Light Novel – cap 1
Curitiba sempre fora uma cidade fria, mas para Lucas Andrade o maior frio não vinha do clima — vinha do bolso vazio. O uniforme sujo de cimento pesava mais do que parecia; a poeira entranhada no tecido parecia puxá-lo para o chão junto com o cansaço acumulado.
Noir, o Lorde Falido do Sétimo Domínio é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
A coluna doía desde as seis da manhã. O salário havia caído com a redução de horas e, ao contrário dele, os boletos nunca tiravam folga. Lucas seguia pela calçada molhada, desviando das poças com a naturalidade de quem já levara banho de ônibus vezes demais para arriscar outra.
O celular vibrou pela terceira vez naquela noite. Ele nem precisou conferir o visor.
“Mensagem de: TIO DÉ – COBRANÇAS
‘E aí, meu parceiro. Amanhã é dia. Não me enrola.’”
Lucas soltou um sopro pelo nariz, quase um riso cansado.
— Parceiro… só se for de sofrimento.
Três agiotas.
Quatro empréstimos.
Um financiamento de casa perdido no divórcio.
E, agora, uma kitnet onde o banheiro quase encostava na cozinha.
Sua vida era como um canteiro de obras abandonado: tudo pela metade, tudo torto, tudo prestes a cair.
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Um casal passou ao lado, rindo, mãos entrelaçadas. Ele nem os encarou; estava exausto demais até para sentir inveja.
O cheiro de pastel que vinha de uma barraquinha próxima fez o estômago dele roncar, quase dolorido.
— Queria comer um pastel sem olhar pro preço… — murmurou, como quem diz um desejo impossível.
Enquanto imaginava a massa crocante e o recheio quente, seu olhar automático avaliou uma obra do outro lado da rua. Instinto de pedreiro — nunca desligava. Vigas mal colocadas, andaime torto, tijolos desalinhados.
— Isso vai rachar… — comentou para si mesmo. — Brasileiro não constrói, improvisa fé.
Respirou fundo, deixando o ar gelado de Curitiba atravessar o peito como uma lâmina afiada. A mente começou a martelar novamente: pensão, aluguel, água, luz, agiotas, cartão estourado. Tudo desabando. Ele, sozinho, tentando segurar os tijolos de uma vida ruindo.
— Se continuar assim, eu morro antes de quitar metade… — resmungou.
A frase foi quase uma piada amarga.
Porque, segundos depois, foi exatamente isso que aconteceu.
O som veio primeiro: um freio tardio, metal arranhando o asfalto. Lucas virou o rosto, e as luzes laranjas do caminhão refletiram nos seus olhos azuis.
Deu tempo de pensar apenas três coisas:
Vou morrer devendo.
Minha ex ainda vai me culpar por isso.
Tomara que acerte forte.
O impacto veio seco. O mundo se apagou.
Silêncio.
E, pela primeira vez em anos, Lucas não sentiu peso nenhum.
