dezembro 12, 2025 | Abraham Costa

O guardião das Bruxas – Light Novel cap 2

Capítulo 2 — A Maid Que Nasceu do Lixo

O sol da manhã atravessava as frestas de um telhado quebrado. Caio se levantou de um monte de feno podre, esticando os braços. Sua túnica clara estava encardida, e o vento frio entrava pelas paredes da casa arruinada.
Ele passou a mão na barriga, que roncou alto.

O guardião das Bruxas é uma obra de ficção original publicada em formato de light novel. Todo o conteúdo é autoral, criado por Abraham Costa, e protegido por direitos autorais.

— “Ótimo… reencarnei jovem e saudável… só pra morrer de fome em três dias.”

O vilarejo ao redor era desolado: janelas sem vidro, portas caídas, telhados prestes a desabar. Tudo tomado pelo mato. Nenhum animal, nenhuma plantação, nada.

Quando tropeçou em um tronco caído, cutucou-o com o graveto que ainda carregava. Um clarão percorreu o galho, símbolos apareceram como fogo azul. O tronco tremeu, pedras e metal dos destroços começaram a voar, atraídos por uma força invisível.

Do amontoado nasceu uma figura feminina. O corpo se moldou com precisão, pele clara com brilho metálico, cabelos prateados escorrendo até os ombros. Vestia um vestido preto com avental branco rendado, mangas bufantes e botas discretas. Quando ergueu o rosto, dois olhos de cristal azul se acenderam como lanternas.

Ela piscou os olhos, inclinou a cabeça e, em voz cristalina, disse:

— “Inicialização concluída. Unidade AURA-01 online. Olá, Mestre.”

Caio engasgou, recuando dois passos.

— “QUE—? EU PENSEI NUMA PÁ, NÃO NUMA… MÁQUINA DE LIMPAR CASTELO?!”

A jovem metálica pousou a mão no avental, quase como uma reverência.

— “Correção: unidade de Assistência Universal Rúnica Autônoma. Nome funcional: AURA-01. Função: auxiliar o Mestre em sobrevivência, cultivo e construção.”

Foi então que Caio reparou: no pescoço dela, um pequeno código de barras negro marcado na pele. Uma assinatura de criação.
Ele balançou a cabeça, incrédulo.

— “Maravilha… até reencarnar eu consegui inventar escravidão digital sem querer.”

Lia ergueu os olhos, brilhando com intensidade.

— “Observação: taxa de incompetência do Mestre estimada em 83%. Expectativa de morte por inanição: 72 horas.”

Caio levantou os braços.

— “Nem cinco minutos de vida nova e já tô sendo ofendido pela Alexa versão maid medieval.”

Apesar das reclamações, resolveu aproveitar.

— “Tá, Lia… já que é minha ajudante, me arruma comida.”

Os olhos dela piscaram, como se processassem milhões de cálculos.

— “Resultado: não há alimento armazenado. Solução viável: abrir terra e iniciar cultivo imediato.”

Caio suspirou. Tentou cavar com uma pá quebrada que encontrou, mas o cabo rachou no primeiro golpe. Jogou no chão, exausto.
Por impulso, encostou o graveto na ferramenta. Um clarão percorreu o objeto. Em segundos, surgiu uma pá de metal reluzente, resistente como nunca vira antes.

Ele encarou, sem acreditar.

— “Eu… eu criei isso?!”

Lia registrou.

— “Análise: ferramenta de liga metálica desconhecida. Durabilidade: 99%. Sugestão: plantar agora, Mestre.”

Passou o dia inteiro cavando. Suas calças bege estavam imundas, a túnica colada de suor. Lia, impecável em seu traje de maid, caminhava pelo campo, analisando raízes e sementes mofadas achadas em despensas antigas.

— “Veneno. Comestível. Indigesto. Potencialmente letal. Baixa chance de sobrevivência. Probabilidade de diarreia: 64%.”

À noite, Caio sentou-se diante de uma fogueira improvisada, mordendo uma raiz assada com gosto horrível.
Ele olhou para Lia, que continuava séria ao seu lado.

— “Horrível… mas é a melhor coisa que eu comi em dez anos.”

Ela inclinou a cabeça, olhos azuis pulsando como brasas.

— “Primeira refeição concluída. Início da base de sobrevivência registrado. Nota adicional: Mestre deveria construir abrigo decente. Previsão de colapso estrutural deste teto: duas semanas.”

Caio riu, cuspindo um pedaço da raiz.

— “Reencarnei pra plantar batata… mas virei pedreiro com babá digital. Só falta eu inventar o Wi-Fi agora.”

Acima deles, o céu estrelado iluminava o vilarejo morto. Pela primeira vez, Caio sentiu esperança.
E ao lado dele, aquela figura que parecia humana — mas tinha um código de barras no pescoço — piscou os olhos, como se já estivesse registrando o nascimento de algo muito maior.

Capítulo 3

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