Capítulo 1 — O Despertar do Autor
A história começa.
O vento passava entre as árvores como um sussurro.
Auren corria pela trilha estreita tentando acompanhar os passos largos do pai.
— Pai… espera! — reclamou o garoto, respirando rápido.
Aldric não diminuiu o ritmo.
— Um cavaleiro precisa aprender a acompanhar o campo de batalha.
Auren fez uma careta, mas continuou correndo.
Era a primeira vez que o pai permitia que ele acompanhasse uma patrulha fora da cidade.
Para ele, aquilo já era uma aventura enorme.
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A floresta parecia muito maior do que quando observava suas bordas das muralhas.
O garoto olhava tudo com curiosidade.
Então perguntou:
— As fendas realmente aparecem por aqui?
Aldric respondeu sem olhar para trás.
— Às vezes.
Ele parou de repente.
O silêncio da floresta tinha mudado.
A mão foi automaticamente até o cabo da espada.
— Fique atrás de mim.
Auren engoliu seco e obedeceu.
Um estalo ecoou entre as árvores.
Depois outro.
Algo grande se movia na mata.
O cheiro de mana distorcida atravessou o ar.
A criatura saltou para a trilha.
O impacto fez folhas e terra voarem.
O Lobo das Fendas ergueu a cabeça lentamente.
Os olhos vermelhos fixaram diretamente em Aldric.
O monstro rosnou.
A mana ao redor dele tremia como fumaça.
Auren nunca tinha visto algo assim antes.
Era enorme.
Muito maior que qualquer lobo normal.
Aldric puxou a espada.
— Não se mova.
O lobo avançou.
Rápido demais.
Aldric girou o corpo e bloqueou com a espada.
O choque entre aço e garras fez faíscas voarem.
O impacto empurrou o homem alguns passos para trás.
Auren caiu sentado no chão.
O coração batia tão forte que ele quase não conseguia respirar.
A luta continuava.
Golpes rápidos.
Rosnados.
Garras rasgando o chão.
Aldric lutava bem.
Mas a criatura era forte.
Muito forte.
O lobo saltou novamente.
Aldric desviou, mas escorregou nas folhas.
A mandíbula do monstro desceu.
Auren viu aquilo acontecer.
O tempo pareceu desacelerar.
Algo dentro da mente dele estalou.
Imagens apareceram.
Um quarto pequeno.
Uma mesa cheia de folhas.
Um computador.
O som do mar.
Remédios.
Dor.
Outra vida.
Outra realidade.
Auren levou a mão à cabeça.
A respiração ficou irregular.
— O que…
Mais memórias surgiram.
Histórias.
Personagens.
Mundos inteiros que ele havia imaginado.
Então um pensamento atravessou sua mente.
Claro.
Inconfundível.
“Eu… já vivi antes.”
Os olhos verdes se arregalaram.
Ele olhou para as próprias mãos pequenas.
Depois para o pai lutando.
Depois para o monstro.
Reencarnação.
A palavra apareceu em sua mente.
O lobo avançou novamente.
Aldric tentou se levantar, mas estava desequilibrado.
A criatura abriu a mandíbula.
Então algo estranho aconteceu.
Palavras começaram a surgir diante dos olhos de Auren.
Letras feitas de mana.
Flutuando no ar.
Ele piscou.
Mas elas continuavam ali.
Brilhando.
Tremendo.
Como se esperassem algo.
Auren sentiu algo novo em sua mão direita.
Algo leve.
Algo antigo.
Quando olhou, viu um objeto fino entre seus dedos.
Uma caneta de metal prateado, coberta por pequenas runas brilhantes.
Ele não sabia de onde tinha vindo.
Mas sabia instintivamente o que fazer.
A mão se moveu sozinha.
A ponta da caneta tocou o ar.
E uma palavra apareceu.
Feita de luz.
Auren não entendia ainda o que aquilo significava.
Mas uma certeza silenciosa surgiu dentro dele.
Se aquela era sua segunda vida…
…então ele não seria apenas um personagem.
Ele escreveria a própria história.
Capítulo 2 — A Primeira Personagem

A ponta da caneta tocou o ar.
Uma linha de luz surgiu.
Auren mal respirava.
As palavras feitas de mana tremiam diante de seus olhos como se fossem vivas.
A mão dele se moveu novamente.
