O último herdeiro de Verdevale – Light Novel cap 3

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Capítulo 3

— É o jovem mestre?
— O que ele está fazendo?
— Trabalhando? Isso é novo…

As vozes ecoavam pelos cantos da praça, carregadas de surpresa e desconfiança. Renato percebeu cada olhar pousado sobre ele, mas não reagiu. Apenas continuou seu trabalho — suando, movendo pedras pesadas, limpando a fonte seca, devolvendo ao centro de Verdevale um pouco da dignidade perdida.

O Último Herdeiro de Verdevale é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Seu corpo doía.
Mas sua mente… nunca estivera tão clara.

Quando o sol finalmente começou a se esconder atrás das colinas, a praça — embora ainda longe de seu antigo esplendor — estava limpa, organizada e, de certo modo, viva. Pela primeira vez em anos, aquele espaço parecia habitado.

Renato subiu na pequena plataforma de madeira quebrada, a mesma onde seus antepassados discursavam diante de multidões. Virou-se para Líria e declarou, com firmeza:

— Envie mensageiros aos vilarejos restantes. Amanhã, ao meio-dia, haverá uma reunião aqui. Todos os que ainda vivem em Verdevale devem estar presentes. Tenho um anúncio a fazer.

Líria assentiu.
E naquele instante, enxergou algo novo nele.
Não era mais o olhar de um herdeiro perdido… mas o de um líder.

À noite, sob o céu estrelado que cobria o vale silencioso, Renato permaneceu sentado na praça, observando as sombras dançarem sobre as pedras recém-limpas. Ele sabia que o dia seguinte traria mais do que olhares curiosos — traria desconfiança, raiva, e lembranças dolorosas.

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Mas ele também sabia…
Esse seria o primeiro movimento no tabuleiro.

O sol já estava alto quando os primeiros passos ecoaram sobre as pedras irregulares da praça de Verdevale. Aos poucos, pequenos grupos de camponeses surgiram pela estrada principal. Rostos cansados, roupas gastas, olhares desconfiados.

No passado, aquela praça acolhera multidões.
Hoje… apenas nove vieram.

Nove almas hesitantes.
Nove sobreviventes das injustiças, da fome e do abandono.
Nove pessoas cujos olhos não carregavam esperança, mas cicatrizes.

Renato os observava do alto da velha plataforma onde líderes do passado discursavam. Ao seu lado, Líria mantinha postura firme — quase protetora — como se sentisse o peso da tensão no ar.

Os murmúrios começaram a circular entre eles:

— Por que ele nos chamou?
— Vai cobrar mais impostos?
— Deve estar desesperado…

Renato inspirou fundo.

Em sua antiga vida, nunca discursara diante de uma multidão. Agora, porém, cada palavra seria uma peça na construção do futuro que desejava para Verdevale.

Deu um passo à frente. A madeira estalou sob seus pés, ecoando como um trovão no silêncio.

— Camponeses de Verdevale… — sua voz saiu firme, surpreendendo até a si mesmo. — Sei o que vocês estão pensando. Sei o que sentem ao ouvir este nome… Verdevale.

Vários olhares se ergueram. Raiva. Desprezo. Desconfiança.
Mas Renato manteve o olhar firme.

— Por anos, minha família abusou de vocês. Cobrou impostos absurdos. Deixou vocês sangrarem enquanto viviam no luxo. Quando os tempos ficaram difíceis, meus pais… fugiram. Levaram ouro, joias… até os tijolos das paredes. Vocês ficaram. Eles não.

Uma mulher mais velha, de lenço na cabeça e mãos calejadas, deu um passo à frente.
A voz dela vinha carregada de amargura.

Capítulo 4

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