O Rank S que Só Queria Descansar Light Novel Capitulo 1

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Capítulo 1 – Quando Tudo Finalmente Deu Certo

Abraham Vellark sempre acreditou que a vida tinha um ponto final.

Não no sentido da morte —
mas naquele instante raro em que tudo finalmente se alinha e, pela primeira vez, o mundo parece permitir descanso.

Durante anos, ele correu atrás de promessas vazias. Cursos caros, gurus da internet, frases prontas que garantiam atalhos para o sucesso. Perdeu dinheiro, tempo e, por um longo período, a própria paciência. Sempre parecia que todos sabiam algo que ele não sabia.

O Rank S que Só Queria Descansar é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Até o dia em que decidiu parar de procurar truques.

Ele trabalhou.

De verdade.

Aprendeu errando. Cresceu sem milagres. Construiu uma marca de roupas do zero, enfrentando fornecedores, logística, marketing, falhas constantes e noites mal dormidas. Não foi rápido. Não foi bonito. Mas funcionou.

E funcionou grande.

Naquele fim de tarde em Jurerê Internacional, Abraham observava a própria casa como quem encara um troféu conquistado com disciplina e persistência. A mansão ainda tinha cheiro de nova. A piscina refletia o céu alaranjado. A Lamborghini na garagem era um exagero consciente — não uma necessidade, mas um símbolo.

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Era o começo da paz.

Ele acendeu a churrasqueira com calma, colocou a carne na grelha e respirou fundo. Pela primeira vez em muito tempo, não havia urgência. Nenhum plano. Nenhuma meta. Nenhuma pressão.

Só silêncio.

— Finalmente… — murmurou para si mesmo.

A ideia era simples: viver bem. Comer bem. Viajar quando quisesse. Talvez se envolver com algumas mulheres interessantes, sem drama e sem pressa. Nada de guerras. Nada de destino. Nada de salvar o mundo.

Abraham não queria ser especial.
Queria ser esquecido.

O vento mudou naquele instante.

Não ficou mais fresco — ficou pesado. A água da piscina ondulou sem motivo aparente. O ar pareceu denso, como se algo estivesse errado com a própria realidade.

Ele franziu a testa.

— Nem começa… — disse, meio rindo, meio desconfiado.

Então aconteceu.

Um estalo seco cortou o ar. Um impacto atravessou seu corpo antes que o cérebro tivesse tempo de reagir. Não houve dor imediata, apenas uma surpresa absoluta.

Abraham olhou para baixo.

O tecido escuro da camiseta começava a manchar.

Ele caiu de joelhos devagar, sem entender.

— …sério? — foi tudo o que conseguiu dizer.

A churrasqueira continuou acesa. O fogo seguiu seu trabalho indiferente. O céu permaneceu bonito demais para um momento tão errado.

A visão escureceu.

Seu último pensamento não foi arrependimento, nem nostalgia.

Foi irritação.

Agora que deu certo…?

Quando abriu os olhos, não havia dor.

Havia luz.

Um corredor branco se estendia infinitamente, organizado demais para parecer divino. Filas silenciosas, placas flutuantes, um ambiente que lembrava mais um setor público do que qualquer ideia tradicional de além.

Abraham se levantou devagar.

— Ah não… — murmurou. — Isso não.

À frente, atrás de um balcão simples, uma figura folheava documentos invisíveis com expressão cansada. Parecia humana. Irritantemente humana.

— Próximo — disse a figura, sem levantar os olhos.

Abraham se aproximou.

— Eu morri por quê?

A figura consultou algo.

— Ocorrência aleatória. Local: residência recém-adquirida. Horário: fim de tarde. — fez um risco no ar. — Próximo.

Abraham não saiu do lugar.

— Eu lutei vinte anos pra ter paz — disse, com a voz firme. — Trabalhei. Aguentei. Quando finalmente consegui… isso acontece?

A figura suspirou.

— Senhor, o universo não opera com justiça poética.

