O guardião das Bruxas – Light Novel | Capítulos 7 e 8

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Capítulo 7 — A Bruxa Além da Barreira

A noite caiu pesada sobre o vilarejo.

Dentro da pequena casinha, o fogo da fogueira estalava baixo, lançando sombras instáveis pelas paredes de madeira. Caio mastigava mais uma raiz assada, o rosto cansado iluminado pelas chamas, enquanto Lia, sentada do outro lado, polia calmamente as próprias mãos metálicas, como se aquele gesto fosse parte de um ritual silencioso.

O guardião das Bruxas é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Foi então que o uivo ecoou.

Grave. Profundo. Vindo da floresta.

Caio se levantou num salto, os olhos azuis atentos, o corpo tenso. Lia ergueu o rosto no mesmo instante, seus olhos cristalinos brilhando com intensidade.

— Detecção — anunciou. — Movimentação hostil na direção da vila.

Do lado de fora, sombras se deslocavam entre as árvores. Olhos vermelhos surgiam na escuridão, um após o outro. Bestas da floresta. Grandes. De presas afiadas e corpos moldados para a caça.

Mas, ao alcançarem o limite que separava a floresta do vilarejo, todas pararam.

Como se algo invisível as impedisse de avançar.

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Rugiam, arranhavam a terra, golpeavam o ar vazio… mas não cruzavam a linha.

Caio sentiu um arrepio percorrer sua espinha.

— … Eles… não entram.

Lia observava com calma calculada. Os circuitos em seu pescoço brilharam em azul.

— Constatação: presença de barreira mística envolvendo a vila. Finalidade desconhecida. Possibilidade: as criaturas temem ou são impedidas por resquícios de energia abissal.

Antes que Caio pudesse responder, algo diferente emergiu da floresta.

Uma figura humana.

Uma mulher corria em desespero, tropeçando, com os cabelos prateados emaranhados. O corset azul estava rasgado, o corpo coberto de sangue seco e arranhões profundos. Os olhos azul-cristal, antes intensos, agora apagados pela dor e exaustão.

Ela atravessou o limite entre os monstros sem que nenhuma das criaturas reagisse.

Deu alguns passos vacilantes… e caiu de joelhos na entrada da vila.

Seu chapéu de bruxa rolou pelo chão, parando aos pés de Caio.

— É… uma pessoa — murmurou ele, em choque.

Lia foi imediata.

— Correção: não é apenas uma pessoa. Identificação confirmada: bruxa. Classe de risco elevada. Mestre, recomendação: abandonar. Acolher essa mulher transformará a vila em alvo.

Caio não respondeu. Já corria em direção a ela.

Ajoelhou-se ao seu lado. O corset rasgado revelava ferimentos profundos, alguns ainda abertos. O corpo dela tremia de frio e dor.

Ele cerrou os dentes.

— Não importa quem seja… ela tá morrendo.

Lia aproximou-se, braços cruzados, expressão fria.

— Salvar uma bruxa equivale a declarar guerra à igreja, aos reinos e às entidades demoníacas. Estatística de sobrevivência do Mestre reduzida para doze por cento.

Caio ergueu o rosto. O suor escorria por sua testa, os olhos azuis brilhando no escuro.

— Então que se dane o mundo. Aqui… ninguém vai caçar mais ninguém.

Sem hesitar, pegou a mulher nos braços. Ela estava leve demais, quase sem forças. O sangue manchou sua túnica clara, mas ele não recuou.

Levou-a para dentro da casinha e a deitou sobre a palha improvisada que servia de cama.

Lia observava em silêncio, os olhos brilhando enquanto processava aquela decisão ilógica.

— Registro: Mestre optou por hospedar inimiga da humanidade. Possibilidade de desastre: quase absoluta.

Caio limpava as feridas dela com panos improvisados, mesmo sem qualquer conhecimento médico.

— Então escreve também — respondeu, sem olhar para Lia — que eu não vou deixar ela morrer aqui.

A fogueira tremulava, iluminando a pequena casa.

A mulher respirava fraco, inconsciente.

Do lado de fora, os monstros continuavam uivando… mas nenhum ousava atravessar o limite.

E assim, a primeira bruxa encontrou abrigo no vilarejo amaldiçoado — sem imaginar que aquele gesto marcava apenas o início de uma nova era.

Capítulo 8 — Quando a Magia Respira

Foram dias de tensão.

A mulher, Lysandra, permanecia deitada sobre a palha, imóvel, com a respiração fraca e irregular. O corset rasgado deixava à mostra feridas profundas, que Caio limpava diariamente com panos improvisados, sempre molhados em água fervida.

A cada curativo, ele suspirava.

— Eu não sou médico… mas se você morrer aqui, vai ser porque eu não tentei.

Lia observava à distância, sempre de braços cruzados. Seus olhos de cristal azul permaneciam frios e atentos.

— Sugestão: descartar paciente. Estatística de recuperação: sete por cento. Risco de infecção mágica elevado. Mestre está desperdiçando energia.

Caio a encarou, suado, a túnica ainda manchada de sangue.

— Se fosse você caída no chão, Lia, eu também ia tentar salvar.

Ela inclinou levemente a cabeça, como se processasse a comparação.

— Correção: eu não posso morrer. Sou uma unidade de assistência. Comparação ilógica.

Caio riu sozinho.

— Pode até ser. Mas pra mim dá na mesma. Você também é minha responsabilidade.

Ele ferveu raízes, esmagou folhas, misturou tudo como pôde, formando uma cataplasma de aparência duvidosa. Aplicou sobre as feridas de Lysandra, mesmo sem saber se aquilo ajudaria ou pioraria a situação.

Lia analisou a mistura, os olhos cintilando.

— Formulação primitiva. Possíveis efeitos colaterais: alucinação, febre, vômito. Estatística de sucesso: quinze por cento.

Caio bufou.

— Então já é o dobro da sua previsão inicial.

Colocou um pano úmido na testa de Lysandra e ajeitou com cuidado seus cabelos prateados.

Ela suspirou baixo, ainda inconsciente.

Na terceira noite, algo mudou.

Enquanto Caio dormia encostado na parede, exausto, Lia percebeu uma luz azulada surgir sob a pele de Lysandra. Símbolos arcanos desenhavam-se brevemente em suas veias, brilhando por instantes antes de desaparecer.

Lia aproximou-se, registrando cada detalhe.

— Constatação: energia arcana instável em circulação. Risco elevado de explosão mágica. Recomendação: Mestre deve evacuar.

Caio acordou assustado, ainda meio sonolento.

— O quê… evacuar?! — murmurou. — Eu mal tenho casa e horta, Lia. Não vou abandonar alguém só porque brilha no escuro.

O brilho desapareceu tão rápido quanto surgira. Lysandra voltou a respirar normalmente, ainda inconsciente.

Caio soltou o ar que prendia.

— Você pode falar em estatísticas o quanto quiser. Mas enquanto ela respirar… eu não vou desistir.

Naquela noite, o fogo da fogueira iluminava três destinos entrelaçados:

Caio, exausto, mas firme em sua decisão.

Lia, impecável e silenciosa, processando as contradições de seu Mestre.

E Lysandra, imóvel, mas com pequenos brilhos arcanos surgindo ocasionalmente sob a pele — como se guardasse segredos que nenhum deles ainda compreendia.

Do lado de fora, a floresta rugia.

Mas nenhum monstro ousava atravessar o limite da vila.

Era como se até o próprio mundo estivesse em silêncio… aguardando o despertar.

Próximo capítulo

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