O guardião das Bruxas – Light Novel | Capítulos 8 a 10

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Capítulo 8 — O Silêncio Antes do Despertar

Foram dias de tensão.

Lysandra permanecia deitada sobre a palha, imóvel, o peito subindo e descendo com dificuldade. A respiração era fraca, irregular. O corset rasgado deixava à mostra feridas profundas, algumas ainda abertas, que Caio limpava com panos improvisados, molhados em água fervida.

O guardião das Bruxas é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

A cada curativo, ele suspirava, sentindo o peso da responsabilidade crescer.

— Eu não sou médico… — murmurou, mais para si mesmo do que para qualquer outro. — Mas se você morrer aqui, vai ser porque eu não tentei.

Lia observava à distância, braços cruzados, postura impecável. Seus olhos de cristal azul brilhavam frios, analisando cada movimento.

— Sugestão: descartar paciente — disse, em tom neutro. — Estatística de recuperação: sete por cento. Risco de infecção mágica: elevado. Mestre está desperdiçando energia.

Caio a encarou, suado, a túnica manchada de sangue seco.

— Se fosse você caída no chão, Lia, eu também ia tentar salvar.

Ela inclinou a cabeça levemente, como se processasse a afirmação.

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— Correção: eu não posso morrer. Sou uma unidade de assistência. Comparação ilógica.

Caio riu sozinho, um riso cansado.

— É… mas pra mim dá na mesma. Você também é minha responsabilidade.

Sem saber exatamente o que fazia, ele ferveu raízes, esmagou folhas, misturou tudo até virar uma pasta de cheiro forte. Aplicou a cataplasma nas feridas de Lysandra, mesmo sem garantia alguma de que funcionaria.

Lia observou a mistura com atenção.

— Formulação primitiva. Efeitos colaterais possíveis: alucinação, febre, vômito. Estatística de sucesso: quinze por cento.

— Então já é o dobro da sua previsão inicial — respondeu Caio, bufando.

Ele colocou um pano úmido na testa dela e afastou com cuidado os cabelos prateados grudados pelo suor. Lysandra soltou um suspiro baixo, ainda inconsciente.

Na terceira noite, algo mudou.

Enquanto Caio dormia encostado na parede, vencido pelo cansaço, Lia percebeu uma luz azulada surgindo sob a pele de Lysandra. As veias começaram a brilhar, símbolos arcanos aparecendo por instantes antes de desaparecerem, como marcas vivas.

Lia se aproximou, olhos registrando cada detalhe.

— Constatação: energia arcana instável circulando — informou. — Risco elevado de explosão mágica. Recomendação: Mestre deve evacuar.

Caio acordou sobressaltado, ainda sonolento.

— O quê… evacuar?! — resmungou. — Eu mal tenho casa e horta, Lia. Não vou abandonar alguém só porque brilha no escuro.

O brilho desapareceu tão rápido quanto havia surgido. Lysandra voltou a respirar normalmente, o corpo relaxando de novo na inconsciência.

Caio soltou um suspiro longo, aliviado.

— Você pode falar em estatísticas o quanto quiser — disse, em voz baixa. — Mas enquanto ela respirar, eu não vou desistir.

Naquela noite, o fogo da fogueira iluminava os três.

Caio, exausto, mas decidido.
Lia, impecável e silenciosa, processando as contradições de seu mestre.
Lysandra, imóvel, com pequenos brilhos arcanos surgindo e sumindo sob a pele, como segredos aguardando o momento certo para despertar.

Do lado de fora, a floresta rugia.
Mas nenhum monstro ousava atravessar o limite da vila.

Era como se até o próprio mundo estivesse em silêncio… esperando.

Capítulo 9 — A Bruxa que Abriu os Olhos

O quarto improvisado estava silencioso, iluminado apenas pela fogueira que estalava baixo.

Caio cochilava encostado na parede, a cabeça tombada para o lado. Lia permanecia sentada em uma cadeira de madeira, imóvel, os olhos azuis brilhando na penumbra.

De repente, um suspiro fraco quebrou o silêncio.

Os olhos azul-cristal de Lysandra se abriram lentamente. A primeira coisa que viu foi o teto rachado da casinha. Ela respirou fundo, tentando se mover, mas o corpo respondeu com uma onda de dor.