Lenta.
Instintiva.
A ponta da caneta desenhou novas letras no ar.
Auren não entendia completamente o que estava acontecendo.
Mas uma parte dele sabia.
Era a mesma sensação de quando criava personagens em sua antiga vida.
A mesma sensação de quando imaginava histórias inteiras.
Do outro lado da trilha, o Lobo das Fendas avançou novamente.
Aldric girou o corpo e bloqueou o ataque com a espada.
O impacto fez o aço vibrar.
A criatura era forte demais.
Se a luta continuasse daquele jeito, Aldric não conseguiria segurar por muito tempo.
Auren apertou a caneta com mais força.
A luz das letras ficou mais intensa.
Ele escreveu mais uma palavra.
Depois outra.
O ar diante dele começou a distorcer.
A mana da floresta reagiu.
Como se algo estivesse sendo puxado para aquele ponto.
Auren não percebeu.
Ele apenas continuou escrevendo.
Palavras simples.
Instintivas.
Palavras que formavam um conceito.
Do outro lado da trilha, o Lobo das Fendas saltou novamente.
A mandíbula abriu.
Aldric levantou a espada para bloquear.
Mas a criatura mudou o movimento no meio do salto.
As garras vieram direto para o peito do homem.
Antes que o golpe chegasse…
A mana explodiu.
Uma onda de luz azul surgiu entre Auren e o monstro.
O impacto empurrou folhas e poeira pelo chão.
O Lobo das Fendas foi arremessado alguns metros para trás.
Aldric caiu de joelhos, respirando pesado.
Ele levantou o olhar.
Confuso.
Auren também estava olhando.
No espaço entre eles, algo estava acontecendo.
A luz começou a se condensar.
Primeiro como uma névoa.
Depois como uma silhueta.
Uma forma humana.
A silhueta ganhou contornos.
Braços.
Cabelos.
Roupas.
A mana ao redor continuava se juntando.
Aldric se levantou lentamente.
A espada ainda na mão.
Os olhos dourados fixos naquilo que estava se formando.
A luz diminuiu.
A silhueta finalmente ganhou forma completa.
Uma jovem estava ali.
Respirando pela primeira vez.
Os olhos dela se abriram devagar.
Por um instante, ela observou a floresta ao redor.
Depois olhou para Auren.
Havia curiosidade no olhar dela.
Como alguém que havia acabado de despertar.
A voz dela saiu calma.
Suave.
— Autor… você me chamou.
Auren ficou imóvel.
A caneta ainda estava em sua mão.
A mente girava.
Memórias da vida passada.
A luta que havia acabado de acontecer.
A criatura ainda viva alguns metros à frente.
Tudo parecia surreal.
O Lobo das Fendas rosnou novamente.
A criatura se levantou.
Os olhos vermelhos agora fixos na nova presença.
A jovem levantou uma das mãos.
Pequenos fragmentos de mana começaram a girar ao redor de seus dedos.
Ela observou o monstro por um instante.
Como alguém analisando algo simples.
Então falou calmamente.
— Entendi.
A mão dela se moveu.
Um círculo de mana surgiu diante da palma.
A energia se condensou.
Um projétil de luz azul disparou.
O impacto atingiu o peito da criatura.
O Lobo das Fendas foi arremessado contra uma árvore.
O tronco rachou com a força do impacto.
A criatura caiu no chão.
O corpo tremendo.
Depois ficou imóvel.
O silêncio voltou à floresta.
A mana no ar lentamente começou a se estabilizar.
A jovem baixou a mão.
Depois olhou novamente para Auren.
Ela inclinou levemente a cabeça.
— Autor… qual é o próximo comando?
Auren piscou algumas vezes.
Ainda tentando entender tudo o que havia acabado de acontecer.
Mas uma coisa já estava clara.
Aquela caneta.
Aquelas palavras.
Aquela criação.
Nada daquilo era comum.
E aquela nova vida…
…acabava de se tornar muito mais estranha do que ele imaginava.
Capítulo 3 — Ecos de uma Narrativa Instável

A floresta parecia diferente depois da batalha.
Mais quieta.
Mais pesada.
Auren ainda estava parado, segurando a caneta com força, tentando entender tudo que tinha acabado de acontecer.
O corpo do Lobo das Fendas permanecia imóvel no chão.
