Engineer of the Titans- cap1

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Capítulo 1 – O Juramento do Engenheiro Esquecido

A maresia de Torres, no litoral do Rio Grande do Sul, tinha um talento cruel: corroía ferro com a mesma facilidade com que apagava sonhos. No fundo de um galpão estreito, escondido atrás de uma madeireira decadente, o ofício de Dante resistia a essa erosão silenciosa. Ali, entre pranchetas manchadas de café frio e borrões de graxa, ele passava noites inteiras debruçado sobre projetos que ninguém mais acreditaria serem possíveis.

De dia, era apenas “o técnico mal pago da fábrica de implementos agrícolas”, mais um nome apagado na folha de ponto, alguém que o setor de Recursos Humanos esqueceria minutos depois de demitir. Mas quando o sol se escondia atrás das torres basálticas da cidade, o mundo mudava para ele.

A oficina clandestina despertava com vida própria.
O estalar das soldas iluminava o escuro como pequenos relâmpagos domésticos. O cheiro denso de óleo queimado se misturava ao sal da maresia, e o tilintar de engrenagens desmontadas ecoava como música mecânica. Motos sucateadas, tratores quebrados, motores de barcos abandonados — qualquer carcaça que Dante encontrasse nos ferros-velhos de Torres acabava repousando ali, sob seu olhar obcecado.

“Um dia… eu vou construir algo que não quebre. Algo que não seja descartável.”
Esse era o juramento silencioso que repetia todas as madrugadas, como se as paredes enferrujadas do galpão pudessem ouvi-lo.

Enquanto seus amigos de infância buscavam carreiras previsíveis ou se perdiam em bares abarrotados durante o verão, Dante mergulhava em um universo que só ele compreendia.
Lia tratados de engenharia antiga, manuais militares soviéticos resgatados da internet, documentos digitalizados que mais pareciam grimórios tecnológicos — tudo isso guiado por uma habilidade rara: memória técnica absoluta.

Dante lia uma vez.
E gravava para sempre.
Cada parafuso. Cada diagrama. Cada fórmula.

Mas o que não gravou foi a própria fragilidade do destino.

Numa madrugada chuvosa, quando o vento soprava do mar como se quisesse arrancar telhados, a fábrica chamou turno extra. A engrenagem principal da prensa industrial — velha como a própria cidade — começou a tremer. Um colapso iminente.

Dante percebeu antes de todos.

Ele correu. Ignorou protocolos, advertências, lógica.

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— Só mais um ajuste… aguenta, por favor… — murmurou para a máquina, como se ela pudesse escutá-lo.

O estalo que veio em seguida foi seco, final.

A correia de aço se rompeu.
O impacto o lançou contra a parede com violência brutal.

O cheiro de metal quente misturou-se ao gosto de sangue na boca. A tempestade rugia lá fora, mas dentro dele havia outro som: um ranger de engrenagens que não pertenciam àquele mundo. Uma melodia metálica que ecoava como um chamado distante.

Engrenagens girando.
Vapor escapando.
Um rugido de ferro… ancestral, impossível.

Dante percebeu — com uma calma estranha — que não sentiria arrependimento. Apenas frustração.

“Se eu tivesse mais tempo… eu poderia construir um Titã.”

Então veio a escuridão.

Profunda. Total.
Silêncio absoluto.

Até que, no centro desse vazio, surgiu um estalo — como fogo acendendo sobre metal molhado.
E então, diante dele, um horizonte de chamas e engrenagens, girando como se um novo mundo estivesse sendo forjado do zero.

Um mundo que, desta vez, não o descartaria.

Capitulo 2

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