ThunderCats vai ganhar relançamento em HQ: entenda a nova fase que chega em outubro
ThunderCats vai ganhar relançamento em HQ. Terceira Terra está prestes a mudar de cara outra vez. A Dynamite Entertainment confirmou que ThunderCats ganha um relançamento de número 1 em outubro de 2026, com roteiro de Greg Pak e arte de David Cousens assumindo o comando de uma fase que promete reorganizar praticamente tudo o que os leitores conheciam da série de quadrinhos iniciada em 2024. Não se trata de um spin-off nem de uma minissérie paralela: é o recomeço numerado da coleção principal, o tipo de movimento editorial que costuma sinalizar uma virada de rumo para o elenco e para o próprio Lion-O.
A notícia chega num momento curioso para a marca. Menos de um mês antes, durante o Festival Internacional de Animação de Annecy, a Warner Bros. Animation confirmou que também está desenvolvendo um novo longa-metragem animado de ThunderCats, revelado de forma discreta dentro de um showreel de projetos futuros do estúdio, ao lado de um novo filme das Meninas Superpoderosas. São produtos de mídias diferentes, tocados por empresas diferentes — Dynamite nos quadrinhos, Warner no cinema —, mas o timing reforça algo que os fãs já vinham percebendo: depois de décadas de tentativas frustradas de reviver a franquia, alguém finalmente resolveu tirar Lion-O da gaveta.
- Os mangás mais vendidos de junho de 2026: quem dominou as prateleiras no Japão e no Brasil
- Kadokawa e a condenação histórica contra pirataria de anime e mangá
Quem assina a nova fase
Greg Pak não é nome desconhecido para quem acompanha grandes universos de super-heróis. Ele já passou por títulos como Planet Hulk, World War Hulk, Batman/Superman e pela linha de Darth Vader na Marvel, sempre com uma marca registrada: pegar personagens consagrados e empurrá-los para dilemas que fogem do óbvio. Ao lado dele, David Cousens entra como artista, somando-se a um time que já vinha construindo a fase anterior — Igor Monti, Jeff Eckleberry e Nate Cosby seguem envolvidos no universo expandido da editora.
Segundo Nick Barrucci, CEO da Dynamite, a escolha de Pak veio justamente pela capacidade dele de entregar histórias com “ação massiva, emoção grande” e o que o próprio roteirista descreveu como uma relevância que morde — uma HQ de aventura que não tem medo de tocar em assuntos que dialogam com o presente, mesmo dentro de uma ficção sobre felinos alienígenas espadachins.
O que muda na trama
O ponto de partida da nova fase é dramático: Lion-O abandona o papel de líder e passa a agir por conta própria, longe da estrutura que sustentava os ThunderCats até então. O grupo se vê em situação de exílio na Terceira Terra, dividido entre alianças incertas com os SilverHawks e o avanço de facções rivais que disputam espaço no mesmo território. É um cenário bem distante da imagem clássica do herói que sempre grita “Ho!” empunhando a Espada dos Presságios com total confiança — aqui, a liderança está em xeque, e a confiança do próprio leitor no protagonista também.
Entra em cena um vilão inédito: o Rei Feral, apresentado como ameaça capaz de pressionar simultaneamente os ThunderCats, as forças de Mumm-Ra e o equilíbrio de toda a Terceira Terra. A escolha de criar um antagonista novo, em vez de reciclar apenas os mutantes de Plun-Darr ou o próprio Mumm-Ra, indica que a Dynamite quer abrir um capítulo com regras próprias, sem depender só da nostalgia de quem cresceu vendo o desenho dos anos 80.
Vale lembrar o ponto de onde a história parte: Tygra e Calica — personagem que estreou em ThunderCats (2024) #2 — vinham servindo como conselheiros de Lion-O antes da guinada. A trama recente já mostrava o protagonista lidando com orgulho ferido e cobrando de si mesmo decisões que não deram certo; agora, um meteoro misterioso cruza o céu de Terceira Terra e ilumina de forma estranha uma reunião das tribos locais, evento que parece funcionar como estopim para o caos que abre a nova numeração.
