APOCALIPSE: O MUNDO SOB A AREIA — Light Novel (Capítulos 3 e 4)

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Capítulo 3 — O Aviso Ignorado

Kael acorda antes do despertador.
Não por ansiedade.
Mas porque seu corpo já não reconhece mais o ritmo normal do mundo.

O quarto está quente.
Não abafado — quente de verdade.

APOCALIPSE: O MUNDO SOB A AREIA é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Ele se levanta, vai até a janela e a abre.
O vento entra, mas não refresca.
Arranha a pele.

Kael fecha os olhos por um segundo.

Flash.

Uma rua inteira coberta de areia até os joelhos.
Pessoas tentando andar… e afundando.
Um grito curto, interrompido.

Ele abre os olhos.

Rua normal.
Carros passando.
Buzinas.

Mas o corpo dele já não acredita nisso.

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Kael sai cedo.
Não para comprar mais coisas — ainda não.
Hoje é dia de observar pessoas.

Ele caminha por regiões movimentadas.
Pontos de ônibus.
Calçadas cheias.

O padrão surge rápido.

Discussões bobas viram gritos.
Gente se empurrando por nada.
Um homem quase parte para cima de outro por causa de um lugar na fila.

Kael reconhece aquilo com precisão cirúrgica.
No futuro, esse era o dia em que ninguém levou a sério.

Ele para diante de uma banca de jornal.
O dono está sem camisa, suando, irritado.

— Esse calor não é normal, não.

— É só o Rio. — alguém responde.

Kael vira as costas.

Negação coletiva.
Sempre funciona… até não funcionar mais.

Perto do meio-dia, algo acontece.

Não grande.
Não apocalíptico.

Mas definitivo.

Um caminhão tomba em uma avenida principal.
Nada espetacular.
Sem explosão.

Só que o asfalto… cede.

Não afunda como um buraco comum.
Ele se desfaz em pequenos desníveis, como se o chão tivesse perdido rigidez.

As pessoas param.
Filmam.
Riem.

— Solo fofo, isso aí é obra mal feita.

O estômago de Kael se contrai.

Flash.

A mesma avenida, dias depois, completamente engolida.
Uma sombra se movendo por baixo, como algo nadando.

Ele se afasta.

O primeiro erro coletivo é sempre o mesmo:
rir do aviso.

À tarde, Kael volta a agir.

Entra em um atacadão comum.
Carrinhos rangendo.
Pessoas reclamando do calor.

Ele não enche o carrinho.
Compra peso.

Água.
Sal.
Alimentos simples, densos, que não estragam fácil.

Nada que chame atenção.

Enquanto paga, o caixa comenta:

— Dizem que vai ter uma onda de calor forte.

Kael pega as sacolas.

— Vai.

Ele sai.

No caminho, o celular vibra.

Lívia.

“vc não veio ontem
nem respondeu direito
tá acontecendo alguma coisa?”

Kael lê andando.

Outro flash tenta surgir — mais fraco dessa vez.
Uma sensação de costas expostas.
De confiar errado.

Ele responde:

“Só ocupado.”

Guarda o celular.

No apartamento, Kael organiza tudo no chão.
Não empilha.
Não joga.

Separa por função.

Comida.
Água.
Ferramentas.
Peso carregável.

Ele pega uma garrafa cheia, segura firme…
e sente algo estranho.

Não é força.
Não é cansaço.

É como se o espaço ao redor da mão cedesse por um milésimo de segundo.

Kael franze o cenho.
Tenta de novo.

Nada.

Silêncio.

Mas ele sentiu.

Não entende ainda.
Não força.
Apenas registra.

No fim do dia, o sol se põe…
mas o calor não vai embora.

Kael se senta no chão, encostado na parede.

O mundo lá fora segue normal.
Televisões ligadas.
Risos.
Música.

Mas ele sabe.

O Dia -4 foi o dia em que o mundo recebeu o aviso mais claro —
e escolheu ignorar.

Kael fecha os olhos.

Sem raiva.
Sem pressa.
Apenas certeza.

Eles ainda acham que estão vivos.
Ele já está se preparando para sobreviver.

