dezembro 13, 2025 | Abraham Costa

O Último Herdeiro de Verdevale – Light Novel | Capítulo 7

Sombras sobre Verdevale – Capítulo 7

Os ventos do norte sopravam cada vez mais frios à medida que os dias avançavam.
O outono se aproximava lentamente, tingindo as folhas das árvores com tons alaranjados e dourados.

O Último Herdeiro de Verdevale é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

Mas em Verdevale… o ritmo não diminuía.

Martelos ecoavam dia e noite.
Troncos eram arrastados das florestas próximas e empilhados ao redor da antiga muralha quebrada. O vilarejo, antes silencioso e esquecido, agora pulsava com trabalho e propósito.

Gunnar, o ferreiro recém-recrutado, comandava os novos aprendizes com voz rouca e expressão severa. Sob suas ordens, ferro enferrujado e sucata abandonada ganhavam nova forma, transformando-se em ferramentas afiadas e armas simples, porém confiáveis.

Renato caminhava entre as construções improvisadas com passos firmes, observando cada detalhe. Nada escapava ao seu olhar atento.
Ao seu lado, Líria anotava tudo em um caderno de couro resgatado de um celeiro abandonado — agora um registro precioso do crescimento de Verdevale.

— Os pilares foram fincados, mestre — informou um dos camponeses. — Se mantivermos esse ritmo, em duas semanas teremos um portão decente.

Renato assentiu lentamente.
— Bom. Quero a entrada principal fortificada. Se conseguirem, ergam torres de vigia. Pequenas… mas funcionais. Verdevale não precisa parecer forte. Precisa ser forte.

Novos Rostos, Novos Destinos

Dias depois, a notícia da vitória contra os bandidos começou a se espalhar pelas vilas vizinhas.
Famílias empobrecidas, artesãos falidos e até mercenários sem trabalho passaram a aparecer nos portões de Verdevale, em busca de abrigo… ou de uma nova oportunidade.

No início, Renato hesitou. Nem todos vinham com boas intenções.
Mas, ao ativar sua habilidade de visualizar status e afinidades, ele passou a filtrar cuidadosamente cada recém-chegado.

Foi assim que três novos nomes entraram para a história de Verdevale.

Marien Tovald.
Uma jovem arqueira de cabelos castanhos claros e olhos atentos. Ex-soldada de uma guarnição dissolvida, buscava abrigo e trabalho honesto.

Lealdade inicial: 52/100
Afinidade: Alta com liderança forte.

Renato a nomeou responsável pelas futuras torres de vigia.

Derek Fael.
Alto, ombros largos, passado de mercenário. Experiente em combate corpo a corpo, mas com olhar cínico e postura desconfiada.

Lealdade inicial: 39/100
Afinidade com disciplina: Média.

Foi colocado sob observação direta, mas encarregado de treinar os camponeses voluntários, formando a primeira guarda local.

Elina Brask.
Uma jovem artesã de mãos habilidosas, especialista em tecelagem e construção leve.

Lealdade inicial: 68/100
Afinidade com comunidades em reconstrução: Alta.

Recebeu a missão de organizar as moradias comunitárias, substituindo barracos frágeis por estruturas de madeira sólidas.

O Vilarejo que Começa a Respirar

Essas novas adições mudaram completamente o ritmo do território.

Marien organizou postos de observação e turnos noturnos.
Derek começou a transformar camponeses comuns em combatentes improvisados, ensinando formações defensivas com lanças e escudos de madeira.
Elina liderou mulheres e crianças na reconstrução do vilarejo, devolvendo ordem e dignidade às ruas de terra batida.

Numa noite tranquila, Líria observava o portão recém-erguido, iluminado por tochas.

— Em poucas semanas… parece outro lugar — murmurou.

Renato, sentado sobre uma pedra, respondeu com calma:
— Ainda é frágil. Mas agora qualquer inimigo pensará duas vezes antes de atacar. E é isso que eu quero… tempo. Tempo para crescer.

Visitantes Indesejados

Nem todos os visitantes, porém, vinham com boas intenções.

Numa manhã coberta por névoa, um viajante encapuzado chegou aos portões, pedindo abrigo. Vestia roupas simples, carregava uma mochila leve e falava com educação contida.

Quando Renato ativou sua habilidade, algo se destacou:

Nome: Desconhecido
Profissão: “Comerciante Itinerante”
Lealdade: ???
Afinidade: Oscilante
Status: Encoberto (Nível Mágico Intermediário)

Renato franziu levemente a testa.

(Encoberto… isso não é coisa de simples comerciante.)

Ele permitiu a entrada, mas ordenou discretamente a Marien que mantivesse vigilância constante.

— Você acha que é…? — cochichou Líria.

— Espião imperial. Ou pior — respondeu Renato em voz baixa. — Seja quem for, entrou no lugar errado para agir livremente.

Sombras em Movimento

Naquela noite, enquanto o vilarejo dormia, Renato observava Verdevale do alto da colina. Tochas iluminavam ruas, vozes distantes ecoavam, e a vida pulsava onde antes havia silêncio.

Nas sombras da floresta, duas silhuetas observavam.

— Então é verdade… o herdeiro falido está reconstruindo — disse uma voz fria.
— Sim. O Império começará a se mover em breve. Se ele continuar assim, essas terras deixarão de ser neutras — respondeu outra.

Um corvo negro pousou acima deles. Uma mensagem foi presa à sua pata.

— Leve ao Capitão Imperial de Espionagem. Verdevale não é mais um território morto.

A Primeira Reunião de Guerra

No dia seguinte, Renato convocou Marien, Derek, Gunnar, Líria e alguns camponeses de confiança para a primeira reunião estratégica oficial, realizada no celeiro convertido em sala de comando.

Mapas rústicos e relatórios cobriam a mesa.

— Verdevale não é mais invisível — começou Renato. — O Duque Merivold, os reinos vizinhos e o Império estão observando. Isso significa que cada passo precisa ser calculado.

Gunnar coçou a barba.
— Então… qual é o próximo movimento?

Renato encarou cada um, sem hesitar.

Fase 2: Defesa Real.
Vamos construir uma fortaleza. Não um castelo de nobre mimado… mas um ninho de ferro e pedra. Pequeno, eficiente e inexpugnável.
E enquanto eles nos observam… nós observaremos de volta.

Derek sorriu de lado.
— Gosto do jeito que você pensa, garoto.

Líria respirou fundo. Ela sentia. Aquilo era um ponto de virada.

O vilarejo moribundo começava a ganhar alma de domínio.

E, além da floresta…
o Império começava a se mover.

Capítulo 8

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