Capítulo 4 — Um Território de Mortos

André observou o corpo do carniçal caído.
Lyra também olhou.
A criatura não se movia mais.
Ela inclinou a cabeça levemente.
— Você quer que eu enterre de novo?
André balançou a cabeça.
— Não precisa.
Ele caminhou até o corpo.
A criatura era mais magra do que parecia quando estava em movimento.
Pele cinza.
✍️ Desenhe QUALQUER ANIME com um método aprovado por +150 mil alunos
Já imaginou conseguir desenhar seu anime ou mangá favorito logo no primeiro dia,
mesmo começando do zero?
🎌 Aprenda com a maior referência em FanArt do Brasil usando um método simples,
prático e testado por mais de 150.000 alunos.
❌ Sem dom
❌ Sem traço perfeito
❌ Sem complicação
Garras longas.
Provavelmente passava a maior parte do tempo escavando túmulos.
André agachou ao lado do cadáver.
Lyra observava.
— Vai levantar ele também?
André passou a mão sobre o queixo.
— Não.
Ele analisou o corpo por alguns segundos.
— Não parece valer o esforço.
Lyra sorriu.
— Concordo.
Ela caminhou alguns passos pelo cemitério.
Parou diante de outra sepultura.
Observou o terreno.
Depois voltou os olhos para André.
— Você percebeu algo?
André levantou o olhar.
— O quê?
Lyra apontou para o chão.
— O território.
Ele franziu a testa.
— Explica.
Lyra bateu levemente o pé contra a terra.
— Ravenmoor está cheio de mortos.
Ela olhou ao redor.
As lápides se estendiam por toda parte.
— Não apenas aqui.
André ficou em silêncio.
Lyra continuou.
— Vilarejo.
— Campos.
— Estrada.
— Torre.
Ela abriu os braços.
— Muita gente morreu nesse lugar.
André já sabia disso.
Mas ouvir daquela forma fazia parecer diferente.
Mais concreto.
Lyra caminhou até o túmulo que ele tinha aberto.
Olhou para dentro.
Depois voltou a olhar para ele.
— E agora você apareceu.
André cruzou os braços.
— Isso é ruim?
Lyra deu de ombros.
— Depende.
Ela se aproximou novamente.
Parou a poucos passos dele.
— Necromantes gostam de lugares assim.
André observou o cemitério inteiro.
O vento passou novamente entre as árvores secas.
As folhas no chão se moveram.
Ele começou a perceber algo.
Antes parecia apenas um cemitério.
Agora parecia… maior.
Como se aquele fosse apenas um pedaço do que realmente estava enterrado em Ravenmoor.
André caminhou alguns passos entre os túmulos.
Lyra o seguiu.
Ele parou diante de outra lápide.
Passou a mão sobre a pedra.
A mesma sensação fria voltou.
Fraca.
Mas presente.
Ele olhou para a própria mão.
— Então não foi só aquele túmulo.
Lyra respondeu com naturalidade.
— Claro que não.
Ela apontou discretamente para o terreno ao redor.
— Você está andando sobre um campo inteiro de energia da morte.
André respirou fundo.
Olhou novamente para Ravenmoor ao longe.
Vilarejo vazio.
Campos abandonados.
Estradas silenciosas.
Depois voltou os olhos para o cemitério.
— Então tem bastante material para trabalhar.
Lyra sorriu novamente.
— Bastante.
Ela inclinou a cabeça.
Observando o território além da cerca do cemitério.
— E ainda tem o resto de Ravenmoor para explorar.
Capítulo 5 — Memórias da Última Batalha

