Dragon Ball Z vai ganhar parque temático bilionário na França. A região de Cergy-Pontoise, a poucos quilômetros de Paris, vai receber um complexo de entretenimento avaliado em 6 bilhões de euros — cerca de R$ 36 bilhões na cotação atual. Dentro desse pacote está um parque dedicado ao universo de Dragon Ball Z, criado por Akira Toriyama. O acordo entre França e Arábia Saudita foi confirmado pelo Palácio do Eliseu nesta segunda-feira, durante a visita do príncipe herdeiro saudita Mohammed bin Salman à capital francesa.
Não é um parque isolado. O projeto prevê três parques temáticos distintos erguidos lado a lado, num terreno onde antes funcionava o extinto Mirapolis, parque francês fechado nos anos 1990. Um desses três espaços será construído em torno da franquia de mangá e anime, com o restante do complexo ainda sem identidade definida publicamente.
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Quem paga a conta
O dinheiro vem da Qiddiya Investment Company, braço do fundo soberano saudita PIF (Public Investment Fund), o mesmo grupo por trás de megaprojetos como a cidade de entretenimento Qiddiya, nos arredores de Riade. A entrada saudita no mercado europeu de parques temáticos não é um movimento isolado: o país já vinha direcionando bilhões de dólares para turismo e lazer como parte da estratégia de reduzir a dependência do petróleo, prevista no plano Visão 2030.
Para a França, o acordo funciona como vitrine. Emmanuel Macron classificou o empreendimento como algo sem precedentes desde a chegada da Disneyland Paris, em 1992, e chegou a comentar publicamente seu gosto pessoal por mangás ao anunciar o projeto. O governo francês estima que as obras vão gerar cerca de 22 mil empregos, número que inclui construção civil, arquitetura, engenharia e serviços correlatos — não postos permanentes de operação do parque.
Por que Cergy-Pontoise
A escolha do local não foi aleatória. A região fica a menos de 40 km do centro de Paris, tem acesso rodoviário e ferroviário consolidado e está relativamente próxima da própria Disneyland Paris, o que os planejadores franceses veem como vantagem — e não concorrência direta. A lógica é criar um segundo polo de turismo temático na Île-de-France, capaz de reter visitantes por mais dias na região metropolitana em vez de disputar o mesmo público num raio pequeno.
O terreno do antigo Mirapolis também pesou na decisão. A área está praticamente ociosa há décadas e já conta com boa parte da infraestrutura de acesso que um empreendimento desse porte exige, o que reduz custo e tempo de preparação em comparação com um terreno totalmente virgem.
O que ainda não foi revelado
Aqui está o ponto que mais frustra quem já quer saber se vai ter montanha-russa da Genkidama ou área temática da Ilha Kame: praticamente nenhum detalhe de atração foi divulgado. Não há lista de brinquedos, não há conceito artístico publicado, não há sequer confirmação de qual estúdio ou escritório de arquitetura vai desenhar as áreas temáticas.
O que existe, segundo a própria Qiddiya, é um memorando de entendimento — um acordo-quadro que abre caminho para negociações mais detalhadas sobre tamanho do empreendimento, modelo de desenvolvimento, estrutura contratual e as autorizações necessárias dentro da legislação francesa. Ou seja: o anúncio confirma a intenção e o dinheiro reservado, mas o projeto em si ainda está em fase de desenho.
Isso explica por que nenhuma data de inauguração foi cravada. Autoridades falam em “vários anos” de obras, com inaugurações em etapas — prática comum em parques desse porte, que costumam abrir por fases para começar a gerar receita antes da conclusão total do empreendimento.
Quando o parque pode abrir
Sem cronograma oficial, a estimativa mais usada por quem acompanha o setor parte de comparação direta com o parque saudita de Dragon Ball, anunciado em 2024 e cujas obras só começaram no início de 2026 — um intervalo de dois anos entre anúncio e início físico da construção. Aplicando essa mesma janela ao caso francês, o início das obras ficaria em torno de 2028, com abertura ao público projetada para 2031, caso o cronograma siga ritmo parecido.
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Vale reforçar que essa é uma projeção baseada em precedente, não uma data confirmada por Eliseu, Qiddiya ou Toei Animation. Projetos de parques temáticos em escala bilionária costumam atrasar — Disneyland Paris, Universal Epic Universe e o próprio complexo saudita de Qiddiya já passaram por revisões de prazo ao longo do desenvolvimento.
O parque saudita que serviu de modelo
Antes de fechar o acordo francês, a Arábia Saudita já havia colocado no papel o primeiro parque temático oficial de Dragon Ball do mundo, dentro do megaprojeto Qiddiya City, a cerca de 40 km de Riade. Esse parque saudita promete sete áreas temáticas, mais de 500 mil m² de extensão e acima de 30 atrações, incluindo montanhas-russas de alta velocidade inspiradas em batalhas da série.

A existência desse projeto irmão ajuda a entender o apetite saudita pela franquia: não se trata de uma aposta isolada na Europa, mas de uma segunda frente de um investimento que já estava em curso. Também é motivo para desconfiar um pouco menos do anúncio francês — diferente de um parque anunciado do zero, aqui já existe know-how sendo desenvolvido em paralelo, com equipe, contratos de licenciamento e fornecedores testados no projeto saudita.
O que esperar das atrações
Como nenhuma atração foi confirmada oficialmente para a unidade francesa, o que circula até agora é expectativa baseada no padrão do setor e no que já se sabe do parque saudita: montanhas-russas de alta intensidade remetendo às lutas mais icônicas da série, ambientação recriando cenários como a Ilha Kame, o Templo Sagrado ou o planeta Namek, e praça de alimentação temática puxando para o exagero calórico associado aos personagens — referência direta ao apetite lendário do Goku e companhia nos quadrinhos e no anime.
Nada disso é confirmação oficial. É o tipo de expectativa natural quando uma franquia com décadas de fãs consolidados ganha um parque físico, mas que só vira fato quando a Qiddiya ou os parceiros franceses publicarem o masterplan do empreendimento.
Reação dos fãs e repercussão
O anúncio pegou parte do público de surpresa, já que rumores sobre um parque europeu da franquia circulavam informalmente havia meses sem confirmação oficial de nenhuma das partes. Nas redes, a reação mistura empolgação — sobretudo entre fãs europeus que hoje precisam viajar para o Japão ou, agora, para a Arábia Saudita para ter uma experiência física ligada à franquia — e ceticismo típico de quem já viu grandes anúncios de parques temáticos esfriarem ou mudarem de escopo com o tempo.
De concreto, por enquanto, existe: o valor do investimento, a localização exata, o número estimado de empregos na fase de construção e a confirmação política de dois governos. O resto — atrações, arquitetura, data de abertura, formato de ingresso — depende do avanço das negociações entre Qiddiya, autoridades francesas e, presumivelmente, a Toei Animation e demais detentores dos direitos da franquia, que até agora não se pronunciaram publicamente sobre o acordo.
Enquanto os detalhes não saem, o que fica claro é a direção do movimento: Dragon Ball deixou de ser só mangá, anime e jogo para virar peça de investimento bilionário em turismo, com dois parques físicos em construção simultânea em continentes diferentes.
Imagem do topo: O Vício
