Capítulo 1 — O Vilão Descartável
Todo jogador conhece aquele vilão ridículo.
O chefe inicial que aparece apenas para morrer em cinco minutos.
Ignorado.
Esquecido.
Apagado pela glória do herói.
A Roleta do Vilão — O Primeiro Boss Não Devia Sobreviver é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Mas… e se você acordasse no corpo dele?
Essa é a história de Leonhart Vessalius.
Um homem que zerou o jogo mais de duzentas vezes…
e que, por algum capricho cruel do destino, renasceu no corpo do vilão descartável.
O primeiro boss.
A noite estava silenciosa.
Uma brisa fria atravessava as janelas quebradas de um quarto luxuoso… porém decadente. Tapeçarias rasgadas balançavam lentamente, como fantasmas de um passado glorioso. Móveis nobres cobertos por lençóis empoeirados ocupavam o espaço, e no centro da parede, pendendo torto, um brasão enferrujado denunciava a ruína da outrora poderosa Casa Vessalius.
Leonhart abriu os olhos — e congelou diante do espelho.
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❌ Sem dom
❌ Sem traço perfeito
❌ Sem complicação
Cabelos negros lisos até a nuca.
Olhos cinza-escuros com reflexos prateados.
Olheiras profundas, marcas de noites mal dormidas.
Ele reconheceu imediatamente.
— …Não… não pode ser… Eu virei… esse cara?!
Na parede, um retrato enorme.
O rosto do vilão da primeira fase do jogo.
Aquele que ele derrotava em menos de cinco minutos… todas as vezes.
Memórias vieram em avalanche.
Builds.
Estratégias.
Rotas secretas.
Mais de duzentos zeramentos gravados na mente.
Ele conhecia aquele mundo melhor do que a própria vida.
E agora… estava preso nele.
O corpo que habitava era o de Leonhart Vessalius, primogênito de uma das famílias nobres mais antigas do império.
Séculos atrás, os Vessalius eram temidos e reverenciados. Guerreiros, magos e heróis nasceram de seu sangue.
Mas isso… era história antiga.
Por mais de trezentos anos, nenhum descendente despertou um talento digno. Enquanto outras casas produziam magos prodígios, espadachins lendários e arqueiros abençoados, os Vessalius apenas afundavam.
Riquezas desperdiçadas.
Terras hipotecadas.
Reputação destruída.
Agora restavam apenas dívidas, zombarias… e ruínas.
Leonhart herdou tudo.
As terras arruinadas.
Os servos idosos.
A irmã mais nova tentando manter as aparências.
E um Dom… aparentemente inútil.
Aos olhos de todos, ele era um lixo nobre.
A vergonha da linhagem.
Mas ele… não era “esse Leonhart”.
Por trás dos olhos cinzentos, agora existia um estrategista.
Um jogador veterano que conhecia cada canto daquele mundo.
E ele sabia.
O roteiro original dizia que Leonhart Vessalius morreria como piada, derrotado pelo protagonista ainda no tutorial.
— Heh… se esse mundo é um jogo… — murmurou — então quem melhor pra quebrar as regras do que alguém que já zerou duzentas vezes?
Foi nesse momento… que a Roleta apareceu.
Flutuando diante dele, como uma engrenagem celestial coberta de luzes, surgiu um disco dividido em centenas de seções coloridas. Um título brilhava no ar:
【Roleta do Destino】
Dom Único — permite girar uma vez por dia e receber um item aleatório.
Rank F… até Divino.
Parecia incrível.
Capítulo 2 — A Roleta do Lixo

Mas havia um detalhe cruel.
Noventa por cento das vezes… vinha lixo.
Leonhart observou a roleta girar pela primeira vez.
Um som metálico ecoou pelo quarto silencioso.
Clac… clac… clac…
E o resultado surgiu.
【Pá de Jardinagem +1】 — Rank F.
Ele piscou.
Olhou de novo.
Sim.
Era uma pá.
De jardinagem.
— …É sério?
No dia seguinte, girou novamente.
【Poção de Crescimento Capilar】 — Rank D.
Leonhart encarou o frasco em silêncio. Uma mecha do cabelo balançou com o vento da janela quebrada.
Ele suspirou.
Terceiro giro.
【Chave Enferrujada】 — Rank E.
Sem descrição.
Sem uso aparente.
