Noir, o Lorde Falido do Sétimo Domínio | Light Novel Capítulo 4

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Capítulo 4 — A Cozinha das Ruínas

Os corredores do castelo ecoavam como cavernas esquecidas.

Cada passo devolvia o som com atraso, como se as paredes ainda estivessem decidindo se valia a pena responder.

Tochas fracas estalavam.

A chama era pequena demais para um castelo daquele tamanho.

Noir, o Lorde Falido do Sétimo Domínio é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Sombras tremiam nas paredes rachadas, alongadas como dedos de cadáveres tentando agarrar o ar.

Noir caminhava à frente.

Calmo.

Silencioso.

O olhar não vagava.

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Calculava.

Cada fissura.

Cada inclinação de pilar.

Cada ponto onde a umidade corroera a pedra.

Seu cérebro classificava tudo automaticamente.

Instinto antigo.

Pedreiro.

Estrutura.
Carga.
Colapso.
Recuperação.

Era quase reconfortante.

Ruínas eram mais honestas que pessoas.

Atrás dele, Noele andava com passos curtos, quase correndo para acompanhar.

As mãos apertavam o pano velho contra o peito.

— A… a cozinha fica logo adiante, meu senhor… — murmurou. — Mas… ela está em condições… lamentáveis.

— O castelo inteiro está — Noir respondeu, sem olhar para trás. — Não é problema.

Ela piscou.

— N-não é…?

— Problema é não fazer nada.

Simples.

Direto.

Sem drama.

As palavras a fizeram vacilar.

O antigo lorde jamais falaria assim.

Jamais pisaria nesses corredores.

Jamais… pareceria tão presente.

Ao lado de Noir, o Grimório flutuava.

A aura roxa pulsava em intervalos lentos, como um coração voltando a bater depois de anos parado.

Então—

— Mestre… — disse uma voz grave e elegante, carregada de sarcasmo — devo dizer que você anda diferente.

Noele travou.

— E-ele… falou?!

— Mais firme. Mais estável. Mais… apetitoso.

O Grimório girou lentamente no ar.

A mandíbula de sombra abriu num sorriso preguiçoso.

— Falo sim, docinho azul. Mas só para quem vale meu tempo.

— PARE de assustar a garota — Noir empurrou o livro de leve.

— Eu? — o Grimório riu baixo. — Nem comecei.

Eles continuaram andando.

— Há quanto tempo o castelo está assim? — Noir perguntou.

Noele demorou alguns segundos.

— Muitos anos, meu senhor…

A voz saiu frágil.

— O lorde… o senhor… vinha piorando. Bebidas. Rituais. Colapsos… Às vezes ficava dias desacordado no trono…

Ela engoliu seco.

— Eu achava que… não fosse acordar mais.

Silêncio.

O Grimório soltou um ruído curioso.

— É. Ele estava bem apagado mesmo. Entre um estado e outro. Quase não senti presença nenhuma por muito tempo.

— Então ele estava doente…?

O livro riu.

— Digamos que a alma dormia fundo demais.

Ele virou o olho para Noir.

— E agora… acordou de um jeito que eu aprecio MUITO mais.

Noele olhou para Noir com cuidado.

Esperança tímida.

— Meu senhor… parece mais forte. Mais presente… como se tivesse renascido.

Noir não respondeu de imediato.

Pensou.

Não sou o antigo dono desse corpo.

Mas isso não importava.

— Eu acordei — disse apenas. — Agora é o suficiente.

Eles pararam diante de uma porta torta.

Noir empurrou.

CRRREEEAK.

O som pareceu um grito cansado.

A cozinha revelou-se.

E era pior do que o resto do castelo.

Caldeirões enferrujados.
Panelas tortas.
Armários quebrados.
Sacos rasgados.
Poeira misturada com fuligem.
Cheiro de mofo pesado.

O ar parecia velho.

Como se ninguém tivesse cozinhado ali há anos.

Noele abaixou a cabeça.

— Perdão… ninguém ficou para cuidar…

Noir observou por alguns segundos.

Silêncio absoluto.

Então:

— Perfeito.

— P-perfeito?!

— Quanto pior o estado inicial… maior a melhora depois.

O Grimório vibrou.

— Mestre… essa filosofia me dá arrepios deliciosos.

Noir ignorou.

Abriu armários.

Sacudiu sacos.

Cheirou ingredientes.

Separou o que ainda prestava.

Movimentos rápidos.

Eficientes.

Sobrevivência básica.

— Vamos improvisar.

Noele observava como se estivesse vendo magia.

— Eu… nunca vi o senhor fazer isso…

— O antigo não fazia. Mal conseguia ficar de pé.

— Verdade absoluta — o Grimório gargalhou. — Ele tropeçava até parado. Noir é muito mais interessante. Muito mais saboroso— de acompanhar em batalha, claro.

Noele ficou vermelha.

Noir começou a cozinhar.

O som do fogo reacendendo.

Água fervendo.

Metal batendo.

O cheiro mudou.

Gradualmente.

De mofo…

para comida de verdade.

Quente.

Simples.

Viva.

O Grimório pairava sobre a bancada.

— Comida… que curiosidade… parece tão… comível…

Ele abriu os dentes.

— Se quiser, posso saborear—

PAF.

Noir fechou o livro com a mão.

— Você só come maldições.

O Grimório tremeu de prazer.

— Tão firme… vai me deixar mimado, mestre.

Minutos depois, dois pratos fumegavam.

Nada luxuoso.

Mas honesto.

Noir colocou um diante de Noele.

Ela arregalou os olhos.

— P-para mim…?

— Come.

Ela segurou o prato como se fosse algo sagrado.

O Grimório recebeu um pedaço queimado, carregado de energia ruim.

— HMMMMM — vibrou. — Isso tem gosto de tragédia. Maravilhoso.

— Chega — Noir disse. — Você come contratos depois.

— Promessas deliciosas…

Enquanto comiam, Noele observava Noir em silêncio.

Ainda tinha medo.

Mas também…

esperança.

Ele era diferente.

Mais humano.

Mais real.

Como um lorde que… realmente pisaria no chão do próprio domínio.

Noir terminou primeiro.

Levantou-se.

— Noele.

Ela quase pulou.

— S-sim!

— Depois, quero relatórios. Dívidas. Fronteiras. Tropas restantes.

A postura dela se endireitou automaticamente.

— Imediatamente, meu senhor!

O Grimório girava animado.

— Finalmente… vamos começar a devorar o mundo.

Noir caminhou para a saída.

— Amanhã começamos a reconstrução.

E, por um instante…

o castelo pareceu ouvir.

Como um corpo morto recebendo o primeiro sopro de ar.

O Sétimo Domínio…

tinha voltado a respirar.

Próximo capítulo 5

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