Noir, o Lorde Falido do Sétimo Domínio | Light Novel Capítulo 3

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O Senhor do Domínio Morto

Capítulo 3 — O Castelo que se Recusava a Cair

A queda terminou sem dor.

Sem gritos.
Sem impacto violento.

Apenas… silêncio.

Como se a realidade tivesse sido empurrada à força para o lugar certo.

Como madeira antiga encaixando em uma fenda que sempre esteve ali.

Noir, o Lorde Falido do Sétimo Domínio é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Clack.

Noir abriu os olhos.

O teto acima dele era feito de pedra escura, rachada por veios tortuosos. Filetes de magia azulada escorriam pelas fissuras como nervos expostos, pulsando fracos, doentes.

Teias pendiam como músculos necrosados.

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Lustres quebrados balançavam devagar.

Tapeçarias rasgadas.

Torres internas inclinadas.

O ar tinha cheiro de poeira… e tempo demais.

A conclusão veio imediata.

Um castelo que já morreu.

Mas que ainda se recusava a cair.

Ele respirou fundo e forçou o corpo a se erguer.

As articulações protestaram.

Pesadas.

Duras.

Erradas.

— …Esse corpo… — murmurou, flexionando os dedos — parece que apodreceu vivo.

A voz saiu rouca.

Não era a dele.

Mas agora… era.

Passos.

Leves.

Cuidadosos.

Quase como alguém atravessando um cemitério.

— M-meu senhor Noir…?

Ele virou o rosto.

Uma garota se aproximava devagar, segurando um balde de madeira velho e um pano já gasto demais para ser chamado de pano.

Olhos azuis grandes.

Assustados.

Cabelos longos azulados que escorriam pelas costas como água noturna.

Frágil.

Sozinha.

— Você… voltou mesmo?

Noir piscou lentamente.

— Suponho que sim.

Ela engoliu seco.

— D-desculpe a aparência do castelo… é que… eu sou a única que restou.

Silêncio.

Ele observou o salão outra vez.

Não era sujeira comum.

Era decadência histórica.

Anos.

Talvez décadas.

Nada ali tinha sido abandonado recentemente.

Aquilo era o resultado de um projeto que falhou… por tempo demais.

E, ainda assim…

Seus olhos percorreram colunas, encaixes, vigas.

Cálculo automático.

Medidas.

Peso.

Distribuição de carga.

Instinto.

Era igual a analisar uma obra mal feita.

— Faz sentido ter sobrado só você — disse, simples.

Antes que a garota — Noele — respondesse…

O espaço ao lado do trono rasgou.

Não houve brilho.

Nem magia elegante.

Foi violento.

Como carne sendo aberta.

BAQUE.

Algo caiu no chão de pedra.

Pesado.

Vivo.

O Grimório.

Veias negras pulsavam pela capa.

A mandíbula de sombra se abriu devagar, revelando presas etéreas.

Lá dentro, um brilho roxo profundo… como o fundo de um abismo.

Noele quase deixou o balde cair.

— E-essa criatura… estava adormecida há décadas… eu nunca vi ela acordar…

O livro girou.

Um olho surgiu no centro da capa.

Abriu.

Observou.

Analisou.

Ignorou.

Então fez um som metálico.

CLNK.

E se deitou aos pés de Noir como um cão fiel.

Noir passou a mão pela capa viva.

Ela pulsou.

Espiras roxas rodopiaram pelo ar.

— Relaxa — disse. — Ele só está com fome.

O castelo inteiro estremeceu quando o Grimório soltou sua primeira respiração.

Um som oco.

Como vento atravessando ossos antigos.

Noele juntou coragem.

— M-meu senhor… o castelo está degradado… os pilares estão fracos… as reservas vazias… os vilarejos sofrem ataques dos humanos… dos outros domínios… e… as dívidas…

A voz morreu no meio.

Vergonha.

Medo.

Fracasso.

Noir apenas assentiu.

— Mostre.

— T-tudo…?

Ele a encarou.

Olhos frios.

Estáveis.

Práticos.

— Se vou reconstruir isso… preciso ver o estrago completo.

O Grimório vibrou.

As páginas se folhearam sozinhas.

Ansioso.

Como um predador sentindo cheiro de sangue.

Noir começou a andar.

Cada passo ecoava pelo salão vazio.

Ele tocava as paredes.

As colunas.

O piso rachado.

E a mente trabalhava sozinha.

Estrutura principal: segura.
Laterais: comprometidas.
Telhado: péssimo.
Vigas internas: fatigadas.
Conclusão:

Recuperável.

Noele corria atrás dele, quase tropeçando.

Eles pararam diante de uma janela quebrada.

O vento frio entrou.

Lá fora…

O Domínio 7.

Campos devastados.

Casas vazias.

Vilas morrendo.

Fogueiras fracas.

Torres desmoronadas.

E patrulhas humanas rondando como hienas esperando a carcaça esfriar.

Noir observou.

Sem choque.

Sem pena.

Apenas cálculo.

O mesmo olhar que usava na Terra ao avaliar prédios condenados.

Só que agora…

Era um reino inteiro.

— Isso dá pra reconstruir.

Noele piscou.

— D-dá…?

O Grimório abriu a mandíbula num sorriso macabro.

— Tudo dá — Noir respondeu. — Com trabalho. Planejamento… e fome suficiente.

O estômago dele roncou alto.

Ele suspirou.

— A cozinha fica por onde?

Ela corou, perdida entre vergonha e desespero.

— P-por aqui… mas… a situação é crítica…

Ele começou a andar.

— Ótimo. Cozinha ruim é mais fácil de consertar do que castelo inteiro.

O Grimório flutuou atrás dele.

Sombrio.

Fiel.

E, pela primeira vez em anos…

Os corredores mortos do castelo ouviram passos firmes.

Determinados.

Passos de alguém que não pretendia herdar ruínas.

Mas reconstruí-las.

Do zero.

Próximo Capítulo 4

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