André continuava observando o cemitério.
A quantidade de sepulturas era maior do que ele havia imaginado à distância.
Algumas lápides estavam praticamente enterradas sob a terra.
Outras tinham sido quebradas durante o ataque.
Ele voltou a olhar para o corpo do carniçal.
Depois para Lyra.
— Você luta bem.
Lyra deu de ombros.
— Provavelmente eu fazia isso antes.
André levantou uma sobrancelha.
— Você não lembra?
Lyra ficou em silêncio por um instante.
Os olhos azuis se voltaram lentamente para a torre da Casa Valenfyr.
Algo em sua expressão mudou.
O sorriso travesso desapareceu por um momento.
Ela levou a mão à cabeça.
— Eu…
A frase parou no meio.
Uma imagem surgiu.
Fogo iluminando a noite.
A torre cercada por soldados.
O som de gritos ecoando no pátio.
Lyra correndo pela escadaria com uma espada na mão.
Armadura manchada de sangue.
Vários corpos espalhados pelo chão.
Uma voz masculina gritando atrás dela.
— Protejam o jovem senhor!
Ela girou a espada contra um inimigo.
Outro soldado avançou.
A lâmina atravessou sua lateral.
O impacto a fez cair de joelhos.
A última coisa que viu foi a torre ardendo em chamas.
Lyra piscou.
A memória desapareceu.
Ela abaixou a mão lentamente.
— Estranho…
André observava em silêncio.
— Lembrou de algo?
Lyra olhou novamente para a torre.
— Um pouco.
Ela respirou devagar.
— Acho que eu morri lutando.
André não parecia surpreso.
O estado de Ravenmoor já deixava isso claro.
Lyra voltou a olhar para ele.
O sorriso provocador retornou.
— Pelo menos eu tinha bom gosto para morrer em um lugar bonito.
André cruzou os braços.
— Bonito?
Lyra abriu os braços.
— Um cemitério inteiro cheio de energia necromântica.
Ela sorriu.
— Para mim parece perfeito.
André voltou a olhar para as lápides ao redor.
Depois para a torre destruída.
— Então esse lugar ainda tem utilidade.
Lyra inclinou levemente a cabeça.
— Bastante.
Ela começou a caminhar novamente entre as sepulturas.
Observando cada túmulo.
— E provavelmente eu não sou a única enterrada aqui que sabia lutar.
André acompanhou o movimento dela.
O cemitério parecia maior agora.
Cada lápide podia esconder alguém que havia defendido Ravenmoor.
Ele passou a mão sobre outra pedra antiga.
A sensação fria voltou.
Mais fraca.
Mas ainda presente.
Lyra parou alguns passos à frente.
Olhou para ele.
— Está sentindo também, não está?
André assentiu devagar.
— Sim.
Lyra sorriu novamente.
— Então vamos continuar cavando.
Capítulo 6 — O Quartel da Guarda

Lyra observava as sepulturas.
— Então vamos continuar cavando.
André permaneceu em silêncio por alguns segundos.
Depois balançou a cabeça.
— Não.
Lyra virou o rosto.
— Não?
André olhou ao redor do cemitério.
As lápides se estendiam em todas as direções.
— Se eu continuar cavando aqui…
Ele apontou para as sepulturas.
— vou acabar gastando toda minha mana.
Lyra cruzou os braços.
— Inteligente.
Ela inclinou a cabeça.
— Você já percebeu.
André abriu a mão lentamente.
Uma sensação leve de cansaço percorreu seu corpo.
A invocação dela estava consumindo algo.
— Eu não posso invocar infinitamente.
Lyra sorriu.
— Claro que não.
Ela caminhou até a cerca do cemitério.
Apoiou o braço na grade enferrujada.
O olhar se voltou para o vilarejo.
— Mas esse lugar…
Ela apontou com o queixo para Ravenmoor.
— está cheio de mortos.
André seguiu o olhar dela.
Casas abandonadas.
Portas quebradas.
Estradas vazias.
— Nem todos foram enterrados.
Lyra assentiu.
— Exato.
Ela empurrou a grade.
O ferro produziu um som grave.
— Então vamos procurar.
André saiu do cemitério ao lado dela.
O caminho de terra levava diretamente ao vilarejo.
Enquanto caminhavam, o silêncio de Ravenmoor parecia ainda maior.
Nenhum animal.
Nenhuma fumaça.
Nenhuma voz.
Lyra observava tudo com curiosidade.
— Quantas pessoas viviam aqui?
André respondeu sem olhar para ela.
— Pelo menos algumas centenas.
Lyra assobiou baixo.
— Então tem muito trabalho para fazer.
Eles caminharam pela estrada principal.
As primeiras casas apareceram.
Portas arrombadas.
Janelas quebradas.
Marcas de fogo em algumas paredes.
André parou diante de uma construção maior no final da rua.
O prédio era de pedra.
Parte do telhado havia desabado.
Acima da porta ainda era possível ver um símbolo esculpido.
Uma espada cruzada com um escudo.
Lyra observou.
— Isso parece um quartel.
André assentiu.
— Era o quartel da guarda Valenfyr.
Lyra sorriu lentamente.
— Soldados mortos costumam ser mais úteis que camponeses mortos.
André começou a caminhar em direção à porta destruída.
O interior do quartel estava escuro.
Pedaços de armaduras quebradas estavam espalhados pelo chão.
E algo mais.
No fundo do salão, vários corpos ainda permaneciam caídos onde tinham lutado.
