O território.
Ele franziu a testa.
— Explica.
Lyra bateu levemente o pé contra a terra.
— Ravenmoor está cheio de mortos.
Ela olhou ao redor.
As lápides se estendiam por toda parte.
— Não apenas aqui.
André ficou em silêncio.
Lyra continuou.
— Vilarejo.
— Campos.
— Estrada.
— Torre.
Ela abriu os braços.
— Muita gente morreu nesse lugar.
André já sabia disso.
Mas ouvir daquela forma fazia parecer diferente.
Mais concreto.
Lyra caminhou até o túmulo que ele tinha aberto.
Olhou para dentro.
Depois voltou a olhar para ele.
— E agora você apareceu.
André cruzou os braços.
— Isso é ruim?
Lyra deu de ombros.
— Depende.
Ela se aproximou novamente.
Parou a poucos passos dele.
— Necromantes gostam de lugares assim.
André observou o cemitério inteiro.
O vento passou novamente entre as árvores secas.
As folhas no chão se moveram.
Ele começou a perceber algo.
Antes parecia apenas um cemitério.
Agora parecia… maior.
Como se aquele fosse apenas um pedaço do que realmente estava enterrado em Ravenmoor.
André caminhou alguns passos entre os túmulos.
Lyra o seguiu.
Ele parou diante de outra lápide.
Passou a mão sobre a pedra.
A mesma sensação fria voltou.
Fraca.
Mas presente.
Ele olhou para a própria mão.
— Então não foi só aquele túmulo.
Lyra respondeu com naturalidade.
— Claro que não.
Ela apontou discretamente para o terreno ao redor.
— Você está andando sobre um campo inteiro de energia da morte.
André respirou fundo.
Olhou novamente para Ravenmoor ao longe.
Vilarejo vazio.
Campos abandonados.
Estradas silenciosas.
Depois voltou os olhos para o cemitério.
— Então tem bastante material para trabalhar.
Lyra sorriu novamente.
— Bastante.
Ela inclinou a cabeça.
Observando o território além da cerca do cemitério.
— E ainda tem o resto de Ravenmoor para explorar.
Capítulo 5 — Memórias da Última Batalha

André continuava observando o cemitério.
A quantidade de sepulturas era maior do que ele havia imaginado à distância.
Algumas lápides estavam praticamente enterradas sob a terra.
Outras tinham sido quebradas durante o ataque.
Ele voltou a olhar para o corpo do carniçal.
Depois para Lyra.
— Você luta bem.
Lyra deu de ombros.
— Provavelmente eu fazia isso antes.
André levantou uma sobrancelha.
— Você não lembra?
Lyra ficou em silêncio por um instante.
Os olhos azuis se voltaram lentamente para a torre da Casa Valenfyr.
Algo em sua expressão mudou.
O sorriso travesso desapareceu por um momento.
Ela levou a mão à cabeça.
— Eu…
A frase parou no meio.
Uma imagem surgiu.
Fogo iluminando a noite.
A torre cercada por soldados.
O som de gritos ecoando no pátio.
Lyra correndo pela escadaria com uma espada na mão.
Armadura manchada de sangue.
Vários corpos espalhados pelo chão.
Uma voz masculina gritando atrás dela.
— Protejam o jovem senhor!
Ela girou a espada contra um inimigo.
Outro soldado avançou.
A lâmina atravessou sua lateral.
O impacto a fez cair de joelhos.
A última coisa que viu foi a torre ardendo em chamas.
Lyra piscou.
A memória desapareceu.
Ela abaixou a mão lentamente.
— Estranho…
André observava em silêncio.
— Lembrou de algo?
Lyra olhou novamente para a torre.
— Um pouco.
Ela respirou devagar.
— Acho que eu morri lutando.
André não parecia surpreso.
O estado de Ravenmoor já deixava isso claro.
Lyra voltou a olhar para ele.
O sorriso provocador retornou.
— Pelo menos eu tinha bom gosto para morrer em um lugar bonito.
André cruzou os braços.
— Bonito?
Lyra abriu os braços.
— Um cemitério inteiro cheio de energia necromântica.
Ela sorriu.
— Para mim parece perfeito.
André voltou a olhar para as lápides ao redor.
Depois para a torre destruída.
— Então esse lugar ainda tem utilidade.
Lyra inclinou levemente a cabeça.
— Bastante.
Ela começou a caminhar novamente entre as sepulturas.
Observando cada túmulo.
— E provavelmente eu não sou a única enterrada aqui que sabia lutar.
André acompanhou o movimento dela.
O cemitério parecia maior agora.
Cada lápide podia esconder alguém que havia defendido Ravenmoor.
Ele passou a mão sobre outra pedra antiga.
A sensação fria voltou.
Mais fraca.
Mas ainda presente.
Lyra parou alguns passos à frente.
Olhou para ele.
— Está sentindo também, não está?
André assentiu devagar.
— Sim.
Lyra sorriu novamente.
— Então vamos continuar cavando.
Capítulo 6 — O Quartel da Guarda

Lyra observava as sepulturas.
— Então vamos continuar cavando.
André permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois balançou a cabeça.
— Não.
Lyra virou o rosto.
— Não?
André olhou ao redor do cemitério.
As lápides se estendiam em todas as direções.
— Se eu continuar cavando aqui…
Ele apontou para as sepulturas.
— vou acabar gastando toda minha mana.
Lyra cruzou os braços.
— Inteligente.
Ela inclinou a cabeça.
— Você já percebeu.
André abriu a mão lentamente.
Uma sensação leve de cansaço percorreu seu corpo.
A invocação dela estava consumindo algo.
— Eu não posso invocar infinitamente.
Lyra sorriu.
— Claro que não.
Ela caminhou até a cerca do cemitério.
Apoiou o braço na grade enferrujada.
O olhar se voltou para o vilarejo.
— Mas esse lugar…
Ela apontou com o queixo para Ravenmoor.
— está cheio de mortos.
André seguiu o olhar dela.
Casas abandonadas.
Portas quebradas.
Estradas vazias.
— Nem todos foram enterrados.
Lyra assentiu.
— Exato.
Ela empurrou a grade.
O ferro produziu um som grave.
— Então vamos procurar.
André saiu do cemitério ao lado dela.
O caminho de terra levava diretamente ao vilarejo.
Enquanto caminhavam, o silêncio de Ravenmoor parecia ainda maior.
Nenhum animal.
Nenhuma fumaça.
Nenhuma voz.
Lyra observava tudo com curiosidade.
— Quantas pessoas viviam aqui?
André respondeu sem olhar para ela.
— Pelo menos algumas centenas.
Lyra assobiou baixo.
— Então tem muito trabalho para fazer.
Eles caminharam pela estrada principal.
As primeiras casas apareceram.
Portas arrombadas.
Janelas quebradas.
Marcas de fogo em algumas paredes.
André parou diante de uma construção maior no final da rua.
O prédio era de pedra.
Parte do telhado havia desabado.
Acima da porta ainda era possível ver um símbolo esculpido.
Uma espada cruzada com um escudo.
Lyra observou.
— Isso parece um quartel.
André assentiu.
— Era o quartel da guarda Valenfyr.
Lyra sorriu lentamente.
— Soldados mortos costumam ser mais úteis que camponeses mortos.
André começou a caminhar em direção à porta destruída.
O interior do quartel estava escuro.
Pedaços de armaduras quebradas estavam espalhados pelo chão.
E algo mais.
No fundo do salão, vários corpos ainda permaneciam caídos onde tinham lutado.
O Último Herdeiro de Ravenmoor – Light Novel Capítulos 1 a 3

