Capítulo 1 — O Começo Nada Heroico de Um Futuro Salgueiro
Arthur piscou os olhos ardidos diante da tela iluminada do computador. A claridade parecia cortar suas pálpebras após horas de jogatina, mas ele não desviou o olhar até ler a mensagem final:
“Você zerou Hero’s Legend XII: Eternal Queens.”
A frase brilhou com majestade, e atrás dela 17 heroínas 2D acenavam apaixonadas, como se estivessem comemorando sua vitória pessoal.
Salgueiro Supremo: Reencarnei Como Árvore e Ainda Quero um Harém é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
— Dezessete esposas… reino próprio… espada lendária… — murmurou, a voz embargada pela emoção. — Irmão, se um caminhão me atropelar agora e eu reencarnar nesse mundo… eu aceito.
Com um clique quase cerimonioso, fechou o jogo. O relógio no canto da tela marcava 3:47 da manhã.
Seu estômago roncou, profundo e quase dramático.
O destino chamava.
E aquele destino tinha cheiro de hambúrguer artesanal com bacon.
Arthur calçou os chinelos, pegou a carteira e desceu as escadas do prédio em São Paulo. No caminho, seu pensamento divagou naturalmente para o assunto mais importante de sua vida naquele momento: qual waifu do jogo ele casaria primeiro, caso realmente reencarnasse naquele mundo?
A rua estava silenciosa. Só o vento cortava a madrugada até que—
— Aaaaah! — um grito ecoou.
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Arthur ergueu o rosto. No terceiro andar de um andaime, uma mulher escorregou ao tentar pular uma poça de cimento fresco.
Sem pensar — talvez por fome, talvez por puro instinto — Arthur correu.
Ele a empurrou para longe do ponto de queda.
Por 0,3 segundos, ele sentiu o brilho heroico de um protagonista de isekai iluminando sua alma.
Mas a sensação durou apenas até a sombra de uma betoneira de meia tonelada cobrir completamente sua visão.
— Pelo menos… reencarnação… harém… espada lendár—
PLOFT.
Silêncio absoluto.
Transição – ou algo assim
Arthur abriu os olhos… mas não tinha olhos.
Sentia o vento… mas não tinha pele.
Quis se mexer… e apenas folhas tremularam suavemente.
Um som metálico ecoou em sua mente, seguido por um painel translúcido:
[Sistema de Evolução Arbórea Iniciado]
Espécie: Salgueiro-Comum Jovem
Nível: 0
Habilidades básicas: Fotossíntese (Lv.1), Sono Vegetativo (Lv. Max — preguiça natural)
Raiz: 12 cm
Altura: 1,3 m
— …como assim, irmão? — sua voz ecoou apenas dentro da própria mente. — Cadê meus músculos? Cadê a espada? Cadê as elfas?
Nenhuma resposta.
Apenas o assobio do vento.
Grilos cantando.
E a estranha — e nada agradável — sensação de ter raízes no bumb… na terra.
Tentou se mover.
Nada.
Somente um galho balançou fracamente, como se dissesse um tímido “oi”.
— Eu virei… uma planta. — pausa dramática. — UMA PLANTA, MANO.
No fundo de sua mente, algo vibrou. Outro painel emergiu, brilhante e imponente:
Ganhe Energia Espiritual absorvendo luz, água e vida.
Evolua. Fortaleça raízes. Torne-se a Árvore Suprema.
Arthur engoliu seco — ou teria engolido, caso árvores engolissem.
— Beleza. Respira… quer dizer… fotossintetiza. Arthur, você zerou jogo com 17 esposas. Você consegue ser a árvore mais braba da floresta também.
Uma folha desprendeu de um de seus galhos, caindo lentamente.
Provavelmente seu equivalente arbóreo a uma lágrima.