À direita, uma grande alavanca chamava atenção. Era exagerada demais para não ser importante.

DIRECIONAMENTO DE DESTINO — NÃO TOCAR

Abraham gesticulava enquanto reclamava.

— Eu não pedi nada demais. Só queria viver bem. Comer carne. Descansar. Aproveitar a—

Ele esbarrou.

A alavanca desceu.

O corredor inteiro tremeu. Várias figuras se viraram ao mesmo tempo.

— Você puxou… — alguém murmurou.

— A lista inteira… — disse outra voz.

Abraham congelou.

— Foi sem querer.

A figura atrás do balcão empalideceu.

— Não existe “sem querer” aqui.

Abraham respirou fundo.

— Pra onde eu vou?

Silêncio.

— Não sabemos — respondeu a figura. — Você caiu no próximo destino disponível.

O chão desapareceu sob seus pés.

— Isso vai dar problema… — murmurou Abraham.

A luz engoliu tudo.

E o mundo, como sempre, fingiu que foi coincidência.

A escuridão não veio de uma vez.

Ela se infiltrou.

Abraham abriu os olhos com dificuldade, sentindo o corpo pesado demais. O chão era frio, irregular, com cheiro de poeira antiga misturada a algo metálico.

Ele tentou se mover.

Conseguiu… mas o movimento não era o dele.

Os braços eram mais longos. O peso do corpo estava diferente. Os músculos respondiam como se obedecessem por hábito, não por vontade.

— …que inferno… — murmurou.

A voz saiu mais grave do que esperava.

Quando conseguiu se sentar, viu.

À frente, parcialmente coberto por escombros, estava um corpo imóvel, envolto em uma armadura quebrada. As marcas não seguiam padrão algum. Não parecia uma batalha comum.

Abraham entendeu antes mesmo de aceitar.

— Então… esse era eu.

Ou melhor: o antigo dono daquele corpo.

Runas apagadas à força, cristais de amplificação partidos por falha interna. Magia que havia simplesmente desistido de existir.

Um Rank S havia caído ali.

E agora, de algum modo que Abraham não queria entender, ele respirava no lugar dele.

Um gemido baixo ecoou à direita.

Encostada contra uma coluna caída estava uma mulher de cabelos lilás claros, presos de forma simples. O uniforme de combate estava danificado, e a respiração irregular denunciava o cansaço extremo. Os olhos violetas se abriram lentamente.

Ela o viu.

Congelou.

— …Kaelric? — perguntou, incrédula.

Abraham demorou meio segundo a mais do que devia.

— …tô aqui.

Por um instante, ela pareceu aliviada.

No seguinte, furiosa.

— Seu idiota — tentou se levantar, sem sucesso. — Eu vi você cair. Achei que tinha morrido!

Ele se aproximou com cuidado.

— Quase — respondeu.

Ela o encarou.

— Você tá diferente.

Ele avaliou os ferimentos com olhos que não eram seus… mas sabiam o suficiente.

— A masmorra entrou em colapso — disse. — Não foi um monstro.

Ela fechou os olhos.

— Tudo parou de responder… como se o mundo tivesse desligado.

Silêncio.

— A gente precisa sair daqui — disse ela. — Se o Conselho souber—

Ela interrompeu a frase.

— Se souberem que você sobreviveu, vão exigir tudo.

Abraham a ajudou a se levantar.

— Então não falamos tudo.

Ela o encarou.

— Desde quando você pensa assim?

— Desde agora.

Caminharam juntos pelo corredor instável. A masmorra parecia cansada. Não reagiu mais.

Quando chegaram a uma câmara segura, Abraham sentiu um frio estranho sob a pele do braço. Algo discreto, persistente.

Ele ignorou.

— Seja lá o que aconteceu com você — disse ela — não deixa ninguém perceber.

Por dentro, Abraham pensou:

Eu só queria paz.

Mas respondeu com a voz calma daquele corpo que não era seu:

— Não vou.

E a masmorra, pela primeira vez desde o colapso, ficou em silêncio absoluto.

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