Ravenmoor — O Despertar do Necromante
Capítulo 1 — O Herdeiro que Deveria Ter Morrido
André abriu os olhos devagar.
O teto acima dele estava quebrado.
Vigas de madeira atravessavam o espaço onde antes existia um telhado inteiro.
O vento da manhã passava livremente por ali.
Durante alguns segundos ele não se moveu.
A mente ainda estava confusa.
Memórias surgiam em fragmentos.
Sol forte.
O som das ondas.
Pessoas caminhando na areia.
Bahia.
Ele lembrava daquele dia.
Tinha decidido viajar sozinho.
Turismo.
Nada complicado.
Nada perigoso.
Estava atravessando uma rua perto da praia quando ouviu um som seco.
Um impacto.
Algo atravessou seu corpo.
A dor veio forte.
Depois apenas escuridão.
André levou a mão ao peito instintivamente.
Nenhum ferimento.
Nenhuma marca.
Ele soltou um pequeno suspiro.
— Bala perdida…
A voz saiu baixa.
— Que forma idiota de morrer.
Ele sentou devagar sobre o velho colchão de palha onde estava deitado.
Aquele lugar não era um hospital.
Nem um quarto moderno.
Pedras antigas formavam as paredes ao redor.
O ar tinha cheiro de poeira e madeira velha.
André olhou as próprias mãos.
Mais jovens.
Outro corpo.
Levantou-se devagar.
Caminhou até a janela quebrada.
A visão lá fora fez algo em sua memória se reorganizar.
Campos abandonados.
Casas destruídas.
Um vilarejo inteiro silencioso.
Ele conhecia aquele lugar.
Não da Terra.
Mas de outro lugar.
De um jogo.
André franziu a testa.
— Não pode ser…
Ele observou novamente o território.
A pequena colina.
A estrada que descia até o vilarejo.
As ruínas espalhadas.
A lembrança finalmente se encaixou.
Ravenmoor.
Um território pequeno em um grande mundo de fantasia.
Uma casa nobre menor.
Quase irrelevante no mapa.
Casa Valenfyr.
Ele passou a mão pelos cabelos verdes.
Uma característica que o personagem do jogo também possuía.
André respirou fundo.
— Então eu reencarnei…
Olhou novamente para o vilarejo vazio.
— …logo nesse NPC?
A memória do jogo era incompleta.
Mas algumas coisas eram claras.
Ravenmoor tinha sido destruída logo no início da história.
O evento era chamado de Purificação de Ravenmoor.
Um ataque autorizado pela igreja e apoiado por nobres próximos.
Motivo oficial:
suspeita de necromancia.
Resultado:
território exterminado.
André permaneceu em silêncio por alguns segundos.
A torre onde estava parecia confirmar tudo.
Não havia guardas.
Não havia servos.
Nenhum som humano.
Apenas vento.
Ele apoiou os braços no parapeito da janela.
— Então aconteceu de verdade…
Olhou novamente para o vilarejo.
— Todos morreram.
A memória do jogo dizia que o herdeiro da casa também morria naquele evento.
Um jovem nobre sem talento.
Fraco.
Incapaz de proteger o território.
Um NPC que quase ninguém lembrava.
André soltou um pequeno riso.
— Que sorte absurda.
Ele se afastou da janela.
Caminhou lentamente pelo salão destruído da torre.
Móveis quebrados estavam espalhados pelo chão.
Uma mesa tombada.
Cadeiras partidas.
Quadros arrancados das paredes.
Aquilo não era apenas decadência.
Era resultado de batalha.
Marcas de espada ainda eram visíveis em algumas pedras.
André parou diante de uma dessas marcas.
Passou os dedos pela superfície.
— Eles realmente vieram até aqui…
A história do jogo não explicava tudo.
Apenas dizia que Ravenmoor tinha sido eliminada.
Mas olhando ao redor…
ficava claro que alguém tinha lutado.
E lutado muito.
Ele caminhou novamente até a janela.
Observando o território inteiro.
O silêncio de Ravenmoor parecia pesado.
Carregado.
André respirou fundo.
Pensando.
Ele já tinha morrido uma vez.
Uma bala perdida na Bahia tinha decidido isso.
Agora estava ali.
Dentro de um mundo que conhecia parcialmente.
Dentro de um corpo que no jogo não sobrevivia.
Ele apoiou as mãos no parapeito.
O vento frio tocou seu rosto.
— Certo…
Um pequeno sorriso apareceu.
— Então vamos mudar o roteiro.
Se aquele NPC tinha morrido no jogo…
ele simplesmente não morreria dessa vez.
André olhou novamente para Ravenmoor.
Um território destruído.
Cheio de mortos.
Cheio de mistérios.
E cheio de possibilidades.
— Se eu já estou aqui…
Ele passou a mão pelos cabelos verdes novamente.
Os olhos castanhos brilhavam com determinação.
— Então vou ficar forte o suficiente para que ninguém consiga me apagar de novo.
O vento atravessou a torre arruinada.
E pela primeira vez desde o massacre…
o herdeiro da Casa Valenfyr estava novamente de pé em Ravenmoor.
Capítulo 1.5 — O Registro da Casa Valenfyr
André caminhou devagar pelo salão da torre.
Cada passo levantava pequenas nuvens de poeira que flutuavam lentamente no ar.
O lugar parecia abandonado havia muito tempo.
Ele parou diante de uma das paredes de pedra.
Ali havia marcas profundas.
Cortes.
Não eram rachaduras naturais.
Pareciam golpes de espada.
André passou os dedos pela superfície.
— Então alguém lutou aqui…
Ele continuou andando.
No chão, perto de uma coluna caída, encontrou o que restava de uma mesa.
A madeira estava quebrada ao meio.
Sobre ela ainda havia fragmentos de vidro de um antigo castiçal.
André inclinou a cabeça, observando o salão.
O silêncio era estranho.
Um território inteiro destruído.
Mas nenhum corpo visível.
Nenhum sinal de enterramento improvisado perto da torre.
Isso significava apenas uma coisa.
Os mortos tinham sido levados para outro lugar.
Ele continuou explorando.
Perto da parede norte, a estante caída chamou sua atenção.
Livros antigos estavam espalhados pelo chão.
Alguns completamente destruídos pela umidade.
Outros ainda intactos.
André se abaixou.
Pegou um dos volumes.
A capa estava marcada pelo tempo.
Ele abriu.
As páginas estavam amareladas.
Registros antigos.
Contas de colheita.
Movimentação de mercadorias.
Nada realmente útil.
Ele largou o livro.
Continuou procurando.
Debaixo de uma tábua solta da estante havia outro volume.
Mais pesado.
André puxou.
A poeira se espalhou quando ele o abriu.
O título estava quase apagado.
Registro Interno da Casa Valenfyr.
Ele folheou as primeiras páginas.
Datas antigas.
Relatórios de patrulha.
Listas de suprimentos.
Tudo parecia rotina administrativa.
Até chegar às últimas páginas.
A escrita ali era diferente.
Mais rápida.
Quase desesperada.
André leu em silêncio.
Relatório de ataque.
Movimentação de tropas.
Feridos.
Mortos.
O ataque tinha sido rápido.
Muito mais rápido do que a memória fragmentada do jogo deixava entender.
Ele virou outra página.
Uma lista de nomes apareceu.
Guardas.
Servos.
Trabalhadores do vilarejo.
Alguns marcados como mortos.
Outros como desaparecidos.
André continuou lendo.
A maioria dos nomes possuía uma pequena anotação ao lado.
Enterrado no cemitério traseiro.
Ele parou por um momento.
O cemitério.
Claro.
Era o único lugar onde faria sentido levar tantos mortos.
Enquanto observava a página, uma sensação estranha percorreu seu braço.
Fria.
Sutil.
Quase como uma vibração sob a pele.
André franziu a testa.
A sensação não vinha do livro.
Parecia vir de fora.
Da direção atrás da torre.
Ele levantou o olhar lentamente.
Por alguns segundos ficou em silêncio.
Depois fechou o registro.
A sensação voltou.
Mais forte agora.
Uma presença distante.
Como se algo estivesse chamando.
André olhou novamente para o salão destruído.
Depois caminhou até a porta lateral da torre.
O vento frio atingiu seu rosto assim que saiu para o lado de fora.
Atrás da torre, o terreno descia em direção a uma área cercada por árvores antigas.
Entre os troncos tortos era possível ver parte de uma grade de ferro.
O cemitério de Ravenmoor.
André permaneceu alguns segundos parado, observando.
A sensação sob sua pele ainda estava ali.
Fria.
Constante.
Ele apertou o registro antigo contra o corpo.
Depois começou a caminhar na direção do cemitério.
Ravenmoor — O Despertar do Necromante
Capítulo 2 — A Primeira Invocação

André atravessou o portão enferrujado do cemitério.
O ferro produziu um som baixo quando se moveu.
Ele caminhou lentamente entre as lápides.
O lugar parecia mais antigo do que o restante do vilarejo.
Algumas pedras estavam cobertas por musgo.
Outras tinham inscrições tão desgastadas que já não podiam ser lidas.
O vento passou entre as árvores secas.
André abriu o registro antigo novamente.
Passou os olhos pelas últimas páginas.
A lista de mortos da Casa Valenfyr continuava ali.
Guardas.
Servos.
Trabalhadores.
Quase todos com a mesma anotação.
Enterrado no cemitério traseiro.
Ele fechou o livro devagar.
A sensação fria que vinha sentindo desde a torre voltou.
Desta vez mais forte.
Como uma vibração leve sob a pele.
André caminhou alguns passos entre os túmulos.
Parou diante de uma lápide inclinada.
Musgo cobria boa parte da inscrição.
Ele se abaixou.
Passou a mão sobre a pedra.
A terra ao redor parecia levemente afundada.
André limpou o musgo com a manga da camisa.
Algumas letras apareceram.
A gravação estava quase apagada.
Mas ainda era possível reconhecer o formato de um nome.
Ele permaneceu observando por alguns segundos.
Depois colocou a mão sobre a terra da sepultura.
A reação veio imediatamente.
Uma corrente fria percorreu seu braço.
André puxou a mão para trás por reflexo.
Pequenos símbolos azulados apareceram brevemente sobre sua pele.
Linhas finas de energia.
Desapareceram em segundos.
Ele olhou para a própria mão.
— Então é isso…
A sensação ainda vibrava.
Como se algo sob a terra tivesse respondido.
André pegou um pedaço de madeira caído perto da cerca.
Começou a cavar.
A terra estava úmida.
Cedia com facilidade.
Camadas escuras de solo se afastavam a cada movimento.
Alguns minutos depois a madeira bateu contra algo sólido.
André limpou a terra com as mãos.
A tampa de um caixão apareceu.
Madeira antiga.
Quase completamente deteriorada.
Ele empurrou a tampa.
A madeira se partiu com facilidade.
Dentro havia apenas restos.
Um esqueleto parcialmente preservado.
André estendeu a mão sobre os ossos.
A energia voltou.
Mais intensa.
As marcas azuladas reapareceram sobre sua pele.
Fragmentos de mana começaram a surgir no ar.
Pequenas partículas azuis flutuando lentamente.
A energia escorreu de sua mão.
Entrou nos ossos.
Durante alguns segundos nada aconteceu.
Então o chão vibrou levemente.
Os ossos começaram a se mover.
Uma névoa escura surgiu ao redor do túmulo.
A estrutura óssea começou a desaparecer dentro da energia.
Uma nova forma começou a surgir.
Primeiro cabelos.
Loiros.
Curtos.
Depois pele clara.
Os olhos abriram devagar.
Azuis.
A jovem apareceu sentada sobre uma estrutura de ossos formada pela própria energia necromântica.
Como se fosse um grande crânio.
Ela apoiava o cotovelo sobre o joelho.
Observando André com curiosidade.
A ponta da língua apareceu levemente quando ela sorriu.
O casaco negro se moveu com o vento.
Ela inclinou a cabeça.
— Então…
A voz saiu suave.
Divertida.
— Foi você que me trouxe de volta?
Capítulo 3 — A Valquíria Sepulcral
Lyra continuava sentada sobre a estrutura de ossos que a sustentava.
Os olhos azuis observavam André com curiosidade.
Ele respondeu com simplicidade.
— Pelo visto.
Ela inclinou levemente a cabeça.
Como se analisasse algo invisível.
Depois olhou ao redor do cemitério.
— Interessante lugar para acordar.
Lyra apoiou as mãos nos joelhos e saltou da estrutura de ossos.
O grande crânio espiritual se dissolveu no ar em pequenas partículas azuis.
Ela caminhou alguns passos entre os túmulos.
Observando o lugar.
— Bastante gente morreu aqui.
André permaneceu parado.
Observando os movimentos dela.
Lyra parou diante de uma lápide quebrada.
Passou os dedos pela pedra.
— A energia da morte ainda está fresca.
Ela olhou por cima do ombro.
— Você fez isso sem saber como fazer, não foi?
André deu de ombros.
— Mais ou menos.
Lyra soltou um pequeno riso.
— Interessante.
Ela voltou a caminhar.
Parou diante de outro túmulo.
Inclinou o corpo levemente.
Então levantou o olhar.
— Aliás…
Ela apontou discretamente para o lado direito do cemitério.
— Não estamos sozinhos.
André franziu o cenho.
— O que você quer dizer?
Lyra sorriu.
A expressão travessa voltou.
— Aquilo.
Entre duas lápides inclinadas, algo se moveu.
Primeiro um som.
Terra sendo arrastada.
Depois uma mão esquelética surgiu da terra.
Não.
Não era um esqueleto.
A criatura saiu do solo com movimentos rápidos.
O corpo magro e deformado se ergueu completamente.
Olhos amarelos brilhavam.
O carniçal abriu a boca cheia de dentes irregulares.
O cheiro de carne apodrecida se espalhou no ar.
Lyra observou a criatura por alguns segundos.
Depois olhou para André.
— Quer que eu cuide disso?
André analisou o monstro.
O corpo era ágil.
As garras longas.
Provavelmente rápido.
Ele cruzou os braços.
— Pode tentar.

