Capítulo 7 — O Primeiro Soldado

André entrou no quartel com passos lentos.
Lyra veio logo atrás.
O chão de pedra estava coberto por detritos.
Algumas lanças quebradas.
Partes de armaduras.
Pedaços de madeira.
Mas o que chamava mais atenção eram os corpos.
Soldados.
Pelo menos uma dúzia.
Alguns ainda vestiam partes de suas armaduras.
Outros estavam apenas com roupas simples de guarda.
A posição deles deixava claro o que tinha acontecido.
Eles haviam lutado até o fim.
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André caminhou até um dos corpos.
O homem estava caído próximo à porta lateral.
A espada ainda estava em sua mão.
Ele se abaixou.
Observou a armadura.
A marca da Casa Valenfyr ainda era visível no metal.
Um escudo com duas lâminas cruzadas.
Lyra caminhava pelo salão.
Observando tudo.
— Eles seguraram a entrada.
Ela parou perto da porta principal quebrada.
— Provavelmente tentaram impedir o ataque de chegar à torre.
André assentiu devagar.
— Faz sentido.
Lyra voltou a caminhar.
Parou diante de outro corpo.
Um soldado grande.
Armadura pesada.
Ela inclinou a cabeça.
— Esse aqui parece forte.
André se aproximou.
O homem tinha ombros largos.
Mesmo morto há muito tempo, ainda parecia robusto.
A espada ao lado dele era maior que as outras.
Lyra olhou para André.
— Esse vale a pena.
André permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois estendeu a mão sobre o corpo.
A reação veio imediatamente.
A mesma sensação fria percorreu seu braço.
Desta vez mais intensa.
A mana respondeu.
Fragmentos de energia azul começaram a surgir no ar.
André manteve a mão estendida.
A energia fluiu.
Mas depois de alguns segundos ele parou.
A mão desceu lentamente.
Lyra levantou uma sobrancelha.
— Mudou de ideia?
André balançou a cabeça.
— Não.
Ele olhou para os outros corpos espalhados pelo salão.
Depois voltou os olhos para o soldado.
— Mas não vou levantar um por vez sem pensar.
Lyra cruzou os braços.
— Planejando um exército?
André respondeu com calma.
— Planejando não morrer.
Lyra sorriu.
— Justo.
André caminhou alguns passos pelo quartel.
Observando os corpos.
A maioria ainda estava relativamente preservada.
O lugar era seco.
Protegido da chuva.
Isso tinha ajudado.
Ele parou no centro do salão.
Olhou ao redor.
— Quantos você acha que consigo levantar?
Lyra respondeu sem hesitar.
— Agora?
Ela observou André de cima a baixo.
Depois analisou a energia ao redor dele.
— Talvez um.
André suspirou.
— Como imaginei.
Lyra deu de ombros.
— Você acabou de acordar sua necromancia.
Ela chutou levemente uma espada quebrada no chão.
— Não espere levantar um exército no primeiro dia.
André voltou a olhar para o soldado maior.
Aquele parecia a melhor escolha.
Ele caminhou até o corpo novamente.
Parou diante dele.
A mão se estendeu.
A mana respondeu outra vez.
Desta vez André não interrompeu.
A energia azul começou a envolver o corpo do soldado.
A armadura vibrou levemente.
Pequenas partículas de mana giravam ao redor do cadáver.
Lyra observava com interesse.
— Vamos ver o que você consegue fazer.
Capítulo 8 — Limite de Mana


A mão de André permaneceu estendida sobre o corpo do soldado.
A mana respondeu.
Fragmentos de energia azul começaram a surgir no ar.
Pequenas partículas brilhantes giravam lentamente sobre o cadáver.
A armadura do homem vibrou levemente.
A energia começou a penetrar no corpo.
Lyra observava em silêncio.
Os olhos azulados acompanhavam cada detalhe do processo.
O chão do quartel parecia reagir levemente.
Como se a energia necromântica estivesse sendo puxada para aquele ponto.
Por alguns segundos o ritual continuou.
Então algo mudou.
A visão de André escureceu levemente.
Uma sensação pesada surgiu em seu peito.
A mana começou a falhar.
A energia azul que envolvia o corpo do soldado enfraqueceu.
As partículas começaram a desaparecer.
André retirou a mão rapidamente.
Respirou fundo.
A cabeça girou por um instante.
Lyra inclinou a cabeça.
— Já acabou?
André ficou em silêncio por alguns segundos.
A respiração ainda pesada.
Depois respondeu.
— Não tenho mana suficiente.
Lyra cruzou os braços.
— Imaginei.
Ela caminhou até o corpo do soldado.
Observou o cadáver.
Depois olhou novamente para André.
— Você já está mantendo uma necromante ativa.
Ela apontou para si mesma com o polegar.
— Eu.
André passou a mão pela testa.
A sensação de cansaço ainda estava ali.
— Então esse é o limite.
