Capítulo 4
A Segunda Passagem
A porta ainda vibrava levemente quando Alexa girou a última trava.
O silêncio dentro da casa parecia mais pesado que o barulho lá fora.
Roberto ficou parado no meio do cômodo.
Sorte Maldita é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.
Observando tudo.
Sentindo o cheiro do ar.
Tentando decidir se aquilo era real… ou apenas um último delírio antes de apagar de vez.
— …então… — começou devagar. — confirma pra mim uma coisa.
Alexa apoiou a lança curta na parede.
— Depende da pergunta.
Ele passou a mão pelo rosto.
— Eu morri?
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Ela demorou alguns segundos. Não desviou o olhar.
— Aqui… a gente chama de Segunda Passagem. — respondeu. — Quem chega assim… normalmente não volta.
Roberto soltou um riso baixo.
Não era humor.
Era cansaço.
— Cara… nem morrer direito eu consegui.
Do lado de fora, algo raspou a parede da casa.
Um som arrastado… úmido.
Alexa apagou metade das lanternas.
O cômodo mergulhou em vermelho escuro.
— Fica longe das janelas.
Ele obedeceu… mas continuou analisando o ambiente.
— Esse lugar… — murmurou. — parece que tá sempre esperando alguém errar.
“Porque está.”
A voz surgiu dentro dele.
Quente.
Calma.
Roberto apertou os olhos.
— …beleza… então não foi imaginação.
Alexa olhou rápido.
— O quê?
— Nada. Só… conversa interna.
Ela estudou o rosto dele por mais tempo que o normal.
— Você caiu sem marca. — disse baixo. — Isso não acontece.
— Eu também não costumo acordar em mundos apocalípticos, então estamos quites.
Um impacto mais forte fez o chão tremer.
Poeira caiu do teto.
Passos gigantes ecoaram além da rua.
Roberto engoliu seco.
— Tá… talvez eu tenha subestimado o perigo daqui.
Alexa sentou numa cadeira baixa.
O olhar dela ficou distante por um segundo.
— Eu ajudei você porque… — ela pausou. — gente que cai sozinho normalmente vira comida antes do primeiro toque das lanternas.
Ele arqueou a sobrancelha.
— Nossa… que motivação bonita.
Ela deu meio sorriso.
— E porque você não tem cheiro de Desejo.
Aquilo fisgou a atenção dele.
— Cheiro?
Alexa apontou para a porta.
— As coisas lá fora seguem rastros. Medo. Raiva. Ambição… — os olhos verdes fixaram nos âmbar dele. — Você só cheira… vazio.
Silêncio.
Roberto desviou o olhar.
— Valeu… acho.
A voz interna riu baixo.
“Ela não está errada.”
Ele ignorou.
— Então esse mundo… vive dessas… entidades?
Alexa assentiu.
— Desejos criam monstros. Pessoas fazem pactos. Cidades sobrevivem como conseguem.
— Perfeito… — murmurou. — troquei boleto por criatura infernal. Evolução clara.
Do lado de fora… um grito distante.
Depois silêncio abrupto.
Alexa levantou devagar.
A mão firme na arma.
— Não faz barulho.
Roberto ficou imóvel.
Sombras passaram pelas frestas da janela.
Algo parou do lado de fora.
Respiração lenta.
Raspando a madeira.
O ar esfriou.
“Ela sente você.”
Roberto segurou o fôlego.
A criatura arranhou a porta.
Uma vez.
Duas.
Parou.
Silêncio.
Passos se afastando.
Alexa soltou o ar lentamente.
— Sobreviveu ao primeiro minuto.
Ele suspirou.
— Já é mais do que eu esperava hoje.
Ela voltou a sentar.
— Amanhã… você precisa escolher o que vai ser aqui.
— Eu mal escolhi o que comer a vida inteira… imagina destino.
Alexa inclinou a cabeça.
— Então começa sobrevivendo.
A lanterna tremulou.
E por um segundo…
uma sombra feminina enorme apareceu atrás de Roberto…
Asas abertas como fogo silencioso.
Desapareceu antes que Alexa percebesse.
“Você não caiu aqui por acaso.”
Roberto fechou os olhos.
— Pois é… — murmurou baixo. — tô começando a desconfiar.
Capítulo 5

O Erro Que Respira
Roberto ainda estava sentado quando o silêncio mudou.
Não foi um barulho.
Foi a ausência dele.
Como se o mundo tivesse prendido a respiração.
Alexa levantou primeiro.
Os olhos verdes se estreitaram.
— …tem algo parado lá fora.
Ele encarou a porta.
— Aqui parece que sempre tem.
“Agora presta atenção.”
A voz quente dentro dele soou quase divertida.
Um impacto leve veio do teto.
Passos… leves demais para algo humano.
Alexa fez sinal para ele ficar quieto.
O som desceu pela parede.
Arranhando.
Raspando.
Parou do outro lado da porta.
Um cheiro de ferrugem invadiu o cômodo.
Roberto franziu o nariz.
— Isso aí não cheira a sobrevivência saudável.
A madeira da porta afundou levemente.
Como se algo estivesse pressionando o rosto contra ela.
Um olho amarelo surgiu pela fresta.
Sem emoção.
— …sem marca…
Alexa puxou a lâmina.
Movimento limpo. Silencioso.