Lyra sorriu.
— Que educado.
O carniçal avançou.
Movimento rápido.
As garras rasgaram o ar.
Lyra desviou com facilidade.
O corpo dela girou suavemente para o lado.
A criatura passou direto.
Antes que pudesse se virar novamente, Lyra já estava atrás dela.
Uma lâmina de osso espiritual surgiu na mão da necromante.
Curta.
Afiada.
Ela atravessou a lâmina na nuca do monstro.
O carniçal caiu no chão com um som seco.
O corpo parou de se mover.
Lyra limpou a lâmina no ar.
A arma se dissolveu em partículas azuis.
Ela voltou caminhando calmamente.
Parou diante de André.
— Então…
A expressão provocadora voltou.
— Esse território parece bem divertido.
Ela olhou ao redor do cemitério novamente.
Depois voltou os olhos para ele.
— Mestre, você tem muito trabalho para fazer aqui.
Reencarnei em Outro Mundo com uma Caneta que Reescreve a Realidade: Light Novel Capítulos 1 a 4
Capítulo 1 — O Despertar do Autor
A história começa.
O vento passava entre as árvores como um sussurro.
Auren corria pela trilha estreita tentando acompanhar os passos largos do pai.
— Pai… espera! — reclamou o garoto, respirando rápido.
Aldric não diminuiu o ritmo.
— Um cavaleiro precisa aprender a acompanhar o campo de batalha.
Auren fez uma careta, mas continuou correndo.
Era a primeira vez que o pai permitia que ele acompanhasse uma patrulha fora da cidade.
Para ele, aquilo já era uma aventura enorme.
A floresta parecia muito maior do que quando observava suas bordas das muralhas.
O garoto olhava tudo com curiosidade.
Então perguntou:
— As fendas realmente aparecem por aqui?
Aldric respondeu sem olhar para trás.
— Às vezes.
Ele parou de repente.
O silêncio da floresta tinha mudado.
A mão foi automaticamente até o cabo da espada.
— Fique atrás de mim.
Auren engoliu seco e obedeceu.
Um estalo ecoou entre as árvores.
Depois outro.
Algo grande se movia na mata.
O cheiro de mana distorcida atravessou o ar.
A criatura saltou para a trilha.
O impacto fez folhas e terra voarem.
O Lobo das Fendas ergueu a cabeça lentamente.
Os olhos vermelhos fixaram diretamente em Aldric.
O monstro rosnou.
A mana ao redor dele tremia como fumaça.
Auren nunca tinha visto algo assim antes.
Era enorme.
Muito maior que qualquer lobo normal.
Aldric puxou a espada.
— Não se mova.
O lobo avançou.
Rápido demais.
Aldric girou o corpo e bloqueou com a espada.
O choque entre aço e garras fez faíscas voarem.
O impacto empurrou o homem alguns passos para trás.
Auren caiu sentado no chão.
O coração batia tão forte que ele quase não conseguia respirar.
A luta continuava.
Golpes rápidos.
Rosnados.
Garras rasgando o chão.
Aldric lutava bem.
Mas a criatura era forte.
Muito forte.
O lobo saltou novamente.
Aldric desviou, mas escorregou nas folhas.
A mandíbula do monstro desceu.
Auren viu aquilo acontecer.
O tempo pareceu desacelerar.
Algo dentro da mente dele estalou.
Imagens apareceram.
Um quarto pequeno.
Uma mesa cheia de folhas.
Um computador.
O som do mar.
Remédios.
Dor.
Outra vida.
Outra realidade.
Auren levou a mão à cabeça.
A respiração ficou irregular.
— O que…
Mais memórias surgiram.
Histórias.
Personagens.
Mundos inteiros que ele havia imaginado.
Então um pensamento atravessou sua mente.
Claro.
Inconfundível.
“Eu… já vivi antes.”
Os olhos verdes se arregalaram.
Ele olhou para as próprias mãos pequenas.
Depois para o pai lutando.
Depois para o monstro.
Reencarnação.
A palavra apareceu em sua mente.
O lobo avançou novamente.
Aldric tentou se levantar, mas estava desequilibrado.
A criatura abriu a mandíbula.
Então algo estranho aconteceu.
Palavras começaram a surgir diante dos olhos de Auren.
Letras feitas de mana.
Flutuando no ar.
Ele piscou.
Mas elas continuavam ali.
Brilhando.
Tremendo.
Como se esperassem algo.
Auren sentiu algo novo em sua mão direita.
Algo leve.
Algo antigo.
Quando olhou, viu um objeto fino entre seus dedos.
Uma caneta de metal prateado, coberta por pequenas runas brilhantes.
Ele não sabia de onde tinha vindo.
Mas sabia instintivamente o que fazer.
A mão se moveu sozinha.
A ponta da caneta tocou o ar.
E uma palavra apareceu.
Feita de luz.
Auren não entendia ainda o que aquilo significava.
Mas uma certeza silenciosa surgiu dentro dele.
Se aquela era sua segunda vida…
…então ele não seria apenas um personagem.
Ele escreveria a própria história.
Capítulo 2 — A Primeira Personagem

A ponta da caneta tocou o ar.
Uma linha de luz surgiu.
Auren mal respirava.
As palavras feitas de mana tremiam diante de seus olhos como se fossem vivas.
A mão dele se moveu novamente.
Lenta.
Instintiva.
A ponta da caneta desenhou novas letras no ar.
Auren não entendia completamente o que estava acontecendo.
Mas uma parte dele sabia.
Era a mesma sensação de quando criava personagens em sua antiga vida.
A mesma sensação de quando imaginava histórias inteiras.
Do outro lado da trilha, o Lobo das Fendas avançou novamente.
Aldric girou o corpo e bloqueou o ataque com a espada.
O impacto fez o aço vibrar.
A criatura era forte demais.
Se a luta continuasse daquele jeito, Aldric não conseguiria segurar por muito tempo.
Auren apertou a caneta com mais força.
A luz das letras ficou mais intensa.
Ele escreveu mais uma palavra.
Depois outra.
O ar diante dele começou a distorcer.
A mana da floresta reagiu.
Como se algo estivesse sendo puxado para aquele ponto.
Auren não percebeu.
Ele apenas continuou escrevendo.
Palavras simples.
Instintivas.
Palavras que formavam um conceito.
Do outro lado da trilha, o Lobo das Fendas saltou novamente.
A mandíbula abriu.
Aldric levantou a espada para bloquear.
Mas a criatura mudou o movimento no meio do salto.
As garras vieram direto para o peito do homem.
Antes que o golpe chegasse…
A mana explodiu.
Uma onda de luz azul surgiu entre Auren e o monstro.
O impacto empurrou folhas e poeira pelo chão.
O Lobo das Fendas foi arremessado alguns metros para trás.
Aldric caiu de joelhos, respirando pesado.
Ele levantou o olhar.
Confuso.
Auren também estava olhando.
No espaço entre eles, algo estava acontecendo.
A luz começou a se condensar.
Primeiro como uma névoa.
Depois como uma silhueta.
Uma forma humana.
A silhueta ganhou contornos.
Braços.
Cabelos.
Roupas.
A mana ao redor continuava se juntando.
Aldric se levantou lentamente.
A espada ainda na mão.
Os olhos dourados fixos naquilo que estava se formando.
A luz diminuiu.
A silhueta finalmente ganhou forma completa.
Uma jovem estava ali.
Respirando pela primeira vez.
Os olhos dela se abriram devagar.
Por um instante, ela observou a floresta ao redor.
Depois olhou para Auren.
Havia curiosidade no olhar dela.
Como alguém que havia acabado de despertar.
A voz dela saiu calma.
Suave.
— Autor… você me chamou.
Auren ficou imóvel.
A caneta ainda estava em sua mão.
A mente girava.
Memórias da vida passada.
A luta que havia acabado de acontecer.
A criatura ainda viva alguns metros à frente.
Tudo parecia surreal.
O Lobo das Fendas rosnou novamente.
A criatura se levantou.
Os olhos vermelhos agora fixos na nova presença.
A jovem levantou uma das mãos.
Pequenos fragmentos de mana começaram a girar ao redor de seus dedos.
Ela observou o monstro por um instante.
Como alguém analisando algo simples.
Então falou calmamente.
— Entendi.
A mão dela se moveu.
Um círculo de mana surgiu diante da palma.
A energia se condensou.
Um projétil de luz azul disparou.
O impacto atingiu o peito da criatura.
O Lobo das Fendas foi arremessado contra uma árvore.
O tronco rachou com a força do impacto.
A criatura caiu no chão.
O corpo tremendo.
Depois ficou imóvel.
O silêncio voltou à floresta.
A mana no ar lentamente começou a se estabilizar.
A jovem baixou a mão.
Depois olhou novamente para Auren.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Autor… qual é o próximo comando?
Auren piscou algumas vezes.
Ainda tentando entender tudo o que havia acabado de acontecer.
Mas uma coisa já estava clara.
Aquela caneta.
Aquelas palavras.
Aquela criação.
Nada daquilo era comum.
E aquela nova vida…
…acabava de se tornar muito mais estranha do que ele imaginava.
Capítulo 3 — Ecos de uma Narrativa Instável