Enquanto outras famílias despertavam poderes capazes de destruir fortalezas…
Leonhart… colecionava lixo.
Por alguns segundos, o silêncio tomou conta da sala.
Então ele riu.
Um riso sarcástico, meio enlouquecido.
— Heh… então é assim que vai ser, né?
Na sala principal da mansão, diante dos poucos servos remanescentes, Leonhart ergueu a pá como se fosse uma espada lendária.
— Senhores! A Casa Vessalius… RESSURGIRÁ… com esta pá!
Os velhos se entreolharam, confusos. Um tossiu. Outro coçou a cabeça.
Ninguém sabia se aplaudia… ou fugia.
Do topo da escada, Ariadne Vessalius observava a cena.
Loira. Elegante. Ainda tentando sustentar a dignidade da família em meio ao caos.
— Irmão… você enlouqueceu de vez?
— Não, Ariadne… — respondeu ele, sorrindo. — Eu estou começando a jogar.
Nos dias seguintes, Leonhart agiu como um estrategista.
Testou os limites da roleta.
Catalogou cada item, até os inúteis.
Estudou o “sistema” como quem disseca um manual de jogo.
E aos poucos, uma ideia começou a nascer.
Se o destino o colocou no corpo de um vilão condenado…
Ele reescreveria a história.
Pedaço por pedaço.
E a primeira oportunidade… estava se aproximando.
Capítulo 3 — O Teste que Não Existia no Jogo

Dias depois, o céu da capital imperial amanheceu dourado.
As ruas fervilhavam com carroças, nobres em carruagens e plebeus curiosos. Todos seguiam para o mesmo lugar:
O Coliseu Imperial.
Uma vez por ano, famílias nobres reuniam seus herdeiros para o Teste de Talento, onde cada jovem despertava oficialmente sua afinidade mágica e provava o valor do sangue que corria em suas veias.
Os que se destacassem ganhavam bolsas nas academias de elite.
Os fracassados… tornavam-se motivo de riso público.
E entre os nomes anunciados naquele dia, um fazia o público gargalhar apenas ao ser ouvido.
— Leonhart Vessalius…? Eles ainda existem?
— Hahaha! Vai ser divertido ver esse lixo se humilhar de novo.
— Aposto um ouro que ele tira Rank F de novo.
Os rumores cortavam como lâminas invisíveis.
No centro da arena, cercado por milhares de olhos, Leonhart caminhava com passos firmes.
A cada movimento, lembranças de suas mortes no jogo original retornavam.
A cena era exatamente como ele lembrava.
O herdeiro fracassado tocaria o cristal…
revelaria um Dom vergonhoso…
seria humilhado diante de todos.
E sua queda marcaria o início da glória do protagonista.
Mas dessa vez…
Leonhart sorriu.
— Se o roteiro espera que eu morra como piada… — murmurou — vou quebrar o roteiro.
O Mestre do Coliseu, um ancião de barba longa, ergueu a voz:
— Leonhart Vessalius, aproxime-se do Cristal do Destino.
O cristal pulsava em múltiplas cores, carregando a energia do mundo.
Leonhart colocou a mão sobre a superfície fria.
O silêncio caiu como um peso sobre a arena.
Então… a luz explodiu.
Runas antigas giraram ao redor do cristal, mais rápidas do que qualquer outro teste realizado naquele dia. O público murmurava, confuso.
— Isto é… — começou o Mestre.
Antes que pudesse terminar, o cristal se rompeu.
Estilhaços de luz voaram, formando círculos mágicos suspensos acima de Leonhart. Símbolos arcanos que ninguém jamais havia visto.
E então…
Um portal se abriu diante dele.
Uma ventania varreu o Coliseu, sacudindo capas e bandeiras.
Do portal, uma figura feminina emergiu, caminhando com passos leves, como se deslizasse sobre a própria luz.
Cabelos prateados caíam como cascata lunar.
Olhos violeta profundo brilhavam com frieza etérea.
Vestes negras adornadas por runas carmesins.
Na presença dela, até os magos mais velhos sentiram a pele arrepiar.
O Coliseu caiu em silêncio absoluto.
Um nome foi murmurado, em choque, como se pronunciá-lo fosse profanar um mito.
— …Aria Nachtgrün.
Uma entidade lendária.
Um espírito de batalha que, segundo as crônicas antigas, jamais havia sido invocado por humano algum.
