dezembro 9, 2025 | Abraham Costa

O último herdeiro de Verdevale – Light Novel cap 1

Capítulo 1

Alguns acreditam que o destino é uma estrada reta…
Mas para aqueles que desafiam o impossível, o destino se curva… se transforma…
E concede a chance de reescrever a própria história.

O Último Herdeiro de Verdevale é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

A chuva caía pesada sobre o coração do Rio de Janeiro. Gotas grossas tamborilavam nas ruas estreitas, enquanto a água acumulada corria pelos bueiros refletindo a luz trêmula dos postes. Em meio ao cinza daquela noite, um jovem de vinte e cinco anos terminava mais um turno exaustivo em um pequeno mercado.

Renato caminhava devagar, o corpo pesado de cansaço. Os pés doíam. Os olhos semicerrados mal acompanhavam o caminho. Era apenas mais um dia comum… mais um salário curto… mais um sonho engolido pela rotina.

Enquanto carros buzinavam e pessoas corriam para fugir da tempestade, sua mente buscava abrigo nas lembranças silenciosas de noites dedicadas a livros antigos. História militar, economia, estratégias de impérios, táticas de guerra… mundos onde reis moldavam destinos com palavras e aço. Ali, ele se sentia vivo.

Mas naquela noite… o destino o encontrou de forma cruel.

Um estampido seco ecoou. Um grito se seguiu.
E antes que pudesse reagir, um tiro perdido cortou o ar e atingiu seu peito.

Renato caiu no chão molhado, o impacto rasgando o mundo ao seu redor. As luzes giraram. Sons se dissolveram. As sirenes se tornaram distantes… irreais. No hospital, cercado por vozes apagadas, ele encarou o teto branco e frio.

Com o resto de sua consciência esvanecendo, murmurou:

— Se eu tivesse… uma nova chance… eu faria tudo diferente…

Silêncio.
Depois, apenas luz.

Renato abriu os olhos com um sobressalto.

Um teto de madeira podre, cheio de buracos, permitia que feixes de luz solar atravessassem a escuridão. O cheiro de mofo e terra molhada invadia o ar. Ele se ergueu rapidamente, ofegante, e analisou o ambiente ao redor: paredes remendadas, chão irregular, móveis quebrados. Uma cabana miserável.

E mesmo assim… algo estava muito errado.

Ele olhou para as próprias mãos.
Eram mais jovens. O corpo, mais magro. As roupas… medievais, feitas de tecido grosso e gasto.

— Jovem mestre… finalmente acordou.

A voz suave veio do fundo do cômodo.

Uma garota de cabelos azuis entrou carregando uma bacia com água fresca. Seu uniforme de empregada era simples e gasto, mas ainda havia uma certa elegância nele. Seus olhos lilases o observavam com alívio — e preocupação.

Ela se aproximou e colocou a bacia sobre uma mesa improvisada.

— Você desmaiou no meio da noite de novo… Achei que fosse alguma febre.

Renato piscou, confuso. A voz dela… tão familiar.
Líria.

A única empregada que permanecera ao seu lado.

Então, como uma onda violenta, fragmentos de outra vida explodiram em sua mente. Nome, família, terras… títulos.

Renato Verdevale.

Último herdeiro das terras Verdevale… um território esquecido.

Cambaleando, ele foi até a porta e a abriu. O vento frio da manhã tocou seu rosto.
E diante de si, o cenário se estendia como uma ferida aberta.

Campos vazios. Colinas áridas. Ruínas de antigas construções. O que antes fora uma cidade florescente agora restava como silêncio e pedra quebrada. A torre de vigia tombara há anos. A estrada de pedra, tomada por musgo. Nenhum guarda. Nenhum criado. Apenas o eco do passado.

Esse era o lugar que agora lhe pertencia.

Líria aproximou-se, segurando um pano entre os dedos. Sua voz era suave e carregada de tristeza:

— Eles se foram… todos. Quando seus pais partiram, levaram tudo. Ouro, joias… até as janelas da mansão. Venderam a casa para um mercador e fugiram antes dos cobradores chegarem. Os camponeses não suportaram mais as taxas abusivas. Muitos morreram de fome. Outros fugiram. Restaram poucos… muito poucos.

Renato permaneceu em silêncio. O vento trazia o som distante de corvos.

A verdade era simples.
Cruel.
Seus “pais” haviam abandonado tudo, como ratos fugindo de um navio afundando.

De volta ao interior, ele encontrou um baú enferrujado no canto do quarto. Ao abri-lo, uma pilha de papéis amarelados e contas não pagas desabou no chão. Ele se ajoelhou e começou a ler. Cada folha… uma dívida. Cada linha… um erro.

Impostos abusivos. Rotas comerciais quebradas. Saques constantes.
O nome Verdevale era sinônimo de decadência.

Líria se ajoelhou ao seu lado, olhando de forma discreta.

— Eles vêm todo mês… cobradores, soldados, representantes dos vizinhos. Todos querem algo. E nós… já não temos nada para oferecer. Ninguém mais acredita que o nome Verdevale ainda signifique alguma coisa.

Renato apoiou os cotovelos nos joelhos, observando as contas espalhadas como se fossem um campo de batalha.

Na vida passada, estudara sobre impérios que ruíam não por ataques externos, mas pela podridão interna.

E ali estava.
A podridão deixada pelos próprios pais.

Capítulo 2

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