Lia inclinou levemente a cabeça.

— Paciente recuperou consciência. Estatística de sobrevivência atualizada para quarenta e três por cento.

A voz metálica fez Lysandra estremecer. Seu olhar foi direto para Lia, o pavor se refletindo em seus olhos cristalinos.

— O… o que é você? — sussurrou, rouca.

Caio acordou com o som, levantando-se num pulo.

— Você acordou! Graças a Deus… — Ele sorriu, aliviado, aproximando-se. — Fica calma. Você tá segura.

Lysandra tentou se erguer, mas a mão tremeu ao alcançar o chapéu caído ao lado. Ela o agarrou com força, como se fosse uma arma.

— Onde… onde eu estou? Quem são vocês?!

Caio ergueu as mãos, tentando acalmá-la.

— Ei, ei… relaxa. Você desmaiou na entrada da vila. Eu só te trouxe pra dentro, cuidei dos ferimentos. Não sou seu inimigo.

Ela ainda o encarava com desconfiança, os olhos marejados.

— Você… não sabe o que eu sou?

Antes que Caio pudesse responder, Lia falou:

— Identificação: Lysandra Noirveil. Bruxa Arcana. Classificação: inimiga da humanidade. Alta periculosidade.

— Lia! — Caio virou-se quase gritando. — Esse não é o jeito de acalmar alguém!

Lysandra estremeceu, apertando o chapéu contra o peito.

— Então… você sabe…

Caio se aproximou devagar e se ajoelhou ao lado dela. O rosto estava sério, mas os olhos azuis carregavam uma sinceridade difícil de ignorar.

— Eu sei que você tava morrendo — disse. — E que agora tá aqui, viva. Isso é o que importa.

Ela o encarou em silêncio. Pela primeira vez em muito tempo, não via ódio nem medo imediato em alguém que descobria o que ela era.

Um estalo baixo quebrou o momento. As veias de Lysandra brilharam por um instante, símbolos arcanos surgindo em sua pele como tatuagens de luz.

— Não olha! — ela pediu, tentando esconder os braços.

Caio piscou, mas não desviou o olhar.

— Já vi coisa pior… tipo minha cara no espelho de manhã.

Lia registrou, sem emoção:

— Constatação: energia arcana instável detectada. Conclusão: paciente é perigosa.

Caio soltou um suspiro longo.

— Todo mundo é perigoso — respondeu. — Mas isso não muda nada. Aqui… você não vai ser caçada.

Lysandra permaneceu em silêncio. Os olhos se encheram de lágrimas, e, pela primeira vez, ela baixou o chapéu, permitindo que ele repousasse no chão.

A chama da fogueira iluminava os três.

A vila esquecida, amaldiçoada, silenciosa…

Agora, tinha sua primeira bruxa desperta.

Capítulo 10 — Um Lar Improvável

O sol da manhã iluminava a pequena casinha recém-reconstruída.

Caio mexia um caldo grosso de raízes e ervas, suando em bicas.

— Essa vai ser a primeira sopa decente desse império das batatas.

— Correção: taxa de aceitação pelo organismo humano: nove por cento — informou Lia.

— Se eu te ouvisse sempre, já teria morrido de fome.

Da cama, Lysandra observava em silêncio. Aquela cena parecia absurda… e estranhamente acolhedora.

— Por que está me ajudando? — perguntou.

— Porque eu não gosto de silêncio — respondeu Caio, simples.

— Você não teme o que eu sou?

— Já caí de vinte metros gravando novela. Depois disso, nada assusta.

Nos dias seguintes, Lysandra se recuperou aos poucos. Símbolos surgiam às vezes, mas Caio fingia não ver.

— É estranho… — murmurou ela certa manhã. — Os monstros não entram aqui.

— Barreira mística desconhecida — explicou Lia.

— Sei o que esse lugar é — disse Caio. — É meu lar. E agora pode ser o seu.

Naquela noite, a sopa foi servida.

— Tá horrível — disse Caio. — Mas não mata.

Lysandra provou… tossiu… e riu.

— Você é o pior cozinheiro que já conheci.

— Então já tá melhorando.

— Estatística de vínculo humano: em crescimento — concluiu Lia.

E, pela primeira vez, aquela casinha amaldiçoada parecia realmente um lar.

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