Capítulo 5 — O Sabor das Dívidas
Depois da refeição, o cheiro de comida ainda morna ficou para trás nos corredores.
Mas, conforme avançavam para a ala administrativa do castelo…
o ar voltava a ficar frio.
Noir, o Lorde Falido do Sétimo Domínio é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Estagnado.
Pesado.
Noele caminhava à frente segurando uma vela curta, cuja chama lutava para continuar viva.
A luz era tão fraca que parecia pedir desculpas por existir.
— É… é aqui, meu senhor…
Ela empurrou uma porta estreita.
✍️ Desenhe QUALQUER ANIME com um método aprovado por +150 mil alunos
Já imaginou conseguir desenhar seu anime ou mangá favorito logo no primeiro dia,
mesmo começando do zero?
🎌 Aprenda com a maior referência em FanArt do Brasil usando um método simples,
prático e testado por mais de 150.000 alunos.
❌ Sem dom
❌ Sem traço perfeito
❌ Sem complicação
Criiick.
O rangido ecoou como um suspiro cansado.
O cômodo revelado era pequeno demais para ser chamado de escritório.
Parecia mais um depósito abandonado.
Pilhas de pergaminhos.
Contratos amassados.
Relatórios rasgados.
Selos quebrados.
Cordões de cera espalhados pelo chão.
Documentos acumulados como lixo depois de uma guerra.
Noir ergueu uma sobrancelha.
— Isso tudo… é de dívidas?
Noele ficou rígida.
— E-eu tentei organizar… mas o antigo senhor… não gostava de ver papéis…
Ela abaixou a cabeça.
— Ele dizia que… as contas não o mereciam…
Silêncio.
O Grimório começou a tremer.
Devagar.
Como um lobo farejando carne fresca.
— Mestre… — a voz saiu rouca, excitada — posso comer isso? Só um pouquinho? Tem cheiro de desespero… eu amo desespero…
Noir segurou o canto da capa antes que ele avançasse.
— Calma. Primeiro eu quero entender o tamanho do problema.
Noele pegou a pasta principal.
As mãos tremiam.
De dentro, puxou um pergaminho enorme.
Grande demais.
Enrolado tantas vezes que parecia uma cobra hibernando.
Quando soltou…
O papel se desenrolou pelo chão.
E continuou.
E continuou.
E continuou.
Como uma língua infinita de condenação.
Noir ficou três segundos em silêncio.
Depois suspirou.
— …Impressionante.
— M-meu senhor…?
— O antigo lorde tinha talento.
Ele apontou para o pergaminho.
— Pra dever. Só pra isso.
Noele respirou fundo.
— O senhor contraiu dívidas com todos os principais clãs demoníacos… três famílias nobres humanas… dois dragões mercadores…
Noir piscou.
— Ele devia até pra dragão?
— Dragões são ótimos para emprestar… — ela murmurou — péssimos para cobrar…
O Grimório abriu a mandíbula lentamente.
— Cada linha disso tem uma maldição pequena… que coisa linda… isso é um banquete temperado…
— Espera — Noir disse. — Quanto é o total?
Noele analisou os números.
Empalideceu.
— Q-quatrocentos e vinte e sete mil moedas de ouro imperiais…
Silêncio absoluto.
A vela quase apagou.
Noir apoiou a mão na testa.
— Então estamos falidos… ilegalizados… e devendo para criaturas que matam primeiro e cobram depois.
— S-sim…
O Grimório abriu o olho central.
Brilhando como um eclipse violeta.
— É um desastre maravilhoso… eu amo isso… é arte…
Noir pegou um contrato aleatório.
— Se eu assumir como novo lorde… herdo tudo?
— Sim… e se rasgar… ou descumprir… podem reivindicar o território… ou sua execução…
Execução.
A palavra não pesou.
Para Noir, aquilo era só… mais um problema logístico.
Nada além disso.
O Grimório se aproximou, sussurrando:
— Mestre… me deixa comer um… só pra testar minha digestão pós-soninho…
Noir analisou um pergaminho específico.
Contrato de Empréstimo — Jhorvanash, mercador dracônico.
A assinatura antiga estava borrada.
No canto…
uma maldição roxa pulsava como mofo vivo.
— Come esse.
O Grimório congelou.
Depois tremeu violentamente.
— AAAAAH… você sabe exatamente como me excitar…
A mandíbula de sombras se abriu.
CHOMP.
O pergaminho sumiu.
Luz roxa explodiu.
A maldição tentou fugir.
O livro mordeu o ar.
Engoliu.
Páginas viraram sozinhas.
Símbolos surgiram queimando.
[Contrato Devorado – Maldição Absorvida]
Redução passiva de dívidas: 0,01%
Resistência a contratos dracônicos +1
Noir cruzou os braços.
— Funciona?
O Grimório arrotou.
Elegante.
Satisfeito.
— Hmmmm… sabor de desespero dracônico envelhecido… sim… funciona… me dê mais.
Noele estava pálida.
— I-isso é ilegal! Maldições contratuais são propriedade privada! Devorar uma é crime grave!
O Grimório respondeu:
— …um crime delicioso.
Noir deu um passo à frente.
A voz saiu fria.
Prática.
— Dívida é lixo acumulado.
Ele olhou para as pilhas.
— E lixo é pra ser limpo.
Silêncio.
Depois:
— Noele. Traga todos os contratos amaldiçoados.
Ela piscou.
— T-todos?
— Todos.
O Grimório começou a vibrar como um gato demoníaco.
— OBRIGADO, MESTRE! EU JURO COMER DEVAGAR— mentira, vou devorar tudo.
Noele recuou…
Mas algo novo surgia dentro do peito.
Esperança.
O novo lorde não bebia.
Não gritava.
Não ignorava problemas.
Ele… resolvia.
Noir observou a sala.
Para ele, aquilo não era um desastre.
Era só uma obra mal gerenciada.
E toda obra ruim tinha solução.
Estalou os dedos.
— Hoje limpamos as dívidas.
Olhou para a janela escura.
— Amanhã começamos a tomar de volta o que é nosso.
O Grimório abriu um sorriso enorme.
Sombras se espalharam pelo chão.
E, do lado de fora…
alguma coisa se moveu nas trevas do Domínio 7.
Como predadores percebendo…
que o cadáver…
tinha voltado a respirar.