— Não responde. — sussurrou.
O híbrido inclinou a cabeça.
Os ossos do pescoço estalaram.
— …erro…
Roberto sentiu o ar atrasar por um segundo.
Um copo na mesa deslizou sozinho.
A lanterna piscou.
“Ele consegue sentir você.”
A criatura bateu na porta.
Uma vez.
Duas.
A madeira rachou.
Alexa avançou.
Abriu a porta de repente e cortou na diagonal.
A lâmina atravessou o braço alongado do Vigiante.
O híbrido recuou… mas não gritou.
Só observou Roberto.
Fixamente.
Como se estivesse memorizando.
Roberto levantou devagar.
— Tá… definitivamente não é cosplay.
A criatura avançou.
Rápida demais.
Ele tentou desviar…
tropeçou na própria bota.
O ataque passou raspando por centímetros.
Alexa arregalou os olhos.
— Você não desviou!
— Eu tropecei!
O chão sob o híbrido afundou repentinamente.
Uma tábua cedeu.
A criatura perdeu o equilíbrio.
Alexa aproveitou.
Golpe limpo no pescoço.
O corpo caiu… desmanchando-se em fumaça vermelha.
Silêncio.
Respiração pesada.
Roberto olhou para as próprias mãos.
— …ok. Isso definitivamente não é coincidência normal.
Alexa limpou a lâmina.
Os olhos agora carregavam algo novo.
Desconfiança.
Curiosidade.
— Você não luta… mas o mundo luta por você.
Ele sorriu torto.
— Sempre quis terceirizar meus problemas.
“Ainda está só começando.”
A voz dentro dele parecia satisfeita.
Do lado de fora…
outros passos ecoaram pela rua.
Alexa fechou a porta novamente.
— Agora eles sabem que você existe.
Roberto soltou o ar devagar.
— Ótimo… nem completei um dia e já virei conteúdo proibido.
A lanterna piscou.
E pela primeira vez…
o reflexo dele na parede parecia ter asas por trás.
Capítulo 6

A Sombra Que Observa
O silêncio não durou.
Um grito cortou a noite.
Não perto.
Mas perto o suficiente para atravessar as paredes.
Roberto virou o rosto.
— …isso aí não parece alguém indo dormir cedo.
Alexa já estava na janela.
Espiou pela fresta mínima.
O olhar dela endureceu.
— Idiotas…
Ele se aproximou.
— Posso ver?
— Não devia.
— Ótimo. Agora eu quero mais.
Ela abriu um espaço pequeno.
Do outro lado da rua…
três pessoas corriam.
Sem máscara.
Sem marca visível.
Desesperadas.
Um deles tropeçou.
A lanterna acima piscou.
E algo se moveu na sombra.
Primeiro um.
Depois dois.
Os Devoradores Rasos emergiram como fumaça ganhando forma.
Rápidos.
Silenciosos.
Roberto prendeu a respiração.
— …ah não…
Os monstros cercaram o grupo.
Não atacaram imediatamente.
Observavam.
Como predadores escolhendo qual morder primeiro.
Uma das pessoas tentou correr.
O chão pareceu puxar o pé dela.
Ela caiu.
Alexa fechou parcialmente a janela.
— Regra básica da cidade. Depois do toque… quem fica fora vira convite.
Roberto não desviava os olhos.
— E ninguém ajuda?
— Só quem quer morrer junto.
Os Devoradores avançaram.
Movimentos bruscos.
Um grito humano foi cortado abruptamente.
Depois…
silêncio.
Som úmido.
Roberto virou o rosto.
— …ok… entendi a política local.
“Você não sente pena.”
A voz interna soou suave.
Ele respondeu mentalmente:
— Não… só tô tentando não surtar.
Alexa percebeu o olhar distante.
— Você escuta alguém… não escuta?
Ele hesitou.
— Algo assim.
Ela não insistiu.
— Amanhã você aprende as regras… ou não dura três noites.
— Eu já não durava três boletos… imagina três noites.
Ela quase sorriu.
Do lado de fora…
os Devoradores terminaram.
As formas se arrastaram pela rua… e desapareceram nas paredes como fumaça.
Silêncio absoluto.
— …isso aí é normal? — ele perguntou.
— Normal não. Frequente.
Um tremor mais pesado atravessou a casa.
A lanterna apagou por um segundo.
O ar ficou quente.
Muito quente.
Milena sussurrou dentro dele:
“Agora… algo maior está olhando.”
O peito de Roberto apertou.
Instinto puro.
Ele virou para a parede oposta.
E viu.
Uma sombra gigantesca cruzando lentamente o telhado.
Asas largas.
Chifres curvados.
Não totalmente material.
Só presença.
Alexa não viu.
Mas sentiu.
Apertou a arma com força.
— …fica longe da porta.
A sombra parou.
Como se farejasse.
Como se tivesse encontrado…
ele.
Roberto engoliu seco.
— …me diz que isso não entra.
Alexa respondeu baixo:
— Se fosse entrar… a cidade já teria acabado.
A sombra passou.
Lenta.
Pesada.
E desapareceu além das muralhas.
O ar voltou a circular.
Roberto apoiou a mão na mesa.
— Tá… oficialmente… pior decisão da minha vida morrer.
Milena riu dentro dele.
“E ainda nem começou.”