A floresta parecia diferente depois da batalha.
Mais quieta.
Mais pesada.
Auren ainda estava parado, segurando a caneta com força, tentando entender tudo que tinha acabado de acontecer.
O corpo do Lobo das Fendas permanecia imóvel no chão.
Aldric foi o primeiro a se mover.
Ele guardou a espada lentamente, ainda observando a jovem que havia surgido do nada no meio da floresta.
Os olhos dourados dele analisavam cada detalhe.
A mana ao redor dela.
A postura.
A calma.
Nada daquilo parecia invocação comum.
— Auren… — disse ele com voz baixa.
O garoto virou a cabeça.
Ainda parecia meio perdido.
Aldric caminhou até ele.
O olhar então caiu sobre a caneta na mão do filho.
Depois voltou para a jovem.
— Você fez isso?
Auren demorou alguns segundos para responder.
Ele ainda estava organizando as próprias memórias.
Duas vidas.
Dois mundos.
Uma caneta que parecia responder aos pensamentos dele.
— Eu… acho que sim.
A jovem de cabelos prateados observava os dois em silêncio.
Depois voltou a olhar para Auren.
— Autor.
A palavra saiu naturalmente.
Como se fosse a forma mais correta de chamá-lo.
— Minha existência responde à sua narrativa.
Aldric franziu a testa.
— Narrativa?
Auren também não entendia completamente.
Mas algo dentro dele reconhecia aquela sensação.
Era familiar.
Era a mesma sensação de quando ele criava personagens na vida passada.
Só que agora…
…eles existiam.
O garoto olhou novamente para a caneta.
As runas prateadas gravadas nela brilhavam suavemente.
Como se estivessem vivas.
— Pai… — disse Auren devagar.
— Eu acho que…
Ele hesitou um momento.
— Eu criei ela.
Aldric ficou em silêncio.
O guerreiro já tinha visto muitas coisas na vida.
Monstros.
Magia.
Fendas surgindo do nada.
Mas aquilo era diferente.
Muito diferente.
A jovem levantou a mão lentamente.
Um pequeno círculo de mana apareceu sobre a palma.
Energia pura.
Estável.
Refinada.
Ela observou a própria magia por um instante.
Depois olhou novamente para Auren.
— Meu núcleo mágico ainda está se estabilizando.
Ela parecia falar como alguém que já entendia a própria natureza.
— Mas posso lutar quando necessário.
Aldric respirou fundo.
O olhar dele voltou para o corpo do Lobo das Fendas.
— Essa criatura não deveria estar aqui.
Auren levantou o olhar.
— O que quer dizer?
Aldric caminhou até o monstro.
Agachou-se ao lado do corpo.
A mão tocou a pelagem negra da criatura.
A mana ainda pulsava fraca dentro dela.
— Lobos das Fendas normalmente aparecem apenas quando uma fenda narrativa se abre nas proximidades.
Ele se levantou devagar.
O olhar percorreu a floresta ao redor.
— Mas eu não senti nenhuma fenda surgir hoje.
O vento passou novamente entre as árvores.
A floresta parecia tranquila.
Mas Aldric continuava alerta.
— Algo mudou.
Auren ficou em silêncio.
Mesmo sem entender completamente o mundo novo em que vivia…
Ele sentia a mesma coisa.
Algo maior estava acontecendo.
A jovem criada por ele também parecia perceber.
Ela fechou os olhos por um instante.
Sentindo a mana ao redor.
Quando abriu novamente, falou calmamente:
— A energia deste mundo é… incomum.
Auren inclinou levemente a cabeça.
— Incomum como?
Ela pensou por um momento.
— Instável.
Aldric olhou para o horizonte da floresta.
— Nos últimos anos, as fendas têm aparecido com mais frequência.
Ele falou mais para si mesmo do que para os outros.
— Algumas delas liberam monstros pequenos.
Outras…
Ele não terminou a frase.
Mas Auren percebeu que o pai estava pensando em algo muito pior.
Criaturas capazes de destruir cidades.
Talvez até reinos inteiros.
O garoto apertou levemente a caneta em sua mão.
Se aquele mundo realmente estava cheio de monstros desse nível…
Então o poder que ele tinha acabado de despertar seria muito mais importante do que imaginava.
A jovem de cabelos prateados observava tudo em silêncio.
Depois falou novamente.
— Autor.
Auren levantou o olhar.
— Sim?
Ela respondeu com naturalidade:
— Este mundo possui muitas histórias perigosas.
Ela olhou para a floresta distante.
— Talvez você precise escrever muitas outras antes que sua narrativa esteja completa.
O vento atravessou novamente as árvores.
E pela primeira vez desde que recuperou suas memórias…
Auren começou a entender algo importante.
Ele não estava apenas vivendo uma nova vida.
Ele tinha entrado em um mundo onde histórias podiam se tornar realidade.
E agora…
Ele era aquele que podia escrevê-las.
Capítulo 4 — A Habilidade que Escreve Existência

A mana no ar diminuía lentamente.
Auren ainda observava a jovem que havia surgido diante dele.
Agora, com a luz da energia mágica diminuindo, ele conseguia vê-la com mais clareza.
Os longos cabelos rosa claro desciam até a cintura.
A armadura roxo escura refletia pequenos brilhos de mana.
A pequena esfera de energia girava suavemente na mão dela.
Era impossível negar.
Ela realmente existia.
Aldric também estava olhando.
O cavaleiro passou anos enfrentando monstros e fenômenos estranhos que surgiam das fendas.
Mas aquilo…
…não se parecia com nenhuma magia que ele conhecia.
— Auren — disse ele devagar.
O garoto virou a cabeça.
— Sim, pai?
Aldric apontou discretamente para a jovem.
— Você entende o que acabou de fazer?
Auren pensou por alguns segundos.
Memórias da vida passada ainda ecoavam na mente dele.
Histórias.
Personagens.
Mundos imaginados.
Ele olhou para a caneta prateada em sua mão.
Depois respondeu honestamente.
— Não completamente.
A jovem observava os dois em silêncio.
Então ela deu um pequeno passo à frente.
A esfera de mana na mão dela desapareceu como poeira de luz.
— Minha existência responde à vontade do Autor.
Aldric cruzou os braços.
— Autor…
A palavra parecia estranha.
Ele voltou o olhar para o filho.
— Auren, todos neste mundo nascem com uma habilidade.
O garoto piscou.
— Habilidade?
Aldric assentiu.
— Algumas são simples. Outras são poderosas.
Ele apontou para o corpo do Lobo das Fendas.
— A minha é reforço de combate. Ela fortalece meu corpo e minha espada.
Auren olhou novamente para a criatura derrotada.
Aquela coisa enorme quase tinha matado o pai.
Então perguntou:
— E a minha?
Aldric olhou para a jovem novamente.
Depois para a caneta.
Ele soltou um pequeno suspiro.
— Eu nunca vi algo assim antes.
A jovem de cabelos rosa inclinou levemente a cabeça.
— Autor possui habilidade única.
Ela falou aquilo como se fosse óbvio.
Auren levantou uma sobrancelha.
— Única?
— Sim.
Ela olhou para a caneta.
— O Autor escreve existência.
O vento passou entre as árvores novamente.
Aldric permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Finalmente falou:
— Se isso for verdade…
Ele olhou diretamente para Auren.
— Então seu poder é algo que pode mudar este mundo.
O garoto não respondeu.
Ele ainda estava absorvendo tudo.
Nova vida.
Novo mundo.
Um poder que permitia criar pessoas.
Parecia impossível.
A jovem virou o olhar para a floresta distante.
Seus olhos azul-claros brilharam levemente.
— Autor.
— Sim?
Ela apontou para o horizonte.
— Algo está se movendo.
Aldric virou a cabeça imediatamente.
O cavaleiro também sentiu.
Uma vibração de mana distante.
Muito distante.
Mas enorme.
O suficiente para fazer o ar da floresta tremer.
Mesmo a quilômetros de distância.
Auren também sentiu.
Uma pressão estranha no peito.
Como se algo gigantesco tivesse despertado em algum lugar.
Aldric franziu o cenho.
— Isso não é uma fenda pequena.
Ele falou quase em um sussurro.
A jovem respondeu calmamente.
— Correto.
Os olhos dela continuavam fixos no horizonte.
— Energia dessa magnitude costuma indicar presença de criatura de nível calamidade.
Auren arregalou os olhos.
— Calamidade?
Aldric respondeu:
— Monstros capazes de destruir cidades.
O vento soprou novamente.
A floresta ficou silenciosa.
Por um momento, Auren percebeu algo importante.
Aquele mundo era muito maior.
Muito mais perigoso.
E agora ele possuía um poder que podia criar aliados…
…em um mundo cheio de monstros capazes de apagar reinos inteiros.
Reencarnei Como Vampiro… Agora o Mundo Inteiro Quer Minha Cabeça | Light Novel 1–3
Capítulo 1
O Jogador Que Sonhava com um Reino
No Rio de Janeiro, entre sirenes distantes e buzinas impacientes, vivia um jovem que havia aprendido a escapar da realidade.
Não através de amigos.
Não através de ambições.
Mas através de mundos que existiam apenas na tela.
Seu nome era Issei Takahara.
Ele não era herói.
Não era soldado.
Muito menos um prodígio destinado à grandeza.
Era apenas… um jogador.
Dormia de dia. Jogava à noite.
Enquanto a cidade fervilhava sob o sol, ele explorava reinos sombrios em seu Skyrim modificado com mais de 400 mods. Necromancia. Clãs vampíricos. Construção de castelos. Economia própria. Política. Guerra civil. Sistemas complexos de poder.
Tudo que o mundo real não oferecia… ele encontrava ali.
Seu quarto apertado era iluminado apenas pela luz fria do monitor. Caixas de pizza vazias se acumulavam ao lado da escrivaninha. Latas de energético tombadas decoravam o chão. Na parede, um pôster rasgado de “Vampire Lord – Dawnguard Edition” resistia, preso por fita adesiva.
Enquanto outros sonhavam com faculdade, viagens ou relacionamentos…
Issei sonhava com algo diferente.
Um reino.
Servos.
Magia.
Poder absoluto.
Naquela noite, às 22h47, ele pausou o jogo.
O estômago roncou alto.
— “Lanço uma magia de invocação de pizza.” — murmurou, rindo sozinho.
Vestiu o moletom cinza, desceu as escadas do prédio e caminhou até a pizzaria da esquina.
Uma caixa grande. Borda recheada.
Voltou com ela nos braços, sentindo o cheiro quente do queijo subir como promessa de felicidade. Sorriu.
Talvez… a única coisa boa do mundo real.
Foi então que aconteceu.
Dois carros cruzaram a esquina em alta velocidade.
Gritos.
Vidros estilhaçando.
Um disparo perdido cortou o ar — e atravessou a rua.
A pizza caiu.
Ele também.
O mundo silenciou.
Não houve luz branca.
Nenhum anjo.
Nenhuma explicação.
Apenas frio.
O frio mais real e cortante que já sentira.
Seu corpo tremia.
Abriu os olhos.
Não havia asfalto.
Nem postes.
Nem prédios.
Apenas neve.
Floresta escura.
Um céu cinzento, sem sol.
Ele tentou respirar. Uma névoa branca escapou de seus lábios. O ar queimava os pulmões.
— “O que… onde…?”
Tentou pegar o celular.
Sem sinal.
Sem bateria.
Talvez… sem realidade.
Seus pés afundavam na neve. As mãos ardiam. Cada sopro do vento parecia uma lâmina invisível cortando sua pele.
Tinha fome.
Mas não de pizza.
Era uma fome estranha. Profunda. Como se algo dentro dele estivesse vazio.
Caminhou sem rumo.
Árvores altas como sentinelas. Corvos empoleirados observando em silêncio. O uivo distante de lobos.
Quando o corpo finalmente cedeu, ele caiu de joelhos na neve.
Mãos vermelhas.
Rosto pálido.
Respiração fraca.
Estava vivo.
Mas lentamente… desistindo.
Foi então que sentiu.
No fundo do peito.
Um pulsar.
Como se um segundo coração — silencioso, antigo — tivesse despertado junto a uma dor desconhecida.
Não era magia.
Não era fome comum.
Era algo… sombrio.
Mas ele não entendeu.
Apenas fechou os olhos.
E o mundo novo, cruel e gelado… o acolheu.
Capítulo 2

