
Ravenmoor — O Despertar do Necromante
Capítulo 1 — O Herdeiro que Deveria Ter Morrido
André abriu os olhos devagar.
O teto acima dele estava quebrado.
Vigas de madeira atravessavam o espaço onde antes existia um telhado inteiro.
O vento da manhã passava livremente por ali.
Durante alguns segundos ele não se moveu.
A mente ainda estava confusa.
Memórias surgiam em fragmentos.
Sol forte.
O som das ondas.
Pessoas caminhando na areia.
Bahia.
Ele lembrava daquele dia.
Tinha decidido viajar sozinho.
Turismo.
Nada complicado.
Nada perigoso.
Estava atravessando uma rua perto da praia quando ouviu um som seco.
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Um impacto.
Algo atravessou seu corpo.
A dor veio forte.
Depois apenas escuridão.
André levou a mão ao peito instintivamente.
Nenhum ferimento.
Nenhuma marca.
Ele soltou um pequeno suspiro.
— Bala perdida…
A voz saiu baixa.
— Que forma idiota de morrer.
Ele sentou devagar sobre o velho colchão de palha onde estava deitado.
Aquele lugar não era um hospital.
Nem um quarto moderno.
Pedras antigas formavam as paredes ao redor.
O ar tinha cheiro de poeira e madeira velha.
André olhou as próprias mãos.
Mais jovens.
Outro corpo.
Levantou-se devagar.
Caminhou até a janela quebrada.
A visão lá fora fez algo em sua memória se reorganizar.
Campos abandonados.
Casas destruídas.
Um vilarejo inteiro silencioso.
Ele conhecia aquele lugar.
Não da Terra.
Mas de outro lugar.
De um jogo.
André franziu a testa.
— Não pode ser…
Ele observou novamente o território.
A pequena colina.
A estrada que descia até o vilarejo.
As ruínas espalhadas.
A lembrança finalmente se encaixou.
Ravenmoor.
Um território pequeno em um grande mundo de fantasia.
Uma casa nobre menor.
Quase irrelevante no mapa.
Casa Valenfyr.
Ele passou a mão pelos cabelos verdes.
Uma característica que o personagem do jogo também possuía.
André respirou fundo.
— Então eu reencarnei…
Olhou novamente para o vilarejo vazio.
— …logo nesse NPC?
A memória do jogo era incompleta.
Mas algumas coisas eram claras.
Ravenmoor tinha sido destruída logo no início da história.
O evento era chamado de Purificação de Ravenmoor.
Um ataque autorizado pela igreja e apoiado por nobres próximos.
Motivo oficial:
suspeita de necromancia.
Resultado:
território exterminado.
André permaneceu em silêncio por alguns segundos.
A torre onde estava parecia confirmar tudo.
Não havia guardas.
Não havia servos.
Nenhum som humano.
Apenas vento.
Ele apoiou os braços no parapeito da janela.
— Então aconteceu de verdade…
Olhou novamente para o vilarejo.
— Todos morreram.
A memória do jogo dizia que o herdeiro da casa também morria naquele evento.
Um jovem nobre sem talento.
Fraco.
Incapaz de proteger o território.
Um NPC que quase ninguém lembrava.
André soltou um pequeno riso.
— Que sorte absurda.
Ele se afastou da janela.
Caminhou lentamente pelo salão destruído da torre.
Móveis quebrados estavam espalhados pelo chão.
Uma mesa tombada.
Cadeiras partidas.
Quadros arrancados das paredes.
Aquilo não era apenas decadência.
Era resultado de batalha.
Marcas de espada ainda eram visíveis em algumas pedras.
André parou diante de uma dessas marcas.
Passou os dedos pela superfície.
— Eles realmente vieram até aqui…
A história do jogo não explicava tudo.
Apenas dizia que Ravenmoor tinha sido eliminada.
Mas olhando ao redor…
ficava claro que alguém tinha lutado.
E lutado muito.
Ele caminhou novamente até a janela.
Observando o território inteiro.
O silêncio de Ravenmoor parecia pesado.
Carregado.
André respirou fundo.
Pensando.
Ele já tinha morrido uma vez.
Uma bala perdida na Bahia tinha decidido isso.
Agora estava ali.
Dentro de um mundo que conhecia parcialmente.
Dentro de um corpo que no jogo não sobrevivia.
Ele apoiou as mãos no parapeito.
O vento frio tocou seu rosto.
— Certo…
Um pequeno sorriso apareceu.
— Então vamos mudar o roteiro.
Se aquele NPC tinha morrido no jogo…
ele simplesmente não morreria dessa vez.
André olhou novamente para Ravenmoor.
Um território destruído.
Cheio de mortos.
Cheio de mistérios.
E cheio de possibilidades.
— Se eu já estou aqui…
Ele passou a mão pelos cabelos verdes novamente.
Os olhos castanhos brilhavam com determinação.
— Então vou ficar forte o suficiente para que ninguém consiga me apagar de novo.
O vento atravessou a torre arruinada.
E pela primeira vez desde o massacre…
o herdeiro da Casa Valenfyr estava novamente de pé em Ravenmoor.
