O Último Herdeiro de Verdevale – Light Novel | Capítulo 8 e 9

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O Ninho de Ferro – Capítulo 8

O amanhecer surgiu envolto por uma névoa espessa, suavemente iluminada pelo dourado do sol nascente. No alto da colina central de Verdevale, antigas estacas de madeira haviam sido removidas, abrindo espaço para algo muito maior.

No solo, marcas geométricas cuidadosamente traçadas delineavam a base de um projeto inédito.
Ali nascia a primeira fortaleza oficial do domínio.

O Último Herdeiro de Verdevale é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Renato permanecia diante de uma mesa improvisada, onde rolos de pergaminho estavam abertos. Gunnar, Elina e Líria observavam com atenção enquanto ele explicava cada detalhe do plano.

— Não construiremos um castelo ornamentado como os da nobreza tradicional — disse Renato, apontando com firmeza para o desenho. — Será um bastião compacto. Muralhas mais baixas, porém espessas, pensadas para resistir a impactos e permitir resposta rápida. A torre central funcionará como comando e abrigo em emergências. Cada pedra terá um propósito.

Gunnar analisou o projeto com atenção visível.

— Nunca vi algo assim… parece misturar arquitetura nórdica com estruturas do antigo Império. Onde aprendeu isso?

Renato respondeu com um leve sorriso contido.

— Digamos que li muitos livros… enquanto ninguém prestava atenção.

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Ele não disse mais nada. Parte daquele conhecimento vinha de uma vida passada, marcada por estratégia, organização e decisões difíceis. Esse saber silencioso era um de seus maiores trunfos — algo que nenhum herdeiro desacreditado deveria possuir.

A notícia da construção se espalhou rapidamente.

Homens e mulheres passaram a trabalhar desde cedo, carregando pedras das ruínas antigas, cortando toras resistentes e escavando fundações profundas. O vilarejo ganhava um novo ritmo.

Elina coordenava a equipe civil com eficiência, enquanto Gunnar supervisionava ferreiros e pedreiros. Marien organizava vigias em pontos elevados, garantindo que o canteiro permanecesse protegido.

Ainda assim, a maior preocupação de Renato não estava nas muralhas… mas na informação.

Desde a chegada do suposto comerciante itinerante, sinais estranhos haviam surgido: pegadas fora do perímetro durante a noite, pequenos objetos mudando de lugar, olhares atentos demais entre alguns forasteiros.

De forma discreta, Renato organizou um pequeno grupo interno de observadores. Pessoas simples, mas atentas, encarregadas de relatar qualquer movimento incomum.

Líria ficou responsável por centralizar os registros.

— Não subestime ninguém — alertou Renato. — Mesmo alguém aparentemente inofensivo pode estar observando por outros motivos.

Alguns dias depois, próximo à muralha em construção, Marien interceptou um jovem que carregava um saco de farinha. Algo em sua postura chamou atenção.

Ao inspecionar o conteúdo, encontrou um tubo metálico escondido sob os mantimentos.

— Para onde você está levando isso? — perguntou Marien, mantendo a voz firme enquanto mantinha o arco preparado.

O rapaz tentou se explicar, mas antes que pudesse reagir, dois guardas improvisados o contiveram.

O objeto foi levado imediatamente até Renato.

Quando ele desenrolou o mapa, seu olhar se estreitou.

Ali estavam marcadas as posições de vigia, rotas de patrulha e até nomes de trabalhadores leais. No canto inferior, um selo discreto confirmava a origem:

Gabinete de Espionagem Imperial.

Renato permaneceu em silêncio por alguns instantes.
Então falou, em tom baixo e firme:

— Então… finalmente começaram.

Naquela noite, em uma sala ainda inacabada da futura fortaleza, Renato conduziu o interrogatório. O ambiente era simples, iluminado apenas por uma tocha.

Derek observava encostado à parede.
Marien mantinha atenção constante.
Líria anotava tudo com cuidado.

— Quem te enviou? — perguntou Renato, com calma controlada.