Aldric foi o primeiro a se mover.
Ele guardou a espada lentamente, ainda observando a jovem que havia surgido do nada no meio da floresta.
Os olhos dourados dele analisavam cada detalhe.
A mana ao redor dela.
A postura.
A calma.
Nada daquilo parecia invocação comum.
— Auren… — disse ele com voz baixa.
O garoto virou a cabeça.
Ainda parecia meio perdido.
Aldric caminhou até ele.
O olhar então caiu sobre a caneta na mão do filho.
Depois voltou para a jovem.
— Você fez isso?
Auren demorou alguns segundos para responder.
Ele ainda estava organizando as próprias memórias.
Duas vidas.
Dois mundos.
Uma caneta que parecia responder aos pensamentos dele.
— Eu… acho que sim.
A jovem de cabelos prateados observava os dois em silêncio.
Depois voltou a olhar para Auren.
— Autor.
A palavra saiu naturalmente.
Como se fosse a forma mais correta de chamá-lo.
— Minha existência responde à sua narrativa.
Aldric franziu a testa.
— Narrativa?
Auren também não entendia completamente.
Mas algo dentro dele reconhecia aquela sensação.
Era familiar.
Era a mesma sensação de quando ele criava personagens na vida passada.
Só que agora…
…eles existiam.
O garoto olhou novamente para a caneta.
As runas prateadas gravadas nela brilhavam suavemente.
Como se estivessem vivas.
— Pai… — disse Auren devagar.
— Eu acho que…
Ele hesitou um momento.
— Eu criei ela.
Aldric ficou em silêncio.
O guerreiro já tinha visto muitas coisas na vida.
Monstros.
Magia.
Fendas surgindo do nada.
Mas aquilo era diferente.
Muito diferente.
A jovem levantou a mão lentamente.
Um pequeno círculo de mana apareceu sobre a palma.
Energia pura.
Estável.
Refinada.
Ela observou a própria magia por um instante.
Depois olhou novamente para Auren.
— Meu núcleo mágico ainda está se estabilizando.
Ela parecia falar como alguém que já entendia a própria natureza.
— Mas posso lutar quando necessário.
Aldric respirou fundo.
O olhar dele voltou para o corpo do Lobo das Fendas.
— Essa criatura não deveria estar aqui.
Auren levantou o olhar.
— O que quer dizer?
Aldric caminhou até o monstro.
Agachou-se ao lado do corpo.
A mão tocou a pelagem negra da criatura.
A mana ainda pulsava fraca dentro dela.
— Lobos das Fendas normalmente aparecem apenas quando uma fenda narrativa se abre nas proximidades.
Ele se levantou devagar.
O olhar percorreu a floresta ao redor.
— Mas eu não senti nenhuma fenda surgir hoje.
O vento passou novamente entre as árvores.
A floresta parecia tranquila.
Mas Aldric continuava alerta.
— Algo mudou.
Auren ficou em silêncio.
Mesmo sem entender completamente o mundo novo em que vivia…
Ele sentia a mesma coisa.
Algo maior estava acontecendo.
A jovem criada por ele também parecia perceber.
Ela fechou os olhos por um instante.
Sentindo a mana ao redor.
Quando abriu novamente, falou calmamente:
— A energia deste mundo é… incomum.
Auren inclinou levemente a cabeça.
— Incomum como?
Ela pensou por um momento.
— Instável.
Aldric olhou para o horizonte da floresta.
— Nos últimos anos, as fendas têm aparecido com mais frequência.
Ele falou mais para si mesmo do que para os outros.
— Algumas delas liberam monstros pequenos.
Outras…
Ele não terminou a frase.
Mas Auren percebeu que o pai estava pensando em algo muito pior.
Criaturas capazes de destruir cidades.
Talvez até reinos inteiros.
O garoto apertou levemente a caneta em sua mão.
Se aquele mundo realmente estava cheio de monstros desse nível…
Então o poder que ele tinha acabado de despertar seria muito mais importante do que imaginava.
A jovem de cabelos prateados observava tudo em silêncio.
Depois falou novamente.
— Autor.
Auren levantou o olhar.
— Sim?
Ela respondeu com naturalidade:
— Este mundo possui muitas histórias perigosas.
Ela olhou para a floresta distante.
— Talvez você precise escrever muitas outras antes que sua narrativa esteja completa.