Capítulo 1.5 — O Registro da Casa Valenfyr
André caminhou devagar pelo salão da torre.
Cada passo levantava pequenas nuvens de poeira que flutuavam lentamente no ar.
O lugar parecia abandonado havia muito tempo.
Ele parou diante de uma das paredes de pedra.
Ali havia marcas profundas.
Cortes.
Não eram rachaduras naturais.
Pareciam golpes de espada.
André passou os dedos pela superfície.
— Então alguém lutou aqui…
Ele continuou andando.
No chão, perto de uma coluna caída, encontrou o que restava de uma mesa.
A madeira estava quebrada ao meio.
Sobre ela ainda havia fragmentos de vidro de um antigo castiçal.
André inclinou a cabeça, observando o salão.
O silêncio era estranho.
Um território inteiro destruído.
Mas nenhum corpo visível.
Nenhum sinal de enterramento improvisado perto da torre.
Isso significava apenas uma coisa.
Os mortos tinham sido levados para outro lugar.
Ele continuou explorando.
Perto da parede norte, a estante caída chamou sua atenção.
Livros antigos estavam espalhados pelo chão.
Alguns completamente destruídos pela umidade.
Outros ainda intactos.
André se abaixou.
Pegou um dos volumes.
A capa estava marcada pelo tempo.
Ele abriu.
As páginas estavam amareladas.
Registros antigos.
Contas de colheita.
Movimentação de mercadorias.
Nada realmente útil.
Ele largou o livro.
Continuou procurando.
Debaixo de uma tábua solta da estante havia outro volume.
Mais pesado.
André puxou.
A poeira se espalhou quando ele o abriu.
O título estava quase apagado.
Registro Interno da Casa Valenfyr.
Ele folheou as primeiras páginas.
Datas antigas.
Relatórios de patrulha.
Listas de suprimentos.
Tudo parecia rotina administrativa.
Até chegar às últimas páginas.
A escrita ali era diferente.
Mais rápida.
Quase desesperada.
André leu em silêncio.
Relatório de ataque.
Movimentação de tropas.
Feridos.
Mortos.
O ataque tinha sido rápido.
Muito mais rápido do que a memória fragmentada do jogo deixava entender.
Ele virou outra página.
Uma lista de nomes apareceu.
Guardas.
Servos.
Trabalhadores do vilarejo.
Alguns marcados como mortos.
Outros como desaparecidos.
André continuou lendo.
A maioria dos nomes possuía uma pequena anotação ao lado.
Enterrado no cemitério traseiro.
Ele parou por um momento.
O cemitério.
Claro.
Era o único lugar onde faria sentido levar tantos mortos.
Enquanto observava a página, uma sensação estranha percorreu seu braço.
Fria.
Sutil.
Quase como uma vibração sob a pele.
André franziu a testa.
A sensação não vinha do livro.
Parecia vir de fora.
Da direção atrás da torre.
Ele levantou o olhar lentamente.
Por alguns segundos ficou em silêncio.
Depois fechou o registro.
A sensação voltou.
Mais forte agora.
Uma presença distante.
Como se algo estivesse chamando.
André olhou novamente para o salão destruído.
Depois caminhou até a porta lateral da torre.
O vento frio atingiu seu rosto assim que saiu para o lado de fora.
Atrás da torre, o terreno descia em direção a uma área cercada por árvores antigas.
Entre os troncos tortos era possível ver parte de uma grade de ferro.
O cemitério de Ravenmoor.
André permaneceu alguns segundos parado, observando.
A sensação sob sua pele ainda estava ali.
Fria.
Constante.
Ele apertou o registro antigo contra o corpo.
Depois começou a caminhar na direção do cemitério.
Ravenmoor — O Despertar do Necromante
Capítulo 2 — A Primeira Invocação

André atravessou o portão enferrujado do cemitério.
O ferro produziu um som baixo quando se moveu.
Ele caminhou lentamente entre as lápides.
O lugar parecia mais antigo do que o restante do vilarejo.
Algumas pedras estavam cobertas por musgo.
Outras tinham inscrições tão desgastadas que já não podiam ser lidas.
O vento passou entre as árvores secas.
André abriu o registro antigo novamente.
Passou os olhos pelas últimas páginas.
A lista de mortos da Casa Valenfyr continuava ali.
Guardas.
Servos.
Trabalhadores.
Quase todos com a mesma anotação.
Enterrado no cemitério traseiro.
Ele fechou o livro devagar.
A sensação fria que vinha sentindo desde a torre voltou.
Desta vez mais forte.
Como uma vibração leve sob a pele.
André caminhou alguns passos entre os túmulos.
Parou diante de uma lápide inclinada.
Musgo cobria boa parte da inscrição.
Ele se abaixou.
Passou a mão sobre a pedra.
A terra ao redor parecia levemente afundada.
André limpou o musgo com a manga da camisa.
Algumas letras apareceram.
A gravação estava quase apagada.
Mas ainda era possível reconhecer o formato de um nome.
Ele permaneceu observando por alguns segundos.
Depois colocou a mão sobre a terra da sepultura.