Por que um relançamento agora
Reiniciar a numeração de uma HQ é, na prática, um convite à entrada de novos leitores. Quem nunca acompanhou os quadrinhos da Dynamite ganha um ponto de partida limpo, sem precisar recuperar dezenas de edições anteriores para entender o que está acontecendo — e quem já segue a série ganha a sensação de que algo realmente novo está prestes a começar, não apenas mais um arco dentro da mesma sequência.
Esse tipo de decisão editorial também costuma vir atrelada a uma mudança de tom. Pelo que já foi divulgado, a ideia é abandonar um pouco da estrutura mais linear de “equipe unida enfrenta ameaça externa” e explorar rachaduras internas: um líder que se afasta, aliados que passam a questionar decisões, território que precisa ser reconquistado aos poucos. É uma abordagem que se aproxima do que Pak já fez em outras franquias, onde o conflito emocional do protagonista pesa tanto quanto a ameaça externa.

ThunderCats além dos quadrinhos: o filme animado em desenvolvimento
Enquanto a Dynamite prepara o relançamento impresso, a Warner Bros. Pictures Animation trabalha, em paralelo, num longa-metragem animado da franquia. O anúncio em Annecy não veio acompanhado de detalhes de elenco, data de estreia ou sinopse — apenas o logotipo da marca dentro de uma prévia de projetos futuros —, mas o simples fato de a divisão de animação do estúdio ter puxado o projeto adiante já é significativo. ThunderCats persegue uma versão cinematográfica há quase vinte anos, com um projeto em live-action assinado por Adam Wingard que segue em desenvolvimento paralelo e ainda sem data definida.
A diferença de ritmo entre os dois projetos chama atenção: o filme animado ainda está em estágio inicial, sem roteiro ou elenco confirmados publicamente, enquanto a HQ já tem data de estreia fechada, criadores anunciados e até o nome do vilão principal revelado. Para quem quer voltar a acompanhar Lion-O e companhia sem esperar anos por uma produção cinematográfica, os quadrinhos surgem como a porta de entrada mais imediata.
O histórico de tentativas de reviver a marca
Vale contextualizar por que esse movimento importa tanto para quem acompanha a franquia. Depois do desenho original, que foi ao ar entre 1985 e 1989, ThunderCats já passou por um reboot em 2011 — cancelado após apenas uma temporada, apesar da recepção crítica positiva — e por uma versão com estética simplificada, ThunderCats Roar, que tentou aplicar a fórmula de séries como Teen Titans Go! e não conquistou o público que buscava algo mais próximo do tom original. Cinco anos se passaram desde a última série produzida para a Cartoon Network, e quase quatro décadas desde o fim do desenho clássico.
Diante desse histórico de idas e vindas, o relançamento em quadrinhos surge como o movimento mais concreto e imediato de reaproximação com o público em bastante tempo. Diferente de um anúncio de filme sem data, a HQ já tem mês de lançamento marcado, nomes confirmados na equipe criativa e uma sinopse que deixa claro por onde a história vai passar.
Quando estreia e o que esperar
ThunderCats #1 chega às lojas em outubro de 2026, publicado pela Dynamite Entertainment. A expectativa é que o primeiro arco apresente o Rei Feral em profundidade, acompanhe a queda e possível reconstrução da liderança de Lion-O e mostre como o grupo se reorganiza fora da estrutura que conhecia. Para quem já lê a série desde 2024, é a chance de ver consequências reais pesarem sobre os personagens; para quem nunca abriu uma edição, é literalmente o ponto de entrada que a editora criou para isso.
Resta acompanhar se a nova fase vai conseguir equilibrar a ação abraçada pelos fãs mais antigos com a complexidade dramática que Greg Pak promete trazer — e se esse fôlego renovado nos quadrinhos vai, de alguma forma, empurrar também o tão esperado filme animado para sair do papel.
ThunderCats vai ganhar relançamento em HQ – Imagem do topo: IMDb