A Vila nas Montanhas do Norte
O frio já havia apagado quase todo pensamento de Issei.
Seu corpo não reagia mais. A neve o cobria lentamente, como um véu branco — como se a própria terra o aceitasse.
Então…
Passos.
Quebrando o silêncio da floresta.
Um homem alto, coberto de peles grossas, arco nas costas e olhar atento, parou diante do corpo quase congelado.
Ele franziu o cenho.
— Humano? Aqui?
Tocou o rosto de Issei.
Frio demais.
Mas o peito ainda subia e descia. Fraco.
Sem dizer mais nada, ergueu-o como quem carrega um animal ferido — e o levou.
…
Quando Issei abriu os olhos novamente, não viu neve.
Viu madeira.
Um teto irregular com estalactites congeladas pendendo como dentes de gelo. Uma lareira crepitava próxima.
Estava deitado sobre palha quente, coberto por peles de urso.
Do lado de fora, vozes.
Um vilarejo.
Casas de pedra e madeira. Chaminés soltando fumaça espessa. Crianças correndo entre galinhas e cães.
O som de martelos na forja.
Risos.
Cheiro de sopa quente.
Um homem estava sentado perto da porta, afiando uma lâmina.
— Finalmente acordou. Pensei que fosse virar estátua de gelo.
Issei tentou falar, mas a garganta queimava.
— Onde… onde estou?
— Vila de Draegor. Montanhas do Norte. Se não fosse por mim, já estaria morto.
Issei ficou em silêncio.
Olhou para as próprias mãos ainda trêmulas.
Olhou para o fogo — o calor doía.
Sobre a mesa, um prato.
Sopa de carne. Pão escuro. Água.
Comeu devagar no início.
Depois… faminto.
Mas quanto mais comia, mais percebia algo errado.
A fome não passava.
Era como beber água salgada.
— Você é de onde? Não parece de lugar nenhum que eu conheça. — perguntou o homem.
“Rio de Janeiro” não significava nada ali.
— De… longe.
O homem resmungou.
— Então escuta. Se quer viver… aprenda rápido.
Ele jogou mais lenha na lareira.
— Neste mundo, quem é fraco morre. Quem confia demais morre. E quem é vampiro… é caçado até a última gota de sangue.
Um arrepio percorreu Issei.
Não era do frio.
— Vampiros?
— Não diga esse nome alto. Existem bestas noturnas. Monstros que bebem sangue. Igrejas que queimam até a sombra deles. Se algum for encontrado aqui… a vila toda pode ser massacrada.
Silêncio.
Issei levou a mão ao peito.
O pulsar estranho ainda estava lá.
À noite, deitado sobre a palha, ele mal conseguiu dormir.
Tossia.
Sentia frio mesmo com três mantos.
Mas também…
Ouvia.
Batimentos cardíacos.
O coração de Aldren.
O gotejar de água.
O fogo ardendo como se estivesse dentro de sua cabeça.
Não era normal.
Mas ele fingiu que era febre.
Lá fora, a lua cheia brilhava sobre Draegor.
E na escuridão da floresta…
Algo uivou.
Longo. Faminto. Antigo.
Issei apenas fechou os olhos e tentou dormir.
Capítulo 3

O Sangue que Desperta
O amanhecer chegou frio como lâmina.
Draegor despertava sob fumaça e neve rangendo sob botas.
Issei saiu da casa de Aldren com passos lentos.
Crianças corriam. Ferreiros batiam metal. Comerciantes gritavam preços de pele, sal e peixe seco.
Parecia pacífico.
Mas não era.
Ao olhar para as pessoas, percebeu algo perturbador.
Conseguia ouvir seus corações.
O sangue correndo nos pulsos.
O cheiro… quente. Metálico. Vivo.
Ele piscou.
Devia ser fome.
— Ei. — Aldren chamou, entregando-lhe um machado pequeno. — Se quer continuar respirando, vai aprender a cortar lenha.
Issei pegou o machado.
Frio. Pesado.
Cortou tronco após tronco até os braços queimarem.
Então, uma mulher se aproximou.
— Você é o forasteiro que Aldren encontrou?
Ele virou.
Era bonita, mas não frágil. Olhos atentos. Mãos calejadas de preparar bandagens e rezas.
— Eu sou Maelia, sacerdotisa do Santuário de Lys. Se precisar de ervas ou tratamento… me procure.
Ele apenas acenou.
…
No fim da tarde, sinos tocaram.
— Lobos na floresta! Um caçador está ferido!
Aldren praguejou.
— Fique aqui.
Mas Issei foi.
O homem ferido estava no chão. Sangue escorrendo do ombro. Três marcas de mordida profundas.
Maelia pressionava panos.
— A veia foi rompida!
Issei sentiu o coração disparar.
Não de medo.
De fome.
O cheiro do sangue era viciante.
Quente. Forte.
Deu um passo para trás.
— Ei! — Aldren o empurrou.
Issei caiu de joelhos. Visão turva.
E então…
Sem perceber…
Murmurou palavras que não eram portuguesas.
Nem latinas.
Nem humanas.
“Sii… Lahk Vol.”
Por um instante…
O sangue desacelerou.
Maelia arregalou os olhos.
Aldren congelou.
— O que foi isso?
Issei respirava com dificuldade.
Ele não sabia.
Não era magia comum.
Não era milagre.
Era algo mais antigo.
Maelia se aproximou.
— Quem… ou o que é você?
Issei não respondeu.
No fundo do peito…
O pulsar bateu mais forte.
Como se algo dentro dele tivesse acabado de despertar.
Filme de Slime ganha data nos cinemas do Brasil
A Crunchyroll confirmou que o filme That Time I Got Reincarnated as a Slime: Lágrimas do Mar Azul-Celeste estreia nos cinemas brasileiros em 30 de abril de 2026. Produzido pelo estúdio 8bit, o longa traz uma história inédita ambientada em uma ilha isolada, onde Rimuru parte para o que deveria ser apenas uma visita tranquila a um resort — mas que rapidamente se transforma em mais um grande desafio.
4ª temporada já tem data marcada
Além da estreia nas telonas, a plataforma também revelou que a quarta temporada do anime chega ao catálogo em 3 de abril de 2026. Assim, o público poderá acompanhar os novos desdobramentos do Reino de Tempest no streaming antes de conferir a aventura cinematográfica.
Os episódios inéditos devem aprofundar o embate entre Rimuru e a influente família Rozzo, que articula planos para ampliar seu domínio sobre a humanidade. A tensão política e estratégica promete elevar ainda mais o nível da narrativa, consolidando a obra como uma das principais referências do gênero isekai na atualidade.