Capítulo 4 — O Peso do Espaço

APOCALIPSE: O MUNDO SOB A AREIA

Kael acorda com a boca seca.

Não importa quanto tenha bebido no dia anterior.
O corpo dele pede água de um jeito diferente.

Ele se senta na cama e entende o erro.

Pouca comida não mata em um dia.
Pouca água mata rápido.

E no futuro…
água vira guerra.

Kael se levanta, pega o celular e confere o saldo.

Ainda tem dinheiro.
Mas não por muito tempo.

Ele não perde tempo pensando se é exagero.
No futuro, quem pensou assim morreu primeiro.

O primeiro destino do dia é um atacadão.
Nada de supermercado bonito.
Atacadão de verdade.

Carrinhos rangendo.
Gente comprando mais do que o normal.
Nada em pânico — ainda.

Kael pega dois carrinhos.

Sem pressa, começa a encher.

Galões de água.
Caixas fechadas.
Mais galões.
Mais caixas.

Não escolhe marca.
Escolhe volume.

Arroz.
Feijão.
Macarrão seco.
Comida enlatada.
Sal.
Açúcar.

Peso real.

Um homem observa estranho.

— Vai abrir restaurante?

Kael não responde.

Empurra os carrinhos até ficarem difíceis de controlar.

No caixa, a funcionária ri nervosa.

— Tá fazendo estoque pro fim do mundo?

Kael passa o cartão.

— Algo assim.

Do lado de fora, o sol parece mais agressivo.

Ele carrega tudo até um canto mais afastado do estacionamento.
Longe de câmeras.

Respira fundo.
Coloca a mão sobre um galão de água.

Não força.
Não imagina.

Ele pede.

O espaço responde.

Não como magia bonita.
Mas como um erro.

O galão afunda no ar por meio segundo —
como se tivesse sido puxado por algo invisível —
e desaparece.

Kael dá um passo para trás.

O coração acelera.

Não de medo.
De confirmação.

Ele tenta puxar.

O galão reaparece, caindo no chão com força.

Kael fica parado.

O poder não é confortável.
Não é estável.

Mas é real.

Ele testa de novo.

Mais um galão.
Depois outro.

Alguns entram.
Outros falham.

Quando falha, o peso volta de repente, quase derrubando ele.

O espaço não aceita tudo.

Ainda.

Kael entende rápido:

Existe limite.
Existe cansaço.
Existe resistência.

Mas também existe uma vantagem absurda.

Ele continua.

Suando.
Errando.
Acertando.

Quando termina, os carrinhos estão quase vazios.

O estacionamento, normal.

Mas Kael sente o peso dentro de si.
Como se carregasse um depósito invisível grudado ao corpo.

O segundo lugar é ainda menos elegante.

Um pequeno depósito de bebidas e água mineral.
Ali, ninguém faz perguntas.

Dinheiro troca de mão rápido.

Mais galões.
Mais caixas.

Kael não testa tudo ali.

Ele sabe quando parar.

O corpo começa a doer.
A cabeça lateja.

O espaço não é infinito.
É musculatura nova.

Forçar agora seria se machucar.

No caminho de volta, o celular vibra.

Lívia.

“vc tá estranho
gastando dinheiro
sumindo
isso não é normal”

Kael lê sem parar de andar.

Normal.
Essa palavra já não significa nada.

Ele responde:

“Cuida da tua vida.”

Curto.
Frio.

Guarda o celular.

No apartamento, Kael se senta no chão, exausto.

Não fisicamente.
Mentalmente.

Fecha os olhos e sente.

A água está lá.
A comida está lá.

Não em um “bolso mágico”.
Mas em um espaço comprimido, instável, que parece empurrar de volta se ele exagerar.

É perigoso.

Mas é sobrevivência.

Kael encosta a cabeça na parede.

No futuro, ele lembra de gente brigando por uma garrafa.
De gente matando por um gole.

Ele abre os olhos.

— Não comigo.

O sol se põe.
O calor continua.

O Dia -3 termina.

E, pela primeira vez, Kael não está apenas se preparando.

Ele está à frente.

Proxímo Capítulo

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