Lyra deu de ombros.
— Por enquanto.
Ela caminhou pelo salão novamente.
Passando pelos corpos espalhados.
— Levantar mortos consome energia.
Ela chutou levemente uma lança caída no chão.
— E manter eles funcionando consome ainda mais.
André voltou a olhar para o soldado que havia tentado levantar.
Aquele corpo ainda parecia útil.
Mas não agora.
Lyra parou diante de outro cadáver.
Um guarda jovem.
Armadura mais leve.
Ela observou por alguns segundos.
Depois voltou a olhar para André.
— Mas tem uma coisa interessante.
André levantou o olhar.
— O quê?
Lyra abriu os braços lentamente.
— Você não precisa levantar todos agora.
Ela apontou para os corpos espalhados pelo quartel.
— Eles não vão fugir.
André soltou um pequeno suspiro.
— Verdade.
Lyra caminhou até o centro do salão.
O olhar percorreu o quartel inteiro.
Depois parou em algo perto da parede do fundo.
Ela franziu levemente o cenho.
— Hm.
André percebeu a mudança.
— O que foi?
Lyra apontou discretamente.
— Aquilo ali.
Encostado contra a parede, parcialmente coberto por destroços de madeira, havia algo diferente.
Uma espada.
Muito maior que as outras espalhadas pelo quartel.
A lâmina ainda estava presa em uma rachadura no chão de pedra.
Como se tivesse sido cravada ali durante a batalha.
A empunhadura possuía um símbolo.
O mesmo escudo com duas lâminas cruzadas da Casa Valenfyr.
Lyra inclinou a cabeça.
— Essa parece importante.
Capítulo 9 — A Espada do Capitão

André caminhou até o fundo do quartel.
Os passos ecoavam levemente no salão vazio.
Lyra veio logo atrás.
A espada realmente era diferente das outras.
Mais pesada.
Mais longa.
A lâmina ainda parecia em bom estado, apesar do tempo.
André se abaixou e afastou alguns pedaços de madeira quebrada.
A arma estava presa na rachadura da pedra.
Ele segurou a empunhadura.
A superfície estava fria.
Mas firme.
André puxou.
A lâmina deslizou para fora da pedra com um som metálico grave.
Ele levantou a espada lentamente.
O peso era considerável.
A arma claramente havia sido feita para alguém forte.
Lyra observava.
— Não parece uma espada comum.
André virou a lâmina.
O símbolo da Casa Valenfyr estava gravado próximo à base.
— Provavelmente era do capitão da guarda.
Lyra inclinou levemente a cabeça.
— Então ele deve estar por aqui.
André levantou os olhos.
— Faz sentido.
Ele começou a observar os corpos novamente.
Se aquela era a espada do capitão…
o dono dela deveria estar em algum lugar naquele salão.
Lyra caminhou entre os cadáveres.
Parou diante de um corpo encostado contra a parede lateral.
A armadura era diferente das outras.
Mais robusta.
Peitoral reforçado.
O símbolo da casa gravado em destaque.
O corpo ainda segurava um escudo partido.
Lyra olhou para André.
— Achei ele.
André se aproximou.
O homem era grande.
Mesmo sentado contra a parede, era possível perceber que em vida devia ser imponente.
Uma marca profunda atravessava a armadura.
Provavelmente o golpe que o matou.
André olhou para a espada em sua mão.
Depois para o corpo.
— Capitão da guarda Valenfyr.
Lyra cruzou os braços.
— Parece que ele lutou até o final.
André observou o rosto do homem.
Mesmo após a morte, a expressão ainda parecia firme.
Como alguém que não havia recuado.
Lyra apoiou o ombro na parede.
— Esse aí seria uma invocação melhor que aquele soldado.
André não respondeu imediatamente.
Ele ainda sentia o cansaço da tentativa anterior.
A mana não tinha se recuperado.
Ele olhou novamente para o capitão.
Depois para o restante do quartel.
— Não agora.
Lyra assentiu.
— Sensato.
André apoiou a espada do capitão no ombro.
Depois começou a caminhar lentamente pelo quartel novamente.
Observando o lugar com mais atenção.
Agora ele sabia de duas coisas importantes.
Primeiro.
Ravenmoor estava cheia de mortos úteis.
Segundo.
Ele precisava aprender a usar melhor sua necromancia antes de tentar levantar alguém como aquele capitão.
Lyra o acompanhou até a porta do quartel.
Ela olhou novamente para o vilarejo abandonado.
— Ainda tem muita coisa nesse território que você não viu.
Capítulo 10 — Reconstruindo Ravenmoor
André saiu do quartel.
A luz do dia parecia mais forte depois da escuridão do interior do prédio.
A rua principal de Ravenmoor se estendia à frente deles.
Lyra caminhava ao lado dele.
Observando tudo com curiosidade.
— Pequena cidade.
André respondeu.
— Era suficiente.