Baseada na light novel escrita por Fuse, a franquia já ultrapassou a marca de 56 milhões de cópias vendidas em todo o mundo, reforçando sua posição entre os títulos mais populares da última década.
Com nova temporada e filme chegando praticamente no mesmo mês, 2026 se desenha como um marco para a saga do slime mais poderoso dos animes.
E você, curtiu o novo visual do Rimuru? Está animado para o filme? Conta nos comentários o que espera dessa nova fase da história.
Veja também:
Sorte Maldita – Capítulos 4 a 6 da Nova Light Novel de Fantasia Sombria
Capítulo 4
A Segunda Passagem
A porta ainda vibrava levemente quando Alexa girou a última trava.
O silêncio dentro da casa parecia mais pesado que o barulho lá fora.
Roberto ficou parado no meio do cômodo.
Sorte Maldita é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Observando tudo.
Sentindo o cheiro do ar.
Tentando decidir se aquilo era real… ou apenas um último delírio antes de apagar de vez.
— …então… — começou devagar. — confirma pra mim uma coisa.
Alexa apoiou a lança curta na parede.
— Depende da pergunta.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Eu morri?
Ela demorou alguns segundos. Não desviou o olhar.
— Aqui… a gente chama de Segunda Passagem. — respondeu. — Quem chega assim… normalmente não volta.
Roberto soltou um riso baixo.
Não era humor.
Era cansaço.
— Cara… nem morrer direito eu consegui.
Do lado de fora, algo raspou a parede da casa.
Um som arrastado… úmido.
Alexa apagou metade das lanternas.
O cômodo mergulhou em vermelho escuro.
— Fica longe das janelas.
Ele obedeceu… mas continuou analisando o ambiente.
— Esse lugar… — murmurou. — parece que tá sempre esperando alguém errar.
“Porque está.”
A voz surgiu dentro dele.
Quente.
Calma.
Roberto apertou os olhos.
— …beleza… então não foi imaginação.
Alexa olhou rápido.
— O quê?
— Nada. Só… conversa interna.
Ela estudou o rosto dele por mais tempo que o normal.
— Você caiu sem marca. — disse baixo. — Isso não acontece.
— Eu também não costumo acordar em mundos apocalípticos, então estamos quites.
Um impacto mais forte fez o chão tremer.
Poeira caiu do teto.
Passos gigantes ecoaram além da rua.
Roberto engoliu seco.
— Tá… talvez eu tenha subestimado o perigo daqui.
Alexa sentou numa cadeira baixa.
O olhar dela ficou distante por um segundo.
— Eu ajudei você porque… — ela pausou. — gente que cai sozinho normalmente vira comida antes do primeiro toque das lanternas.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Nossa… que motivação bonita.
Ela deu meio sorriso.
— E porque você não tem cheiro de Desejo.
Aquilo fisgou a atenção dele.
— Cheiro?
Alexa apontou para a porta.
— As coisas lá fora seguem rastros. Medo. Raiva. Ambição… — os olhos verdes fixaram nos âmbar dele. — Você só cheira… vazio.
Silêncio.
Roberto desviou o olhar.
— Valeu… acho.
A voz interna riu baixo.
“Ela não está errada.”
Ele ignorou.
— Então esse mundo… vive dessas… entidades?
Alexa assentiu.
— Desejos criam monstros. Pessoas fazem pactos. Cidades sobrevivem como conseguem.
— Perfeito… — murmurou. — troquei boleto por criatura infernal. Evolução clara.
Do lado de fora… um grito distante.
Depois silêncio abrupto.
Alexa levantou devagar.
A mão firme na arma.
— Não faz barulho.
Roberto ficou imóvel.
Sombras passaram pelas frestas da janela.
Algo parou do lado de fora.
Respiração lenta.
Raspando a madeira.
O ar esfriou.
“Ela sente você.”
Roberto segurou o fôlego.
A criatura arranhou a porta.
Uma vez.
Duas.
Parou.
Silêncio.
Passos se afastando.
Alexa soltou o ar lentamente.
— Sobreviveu ao primeiro minuto.
Ele suspirou.
— Já é mais do que eu esperava hoje.
Ela voltou a sentar.
— Amanhã… você precisa escolher o que vai ser aqui.
— Eu mal escolhi o que comer a vida inteira… imagina destino.
Alexa inclinou a cabeça.
— Então começa sobrevivendo.
A lanterna tremulou.
E por um segundo…
uma sombra feminina enorme apareceu atrás de Roberto…
Asas abertas como fogo silencioso.
Desapareceu antes que Alexa percebesse.
“Você não caiu aqui por acaso.”
Roberto fechou os olhos.
— Pois é… — murmurou baixo. — tô começando a desconfiar.
Capítulo 5

O Erro Que Respira
Roberto ainda estava sentado quando o silêncio mudou.
Não foi um barulho.
Foi a ausência dele.
Como se o mundo tivesse prendido a respiração.
Alexa levantou primeiro.
Os olhos verdes se estreitaram.
— …tem algo parado lá fora.
Ele encarou a porta.
— Aqui parece que sempre tem.
“Agora presta atenção.”
A voz quente dentro dele soou quase divertida.
Um impacto leve veio do teto.
Passos… leves demais para algo humano.
Alexa fez sinal para ele ficar quieto.
O som desceu pela parede.
Arranhando.
Raspando.
Parou do outro lado da porta.
Um cheiro de ferrugem invadiu o cômodo.
Roberto franziu o nariz.
— Isso aí não cheira a sobrevivência saudável.
A madeira da porta afundou levemente.
Como se algo estivesse pressionando o rosto contra ela.
Um olho amarelo surgiu pela fresta.
Sem emoção.
— …sem marca…
Alexa puxou a lâmina.
Movimento limpo. Silencioso.
— Não responde. — sussurrou.
O híbrido inclinou a cabeça.
Os ossos do pescoço estalaram.
— …erro…
Roberto sentiu o ar atrasar por um segundo.
Um copo na mesa deslizou sozinho.
A lanterna piscou.
“Ele consegue sentir você.”
A criatura bateu na porta.
Uma vez.
Duas.
A madeira rachou.
Alexa avançou.
Abriu a porta de repente e cortou na diagonal.
A lâmina atravessou o braço alongado do Vigiante.
O híbrido recuou… mas não gritou.
Só observou Roberto.
Fixamente.
Como se estivesse memorizando.
Roberto levantou devagar.
— Tá… definitivamente não é cosplay.
A criatura avançou.
Rápida demais.
Ele tentou desviar…
tropeçou na própria bota.
O ataque passou raspando por centímetros.
Alexa arregalou os olhos.
— Você não desviou!
— Eu tropecei!
O chão sob o híbrido afundou repentinamente.
Uma tábua cedeu.
A criatura perdeu o equilíbrio.
Alexa aproveitou.
Golpe limpo no pescoço.
O corpo caiu… desmanchando-se em fumaça vermelha.
Silêncio.
Respiração pesada.
Roberto olhou para as próprias mãos.
— …ok. Isso definitivamente não é coincidência normal.
Alexa limpou a lâmina.
Os olhos agora carregavam algo novo.
Desconfiança.
Curiosidade.
— Você não luta… mas o mundo luta por você.
Ele sorriu torto.
— Sempre quis terceirizar meus problemas.
“Ainda está só começando.”
A voz dentro dele parecia satisfeita.
Do lado de fora…
outros passos ecoaram pela rua.
Alexa fechou a porta novamente.
— Agora eles sabem que você existe.
Roberto soltou o ar devagar.
— Ótimo… nem completei um dia e já virei conteúdo proibido.
A lanterna piscou.
E pela primeira vez…
o reflexo dele na parede parecia ter asas por trás.
Capítulo 6