O jovem hesitou.

— Eu… eu só—

Renato apoiou a mão na mesa com firmeza.

— Não minta.

O peso do silêncio foi suficiente. Após algumas perguntas bem direcionadas e pressão psicológica precisa, o rapaz cedeu.

— Eles me pagaram… disseram que era só entregar o mapa a um mensageiro na floresta. Um homem encapuzado… voz de nobre… prometeu dez moedas de ouro.

Renato respirou fundo.

(Um intermediário… o verdadeiro espião ainda está aqui.)

Nos dias seguintes, Renato mudou a abordagem.

Mapas falsos foram produzidos, com informações deliberadamente incorretas — posições trocadas, áreas supostamente vulneráveis e nomes inventados. Esses documentos foram deixados “acidentalmente” em locais estratégicos.

Marien chamou a estratégia de “armadilha para ratos”.

Pouco tempo depois, um dos mapas desapareceu.

No dia seguinte, um batedor retornou das florestas próximas com notícias preocupantes.

— Capitão… havia cavaleiros imperiais a dois dias de viagem. Receberam um corvo esta manhã. Depois disso… mudaram a rota. Estão vindo direto para Verdevale.

Renato ouviu em silêncio.
Então sorriu de leve.

— Então morderam a isca.

Na madrugada seguinte, sob um luar pálido, Renato reuniu Marien, Derek, Gunnar, Líria e os líderes civis na sala principal do bastião em construção.

Os martelos haviam silenciado. Apenas a fogueira central iluminava os rostos atentos.

— O Império nos encontrou mais rápido do que imaginei — disse Renato. — Mas não estamos mais indefesos. Eles esperam encontrar um vilarejo vulnerável. Em vez disso… encontrarão um ninho de ferro pronto para reagir.

Derek cruzou os braços, sorrindo.

— Finalmente algo sério.

— Eles não vão passar — afirmou Marien, ajustando o arco.

Líria respirou fundo.

— Então… isso é real?

Renato a encarou com firmeza tranquila.

— Sim. Esta será a primeira batalha oficial de Verdevale.
Se vencermos, deixaremos de ser apenas um ponto esquecido no mapa.
Nos tornaremos um nome que o Império não poderá ignorar.

Na manhã seguinte, no horizonte encoberto pela neblina, bandeiras imperiais começaram a surgir lentamente.

A primeira onda havia chegado.

O Primeiro Rugido de Verdevale -Capítulo 9

O sol surgia lentamente por trás das colinas, tingindo a névoa matinal com tons avermelhados. Na antiga estrada de pedra que levava ao coração de Verdevale, bandeiras azuis tremulavam ao vento.

Quarenta soldados do Império marchavam em formação impecável. As armaduras refletiam a luz da manhã, lanças erguidas em perfeito alinhamento. O som das botas batendo no solo ecoava de forma ritmada, firme, como um aviso.

No alto da colina, sobre a muralha ainda inacabada da fortaleza, Renato observava em silêncio.

Atrás dele, cada peça do plano se posicionava. Marien ajustava a corda do arco com precisão treinada. Derek afiava a espada curta, expressão concentrada. Gunnar organizava os homens com escudos improvisados, reforçando posições. Líria respirava fundo, sentindo a energia aquática responder ao seu comando.

Renato foi o primeiro a falar.

— Eles vieram testar — disse, com voz baixa. — Não conquistar… ainda. O Império quer medir nossa força.

Seus olhos âmbar brilharam.

— Então vamos mostrar algo maior do que esperam.

Na estrada, o comandante imperial ergueu a mão, fazendo a tropa parar.

— Vilarejo de Verdevale! — anunciou, com autoridade. — Vocês estão em dívida com o Império. Por ordem de Sua Majestade, viemos tomar controle da caverna de cristais. Se se renderem agora, viverão. Resistam… e serão derrotados.

O silêncio se espalhou pelo vale.

Então, Renato avançou até o parapeito da muralha. Sua capa verde, já marcada pelo tempo, ondulava com o vento. Quando falou, sua voz saiu clara e firme.