Lyra olhou as casas destruídas.
— Quantas pessoas viviam aqui?
André pensou por alguns segundos.
As memórias do jogo ainda eram incompletas.
— Algumas centenas.
Lyra assobiou baixo.
— Bastante gente para um massacre.
Eles caminharam pela rua.
André empurrou a porta de uma casa próxima.
A madeira cedeu facilmente.
O interior estava vazio.
Uma mesa quebrada.
Duas cadeiras.
Algumas panelas espalhadas no chão.
Nada de valor.
Ele saiu novamente.
Continuaram andando.
A próxima construção era uma pequena loja.
Provavelmente um ferreiro.
Ferramentas enferrujadas ainda estavam penduradas na parede.
Lyra pegou um martelo velho.
Observou por alguns segundos.
Depois jogou de volta na mesa.
— Esse lugar foi abandonado às pressas.
André concordou.
— O ataque foi rápido.
Eles continuaram pela rua.
Mais à frente, o caminho se abria em uma pequena praça.
No centro havia um poço de pedra.
Alguns bancos quebrados estavam espalhados ao redor.
Lyra parou perto do poço.
Olhou dentro.
— Ainda tem água.
André se aproximou.
Observou a profundidade.
— Útil.
Lyra apoiou os braços na borda de pedra.
— Então o que você pretende fazer com esse lugar?
André olhou ao redor.
Casas abandonadas.
Estradas vazias.
Campos ao longe.
Depois respondeu.
— Primeiro sobreviver.
Lyra assentiu.
— Justo.
André continuou.
— Depois reconstruir.
Lyra virou o rosto para ele.
Um sorriso leve apareceu.
— Ambicioso.
André apoiou a espada do capitão no ombro novamente.
— Não tenho escolha.
Lyra observou o vilarejo silencioso.
Depois voltou os olhos para ele.
— E você acha que consegue fazer isso sozinho?
André olhou novamente para Ravenmoor.
A torre.
O quartel.
O cemitério.
Depois respondeu com calma.
— Não vou estar sozinho por muito tempo.
Capítulo 11 — O Vilarejo Perdido

Lyra observou André por alguns segundos.
Depois soltou uma pequena risada.
— Então você pretende levantar o vilarejo inteiro.
André respondeu com naturalidade.
— Eventualmente.
Lyra apoiou o cotovelo na borda do poço.
— Isso vai dar trabalho.
André começou a caminhar novamente.
Dessa vez na direção da construção de pedra na praça.
O prédio estava parcialmente destruído.
Uma parte da parede havia desabado.
A porta principal estava caída no chão.
Lyra o seguiu.
— O que era isso?
André observou o interior antes de responder.
— Escritório do administrador do vilarejo.
Eles entraram.
O lugar estava cheio de papéis espalhados.
Pergaminhos antigos.
Registros.
Alguns armários estavam abertos.
Outros quebrados.
André começou a olhar os documentos.
A maioria estava rasgada.
Mas alguns ainda eram legíveis.
Listas de suprimentos.
Controle de colheitas.
Registros de moradores.
Lyra caminhava pelo local.
Mexendo em alguns objetos.
— Esse lugar era organizado.
André assentiu.
— Casas pequenas precisam ser.
Ele pegou um dos registros.
A lista continha nomes.
Famílias inteiras.
Ele passou os olhos pelas páginas.
Lyra percebeu.
— O que foi?
André mostrou o pergaminho.
— Moradores do vilarejo.
Lyra aproximou o rosto.
— Bastante gente.
André continuou folheando.
A maioria dos nomes tinha pequenas marcações feitas com tinta.
Alguns estavam circulados.
Outros riscados.
Lyra inclinou a cabeça.
— Mortos?
André respondeu.
— Provavelmente.
Ele fechou o pergaminho.
Olhou novamente para a praça pela abertura da parede.
— Então Ravenmoor tinha mais gente do que apenas os soldados.
Lyra sorriu levemente.
— Ótimo para você.
André não respondeu imediatamente.
Ele caminhou até a parede quebrada.
Observou as casas ao redor.
Algumas ainda estavam em pé.
Outras completamente destruídas.
Ele já conseguia imaginar o que existia ali antes.
Crianças correndo pelas ruas.
Comerciantes abrindo lojas.
Guardas patrulhando.
Agora só restava silêncio.
Lyra parou ao lado dele.
— Pensando em quem levantar primeiro?
André respondeu com calma.
— Pensando em quem vale a pena levantar.
Lyra sorriu novamente.
— Boa escolha.
Ela voltou a olhar a praça.
Depois apontou discretamente para uma casa do outro lado.
— Aquela construção parece maior.
André seguiu o olhar.
A casa era realmente diferente.
Mais sólida.
Provavelmente pertencia a alguém importante do vilarejo.
A porta estava aberta.
Lyra inclinou a cabeça.
— Talvez alguém interessante tenha morrido ali.