A Sombra Que Observa
O silêncio não durou.
Um grito cortou a noite.
Não perto.
Mas perto o suficiente para atravessar as paredes.
Roberto virou o rosto.
— …isso aí não parece alguém indo dormir cedo.
Alexa já estava na janela.
Espiou pela fresta mínima.
O olhar dela endureceu.
— Idiotas…
Ele se aproximou.
— Posso ver?
— Não devia.
— Ótimo. Agora eu quero mais.
Ela abriu um espaço pequeno.
Do outro lado da rua…
três pessoas corriam.
Sem máscara.
Sem marca visível.
Desesperadas.
Um deles tropeçou.
A lanterna acima piscou.
E algo se moveu na sombra.
Primeiro um.
Depois dois.
Os Devoradores Rasos emergiram como fumaça ganhando forma.
Rápidos.
Silenciosos.
Roberto prendeu a respiração.
— …ah não…
Os monstros cercaram o grupo.
Não atacaram imediatamente.
Observavam.
Como predadores escolhendo qual morder primeiro.
Uma das pessoas tentou correr.
O chão pareceu puxar o pé dela.
Ela caiu.
Alexa fechou parcialmente a janela.
— Regra básica da cidade. Depois do toque… quem fica fora vira convite.
Roberto não desviava os olhos.
— E ninguém ajuda?
— Só quem quer morrer junto.
Os Devoradores avançaram.
Movimentos bruscos.
Um grito humano foi cortado abruptamente.
Depois…
silêncio.
Som úmido.
Roberto virou o rosto.
— …ok… entendi a política local.
“Você não sente pena.”
A voz interna soou suave.
Ele respondeu mentalmente:
— Não… só tô tentando não surtar.
Alexa percebeu o olhar distante.
— Você escuta alguém… não escuta?
Ele hesitou.
— Algo assim.
Ela não insistiu.
— Amanhã você aprende as regras… ou não dura três noites.
— Eu já não durava três boletos… imagina três noites.
Ela quase sorriu.
Do lado de fora…
os Devoradores terminaram.
As formas se arrastaram pela rua… e desapareceram nas paredes como fumaça.
Silêncio absoluto.
— …isso aí é normal? — ele perguntou.
— Normal não. Frequente.
Um tremor mais pesado atravessou a casa.
A lanterna apagou por um segundo.
O ar ficou quente.
Muito quente.
Milena sussurrou dentro dele:
“Agora… algo maior está olhando.”
O peito de Roberto apertou.
Instinto puro.
Ele virou para a parede oposta.
E viu.
Uma sombra gigantesca cruzando lentamente o telhado.
Asas largas.
Chifres curvados.
Não totalmente material.
Só presença.
Alexa não viu.
Mas sentiu.
Apertou a arma com força.
— …fica longe da porta.
A sombra parou.
Como se farejasse.
Como se tivesse encontrado…
ele.
Roberto engoliu seco.
— …me diz que isso não entra.
Alexa respondeu baixo:
— Se fosse entrar… a cidade já teria acabado.
A sombra passou.
Lenta.
Pesada.
E desapareceu além das muralhas.
O ar voltou a circular.
Roberto apoiou a mão na mesa.
— Tá… oficialmente… pior decisão da minha vida morrer.
Milena riu dentro dele.
“E ainda nem começou.”
Sorte Maldita – Capítulos 1 a 3 da Nova Light Novel de Fantasia Sombria
Capítulo 1
O Beco Onde o Mundo Errou
Roberto caminhava sem pressa.
Não porque estivesse tranquilo.
Mas porque não havia lugar melhor para ir.
O turno tinha terminado tarde.
O salário… tinha terminado antes.
Sorte Maldita é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Ele chutou uma pedrinha na calçada rachada. A pedra rolou torta, como se até ela estivesse cansada de existir.
Um riso curto escapou de seus lábios.
— Caraca… até o chão tá cansado hoje.
Um ônibus passou ao longe. Vazio demais para aquele horário. As luzes internas piscavam como olhos com sono.
Roberto enfiou as mãos no bolso e virou em uma rua mais estreita.
Ali, o barulho da cidade diminuía.
Sem buzinas.
Sem vozes.
Só passos… e um choro baixo.
Ele parou.
Não era alto.
Não era desesperado.
Era um choro cansado.
— Sério mesmo… — murmurou, passando a mão na nuca. — Sempre tem alguma coisa estranha quando eu resolvo virar atalho.
O beco estava mal iluminado. A luz falhava, criando sombras que pareciam se mexer sozinhas.
No fundo… algo realmente se mexia.
Primeiro, Roberto pensou que fosse alguém sentado.
Depois percebeu que não era bem uma pessoa.
A forma era instável.
Como fumaça tentando lembrar como era ter ossos.
Ele ficou em silêncio.
Não gritou.
Não correu.
Só observou.
— …ok. — coçou a nuca outra vez. — Ou eu tô muito cansado… ou o mundo decidiu buggar hoje.
A coisa virou lentamente na direção dele.
O ar esfriou.
Não era uma sensação ameaçadora.
Era triste.
O peito de Roberto apertou sem motivo. E então um pensamento atravessou sua mente.
Sozinho.
Não era a voz dele.
Era… outra coisa.
Ele deu meio passo para trás.
— Tá… beleza… acho que já entendi o suficiente pra ir embora.
Virou o corpo.
E então—
O poste atrás dele estourou em faíscas.
A luz piscou violentamente.
O chão tremeu.
A criatura avançou — não como um predador… mas como alguém tropeçando no próprio peso.
Roberto escorregou.
Caiu de costas.
— Pô, sério?!
A fumaça tocou o braço dele.
E naquele instante…
O mundo pareceu errar o tempo.
Som distante.
Cores puxadas demais.
Um silêncio pesado esmagando tudo.
Algo abriu os olhos na escuridão.
Não à frente dele.
Dentro dele.
Uma presença antiga.
Divertida.
Perigosa.
“Interessante.”
A palavra não foi ouvida.
Foi sentida.
Roberto tentou se levantar.
O chão rachou antes.
O ar dobrou, como se tivesse tropeçado.
A criatura recuou. Confusa.
Ele respirou fundo.
— …não sei o que tá acontecendo… mas se isso aqui é sonho… tá caro demais pro meu padrão.
O céu ficou vermelho por um segundo.
Uma sombra gigantesca passou acima dos prédios.
Roberto ergueu o olhar.
Algo invisível observava.
Algo que não pertencia àquele mundo.
A Entidade do Acaso.
Ela não salvou.
Não atacou.
Só… tocou.
Um toque leve na realidade.
E tudo saiu do lugar.
Um carro perdeu o controle na esquina.
Metal gritou.
Luz branca.
Impacto.
Silêncio.
O beco voltou a ficar vazio.
A Sombra da Solidão se dissipou como poeira ao vento.
E o corpo de Roberto… parou de se mover.
Por um instante.
Só um.
O mundo prendeu a respiração.
Então—
A realidade rasgou.
Não como um portal mágico.
Mas como um erro sendo corrigido.
Escuridão.
Queda.
E um último pensamento atravessou a mente dele antes de desaparecer:
“Nem aqui deu certo… né?”
…
…
Luz.
Fria.
Diferente.
Respiração pesada.
Pedra sob as costas.
Cheiro de ferro no ar.
Roberto abriu os olhos devagar.
O céu acima dele não era mais o do Rio.
Era maior.
Profundo demais.
Silencioso demais.
Ele piscou.
Confuso.
— …tá. — murmurou, olhando as próprias mãos. — Se isso for depois da morte… o RH do universo precisa melhorar a recepção.
Algo se moveu nas sombras ao redor.
E pela primeira vez…
o Acaso respirou junto com ele.
Capítulo 2

A Garota de Olhos Verdes e as Regras Quebradas
Roberto permaneceu deitado alguns segundos.
Não por estratégia.
Por pura preguiça existencial.
— …ok. — piscou devagar. — Morri. Confirmado. Agora tô no modo DLC.
Ele ergueu o tronco.
Nada do Rio.
Nada de buzinas.
Nada de gente gritando.
Só um vazio que parecia observar de volta.
O chão era frio demais.
Pedra negra. Lisa.
Como se tivesse sido queimada por dentro.
Ele respirou fundo.
O ar tinha gosto metálico.
— Se isso aqui for céu… propaganda enganosa.
Um estalo ecoou atrás dele.
Roberto virou rápido.
Algo passou correndo entre pedras distantes.
Baixo.
Rápido.
Errado.
Ele ficou quieto.
Não era coragem.
Era cálculo simples:
“Se eu correr, provavelmente tropeço.”
Um vulto surgiu… e parou.
Era uma garota.
Cabelo roxo escuro balançando levemente.
Olhos verdes brilhando com curiosidade.
Ela inclinou a cabeça.
— …você caiu do céu?
Roberto olhou para cima.
Depois para ela.
— Eu tava esperando algo mais… tipo anjo, harpa… não entrevista.
Ela riu curto.
Não parecia surpresa.
Só… interessada.
Alexa deu dois passos à frente.
As botas fizeram um som seco na pedra.
— Você não tem marca de Desejo. — disse, observando o peito dele. — E ainda tá vivo.
— Obrigado pela parte motivacional.
Ela ergueu uma sobrancelha.
Antes que respondesse—
Um som rasgou o silêncio.
Algo rastejando.
Pesado.
Lento.
Roberto sentiu antes de ver.
O ar ficou mais denso.
Como no beco do Rio.
O Acaso sussurrou dentro dele.
Não com palavras.
Com sensação.
Erro se aproximando.
Das sombras surgiu a criatura.
Alta demais.
Magrela demais.
Braços longos arrastando no chão.
Sem rosto.
Só uma cavidade aberta onde deveria existir uma cabeça.
Alexa suspirou.
— Ótimo… uma Devoradora Fraca.
Ela estalou os dedos.
Uma lâmina curta surgiu na mão dela como se sempre tivesse estado ali.
Roberto levantou as mãos.
— Beleza… eu voto em fugir.
A criatura avançou.
Rápida.
Alexa girou o corpo e cortou o braço da coisa.
A lâmina atravessou… mas não completamente.
A criatura soltou um grito seco.
Roberto tentou dar um passo para trás.
Pisou numa pedra solta.
Escorregou.
— Ah… clássico.
Caiu sentado.
A criatura mudou a direção.
Direto para ele.
Alexa virou.
— Ei! Levanta!
— Tô tentando manter minha tradição de morrer cedo!
A Devoradora atacou.
No último segundo—
O chão rachou sob o peso da criatura.
Ela perdeu o equilíbrio.
Alexa aproveitou.
Um corte diagonal preciso.
A criatura se desfez em fumaça escura.
Silêncio.
Roberto piscou.
Olhou o chão.
Depois olhou para Alexa.
— …isso contou como ajuda?
Ela observou a rachadura.
Depois encarou ele.
— Você não se mexeu direito… e ela errou o ataque.
— Eu chamo isso de estilo passivo.
Alexa guardou a lâmina.
Os olhos verdes analisavam cada detalhe dele.
— Algo em você… não segue as regras.
Roberto se levantou devagar.
— Relaxa. Nem eu sigo.
Um vento frio passou.
Cinzas rodopiaram ao redor.
Por um segundo…
a sombra atrás dele pareceu ganhar asas.
Alexa estreitou os olhos.
— …tem alguém com você?
Roberto olhou por cima do ombro.
Nada.
— Só meus problemas emocionais.
Ela deu um meio sorriso.
— Então você vai se dar bem aqui.
Ao longe…
os portões da cidade começaram a se abrir.
Um som grave ecoou pelas planícies.
Algo maior despertava.
E o Acaso…
parecia animado.
Roberto coçou a cabeça.
— Tá… me diz uma coisa. — olhou para Alexa. — Aqui sempre tenta me matar… ou eu tenho cara de tutorial errado?
Ela começou a caminhar.
— Vem comigo, estranho do céu.
Ele seguiu.
Sem perceber…
uma pena negra incandescente caiu lentamente atrás deles…
e desapareceu antes de tocar o chão.
Capítulo 3