— Vocês dizem que vieram esmagar… mas não percebem que já entraram no ninho do lobo.
Se querem nossos cristais, venham buscá-los. Mas saibam disto: Verdevale não é mais terra abandonada. É terra de quem luta por ela.

O comandante imperial riu, descrente.

— Palavras vazias de um garoto. Avancem.

A batalha começou.

A tropa imperial avançou em linha fechada, lanças à frente. Renato ergueu a mão — o sinal combinado.

— Agora.

Do alto das torres improvisadas, flechas disparadas por Marien e seus arqueiros cortaram o ar. Não causaram grandes perdas imediatas, mas atingiram o ritmo da marcha, forçando a tropa a desacelerar.

Ao mesmo tempo, Líria ergueu os braços. A água acumulada em recipientes escondidos escorreu pelas muralhas, transformando o solo seco em lama. As primeiras fileiras perderam equilíbrio, quebrando a formação.

— Escudos à frente! — gritou o comandante imperial.

Mas o terreno já não obedecia.

Com outro sinal, cordas ocultas foram puxadas. Estacas de madeira surgiram do solo ao longo da estrada. Os batedores montados perderam controle, e a marcha perfeita do Império se desfez.

— Formação de parede! Segurem! — bradou Derek.

Camponeses treinados se alinharam diante do portão. Lanças e escudos improvisados se chocaram contra o avanço imperial. O que os soldados esperavam ser um confronto rápido encontrou resistência inesperada.

Os defensores lutavam com determinação. Cada golpe carregava o peso de proteger casas, famílias e futuro.

Renato observava do alto, atento.

(Segurem mais um pouco…)

Quando parte da tropa tentou flanquear pelo leste, um leve sorriso surgiu em seu rosto.

— Marien. Agora.

Das árvores próximas à muralha, flechas incendiárias cruzaram o ar, atingindo carroças de suprimentos. As chamas se espalharam rapidamente. O inimigo foi forçado a dividir atenção entre o combate e a proteção de recursos.

A batalha se intensificou.

Líria, visivelmente cansada, manteve fluxos de água desviando tochas e resfriando o portão de madeira. Derek demonstrava experiência, derrubando adversários com movimentos precisos. Gunnar avançava com o martelo de forja, protegendo os combatentes mais jovens. Marien, dos pontos elevados, neutralizava oficiais, comprometendo o comando inimigo.

Renato, porém, não empunhava espada.

Ele apenas observava, calculava… e ajustava o tabuleiro.

No momento em que os soldados imperiais recuaram para reorganizar a formação, sua voz ecoou pelo campo.

— Soldados do Império!
Voltem agora, e direi que Verdevale apenas os afastou.
Avancem mais uma vez… e este lugar se tornará o fim da sua marcha.

O silêncio caiu.

O comandante imperial hesitou. Havia perdido homens para camponeses. E sabia que insistir poderia custar ainda mais.

Com raiva contida, ergueu a espada.

— Retirada! Verdevale… será enfrentada em outra ocasião.

As bandeiras azuis recuaram pela estrada, deixando para trás armas e suprimentos.

Na praça, Verdevale explodiu em comemoração.

Gritos de alívio e vitória ecoavam. Crianças corriam, famílias se abraçavam. Não era apenas uma defesa bem-sucedida.

Era o primeiro rugido de um território que despertava.

Renato permaneceu em silêncio no alto da muralha, observando o campo. Sua capa balançava ao vento. Líria se aproximou, exausta, mas sorrindo.

— Vencemos…

Renato respondeu em tom baixo:

— Não. Apenas começamos.
Agora o Império sabe que Verdevale está viva.
E da próxima vez… não virão com quarenta. Virão com centenas.

Mesmo assim, em seus olhos âmbar, não havia medo.

Apenas determinação.

Verdevale não era mais um nome esquecido.
Agora… era uma presença que não poderia ser ignorada.

Próximo Capítulo

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