A reação veio imediatamente.
Uma corrente fria percorreu seu braço.
André puxou a mão para trás por reflexo.
Pequenos símbolos azulados apareceram brevemente sobre sua pele.
Linhas finas de energia.
Desapareceram em segundos.
Ele olhou para a própria mão.
— Então é isso…
A sensação ainda vibrava.
Como se algo sob a terra tivesse respondido.
André pegou um pedaço de madeira caído perto da cerca.
Começou a cavar.
A terra estava úmida.
Cedia com facilidade.
Camadas escuras de solo se afastavam a cada movimento.
Alguns minutos depois a madeira bateu contra algo sólido.
André limpou a terra com as mãos.
A tampa de um caixão apareceu.
Madeira antiga.
Quase completamente deteriorada.
Ele empurrou a tampa.
A madeira se partiu com facilidade.
Dentro havia apenas restos.
Um esqueleto parcialmente preservado.
André estendeu a mão sobre os ossos.
A energia voltou.
Mais intensa.
As marcas azuladas reapareceram sobre sua pele.
Fragmentos de mana começaram a surgir no ar.
Pequenas partículas azuis flutuando lentamente.
A energia escorreu de sua mão.
Entrou nos ossos.
Durante alguns segundos nada aconteceu.
Então o chão vibrou levemente.
Os ossos começaram a se mover.
Uma névoa escura surgiu ao redor do túmulo.
A estrutura óssea começou a desaparecer dentro da energia.
Uma nova forma começou a surgir.
Primeiro cabelos.
Loiros.
Curtos.
Depois pele clara.
Os olhos abriram devagar.
Azuis.
A jovem apareceu sentada sobre uma estrutura de ossos formada pela própria energia necromântica.
Como se fosse um grande crânio.
Ela apoiava o cotovelo sobre o joelho.
Observando André com curiosidade.
A ponta da língua apareceu levemente quando ela sorriu.
O casaco negro se moveu com o vento.
Ela inclinou a cabeça.
— Então…
A voz saiu suave.
Divertida.
— Foi você que me trouxe de volta?
Capítulo 3 — A Valquíria Sepulcral
Lyra continuava sentada sobre a estrutura de ossos que a sustentava.
Os olhos azuis observavam André com curiosidade.
Ele respondeu com simplicidade.
— Pelo visto.
Ela inclinou levemente a cabeça.
Como se analisasse algo invisível.
Depois olhou ao redor do cemitério.
— Interessante lugar para acordar.
Lyra apoiou as mãos nos joelhos e saltou da estrutura de ossos.
O grande crânio espiritual se dissolveu no ar em pequenas partículas azuis.
Ela caminhou alguns passos entre os túmulos.
Observando o lugar.
— Bastante gente morreu aqui.
André permaneceu parado.
Observando os movimentos dela.
Lyra parou diante de uma lápide quebrada.
Passou os dedos pela pedra.
— A energia da morte ainda está fresca.
Ela olhou por cima do ombro.
— Você fez isso sem saber como fazer, não foi?
André deu de ombros.
— Mais ou menos.
Lyra soltou um pequeno riso.
— Interessante.
Ela voltou a caminhar.
Parou diante de outro túmulo.
Inclinou o corpo levemente.
Então levantou o olhar.
— Aliás…
Ela apontou discretamente para o lado direito do cemitério.
— Não estamos sozinhos.
André franziu o cenho.
— O que você quer dizer?
Lyra sorriu.
A expressão travessa voltou.
— Aquilo.
Entre duas lápides inclinadas, algo se moveu.
Primeiro um som.
Terra sendo arrastada.
Depois uma mão esquelética surgiu da terra.
Não.
Não era um esqueleto.
A criatura saiu do solo com movimentos rápidos.
O corpo magro e deformado se ergueu completamente.
Olhos amarelos brilhavam.
O carniçal abriu a boca cheia de dentes irregulares.
O cheiro de carne apodrecida se espalhou no ar.
Lyra observou a criatura por alguns segundos.
Depois olhou para André.
— Quer que eu cuide disso?
André analisou o monstro.
O corpo era ágil.
As garras longas.
Provavelmente rápido.
Ele cruzou os braços.
— Pode tentar.

Lyra sorriu.
— Que educado.
O carniçal avançou.
Movimento rápido.
As garras rasgaram o ar.
Lyra desviou com facilidade.
O corpo dela girou suavemente para o lado.
A criatura passou direto.
Antes que pudesse se virar novamente, Lyra já estava atrás dela.
Uma lâmina de osso espiritual surgiu na mão da necromante.
Curta.
Afiada.
Ela atravessou a lâmina na nuca do monstro.
O carniçal caiu no chão com um som seco.
O corpo parou de se mover.
Lyra limpou a lâmina no ar.
A arma se dissolveu em partículas azuis.
Ela voltou caminhando calmamente.
Parou diante de André.
— Então…
A expressão provocadora voltou.
— Esse território parece bem divertido.
Ela olhou ao redor do cemitério novamente.
Depois voltou os olhos para ele.
— Mestre, você tem muito trabalho para fazer aqui.