O Toque das Lanternas
Roberto caminhava atrás de Alexa sem pressa.
Na verdade… estava apenas tentando parecer que sabia para onde estava indo.
Os muros diante deles eram altos demais. Antigos. Grossos como se já tivessem sobrevivido a mais coisas do que qualquer cidade deveria enfrentar.
Ele quebrou o silêncio:
— Então… — olhou para as muralhas imensas. — aqui é tipo capital do apocalipse ou só terça-feira normal?
Alexa não respondeu de imediato.
Os olhos dela estavam atentos aos guardas.
Armaduras pesadas.
Movimentos rígidos.
Olhos cansados demais para serem apenas soldados comuns.
— Se você quer continuar respirando… evita piadas com os portões. — disse ela em voz baixa.
Roberto soltou um meio sorriso.
— Relaxa. Eu só faço piada quando tô nervoso… ou vivo.
Um dos guardas encarou Roberto.
Tempo demais.
Como se estivesse procurando algo que deveria estar ali… mas não estava.
— Marca? — perguntou seco.
Alexa respondeu antes que Roberto abrisse a boca.
— Errante. Caiu fora da muralha norte.
O guarda franziu o cenho.
Roberto levantou a mão, quase educado.
— Eu também tô tentando entender.
Silêncio.
O homem se afastou.
O portão abriu apenas o suficiente para que passassem.
Quando cruzaram para dentro…
o ar mudou.
Cheiro de ferro.
Vozes baixas.
O som distante de algo sendo arrastado em pedra.
Roberto desacelerou.
Os prédios eram altos, inclinados uns sobre os outros como se conspirassem para esconder o céu. As ruas, estreitas. Pessoas usavam máscaras leves, como se o ar pudesse morder.
— …tá. — murmurou ele. — definitivamente não é resort.
Algo passou correndo acima.
Som de asas cortando o vento.
Por um instante… uma pena negra surgiu no canto do campo de visão dele.
E desapareceu.
“Você chegou mais cedo do que imaginei.”
A voz não veio de fora.
Veio de dentro.
Calma.
Quente.
Perigosa.
Roberto parou.
O coração bateu errado por meio segundo.
— …tá ouvindo alguém falando comigo? — perguntou para Alexa.
Ela não parou de andar.
— Só você reclamando. Por quê?
Ele coçou a cabeça.
— Nada… deve ser trauma recente.
Nas sombras acima das muralhas, algo se moveu.
Uma sombra longa deslizou pelo topo da estrutura.
Mas ninguém além dele pareceu notar.
Milena observava.
Divertida.
Alexa virou em uma rua lateral.
— Você precisa de abrigo antes do toque das lanternas.
Roberto piscou.
— Toque das lanternas?
Ela apontou discretamente para o céu.
As nuvens começaram a escurecer rápido demais.
Uma sirene baixa ecoou pela cidade.
Grave. Lenta. Antiga.
As pessoas aceleraram o passo.
Portas sendo fechadas.
Trancas girando.
Janelas seladas.
Roberto olhou ao redor.
— …isso aqui nunca é coisa boa.
Um impacto distante fez o chão vibrar sob seus pés.
Algo gigante caminhava do lado de fora das muralhas.
Pesado.
Paciente.
Alexa segurou o braço dele.
— Anda.
Eles correram.
Viraram um corredor estreito entre duas construções inclinadas.
Outro impacto.
Mais perto.
Quando chegaram a uma pequena casa de pedra…
o céu ficou vermelho por um segundo.
Sombras começaram a se mover pelas paredes da cidade.
Não como ausência de luz.
Mas como presenças.
Alexa abriu a porta rapidamente.
— Entra.
Roberto hesitou apenas um instante.
Não por medo.
Mas por aquela sensação persistente de estar sendo observado…
por alguém muito alto.
Muito distante.
E ainda assim… muito próximo.
Ele entrou.
A porta fechou com força.
Do lado de fora…
as lanternas vermelhas começaram a acender.
Uma.
Depois outra.
Depois todas.
A cidade mergulhou em um brilho carmesim.
No escuro acima das muralhas, Milena sorriu.
“Agora começa de verdade.”
Redo of Healer: tudo o que sabemos sobre a segunda temporada
Poucos animes dividiram tanto opiniões quanto Redo of Healer. Lançado em 2021, o título rapidamente se tornou um dos mais comentados da temporada, não apenas pela trama sombria e cheia de vingança, mas também pelas polêmicas que cercaram sua adaptação. Agora, com rumores e movimentações sobre a segunda temporada, a pergunta que fica é: vale a pena assistir?
- Aniplex compra produtora de Mushoku Tensei e fortalece domínio no mercado de animes
- Solo Leveling pode fracassar se imitar Demon Slayer: entenda os riscos e oportunidades
O retorno de Keyaru, o protagonista que usa seus poderes de cura para reescrever seu destino, promete reacender discussões sobre até onde um anime pode ir em termos de violência psicológica e narrativa.
O que sabemos até agora sobre a segunda temporada

Apesar de ainda não haver uma data oficial de estreia, informações de bastidores e declarações de produtores indicam que a segunda temporada está em desenvolvimento. Entre os pontos mais comentados:
- Continuação direta da light novel: a história deve seguir os próximos volumes, expandindo o universo e trazendo novos personagens.
- Mais foco em batalhas: além da vingança pessoal de Keyaru, a trama deve explorar conflitos maiores, envolvendo reinos e poderes mágicos.
- Tom igualmente sombrio: não há indícios de suavização; a obra deve manter o estilo cru que a tornou tão controversa.
Por que Redo of Healer é tão polêmico?
A vingança como motor narrativo
Diferente de outros animes de fantasia, Redo of Healer coloca a vingança como centro da trama. Keyaru não busca apenas sobreviver ou salvar o mundo; ele quer reescrever sua história e punir aqueles que o traíram.
Limites da narrativa
A primeira temporada foi alvo de críticas por cenas consideradas pesadas. Isso gerou debates sobre até onde um anime pode ir sem perder o equilíbrio entre entretenimento e choque.
Vale a pena assistir a segunda temporada?

Para quem gostou da primeira temporada
Se você acompanhou a primeira temporada e se interessou pela proposta ousada, a segunda promete aprofundar ainda mais os dilemas morais e expandir o universo.
Para novos espectadores
Quem não viu a primeira temporada precisa estar ciente: Redo of Healer não é um anime leve. É uma obra que exige maturidade e disposição para lidar com temas pesados.
Curiosidades
- Light novel em alta: mesmo com polêmicas, a obra original continua vendendo bem no Japão.
- Adaptação fiel: a primeira temporada foi considerada bastante fiel ao material original, o que deve se repetir na continuação.
- Fandom dividido: há quem veja Redo of Healer como uma crítica social disfarçada, enquanto outros o consideram apenas exploração de temas extremos.
Conclusão
A segunda temporada de Redo of Healer promete manter o tom sombrio e polêmico que marcou a estreia. Para alguns, isso é exatamente o que torna a obra interessante; para outros, é motivo para evitar.
Vale a pena assistir? Depende do que você busca em um anime. Se procura uma narrativa intensa, cheia de dilemas morais e não tem problema com temas pesados, sim, pode ser uma experiência única. Mas se prefere histórias mais leves ou tradicionais, talvez seja melhor explorar outros títulos.
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Tensei Shitara Dragon no Tamago Datta: vale a pena assistir?
O universo dos animes isekai parece não ter fim. A cada temporada, novas obras surgem explorando a ideia de reencarnação em mundos fantásticos. Entre elas, Tensei Shitara Dragon no Tamago Datta (em tradução livre, Reencarnei como um Ovo de Dragão) chama atenção por sua premissa curiosa: em vez de renascer como herói humano ou criatura mágica já formada, o protagonista desperta como um simples ovo de dragão.
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A proposta soa excêntrica, mas é justamente esse diferencial que tem despertado curiosidade. Afinal, será que acompanhar a evolução de um personagem literalmente do zero — de ovo até se tornar uma criatura lendária — é algo que vale o tempo dos fãs de anime?
A premissa: do ovo ao dragão
O protagonista da história morre em seu mundo original e renasce em um universo de fantasia como um ovo de dragão. Sem habilidades iniciais, ele precisa sobreviver em um ambiente hostil, enfrentando monstros e aprendendo a evoluir pouco a pouco.
Esse conceito traz uma pegada de RPG clássico, em que cada vitória concede pontos de experiência e desbloqueia novas habilidades. O público acompanha não apenas batalhas, mas também o processo de crescimento e transformação do personagem.
O diferencial dentro do gênero isekai
Evolução gradual
Enquanto muitos isekais apresentam protagonistas já poderosos desde o início, Dragon no Tamago aposta em uma narrativa de progressão lenta. O herói não nasce invencível; ele precisa conquistar cada etapa de sua evolução. Isso gera uma sensação de recompensa para quem acompanha a jornada.
Perspectiva única
Ver o mundo através dos olhos de um dragão em formação é algo pouco explorado. A obra brinca com a ideia de que o protagonista não entende completamente sua nova condição, criando momentos de humor e tensão.
Contexto e origem
- Web novel popular: A história começou como uma publicação online, conquistando leitores pela proposta inusitada.
- Mangá e adaptação: O sucesso levou à versão em mangá e, agora, à animação.
- Fandom engajado: Fóruns e redes sociais já discutem há anos como seria uma adaptação, e a estreia do anime atende a essa expectativa.
Pontos fortes da obra
- Premissa criativa: Reencarnar como ovo de dragão é uma ideia que foge do padrão.
- Progressão estilo RPG: A evolução gradual lembra sistemas de jogos, o que atrai fãs de videogame.
- Atmosfera de sobrevivência: O protagonista precisa lutar por cada conquista, criando tensão constante.
Pontos que podem dividir opiniões
- Ritmo lento: A narrativa pode parecer arrastada para quem prefere ação imediata.
- Produção modesta: A animação não tem o mesmo orçamento de grandes estúdios, o que pode impactar a qualidade visual.
- Comparações inevitáveis: O público tende a comparar com outros isekais famosos, como Re:Zero ou That Time I Got Reincarnated as a Slime.
Curiosidades
- O autor da obra já declarou que queria “brincar com a ideia de começar literalmente do zero”, daí a escolha do ovo como ponto inicial.
- A comunidade gamer abraçou a história por suas semelhanças com sistemas de evolução de RPGs.
- Há debates sobre como o anime pode expandir o universo, já que o material original tem diversas ramificações e spin-offs.
Vale a pena assistir?
A resposta depende do perfil do espectador. Para quem gosta de tramas de evolução lenta, com foco em crescimento e superação, Tensei Shitara Dragon no Tamago Datta é uma experiência diferenciada. Já para quem busca ação frenética e personagens prontos para batalhas épicas desde o primeiro episódio, o ritmo pode parecer menos empolgante.
O anime se destaca como uma obra que aposta na originalidade dentro do isekai, oferecendo uma jornada que mistura sobrevivência, humor e fantasia. É uma proposta que pode não agradar a todos, mas certamente merece atenção de quem procura algo fora do padrão.
Conclusão
Tensei Shitara Dragon no Tamago Datta não é apenas mais um isekai. É uma obra que desafia convenções ao colocar seu protagonista em uma posição vulnerável desde o início, convidando o público a acompanhar cada passo de sua evolução.
Se vale a pena assistir? Para quem gosta de histórias de crescimento e aprecia narrativas que fogem do óbvio, a resposta é sim. O anime pode não ter o brilho técnico das grandes produções, mas compensa com uma ideia criativa e uma jornada envolvente.
👉 E você, já começou a assistir? Acha que a proposta de acompanhar um protagonista que nasce como ovo de dragão é interessante ou estranha demais? Compartilhe sua opinião e vamos debater juntos!
