Capítulo 10 — O Nome que Voltou a Existir
Líria se aproximou, exausta, mas sorrindo.
— Vencemos…
Renato respondeu baixo, quase como se falasse apenas para si mesmo:
— Não. Apenas começamos. O Império agora sabe… que Verdevale está vivo.
E da próxima vez… eles não virão com quarenta. Virão com centenas.
O Último Herdeiro de Verdevale é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Ainda assim, em seus olhos âmbar, não havia medo.
Havia apenas determinação.
E uma chama que crescia a cada batalha.
Verdevale havia deixado de ser um nome esquecido.
Agora… era uma ameaça.
A fumaça da batalha ainda pairava sobre as colinas quando a noite caiu. Os corpos dos soldados imperiais foram enterrados em silêncio, enquanto os sobreviventes foram deixados partir, carregando o peso da derrota.
Mas, em Verdevale, os fogos acesos não eram de luto — eram de celebração.
Crianças corriam pelas ruas improvisadas. Homens e mulheres dançavam ao som de tambores batidos em couro seco. Nunca antes haviam se sentido tão unidos. Nunca antes o nome Verdevale significara esperança.
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Renato, porém, não estava entre eles.
Sentado na sala do bastião em construção, observava relatórios espalhados sobre a mesa. Marien entrou, ainda com o arco às costas.
— Eles cantam seu nome lá fora. Dizem que o herdeiro Verdevale é um general renascido.
Renato não desviou o olhar do mapa.
— Um general sem exército não passa de um tolo. Hoje vencemos. Mas amanhã… eles voltarão, mais fortes.
Líria entrou logo em seguida, trazendo uma jarra de água fresca.
— Mesmo assim, mestre… o povo acredita em você agora. Isso é algo que nem o Império pode tomar.
Renato ergueu os olhos para ela e, por um instante, deixou escapar um leve sorriso.
— Talvez seja isso que mais os assusta.
Na manhã seguinte, a praça central estava lotada. Renato subiu ao parapeito, cercado por Marien, Derek, Gunnar e Líria. O povo aguardava em silêncio.
— Verdevale não é mais pó e silêncio. Vocês lutaram, sangraram e venceram.
Sua voz ecoou firme.
— Mas a vitória não é só contra espadas. É contra a fome. Contra o frio. Contra a dúvida.
Por isso, declaro agora a fundação da Primeira Guarda de Verdevale.
Um rugido de aprovação se espalhou. Derek ergueu a espada curta, e os camponeses imitaram, orgulhosos. Era um exército pequeno… mas era o primeiro exército Verdevale.
— E mais… — continuou Renato. — Os que trabalham com martelos, enxadas e arcos também são soldados. Cada pedra colocada, cada flecha disparada, cada semente plantada… é parte da vitória.
De hoje em diante, cada um de vocês é Verdevale.
O povo gritou em uníssono.
E, pela primeira vez, o nome Verdevale não foi lembrado como ruína… mas como renascimento.
Capítulo 11 — A Guerra das Palavras

Longe dali, na capital imperial, o comandante Rausk entregava um relatório ao alto conselho.
— As tropas foram repelidas. O herdeiro Verdevale demonstrou organização inesperada, táticas militares avançadas e uso de magia auxiliar. Recomendamos reforço imediato ou negociação estratégica antes que se torne ameaça maior.
O relatório passou de mão em mão, espalhando um sussurro inevitável:
Verdevale havia sobrevivido.
Nas fronteiras, o Duque Merivold recebeu outra mensagem. Seus olhos se estreitaram, e desta vez… ele não sorriu.
— Chamem Lady Selindra.
Quando a emissária mais habilidosa do ducado se apresentou, o duque foi direto:
— Vá a Verdevale. Ofereça aliança, proteção… qualquer coisa que faça aquele garoto confiar em nós. Mas descubra como ele resistiu. Verdevale não deve crescer sem que Astoria controle suas raízes.
Selindra inclinou-se, olhos azuis gélidos refletindo cálculo.
— Se ele for tolo, eu o enganarei.
Se for esperto… então testarei seus limites.
Na noite seguinte, o portão principal de Verdevale se abriu. Uma comitiva elegante atravessou as ruas simples do vilarejo. À frente, uma jovem nobre de postura impecável seguiu direto ao bastião.
— Senhor Renato Verdevale? Sou Lady Selindra, enviada do Ducado de Astoria. Venho propor um tratado… de amizade.
O silêncio caiu sobre a sala.
— Amizade, é? — Renato respondeu com calma. — Então… vamos conversar.
O jogo diplomático havia começado.
À luz de tochas, Selindra apresentou sua proposta: proteção, recursos, comércio — em troca do acesso à caverna de cristais.
Líria avançou um passo.
— Vantajoso para quem? Para nós, ou para o duque que já espera nos devorar vivos?
Selindra lançou-lhe um olhar frio.
— Que serva ousada.
Renato interrompeu, firme:
— Aqui, todos têm voz. Se isso a incomoda, talvez não devesse estar aqui.
A conversa se tornou um duelo silencioso. Palavras afiadas. Intenções ocultas.
— Coragem sem aliados é suicídio — disse Selindra.
Renato respondeu sem hesitar:
— Tempo é o que eu preciso. E se tentarem arrancá-lo… descobrirão que até um nobre falido pode se tornar um predador.
Quando Selindra deixou o bastião, já não exibia a mesma segurança.
— Ela veio medir minha força — murmurou Renato. — E saiu com medo do que ainda nem comecei a mostrar.
A guerra de espadas havia terminado.
A guerra de palavras… estava só começando.
Capítulo 12 — O Primeiro Fôlego do Renascimento

O sol ergueu-se preguiçoso, dissipando a névoa sobre o vale.
Renato caminhava pelas ruas ainda irregulares. Onde antes havia abandono, agora ecoavam martelos, vozes e passos apressados. Verdevale despertava.
Na praça central, bancas improvisadas surgiam pela primeira vez em anos. Nabos recém-colhidos, ervas secas, frutos silvestres. Elina organizava tecidos rústicos, enquanto crianças vendiam bolinhos simples.
Não era abundância.
Mas era vida.
— É pouco… — disse Líria, carregando uma cesta de frutas. — Mas eles sorriem como se fosse muito.
— Porque não é só comida — respondeu Renato. — É esperança.
Na forja, Gunnar moldava ferro entre faíscas.
— Teremos armas para lutar e ferramentas para plantar!
— As duas são necessárias — afirmou Renato. — Sem campo fértil, não há exército que resista.
Nas torres, Marien observava arqueiros em treinamento.
— Ainda erram — comentou.
— A mira melhora — respondeu Renato. — O importante é que já não tremem.
No campo, Derek moldava disciplina com gritos e escudos de madeira. Pessoas comuns se tornavam soldados.
Ao entardecer, Renato parou diante da muralha em construção. Crianças carregavam água. Mulheres costuravam bandeiras verdes.
— Cada pedra é uma promessa — disse ele.
— Então não quebre nenhuma — respondeu Líria, apertando sua mão.
À noite, o vilarejo se iluminou com pequenas fogueiras. Pão simples, caldo ralo, histórias compartilhadas.
Renato observou as estrelas da muralha.
Além da floresta, sombras vigiavam em silêncio.
O renascimento de Verdevale… já não passava despercebido.
