Capítulo 11 — Ecos Sob as Ruínas
A manhã chegou calma.
O canto dos pássaros ecoava sobre as ruínas da vila, como se o mundo insistisse em fingir que aquele lugar não carregava marcas do passado.
Caio estava na frente da casinha, remexendo a terra endurecida para plantar algumas sementes de batata que tinha encontrado. O solo resistia, seco e compacto, exigindo esforço a cada movimento.
O guardião das Bruxas é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Lia observava ao lado, uma prancheta metálica projetada da própria mão, anotando números invisíveis no ar.
— “Índice de fertilidade do solo: 17%. Probabilidade de colheita satisfatória: quase nula.”
Caio resmungou, suando enquanto apoiava a enxada improvisada no chão.
— “Lia, às vezes eu acho que você gosta de me desmotivar.”
Da janela, Lysandra observava os dois em silêncio. Depois de um momento, decidiu se levantar. Apoiou-se na parede com certo esforço e saiu devagar até o lado de fora.
Seu cabelo prateado brilhou à luz do sol. Os olhos azul-cristal analisavam o chão com atenção.
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— “Você está cavando errado.” — disse suavemente.
Caio ergueu os olhos, surpreso.
— “Ah, é? E como se cava certo, dona bruxa?”
Ela se ajoelhou, ainda com esforço, e começou a soltar a terra com gestos delicados. Pequenos símbolos mágicos se espalharam por seus dedos, desenhando formas sutis no ar. O solo tremeu levemente… e então se soltou, como se tivesse sido regado por uma chuva invisível.
Caio arregalou os olhos.
— “Caramba… você tem um modo turbo pra jardinagem!”
Lysandra não conseguiu conter uma risadinha.
— “É só magia básica… mas nunca pensei em usar para plantar.”
Lia fechou a prancheta metálica com força, encarando-a.
— “Constatação: interferência mágica detectada. Risco de instabilidade. Recomendação: não se aproximar do Mestre durante o processo.”
Caio deu um tapinha no ombro metálico dela.
— “Relaxa, Lia. Se ela conseguir fazer batata crescer, já é minha heroína.”
Mais tarde, Caio tentou ensinar Lysandra a assar pão com a massa que improvisara de raízes.
O resultado foi um pedaço de carvão crocante, totalmente deformado.
Caio o ergueu como se fosse um troféu.
— “Tá vendo isso? Isso é o primeiro pão da nossa futura civilização!”
Lysandra riu, levando a mão à boca.
— “Se civilização for baseada nisso, estamos condenados.”
Lia analisou o pão com os olhos brilhando.
— “Identificação: objeto carbonizado. Definição: lixo.”
Caio bufou, mas sorriu.
— “Duas contra um. Tá bom, admito que tá ruim.”
Lysandra segurou o pedaço torto com cuidado, observando como se fosse algo precioso.
— “Não… tá perfeito. É… a primeira vez que alguém divide comida comigo.”
O silêncio caiu pesado.
Até Lia não teve resposta imediata.
Caio apenas desviou o olhar, coçando a nuca.
— “Então… vou queimar mais alguns amanhã.”
Naquela noite, Lysandra não conseguiu dormir.
Olhando pela janela, viu símbolos antigos brilhando de leve nas paredes quebradas da vila, como se estivessem vivos. Runas sutis pulsavam na pedra desgastada, quase invisíveis à primeira vista.
Assustada, puxou o cobertor até o rosto.
Lia, parada na escuridão como uma sentinela silenciosa, também observava.
— “Anomalia detectada. Padrões rúnicos desconhecidos. Conclusão: este vilarejo não é comum.”
Lysandra engoliu em seco e olhou para Caio, que dormia pesado no canto, roncando baixinho, completamente alheio ao que acontecia.
E pela primeira vez, pensou:
“Talvez… eu tenha encontrado alguém que não me odeie. Mas por quanto tempo isso vai durar?”
A chama da fogueira crepitava suavemente, iluminando três figuras tão diferentes que, por algum acaso do destino, estavam reunidas naquele lugar amaldiçoado.
E, naquela noite silenciosa, algo parecia despertar nas ruínas.
