O Último Oráculo — Light Novel | Capítulos 4 e 5

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Capítulo 4 – Sala de Observação

Bernardo foi conduzido até a sala sem algemas, mas isso não significava confiança.
Os passos ecoavam baixos no corredor de pedra, sempre acompanhados por alguém atrás dele. Não era escolta armada. Era vigilância.

A porta se fechou às suas costas com um som seco.

— Fique à vontade. — disse um dos homens, apontando para a mesa. — Hoje será simples.

O Último Oráculo é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Bernardo não respondeu de imediato. Aproximou-se devagar, sentindo as linhas se tornarem mais densas conforme chegava ao centro da sala. Algo ali… puxava sua atenção.

Sobre a mesa, um mapa aberto mostrava várias regiões do reino. Pequenas marcas indicavam cidades, rotas, fortalezas. Cada linha parecia sussurrar histórias antigas, movimentos que ainda não haviam acontecido, mas que se preparavam silenciosamente.

Bernardo estendeu a mão, sem tocá-lo ainda. Era como se o mapa estivesse vivo, pulsando sob sua visão.

— Então… — disse ele baixinho, quase para si mesmo — …isso é o que eu deveria observar.

Capítulo 5 – Linhas do Futuro

O silêncio naquela sala era diferente.
Não era o silêncio da dúvida — era o silêncio de quem não gostou de estar errado.

Bernardo permaneceu de pé, as mãos relaxadas ao lado do corpo. Não demonstrava ansiedade. Não demonstrava vitória.
Isso incomodava.

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— Você entende a posição em que nos colocou. — disse o supervisor mais velho, quebrando o silêncio.

Bernardo inclinou levemente a cabeça.
— Entendo.

— Os outros oráculos falharam. — continuou o homem. — E você… não.

Bernardo não respondeu. As linhas ao redor da mesa estavam mais agitadas do que antes. Algumas se estendiam para fora da sala. Outras se desfaziam antes de alcançar as paredes. Ele percebeu algo importante: o futuro já estava reagindo àquela conversa.

— Não vamos anunciar isso. — disse o registrador, seco. — Oficialmente, o ataque foi um falso alarme.

Bernardo assentiu de novo. Era o esperado.

— Sua previsão será arquivada como… coincidência. — completou o supervisor.

Coincidência. Uma palavra conveniente.

Bernardo sentiu um leve alívio — que desapareceu rápido demais. As linhas começaram a se reorganizar. Dessa vez, não apontavam para a cidade costeira. Apontavam para dentro da própria capital.

— Há algo mais. — disse Bernardo, antes que pudesse se conter.

Os dois homens ergueram o olhar ao mesmo tempo.

— Mais o quê? — perguntou o registrador.

Bernardo hesitou. Não por medo de errar, mas por saber que dizer isso criaria movimento.

— O problema não foi o ataque cancelado. — disse, escolhendo cada palavra. — Foi a decisão que o evitou.

— Seja claro.

Bernardo respirou fundo.
— Alguém interferiu. E essa interferência abriu outras possibilidades.

— Que tipo de possibilidades?

As linhas tremiam. Algumas eram curtas. Outras longas demais.

— Conflito interno. — respondeu. — Não hoje. Não amanhã. Mas em breve.

O supervisor cruzou os braços.
— Está nos dizendo que evitar um ataque externo criou instabilidade interna?

Bernardo levantou o olhar.
— Estou dizendo que o futuro não gosta de ser empurrado.

Silêncio.
Não houve risada. Não houve descrença aberta.
Só desconforto.

— Isso não estará no relatório. — disse o supervisor, por fim.

Bernardo assentiu.
— Não deveria mesmo.

A reunião terminou sem cerimônia. Quando Bernardo saiu da sala, sentiu o peso real da situação. Ele não tinha ganhado confiança.
Tinha ganhado atenção.
E atenção, naquele lugar, era mais perigosa do que desconfiança.

Enquanto caminhava pelo corredor, as linhas se estendiam à frente, fracas, instáveis… mas presentes. Não o suficiente para prever. Suficientes para avisar. Ele não estava mais sendo observado como erro. Estava começando a ser observado como variável.

Bernardo se aproximou de outro mapa, outro observador.

— O que querem que eu veja? — perguntou.

— A mesma coisa que os outros. — respondeu o observador. — Um relatório foi feito esta manhã.

Bernardo sentiu o corpo reagir antes mesmo de pensar. As linhas surgiram. Não como antes, dispersas. Mas concentradas em um ponto específico do mapa: uma cidade costeira.

O nome estava escrito em letras pequenas, mas claras. Bernardo estreitou os olhos.
As linhas ali eram instáveis. Muitas. Sobrepostas. Algumas se partiam antes de se formar. Outras surgiam… e desapareciam rápido demais.

— Isso… — murmurou.

— Viu algo? — perguntou o homem, seco.

Bernardo respirou fundo. Se dissesse o que via, entraria em conflito direto com os registros oficiais. Se mentisse, talvez sobrevivesse… por enquanto.

— O que os outros oráculos disseram? — perguntou.

O observador franziu a testa.
— Você não está aqui para fazer perguntas.

Bernardo assentiu levemente.
— Então anotem isso.

Ele tocou o mapa com dois dedos.
— Essa cidade não vai sofrer ataque hoje.

O homem arqueou a sobrancelha.
— Todos os oráculos oficiais indicaram um ataque costeiro iminente. Piratas, talvez algo pior.

Bernardo sentiu um peso no peito. As linhas que ele via não mostravam ataque hoje. Mostravam outra coisa.

— Hoje não. — repetiu, com cuidado. — Pelo menos… não da forma esperada.

Silêncio. Um dos observadores começou a escrever.
— Está afirmando que todos os outros erraram?

Bernardo retirou a mão do mapa.
— Estou afirmando o que vejo. Nada mais.

Os homens trocaram olhares.
— Muito bem. — disse o primeiro. — Seu relatório será anexado como… divergente.

Divergente. Bernardo entendeu o significado real da palavra ali: descartável.

Horas depois, ele foi levado de volta aos aposentos. A cidade seguiu sua rotina. Navios entraram no porto. Guardas permaneceram alertas. Canhões não dispararam. O ataque não aconteceu. Os registros oficiais falharam.

Bernardo foi chamado novamente ao anoitecer. Desta vez, havia mais pessoas na sala.

— O ataque não ocorreu. — disse alguém, irritado. — Como explica isso?

Bernardo manteve a postura.
— As linhas mudaram antes do amanhecer.

— Mudaram por quê?

Ele hesitou. Se dissesse a verdade, pareceria absurdo.
— Porque alguém… decidiu não atacar.

Silêncio pesado.
— Isso é conveniente demais. — retrucou outro.

Bernardo sentiu algo diferente então. As linhas se rearranjavam. A cidade costeira estava segura hoje. Mas algo se formava logo depois. Algo pior.

Ele engoliu em seco.
— Anotem isso também. — disse, sem levantar a voz. — O ataque não foi cancelado. Foi adiado.

— Para quando?

Bernardo fechou os olhos por um segundo. As linhas tremiam.
— Em breve. E não virá do mar.

O silêncio que se seguiu não foi de descrença. Foi de desconforto.
Porque, pela primeira vez…
O erro dos outros não tinha explicação simples.
E o dele não parecia mentira.

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