O vento atravessou novamente as árvores.
E pela primeira vez desde que recuperou suas memórias…
Auren começou a entender algo importante.
Ele não estava apenas vivendo uma nova vida.
Ele tinha entrado em um mundo onde histórias podiam se tornar realidade.
E agora…
Ele era aquele que podia escrevê-las.
Capítulo 4 — A Habilidade que Escreve Existência

A mana no ar diminuía lentamente.
Auren ainda observava a jovem que havia surgido diante dele.
Agora, com a luz da energia mágica diminuindo, ele conseguia vê-la com mais clareza.
Os longos cabelos rosa claro desciam até a cintura.
A armadura roxo escura refletia pequenos brilhos de mana.
A pequena esfera de energia girava suavemente na mão dela.
Era impossível negar.
Ela realmente existia.
Aldric também estava olhando.
O cavaleiro passou anos enfrentando monstros e fenômenos estranhos que surgiam das fendas.
Mas aquilo…
…não se parecia com nenhuma magia que ele conhecia.
— Auren — disse ele devagar.
O garoto virou a cabeça.
— Sim, pai?
Aldric apontou discretamente para a jovem.
— Você entende o que acabou de fazer?
Auren pensou por alguns segundos.
Memórias da vida passada ainda ecoavam na mente dele.
Histórias.
Personagens.
Mundos imaginados.
Ele olhou para a caneta prateada em sua mão.
Depois respondeu honestamente.
— Não completamente.
A jovem observava os dois em silêncio.
Então ela deu um pequeno passo à frente.
A esfera de mana na mão dela desapareceu como poeira de luz.
— Minha existência responde à vontade do Autor.
Aldric cruzou os braços.
— Autor…
A palavra parecia estranha.
Ele voltou o olhar para o filho.
— Auren, todos neste mundo nascem com uma habilidade.
O garoto piscou.
— Habilidade?
Aldric assentiu.
— Algumas são simples. Outras são poderosas.
Ele apontou para o corpo do Lobo das Fendas.
— A minha é reforço de combate. Ela fortalece meu corpo e minha espada.
Auren olhou novamente para a criatura derrotada.
Aquela coisa enorme quase tinha matado o pai.
Então perguntou:
— E a minha?
Aldric olhou para a jovem novamente.
Depois para a caneta.
Ele soltou um pequeno suspiro.
— Eu nunca vi algo assim antes.
A jovem de cabelos rosa inclinou levemente a cabeça.
— Autor possui habilidade única.
Ela falou aquilo como se fosse óbvio.
Auren levantou uma sobrancelha.
— Única?
— Sim.
Ela olhou para a caneta.
— O Autor escreve existência.
O vento passou entre as árvores novamente.
Aldric permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Finalmente falou:
— Se isso for verdade…
Ele olhou diretamente para Auren.
— Então seu poder é algo que pode mudar este mundo.
O garoto não respondeu.
Ele ainda estava absorvendo tudo.
Nova vida.
Novo mundo.
Um poder que permitia criar pessoas.
Parecia impossível.
A jovem virou o olhar para a floresta distante.
Seus olhos azul-claros brilharam levemente.
— Autor.
— Sim?
Ela apontou para o horizonte.
— Algo está se movendo.
Aldric virou a cabeça imediatamente.
O cavaleiro também sentiu.
Uma vibração de mana distante.
Muito distante.
Mas enorme.
O suficiente para fazer o ar da floresta tremer.
Mesmo a quilômetros de distância.
Auren também sentiu.
Uma pressão estranha no peito.
Como se algo gigantesco tivesse despertado em algum lugar.
Aldric franziu o cenho.
— Isso não é uma fenda pequena.
Ele falou quase em um sussurro.
A jovem respondeu calmamente.
— Correto.
Os olhos dela continuavam fixos no horizonte.
— Energia dessa magnitude costuma indicar presença de criatura de nível calamidade.
Auren arregalou os olhos.
— Calamidade?
Aldric respondeu:
— Monstros capazes de destruir cidades.
O vento soprou novamente.
A floresta ficou silenciosa.
Por um momento, Auren percebeu algo importante.
Aquele mundo era muito maior.
Muito mais perigoso.
E agora ele possuía um poder que podia criar aliados…
…em um mundo cheio de monstros capazes de apagar reinos inteiros.
