Capítulo 1
O galpão escuro tremia levemente a cada rajada de vento que batia nos painéis de metal. O ranger metálico ecoava como se o lugar inteiro estivesse vivo, respirando em sincronia com a tempestade que se aproximava. Iron entrou, batendo a poeira do casaco, e o som reverberou pelas paredes vazias. Ferramentas improvisadas pendiam de cordas e ganchos; pedaços de motores quebrados estavam empilhados em caixas; e, no centro, uma mesa de trabalho iluminada por um lampião de óleo era o único ponto de clareza naquele mar de sombras.
No canto, em um catre improvisado, sua mãe dormia.
Lia tossiu — uma tosse seca, profunda, como se arrancasse pedaços de sua própria vida. Iron se aproximou, agachou-se e ajeitou o lenço em seu pescoço com cuidado, quase reverência.
Os olhos castanhos da mulher se abriram lentamente.
— Iron… você voltou cedo.
— A tempestade vai piorar — respondeu ele, em voz baixa, como se temesse acordá-la totalmente. — Trouxe peças novas hoje.
Ela tentou sorrir, mas a dor venceu o esforço.
— Você sempre traz peças… mas nunca traz descanso pra si.
Iron desviou o olhar. Descanso era luxo que não existia para quem já havia perdido quase tudo.
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Uma memória súbita atravessou sua mente: o pai sorrindo por trás de uma bancada, mostrando a ele um velho manual de robótica achado no lixo dos nobres.
“Se você aprender isso… vai ser capaz de construir qualquer coisa, filho.”
O sorriso virou grito.
A corrida mortal.
O carro explodindo em chamas.
O irmão junto com ele.
Iron respirou fundo, solidificando a raiva no estômago, como sempre fazia.
— Vou trazer a água que falta — disse, levantando-se. — E os remédios. Não importa o que aconteça.
Lia tocou seu pulso com dedos fracos.
— Só não perca você mesmo… como eles perderam.
Por alguns segundos, Iron permaneceu imóvel. Lentamente, retirou a mão dela e saiu.
A porta de metal rangeu, deixando entrar um feixe de luz amarela. O sol castigado iluminava o pátio poeirento, onde os moradores da vila tentavam sobreviver mais um dia.
O Velho Rurik esperava perto do portão, apoiado no cajado metálico.
— Iron, ouvi sua mãe tossir daqui — disse ele, com olhar sério. — Essa doença está avançando rápido.
Iron passou por ele sem diminuir o passo.
— Eu sei.
— Você vai tentar de novo? — insistiu Rurik. — Entrar na classificação E? Sem carro, sem equipe, sem munição…
Iron parou. Apenas por um instante, mas parou.
— Não tem outra escolha.
— A classificação E mata oito em cada dez.
— Então eu vou ser um dos dois que voltam — respondeu, frio, como se fosse uma verdade óbvia.
Rurik riu amargo.
— Você parece com seu pai quando dizia essas coisas. Ele acreditava demais no próprio talento.
Iron ergueu a sacola de lona: cabos, chips, placas e um manual quase inteiro.
— A diferença é que eu vou acreditar no lixo deles. E fazer algo melhor com isso.
O velho ficou em silêncio. Determinação demais ali para tentar impedir.
Iron voltou à oficina e jogou as peças sobre a mesa. Abriu o manual rasgado. As páginas amareladas, parcialmente queimadas, exibiam esquemas de motores, diagramas de controle, estruturas reforçadas de chassis.
Ele esticou os dedos, respirou fundo e murmurou para si mesmo:
— Se eu quero competir… vou ter que começar do zero.
Um motor velho estava encostado no canto, abandonado desde que o pai tentara restaurá-lo antes da última corrida fatal.
Iron arrastou-o até a bancada, limpou a poeira e passou a mão pelas rachaduras, analisando cada falha, cada detalhe.
— Vamos ver até onde você aguenta — sussurrou.
Do lado de fora, o barulho grave de algo movendo-se sob a areia ecoou, lembrando o rugido de uma baleia subterrânea.
A Vila de Palhoça tremeu levemente.
Iron ignorou.
Porque naquele momento, pela primeira vez em anos… ele sentiu vontade de lutar.
E uma máquina quebrada era apenas o começo.
